#SaúdeEntrevista: Profissionais da Atenção Básica aprendem sobre o “Método Canguru”

By | 19 de fevereiro de 2016

Método Mãe Canguru - Imagem Post - Créditos Divulgação Minsitério da Saúde

Entre os dias 15 e 17 de fevereiro, a Superintendência Regional de Saúde de Uberlândia (SRS Uberlândia) realizou, em parceria com o Ministério da Saúde, o Curso de Formação de Tutores para a Atenção Básica. O tema foi o Método Canguru e 26 profissionais foram preparados para serem multiplicadores.

Em Minas Gerais, o Triângulo Norte é a primeira região do interior que terá a Atenção Primária preparada para o acompanhamento dos recém-nascidos, como explicou Noilma Passos, coordenadora do Núcleo de Redes de Atenção à Saúde da SRS. “Uberlândia não estava na agenda o Ministério. Foi somente Belo Horizonte e região. Porém, como a nossa rede está estruturada com os leitos Cangurus no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, estamos credenciando leitos também na Santa Casa de Patrocínio, implantando a rede Cegonha, articulamos para preparar os nossos profissionais da Atenção Primária”, disse a coordenadora.

O Blog da Saúde MG conversou com Maria Cândida Bouzada, consultora do Ministério da Saúde para o Método Canguru, que explicou como é o método, as vantagens para as mães e os desafios de implementação. Acompanhe:

1) Em essência, o que é o Método Canguru?

O Método Canguru é uma maneira nova de cuidar do recém-nascido, que prioriza o cuidado centrado na família, ou seja, na mãe, no pai e nos irmãos. Quando se pensa em Método Canguru todo mundo só pensa no “pele a pele”, mas vai muito além do “pele a pele”. É a ideia de proteger a criança na questão orgânica, cerebral e também psíquica; e inclusive os seus familiares – melhorando a atenção à família e o vínculo afetivo entre essa família e o bebê.

2) O Método Canguru é indicado somente para bebês prematuros?

O Método é indicado para todas as crianças que nasça abaixo de 2,5 kg. Por quê? Abaixo deste peso, a criança corre mais risco de morte e de morbidade, sujeito a doenças. Então podemos tratar de bebês que não foram prematuros, mas tem 2,3kg? Podemos, porque ele requer muito cuidado também da Atenção Básica. O método é mais direcionado para o prematuro e crianças abaixo de 2,5 kg.

3) E como está sendo implementado nos Estados?

O Método Canguru já é uma política pública de saúde há muitos anos. Agora ele está sendo estendido também para a Atenção Básica. A partir do momento que a criança recebe alta na maternidade ela é referenciada, de acordo com o seu domicílio. Os profissionais da Atenção Básica (ou Atenção Primária), que são responsáveis por aquele domicílio, irão saber desta alta, e começarão a dar assistência para este recém-nascido logo após a alta. Um cuidado compartilhado com a maternidade de risco de onde este bebê saiu.

O cuidado compartilhado na Atenção Básica está sendo implementado desde 2014. O primeiro foi no Acre. Uberlândia é o segundo lugar de Minas Gerais a fazer um curso direcionado a novos tutores. Belo Horizonte foi o primeiro local, onde atendeu várias regiões de Minas. O que nós esperamos é a transformação do cuidado compartilhado com a maternidade do prematuro.

4) Quais são as principais vantagens do Método Canguru para a mãe?

Já existem vários trabalhos e pesquisas na literatura que mostram que o Método é tão importante para a mãe quanto para a família. Se a mãe vê o seu filho internado em uma Unidade de Tratamento Intensivo, ela pode ficar com depressão e triste. Mas se ela tiver este acolhimento dos trabalhadores em saúde e souber que ele está sendo atendido por uma rede de saúde do estado e do município, ela irá ficar mais tranquila. Então o que fazemos é também um trabalho de prevenção de danos psíquicos, de depressão pós-parto.

O Método Canguru também é importante para o aleitamento materno. Se a criança é amamentada no seio, isto tem inúmeras vantagens, tanto para a criança como para a mãe. Por exemplo: redução do peso mais rápido, prevenção do câncer de mama, de útero e de ovário. Logo após quando ela ganha o neném, se ele for amamentado, ela pode evitar hemorragia uterina. É mais difícil amamentar logo após o nascimento, pois os bebês costumam nascer abaixo do peso.

5) Quais são os principais desafios para executar a política?

Primeiro, é devido à extensão do país que é quase um continente. Tem também a questão dos próprios locais. Uberlândia e a região do Triângulo Norte são também muito grandes. No Triângulo será interessante, porque aqui tem muitas pessoas engajadas na causa, como podemos ver, já que todos os municípios estão presentes na oficina. Existem locais no Brasil que é mais difícil do que aqui, por causa das extensões territoriais. Outro problema no Brasil é a questão da articulação entre os profissionais de saúde nos vários níveis de gestão. Mas, isto, aqui no Triângulo, que será mais tranquilo.

Por Priscilla Fujiwara

 

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