#SaúdeNaRede: Conteúdos sobre saúde na web alteram relação médico-paciente

By | 15 de dezembro de 2016

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Antes da Internet e ainda bem antes, quando a tuberculose era conhecida como “a peste cinzenta” ou “doença do peito”, Manuel Bandeira fez poesia diante de uma consulta médica de diagnóstico irreversível. Digite “Pneumotórax” hoje em sua ferramenta de busca. Você vai encontrar 133 mil ocorrências para o termo em segundos.

Os versos do poeta brasileiro até aparecerão ali pela oitava página mas antes você terá uma infinidade de informações sobre essa urgência médica: o que é, quais os sintomas, como tratar, onde ir, sites úteis, links para consultórios, páginas tira-dúvidas, dicas de comunidades virtuais. O volume de referências disponíveis e o hábito cada vez mais comum entre os usuários que acessam a web para se informar sobre doenças gera excessos que preocupam especialistas ao mesmo tempo em que modificam a relação médico-paciente, com mais autonomia para o cidadão.

De acordo com os dados da última TIC Domicílios — pesquisa realizada anualmente com o objetivo de mapear formas de uso das tecnologias de informação e comunicação no país —, aproximadamente 46% dos usuários de Internet no Brasil utilizam a rede à procura de informações médicas sobre saúde em geral e serviços de saúde, numa incidência maior entre mulheres e população economicamente ativa. Já o buscador Google divulgou recentemente que 1% das buscas realizadas no site em todo o mundo é sobre sintomas de doenças, fazendo com que a alcunha de “Doutor Google”, utilizada de forma jocosa pelos usuários para se referir ao gigante de buscas online, seja bastante apropriada.

Para a médica e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), Helena Garbin, os indivíduos sempre procuraram informações sobre seu estado de saúde, mas é inegável que o surgimento da Internet trouxe um aumento significativo do acesso a informações amplificando assim os reflexos deste processo e alterando a relação entre os indivíduos. Como lidar com tantas informações diferentes e frequentemente contraditórias sempre ao alcance de um clique? Em que informação confiar? Como encarar o fenômeno que gerou até um termo próprio, os chamados “cibercondríacos”?

Segundo Helena, cibercondríacos são nada mais nada menos que hipocondríacos com acesso à Internet. “Isto é, a internet e seus incontáveis locais com diferentes formas de obtenção de informação em saúde são os instrumentos que facilitam a hipocondria”, diz a pesquisadora, acrescentando que a preocupação maior que se coloca é em relação à qualidade da informação disponível. Para ela, além de verificar a credibilidade do conteúdo e das fontes, é importante manter-se alerta para a origem e reconhecimento do ambiente no qual a página está hospedada. Quando se fala de informação técnica, uma boa indicação, de acordo ainda com a pesquisadora, são sites suportados por universidades, hospitais, instituições da área da saúde e escolas de formação em outras racionalidades médicas que não a biomedicina a exemplo da homeopatia, acupuntura e ayurvédica.

 

Fonte: Agência Fiocruz.

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