#Ciência: Pesquisa associa hemoglobina fetal à anemia falciforme

By | 21 de julho de 2017

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Um dos elementos responsáveis por melhorar a condição clínica das pessoas com doença falciforme, a hemoglobina fetal (Hb F) tem sua produção definida por uma soma de fatores genéticos. Para verificar a relação entre um conjunto específico desses fatores e a produção de Hb F na anemia falciforme, forma mais grave da doença, estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) avaliou amostras sanguíneas de 233 crianças e jovens com a doença acompanhados pela Fundação Hemominas, em Belo Horizonte.

Os resultados da pesquisa, presentes em dissertação defendida pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG, indicaram que sete fatores, existentes nas regiões BCL11A e HBS1L-MYB do DNA, têm ligação direta com a concentração da Hb F em pessoas com anemia falciforme, além de associarem-se a outros elementos hematológicos importantes no curso clínico da doença.

De acordo com a bióloga e autora da pesquisa, Rahyssa Rodrigues, há muitos estudos e evidências clínicas que demonstram a ligação entre Hb F e doença falciforme: “O aumento da Hb F está associado ao aumento de sobrevida dos pacientes, aumento de sobrevida das hemácias (glóbulos vermelhos), diminuição de episódios como a síndrome torácica aguda e outros”.

Segundo Rahyssa, isso ocorre porque a Hb F evita o acúmulo (polimerização) da Hb S no sangue. Esse acúmulo da Hb S, hemoglobina variante que predomina nas pessoas com doença falciforme e tende a assumir o formato de foice em condições de baixa oxigenação, é um dos fatores que desencadeia complicações como obstrução dos vasos sanguíneos, crises de dor, anemia e infecções. “A Hb F inibe essa polimerização e pode levar a um fenótipo menos grave da doença”, informa.

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