#Ciência: Fiocruz recruta voluntários para pesquisa de febre amarela e HIV

By | 22 de agosto de 2017
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Foto: iStock / Reprodução.

Um estudo inédito no Brasil está sendo conduzido pelo Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids (LaPClin-Aids) do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz) para avaliar o grau de proteção e de segurança da vacina da febre amarela em pacientes vivendo com HIV. Com este objetivo a equipe do LaPClinAIDS está recrutando 100 voluntários não portadores do vírus HIV e que nunca se vacinaram contra febre amarela, para servir de grupo controle.

Conduzido pelos pesquisadores Lara Coelho (INI), Beatriz Grinsztejn (INI) e Luiz Camacho, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), a pesquisa YF-HIV – Imunogenicidade e segurança da vacina de Febre Amarela em pacientes infectados pelo HIV conta com a participação do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), além de ter o apoio do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde (Devit/MS).

“Trata-se de uma grande colaboração dentro da Fiocruz. Contamos com a cooperação dos Laboratórios de Flavivírus, da Dra. Ana Bispo, e de Imunologia Molecular, da Dra. Monick Guimarães, ambos do Instituto Oswaldo Cruz, e do Laboratório de Tecnologia Virológica [Latev/Bio-Manguinhos], da Dra. Sheila Lima”, enfatiza Beatriz, coordenadora do LapClin-Aids.

O estudo incluirá 400 pessoas, sendo 300 pacientes com HIV já atendidos no LaPClin-Aids e 100 voluntários que serão recrutados na comunidade Fiocruz. “Priorizamos vacinar os pacientes com HIV que já fazem parte do nosso acompanhamento aqui no Laboratório porque temos acesso aos exames e eles já estão acostumados a participar de nossos protocolos clínicos, o que facilita a realização da pesquisa”, ressaltou Lara. A ideia da equipe é fazer um banco de cadastro com pessoas não portadoras do HIV e que não tomaram a vacina de febre amarela para que, mesmo que não queiram participar do estudo, possam recebe-la no INI.

A meta da equipe de pesquisa é vacinar 10 pessoas por dia, de segunda a quinta-feira, etapa que deve durar cerca de três meses. O prazo desta primeira etapa encerra em setembro, mas o estudo vai além desse período. Uma semana após a aplicação da vacina, os participantes do estudo retornarão para fazer um exame de sangue e para responder ao questionário de eventos adversos para saber se está tudo bem com ela ou se sentiu alguma coisa. Posteriormente voltarão ao Laboratório após 30 dias para novos exames.

“Nessas amostras de sangue vamos medir a quantidade de anticorpos protetores contra Febre Amarela que a pessoa está produzindo. Ela regressará após um, cinco e dez anos para podermos avaliar a duração desses anticorpos no paciente (duração da proteção dada pela vacina). Isso porque, na verdade, havia uma indicação, até bem pouco tempo, de que a vacina precisava ser repetida após 10 anos e agora não mais. A segunda dose não é considerada necessária, mas isso é uma realidade para as pessoas que vivem com HIV? Nós não sabemos. Por isso estamos prevendo um estudo tão longo para responder essa pergunta: quanto tempo duram esses anticorpos da febre amarela em pessoas vivendo com HIV?”, encerrou Lara.

Os interessados em participar do estudo ou de fazer parte desse banco de cadastros devem procurar o Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), no campus da Fiocruz, ou ligar para (21) 3865-9520 ou 3865-9540 ou através de mensagem / WhatsApp para (21) 99619-7166 ou 98158-4610. Podem se vacinar homens e mulheres, entre 18 e 60 anos, que não tenham histórico de alergia a ovo e que nunca tenham recebido uma dose da vacina.

HIV x Vacina da Febre Amarela

A vacina da febre amarela é contraindicada para quem tem imunodeficiência grave, ou seja, CD4 abaixo de 200. Para os pacientes que têm imunodeficiência moderada ou leve, ou seja, CD4 acima de 200, há embasamento para vacina-los se eles estiverem morando em uma área com risco de febre amarela, situação atual do Rio de Janeiro. “Normalmente, as pessoas portadoras do HIV no Rio de Janeiro não tomavam a vacina de febre amarela porque não havia a doença circulando em nosso estado. Essas pessoas só eram vacinadas caso viajassem para alguma região endêmica da doença. Nós podemos vacinar pacientes com HIV de acordo com a contagem de células CD4 que eles têm [um tipo de linfócitos, as células brancas do sangue, que desempenham um papel importante na imunidade dos indivíduos]”, explica Lara Coelho.

A pesquisadora explicou que cada frasco da vacina de febre amarela tem 10 doses e, uma vez aberto, deve ser todo utilizado para não ter seu conteúdo descartado. “Mesmo com o cadastro de pacientes, se não conseguirmos os 10 diários, podemos usar esse banco para convocar as pessoas e não desperdiçarmos a vacina. Ou seja, quem trabalha na Fiocruz e nunca se vacinou poderá receber sua dose aqui no LaPClin-Aids. Nós entraremos em contato com essas pessoas ao final do dia caso haja alguma dose disponível para ser ministrada. A principal preocupação é não perder nenhuma dose da vacina, principalmente nesse contexto que estamos vivendo”, afirmou.

Fonte: Antonio Fuchs (INI/Fiocruz)

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