#SUSParaTodAs: Mesa defende maior efetivação do Controle Social no SUS para a saúde integral de todAs as mulheres

By | 11 de julho de 2017
Por Míria César

Com o tema Gênero, Saúde Integral e Participação Social, a 3ª mesa da 1ª Conferência Estadual de Saúde da Mulher, que aconteceu nesta terça-feira (11/07), em Belo Horizonte, reforçou a importância em se ofertar pelo Sistema Único de Saúde (SUS) o cuidado integral a todas as mulheres, independente da sua idade, identidade de gênero e orientação sexual.

Desde a constituição do SUS, em 1988, foram elaboradas políticas públicas com foco na atenção integral à saúde das mulheres, além da publicação de legislações e normas que asseguram os seus direitos, contribuindo para o acesso a diagnósticos precoces e tratamentos de agravos e doenças, pleno exercício de direitos humanos e reprodutivos, especialmente na autonomia das mulheres sobre sua vida e corpos.

Para a Subsecretária de Políticas para as Mulheres da Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Participação Social, Larissa Borges, o processo de construção de políticas públicas é constituído de muita resistência e empenho dessas mulheres, em suas diversidades. “Somos nós, mulheres, que temos que construir uma autonomia, com a nossa história, para assim ocupar espaço na sociedade. O Sistema Único de Saúde (SUS) tem problemas sim, mas é a construção social que mais avança em nível mundial, por isso, devemos desenvolver políticas públicas e organizá-las, por meio da participação social, para que sejam efetivadas e que beneficiam a todAs em suas especificidades”, explicou.

Na mesa linha, a Doutora em Ciências Sociais com atuação em Políticas Públicas, Tatau Godinho, reforçou que o momento é muito importante para discutir os desafios para melhorar as condições de saúde das mulheres. “Esse espaço é para debatermos sobre as políticas públicas para a saúde da mulher de forma integral e impedir que, o que já foi construído de saúde pública no Brasil seja quebrado e percamos direitos que foram adquiridos com muita luta. O SUS é uma grande vitória da política em Saúde da população brasileira e ele está sendo ameaçado por cortes em investimentos e por políticas de privatização. Por isso, a defesa do SUS como saúde integral e pública, como direito de todxs, é a base fundamental para garantir que, no trabalho e na vida pessoal, as mulheres possam ter melhores condições e cidadania completa”, reforçou.

Ao abordar sobre a definição sobre o que é ser mulher, Ariane Senna, mulher trans negra, trasfeminista, psicóloga, graduanda em Estudos de Gênero e Diversidade pela UFBA e vice-presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT da Bahia, reforçou que, independente das suas singularidades e intervenções, todas são mulheres. “Vivenciamos situações de preconceito todos os dias, no trabalho, em casa, nos serviços de saúde, principalmente mulheres trans, lésbicas, bissexuais, travestis, negras, em situação de rua e indígenas. Mulheres de verdade somos todas nós, cada uma com sua singularidade e direitos por acesso a políticas públicas integrais para nossa saúde”, disse.

Saúde LGBT

O acesso aos serviços de saúde é garantido pelo SUS a todas as mulheres, independente da orientação sexual ou identidade de gênero. Por meio da Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, o SUS universaliza o acesso à saúde pública às mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais, sem que haja qualquer tipo de discriminação ou preconceito nas Unidades de Saúde.

Entre os avanços conquistados, está a habilitação, pelo Ministério da Saúde, do serviço ambulatorial do processo transexualizador no Hospital das Clínicas de Uberlândia, que está apto a oferecer procedimentos que incluem o acompanhamento clínico, pré e pós-operatório e hormonioterapia.

Para Ariane Senna, mesmo com esses avanços, ainda está longe de ter uma saúde ou um atendimento com qualidade integral, universal e equânime, mas ela destaca a importância de políticas específicas, onde se torna possível trabalhar a inclusão.

“Espaços específicos são importantes, mas é fundamental trabalhar para que todo o SUS possa adequar-se as demandas atuais, que requerem dos serviços atenção às especificidades. É preciso lembrar que travestis e transexuais são ainda as populações mais distanciadas dos serviços de saúde, e isso ocorre especialmente por falta de mecanismos específicos que venham a facilitar o acesso dessa população aos serviços. Além disso, é preciso que se intensifique, em todo o SUS, a sensibilidade de gestores e servidores da Saúde, para que reconheçam, na população trans, atores que precisam desses serviços e que devem ser respeitados em suas demandas e identidades”, concluiu.

 

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