#SaúdeEntrevista: SUS oferece atendimento a mulheres com depressão

By | 4 de março de 2016
Foto: iStock / Reprodução.

Foto: iStock / Reprodução.

Uma tristeza que se estende por semanas a fio, um sentimento de apatia e desânimo que não passa, dificuldades para dormir, falta de apetite e fadiga. Uma mistura de sentimentos e sensações que não se sabe como administrar num mundo que somente se apresenta na cor cinza. Esse é o dia-a-dia de uma pessoa com depressão, distúrbio sério de alteração do humor que, em muitos casos, chega a caracterizar-se como incapacitante. Clique aqui e confira uma matéria completa no site da SES-MG sobre este assunto. Para tirar algumas dúvidas sobre o assunto, o Blog da Saúde MG entrevistou o Coordenador Estadual de Saúde Mental da SES-MG, Humberto Cota Verona. Confira: 

1) Como identificar que uma pessoa está com depressão?

A depressão é um distúrbio de alteração do humor sério e por vezes incapacitante. Causa sentimentos de tristeza, desespero, desamparo e inutilidade. Ela pode ser de leve a moderada, com sintomas de apatia, falta de apetite, dificuldade para dormir, baixa auto-estima e fadiga, ou pode ser uma depressão maior com sintomas de humor depressivo na maioria dos dias, falta de interesse nas atividades rotineiras que antes eram realizadas com satisfação, perda ou ganho de peso, insônia ou hipersonia, fadiga, sentimentos de culpa na maioria dos dias e pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.

2) A depressão é mais comum em mulheres que em homens? Se sim, há alguma explicação para isso?

Antes da adolescência, a prevalência de depressão é a mesma em meninas e meninos. Entretanto, com a chegada desta fase da vida, o risco das garotas desenvolverem depressão aumenta duas vezes mais que o dos garotos. Alguns especialistas acreditam que mudanças hormonais estão relacionadas a este risco aumentado. Estas mudanças são evidentes durante a puberdade, gravidez e menopausa assim como no pós-parto, histerectomia (cirurgia de retirada do útero) ou aborto. Além disso, as flutuações hormonais que ocorrem a cada ciclo menstrual provavelmente contribuem para a síndrome pré-menstrual ou TPM. Há também a doença disfórica pré-menstrual ou DDPM, um tipo severo de TPM especialmente reconhecido por depressão, ansiedade, mudanças de humor cíclicas e letargia.

3) É possível relacionar fatores de risco à depressão?

Os fatores que aumentam o risco de uma mulher ter depressão incluem fatores genéticos, biológicos, reprodutivos, interpessoais e características psicológicas e de personalidade. Além disso, as mulheres que intercalam o trabalho com o cuidado com seus filhos ou as mães solteiras sofrem mais de estresse que pode desencadear a depressão. Outros fatores incluem história familiar de alterações do humor; estresse psicológico ou social, como perda de emprego, relacionamento estressante, separação ou divórcio; abuso sexual ou físico durante a infância, entre outros. Isso sem contar que mulheres podem apresentar depressão logo após terem um bebê, a chamada depressão pós-parto

4) Se uma mulher apresentar sintomas de depressão, onde ela deve buscar ajuda na rede pública?

A porta de entrada principal do SUS é a Unidade Básica de Saúde, também conhecida como Centro ou Posto de Saúde. As equipes da atenção básica estão preparadas para acolher e direcionar o cuidado de pessoas com sintomas depressivos. Quando o caso requerer atendimento especializado, as equipes buscam o apoio de profissionais da saúde mental – psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, enfermeiros, Terapeutas Ocupacionais, dentre outros. Os Centros de Atenção Psicossocial funcionam como retaguarda para tratamentos intensivos sempre que houver necessidade de cuidado próximo com permanência dia ou noite do paciente no serviço.

5) Há algum programa no SUS voltado para o prevenção e tratamento da depressão?

Programas voltados para melhoria da qualidade de vida têm um efeito importante sobre sintomas depressivos porque aumentam a resiliência e a capacidade de respostas das pessoas às situações adversas e ao estresse. Esses programas são encontrados nas ações de saúde da Atenção Básica como grupos de convivência, práticas integrativas e complementares, com Lian Gong (prática corporal oriental), acupuntura, massoterapia, práticas de caminhada e alongamento, dentre outros.

Deixe uma resposta