#SaúdeEntrevista: Ex-aluna da pós-graduação de “Comunicação e Saúde” da ESP-MG fala sobre teatro e mobilização social no SUS

By | 29 de novembro de 2016
Por Sílvia Amâncio
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Foto: Arquivo Pessoal.

A Assessoria de Comunicação Social da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG) está com a proposta de fazer uma série de entrevistas com ex-alunos do curso de pós-graduação de “Comunicação e Saúde”, cuja a segunda turma começou em agosto deste ano. A ideia é mostrar como o conteúdo aprendido na especialização contribuiu para a formação de profissionais de saúde que atuam com esse tipo de interface no Sistema Único de Saúde (SUS). Abaixo, confira a entrevista com a psicóloga e servidora da SES-MG, Susan Prado Aun:

1) Qual sua formação e cargo?

Sou psicóloga e servidora concursada no cargo de Especialista em Políticas e Gestão de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

2) Conte-nos um pouco de sua vida profissional na SES-MG?

Em 2007, logo que entrei na SES-MG, a Assessoria de Comunicação Social fez uma convocatória para a ação de um grupo de teatro, ao qual fiquei bastante interessada, pois poderia aliar trabalho e teatro ao qual tinha paixão. Então entrei para o Grupo de teatro, o grupo que mudaria minha vida daí para frente, o Grupo de Teatro Saúde em Cena.

3) E como foi esse trabalho?

Fizemos apresentações e o que era para ser somente um modelo de ação de Mobilização Social, se tornou uma ferramenta importante da SES-MG. Tendo como coordenação e direção, o ator e coordenador da Mobilização Social, Joney Fonseca. Nesse ínterim, havia feio o concurso para Especialista em Políticas e Gestão em Saúde na SES, e felizmente fui nomeada. Primeiramente para o setor de Recursos Humanos, e posteriormente, a pedido do coordenador de Mobilização, Joney Fonseca, para a Comunicação Social, para que assumisse a coordenação do Grupo e integrar a equipe de Mobilização.

4) Como é sua atuação na Assessoria de Comunicação da SES-MG?

Atualmente sou responsável pela Coordenação do Grupo de Teatro Saúde em Cena, a minha função se identifica com atuação de um produtor no teatro profissional. Recebo demandas, organizo ensaios e tudo que se refere a apresentações. Também participo do Grupo como atriz, escritora e diretora. Na Mobilização Social a função dos parceiros é essencial, é o parceiro que nos ajuda a divulgar nossas campanhas, sou responsável por articular ações de Mobilização Social junto aos parceiros. Sou responsável por captar o parceiro e inseri-lo em todo o processo de uma campanha sendo ela direta como a Dengue, como pontuais: Outubro Rosa, Gripe além de outras.

5) Como foi sua participação na especialização em Comunicação e Saúde da ESP-MG?

Inicialmente fiquei um pouco temerosa, porque não era da área de Comunicação, apesar de ter uma boa experiência na Assessoria de Comunicação, pois já tinha seis anos trabalhando na mesma. Após o susto inicial, sentia que eu precisava dedicar com um pouco mais, pois a maioria dos pensadores e a matéria era um pouco novo para mim. Tentei dar o melhor, tive dificuldades com a leitura, pois já tinha se passado 13 anos da minha formação, mas isso aos poucos foi ficando mais fácil. Quando tinha dúvidas perguntava aos professores e tive muito apoio dos colegas. O nível do curso me surpreendeu, aprendi fazer uma leitura diferente em relação às práticas e tudo acerca do SUS.

6) Qual o diferencial desse curso na sua prática profissional?

O curso literalmente ampliou minha visão sobre o SUS por meio da Comunicação Social. A prática é uma coisa, entender a prática no dia a dia é completamente diferente, principalmente quando estamos falando sobre o SUS. Hoje sou outra profissional, entendo os processos ao qual trabalho e tenho uma visão ampliada de qual é o meu papel dentro do SUS.

7) E o seu TCC? Foi sobre qual assunto?

Não poderia ser diferente falar de outro assunto que não o Grupo de Teatro Saúde em Cena, mas o meu relato de experiência foi relacionado especificamente ao espetáculo infantil “Deu a Louca no Mundo da Fantasia”, escrito por mim e Léo Duarte, também integrante do Grupo, esse espetáculo se transformou em animação (ao qual nós atores dublamos), HQ e radionovela também interpretado por nós, posteriormente criado um kit escolar que foi distribuído para todas as Escolas Estaduais de Minas Gerais. Nós tínhamos o grupo, mas ainda não tínhamos feito uma reflexão mais aprofundada sobre o fazer teatral dentro da Comunicação Social, tendo como público as crianças. Saí do lugar de ação para espectadora (um exercício bem difícil) para fazer uma reflexão do teatro como estratégia de Mobilização Social para o público infantil sobre a Dengue.

8) Como foi esse processo?

Resgatei toda a história do Grupo, baseando em três teóricos, dois teatrólogos importantes, Augusto Boal e Bertold Brecht e o sociólogo Irving Goffman como suporte para refletir sobre a nossa experiência com o teatro. Foi um exercício de se colocar fora de todo o processo, levar em conta todos os aspectos relacionados a criação, a execução e a dificuldade de perceber os problemas sendo esse ultimo juntamente com o meu orientador, o Prof. Mst Gilvan Araújo, foi um processo catártico ao qual pude analisar e finalmente compreender nosso processo. Compreendi que era impossível mensurar resultados, mas que a nossa análise se voltava mais para o dia a dia, tanto em relação aos espectadores quanto aos atores do grupo. E minha conclusão sobre a atuação do grupo foi totalmente positiva e enriquecedora.

9) Qual a importância da ESP-MG para você e para o SUS em Minas Gerais?

Pela ESP-MG tive uma oportunidade imensa de fazer esse curso de alto nível. A ESP-MG priva pela qualidade do ensino aos seus alunos, valoriza a produção, traz questionamentos sobre o SUS para os servidores que às vezes ficam estacionados (processo normal). O SUS é para ser falado e questionado, hoje, graças a ESP- MG e o curso sou uma forte defensora do SUS. Sabendo avaliar as coisas positivas e o que precisa ser mudado. Obrigada ESP-MG! Espero o Mestrado.

  • Clique aqui e confira a entrevista da jornalista e ex-aluna da ESP-MG, Kênia Aparecida Dias Costa, que trabalha com educação permanente no SUS.

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