#Ciência: Bactéria da hanseníase pode inibir defesa das células

By | 6 de janeiro de 2017
Por Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

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Uma pesquisa liderada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) mostra que a bactéria Mycobacterium leprae, causadora da hanseníase, pode inibir um importante mecanismo da imunidade nos pacientes: a autofagia, que promove a destruição de microrganismos intracelulares nas células de defesa conhecidas como macrófagos.

Segundo as análises, a supressão da autofagia está associada com os casos mais graves da doença, chamados de multibacilares, pois os pacientes apresentam grande número de lesões com alta carga bacteriana. Realizado em colaboração com o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL), em São Paulo, e Universidade de Cologne, na Alemanha, o trabalho foi publicado na revista científica Plos Pathogens, nesta quinta-feira (5/01).

De acordo com a coordenadora do estudo, Roberta Olmo Pinheiro, pesquisadora do Laboratório de Hanseníase do IOC/Fiocruz, além de ampliar o conhecimento sobre o agravo, o achado aponta para a possibilidade de novas terapias. “Nos últimos anos, pesquisas destacaram a importância da autofagia no controle da tuberculose e da leishmaniose, mas o papel do mecanismo na hanseníase ainda não tinha sido estabelecido. Nossos resultados sugerem que proteínas da via da autofagia poderiam ser alvos terapêuticos, uma vez que a ativação desse mecanismo parece contribuir para o controle do agravo”, afirma a farmacêutica, acrescentando que o tratamento atual da hanseníase, baseado na combinação de antimicrobianos, é eficaz. Assim, os novos fármacos teriam função complementar.

Investigação detalhada

Pela sua relevância, a autofagia foi destacada no Prêmio Nobel de Medicina em 2016. O cientista japonês Yoshinori Ohsumi recebeu a láurea por descobrir os genes envolvidos na regulação do mecanismo. O processo ocorre em todas as células com o objetivo de degradar estruturas, tanto para obtenção de nutrientes como para eliminação de moléculas. Nos macrófagos, que são células de defesa, a autofagia tem características particulares, participando da destruição de microrganismos que se alojam no interior das células.

  • Clique aqui para ler a matéria completa no site da Agência Fiocruz.

 

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