#SaúdeECinema: O Renascimento do Parto

By | 21 de junho de 2017

por Sílvia Amâncio*

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“A todo momento é negado à mulher o direito à escolha. A ela é negada a informação, o conhecimento de seu corpo e da vida que carrega. Ela, frágil e sem informação, não tem escolha. Acaba tendo sua vontade suprimida e é levada a crer que ela não tem condições de parir naturalmente. Uma figura masculina escolhe por ela”.

Em “O Renascimento do Parto”, documentário de 2013 dirigido por Erica de Paula e Eduardo Chauvet, vemos uma mistura de depoimentos de especialistas brasileiros e estrangeiros em torno do parto, um brinde ao que há de mais belo no ato de gerar a vida, e o lado mais cruel na mercantilização do parto. Com imagens (fortes) de cesarianas – em que os bebês aparecem como pedações de carne extirpados dos corpos de suas mães, assistimos os especialistas a contextualizar a fisiologia do parto, e como a mulher moderna perdeu seu poder de gerar vida naturalmente, tendo o sagrado feminino substituído por hospitais e pela agenda cronometrada dos médicos.

Na história da humanidade, o parto sempre foi um processo natural, com e entre mulheres. Click To Tweet

Com o avanço da tecnologia e o status da figura dos médicos, no entanto, o parto se transformou em um procedimento cirúrgico, em que os homens assumem quando e onde a mulher deve parir. O que mais chama a atenção no documentário é a fala de um obstetra, adepto do parto normal, que cita o parto como a junção de três fatores humanos que são negados pela humanidade: vida, morte e sexualidade. Como a humanidade precisa de ritos, foi se criando rituais em torno do parto para que ele pudesse ser controlado, para que a mulher pudesse ser mais uma vez controlada.

Os altos números de cesarianas no Brasil preocupam pela ausência de indicação clínica. As gestantes, culturalmente, foram levadas a acreditar que elas não conseguem parir sozinhas, que seus corpos não são perfeitos, que a vida que elas estão gerando não terá condições de vir ao mundo de forma natural.

Os relatos de descaso, desrespeito e violência em torno da cesariana são revoltantes e contrastam com a sutileza, a emoção e o empoderamento das mulheres, protagonistas da geração e do nascimento.

O apelo dos especialistas é que se modifique o modelo de atenção ao parto no Brasil, que retome o ato de nascer como biológico, natural e não um ato cirúrgico, nesse ponto, as mulheres do campo são citadas como exemplos de protagonistas em dar a vida.

Assista ao trailer do filme:


* Sílvia Amâncio é jornalista e Coordenadora de Jornalismo da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG)

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