#Ciência: Método Canguru envolve rede de cuidados com o recém-nascido

By | 12 de setembro de 2017
Por Ives Teixeira Souza 
Foto: Rede Humaniza SUS / Reprodução.

Foto: Rede Humaniza SUS / Reprodução.

Os recém-nascidos com menos de 37 semanas podem apresentar mais problemas, principalmente, se comparados com os que nasceram após esse prazo. Entre eles estão os relacionados ao desenvolvimento social e emocional da criança, que podem se iniciar já a partir da interação entre a mãe e o bebê.

Com o objetivo de permitir uma maior participação dos pais nos cuidados, o Método Canguru possibilita também a melhora da qualidade do tratamento propiciado ao recém-nascido. Desenvolvido na Colômbia, no final da década de 1970, o método é uma política de saúde pública no Brasil, desde o ano 2000, quando foi instituído por meio de uma portaria do Ministério da Saúde.

Ao propiciar o contato com a mãe, maiores vão ser os índices de aleitamento materno à alta hospitalar, como destaca a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Maria Cândida Ferrarez Bouzada Viana. “Com aleitamento materno exclusivo, há trabalhos que mostram menor índice de infecção hospitalar. Também o bebê pode receber alta mais cedo, pois a mãe se sente mais segura em cuidar do filho recém-nascido pré-termo”, explica.

Além desse contexto, o procedimento envolve toda a rede de pessoas que cercam o bebê. “Esse atendimento busca um controle ambiental, um cuidado centrado na família, além, também, do cuidado com o cuidador”, acrescenta a professora. Com a vivência de situações complicadas nas unidades neonatais, os profissionais dessas unidades, segundo a professora, tendem a ficar doentes com mais frequência, por causa do grande estresse profissional.

“Os pais, por exemplo, não são considerados mais visita nas unidades neonatais, e quanto maior a presença do pai e da mãe, maior o vínculo”, declara. “O pai, inclusive, pode fazer o contato pele a pele, apesar de, infelizmente, ainda não ser muito comum”, completa.

Estudo de referência

Coordenadora da pesquisa “Posição canguru em recém-nascidos menores de 32 semanas de idade gestacional, prevalência do aleitamento materno, relação mãe e filho e desenvolvimento neuropsicomotor”, selecionada para a Mostra Inova Minas 2017, Maria Cândida destaca o ineditismo do estudo em responder dúvidas, como relativas ao tempo de Canguru necessário para que aconteçam os desfechos estudados – o aleitamento materno é maior nas crianças que fazem mais o contato pele a pele, com o Método Canguru.

“Temos dados que fazem afirmar que ele propicia o aumento da prevalência do aleitamento materno exclusivo à alta hospitalar, e que as mães com depressão demoram um pouco mais a iniciar o Método e colocar o bebê no pele a pele”, divulga a professora. Mas entre os questionamentos do estudo está o modo como o Método pode auxiliar as mães a melhorarem da depressão, por exemplo. “Será que colocando no pele a pele as mães com depressão vão se recuperar mais rápido?”, questiona Maria Cêndida.

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