#SaúdeEntrevista: Pesquisador destaca prevenção como principal estratégia contra H1N1

By | 11 de maio de 2016

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O número e a gravidade dos casos confirmados de influenza, provocada pelo vírus H1N1, tem gerado grande preocupação no Brasil nas últimas semanas. Conhecida comumente como gripe, a influenza superou em um trimestre o número total de casos registrados em 2015. O médico e vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), José Cerbino Neto, cuja tese de doutorado teve como tema Pandemia de Influenza no Brasil: Epidemiologia, Tratamento e Prevenção da Influenza A H1N1, esclarece dúvidas sobre a doença e sua prevenção. Acompanhe a entrevista: 

1) Quais os principais sintomas da gripe H1N1?

Os principais sintomas são febre, dores no corpo e sintomas respiratórios, principalmente tosse e dor de garganta, que classificam o caso como suspeito.

2) Como diferenciá-la da gripe comum?

A gripe H1N1, clinicamente, não tem como ser diferenciada das outras influenzas. Existem vários subtipos circulando anualmente e todos eles causam síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave, só que em frequências diferentes. O que acontece é que em certos anos temos predominância do H3N2 e em outros é o H1N1. Devemos considerar, além disso, que existem diferenças no comportamento entre esses vírus a cada ano, motivo pelo qual temos algumas temporadas com casos mais graves e outras com casos menos graves. É importante também diferenciar a gripe (influenza) do resfriado comum. O resfriado, normalmente, não tem febre e apresenta sintomas menos severos.

3) Como os sintomas de H1N1 podem ser diferenciados de dengue, já que as doenças apresentam sintomas bastante semelhantes em alguns casos?

As duas são doenças febris agudas e podem provocar sintomas parecidos, mas a principal diferença são os sintomas respiratórios apresentados por pacientes infectados com H1N1.

4) Quem corre o risco de contrair H1N1?

 Todos correm o risco de contrair H1N1, mas as pessoas vacinadas vão ter esse risco reduzido. Para alguns indivíduos o que existe é uma chance maior de ter complicações. Por esse motivo é recomendada a vacinação, não pelo risco maior de ter influenza.

5) Quais os principais cuidados para evitar a doença?

O principal método de prevenção é a vacina. Considerando que uma das principais formas de transmissão é o contato de secreções com as mucosas (olhos, nariz e boca), o que acontece geralmente através das mãos, as principais recomendações são: cobrir a boca ao espirrar ou tossir e lavar sempre as mãos, utilizando álcool gel, especialmente em locais públicos. Também é recomendável evitar locais fechados que não tenham circulação de ar, assim como o contato com pessoas que estejam doentes. Reforço a orientação para que as pessoas não trabalhem quando estão gripadas.

6) Quais são as complicações trazidas pela gripe H1N1?

A principal complicação direta da influenza é a pneumonia. Os óbitos, em geral, estão associados a esse acometimento pulmonar. A influenza também pode precipitar a descompensação de outros quadros clínicos e favorecer a superinfecção bacteriana, ou seja, depois da influenza o paciente pode sofrer nova infecção causada por uma bactéria (ou vírus) oportunista.

7) Por que existe a preocupação de que a doença aumente o número de casos de pneumonia?

Porque uma das manifestações de gravidade da influenza é a pneumonia. As cepas que no ano se comportam com maior potencial de gravidade vão causar mais pneumonias.

8) Qual a diferença entre H1N1 e H3N2 e entre a influenza A e a influenza B?

Na verdade temos três tipos de influenza: A, B e C. Os tipos A e B podem causar influenza em humanos de forma endêmica e epidêmica. A Influenza A pode ser dividida em subtipos de acordo com a Hemaglutinina (H) e a Neuraminidase (N), proteínas presentes na superfície do vírus. São 14 tipos de hemaglutinina e nove de neuraminidase, por esse motivo existem várias combinações possíveis na influenza A e a imunidade não é completa entre eles, ou seja, ter tido Influenza A H3N2 não oferece proteção contra o H1N1. Por isso temos mais de um tipo de Influenza A circulando e temos mais de um tipo na vacina, já que é necessário ter imunidade específica para cada um dos subtipos.

9) Por que quem tomou em vacina de 2015 também precisa tomar a que será disponibilizada em 2016?

A vacina é modificada anualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Existe um sistema de vigilância global onde são identificadas anualmente que cepas estão circulando em quais regiões do mundo e com que frequência. Com base nesses dados a OMS faz a recomendação de quais sorotipos devem estar presentes na vacina do ano seguinte para conferir o maior grau de proteção possível. É por esse motivo que a vacina de 2016 é diferente da vacina que foi utilizada no Brasil em 2015. A vacinação anual é necessária.

10) Quais são os principais públicos que devem tomar a vacina?

Os critérios do Ministério da saúde priorizam as faixas etárias de seis meses a cinco anos, adultos maiores de 60 anos, gestantes, portadores de doenças crônicas e de comorbidades (enfermidades renais, cardíacas, pulmonares, hepatopatias, entre outras), pois podem ter uma evolução pior com a influenza.

11) Em menos de três meses o número de infectados no Brasil já superou o total de 2015 e o aumento do número de óbitos tem sido visto com preocupação. É possível conter esse aumento?

A vacina contra a influenza é uma ferramenta importante e costuma ser efetiva. Uma campanha de vacinação bem-sucedida, com altos níveis de cobertura, pode diminuir a incidência da doença e o número de óbitos associados a ela.

 

Fonte: Agência Fiocruz.

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