#Artigo: A agenda científica do Zika Vírus e a Microcefalia no Brasil

By | 1 de março de 2016

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No último dia 23 de fevereiro, a revista científica inglesa de The Lancet publicou um artigo escrito por de pesquisadores brasileiros sobre a agenda científica para o vírus zika e a microcefalia no Brasil. O texto destaca as iniciativas do governo federal para ampliar o conhecimento sobre o vírus zika no Sistema Único de Saúde (SUS) e as suas consequências para a saúde pública no Brasil e em todo mundo, com citação especial ao Gabinete para o Enfrentamento à Emergência Epidemiológica em Saúde Pública da Fiocruz.

» Para conferir o artigo completo (em inglês), clique aqui.

O artigo é assinado pelo presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Paulo Gadelha; o vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência, Rodrigo Stabeli; o coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde, Paulo Buss; o diretor da Fiocruz Bahia, Manoel Barral-Netto; os pesquisadores da Fiocruz Mauricio Barreto e Pedro Vasconcelos; além de Naomar Almeida-Filho, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e Mauro Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

De acordo com os pesquisadores, para alcançar melhores chances de sucesso, um plano estratégico para a ação governamental deve ser apresentado em torno de seis componentes centrais.

1. Conhecer melhor a infecção
O primeiro objetivo é ampliar a base de evidência da infecção, das doenças, e dos resultados potenciais das pesquisas sobre Zika. Apesar de ser conhecida há várias décadas, o vírus zika foi um assunto negligenciado, possivelmente por causa de seus efeitos leves e seu alcance limitado. A criação de uma equipe multidisciplinar, incluindo clínicos bem treinados, epidemiologistas, geneticistas, neurologistas, obstetras, comunicadores, entre outros, fará com que seja possível gerar, compartilhar e analisar um grande volume de dados.

2. Desenvolver testes rápidos e confiáveis
O segundo componente é desenvolver um teste sorológico rápido e confiável. Atualmente, o diagnóstico de Zika se baseia na detecção de RNA viral, que está presente apenas em um breve período da viremia. De acordo com os pesquisadores, é essencial ter testes sorológicos confiáveis ​​e mais sensíveis e específicos.

3. Controlar a infestação por Aedes aegypti
O terceiro eixo é controlar a infestação porAedes aegypti com o objetivo de reduzir a infecção e a doença. Apesar de o controle do mosquito ter sido uma prioridade nacional, estudos precisam avaliar a eficácia de novas formas propostas de controle de vetores, como mosquitos infectados com a bactéria wolbachia.

4. Definir protocolos para o tratamento de casos agudos – especialmente de grávidas
A quarta meta do plano é definir protocolos para o tratamento de casos agudos, em particular as mulheres grávidas, e prevenção das consequências de malformações congênitas graves e incapacitantes. Não há nenhum tratamento comprovado hoje para o vírus Zika e qualquer novo tratamento terá de ser seguro para as grávidas.

5. Iniciar as bases para o desenvolvimento de vacinas, prospecção e avaliação de estratégias tecnológicas
O quinto objetivo é iniciar as bases para o desenvolvimento de vacinas, prospecção e avaliação de possíveis estratégias tecnológicas. Tendo em vista as dificuldades no controle do mosquito vetor e a ausência de outras formas de tratamento e prevenção, o desenvolvimento de uma vacina contra zika parece ser essencial para o controle a longo prazo da doença.

6. Reprogramar o sistema de saúde
O sexto e último objetivo do plano estratégico é a reprogramação do sistema de saúde como consequência da epidemia. Para lidar com esta nova situação, será fundamental definir os recursos adequados para pesquisa, formação e capacitação. Segundo os autores do artigo, a cooperação internacional exigirá um complexo nível de coordenação e um grande esforço das agências reguladoras para aumentar as chances de sucesso dentro de um prazo razoável.

Fonte: Texto adaptado do portal de Periódicos da Fiocruz.

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