#SaúdeEntrevista: Pesquisadora da ESP-MG realiza estudo sobre os impactos do clima na saúde

By | 11 de maio de 2017

11.05_pesquisadora_ESP-MG_Ana Flávia Quintão Fonseca

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as mudanças climáticas já causam milhares de mortes todos os anos, provocadas por fenômenos extremos, enchentes e secas e pela degradação da qualidade do ar, da água e dos alimentos. O tema é urgente e demanda estudos que auxiliem o desenvolvimento de políticas públicas sociais, econômicas e de saúde que possam colaborar com a mudança do quadro de degradação.

Em Minas gerais, a bióloga, pesquisadora e servidora da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), Ana Flávia Quintão Fonseca, concluiu o doutorado em Saúde Coletiva no Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz Minas) com pesquisa que relaciona a vulnerabilidade humana às mudanças climáticas.

A pesquisa contou com extensa coleta de dados dos 853 municípios mineiros, a partir dos quais foi elaborado um indicador agregado de vulnerabilidade. “Todos os dados foram obtidos a partir de fontes oficiais governamentais. A experiência foi muito enriquecedora, principalmente por ter trabalhado com informações acerca das projeções climáticas para Minas Gerais”, conta. Abaixo, confira a entrevista com a pesquisadora:

1) Conte um pouco sobre seu tema de pesquisa. Como chegou à associação de danos à saúde pelas mudanças climáticas?

Essa não é uma associação feita por mim, existe importante produção científica sobre o tema dos impactos das mudanças climáticas na saúde humana. A mudança climática pode afetar a saúde de muitas maneiras, por meio de impactos diretos (ondas de calor, alagamentos, inundações, escassez de água) ou indiretos (proliferação de insetos vetores de doenças transmissíveis, doenças transmitidas pela água, redução da produção de alimentos, impactos estéticos na paisagem natural, empobrecimento, interferências na saúde mental). Além disso, esse é o tema de estudo do meu orientador, professor Dr. Ulisses Confalonieri, há mais de 20 anos.

2) Já é possível mapear quais os impactos mais comuns em Minas Gerais?

Os impactos das mudanças climáticas em Minas Gerais, no presente, ainda não foram mensurados, pois essas mudanças começaram a mostrar seus efeitos muito recentemente. Neste estudo, realizei um levantamento dos principais desastres naturais que ocorreram no estado, com base na série histórica dos últimos 12 anos, disponibilizada pela Defesa Civil Nacional.

Como as mudanças climáticas possuem o potencial de intensificar e aumentar a frequência dos fenômenos climáticos extremos, projeta-se um agravamento dos principais desastres naturais que já ocorrem no estado, como secas e estiagens, alagamentos, enxurradas, movimentos de massa e vendavais.

3) Como foi elaborado o indicador de vulnerabilidades e como ele poder ser utilizado em políticas públicas de promoção da saúde?

O Índice de Vulnerabilidade Humana (IVH) foi elaborado a partir da metodologia de indicadores compostos de vulnerabilidade humana frente às mudanças climáticas, que vem sendo desenvolvida por um grupo de pesquisadores da Fiocruz de Minas e do Rio de Janeiro. O IVH aborda os aspectos da vulnerabilidade humana às mudanças climáticas presente e futura, como a exposição, a sensibilidade e a capacidade adaptativa. Para cada um desses elementos da vulnerabilidade, foram desenvolvidos indicadores específicos.

O IVH foi desenvolvido por meio de indicadores simples, de fácil compreensão, utilizando fontes de dados oficiais disponíveis. Na tese há descrição minuciosa da metodologia para que o gestor público interessado em adotar o índice não encontre dificuldade de compreensão com relação ao mesmo. A partir dos resultados do IVH, os gestores poderão observar a vulnerabilidade presente, calculada a partir de indicadores que consideram a situação socioambiental e de saúde atual da população, e a vulnerabilidade futura, calculada a partir projeções climáticas de precipitação e temperatura.

Dessa maneira, as políticas públicas de saúde em Minas poderão ser formuladas ou complementadas considerando a vulnerabilidade presente e futura das populações, que indicam os possíveis agravos causados ou intensificados pelas alterações climáticas, de acordo com a região do estado.

» Para ler a entrevista completa no “Minas Faz Ciência”, clique aqui.

 

Fonte: Minas Faz Ciência.

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