#FalaRegional: Casos de Leishmaniose aumentam no Leste de Minas Gerais

By | 6 de novembro de 2017

com Fabiano Martins*

Reprodução Internet

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A Leishmaniose Tegumentar é uma doença primária de animais que pode ser transmitida aos humanos. É uma doença reemergente, infecciosa, não contagiosa, com baixa letalidade, mas considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como uma das seis mais importantes doenças infecciosas, pelo seu alto coeficiente de detecção e capacidade de produzir deformidades.

Como se pega Leishmaniose Tegumentar?

A transmissão é vetorial, pela picada de insetos conhecidos popularmente, dependendo da localização geográfica, como mosquito palha, tatuquira, birigui, entre outros. O fator determinante à manutenção destes insetos nos abrigos é a umidade, que está presente em anexos de animais domésticos (canil, galinheiro, chiqueiro, curral) e até paredes externas e internas de domicílio, troncos de árvores, tocas de tatu, folhas caídas no solo, grutas, fendas nas rochas. O desmatamento, esgotamento sanitário a céu aberto, lixões e outros poluentes são fatores que apresentam condições favoráveis para proliferação vetorial.

Casos de leishmaniose no Leste de Minas

O número de casos de leishmaniose registrados nos municípios da Regional de Saúde de Coronel Fabriciano, aumentaram consideravelmente. Quando se compara o total de casos registrados no ano de 2016 com a média de casos do período de 2013 a 2015, o ano de 2016 apresenta 2,27 vezes mais casos que a média do período de 2013 a 2015 e quando levantado o número de casos registrados em 2017 constata-se que já ultrapassam o número de casos registrados em 2016. É válido também observar que embora no estado de Minas Gerais, o número de casos vem diminuindo, na região o número de casos tem aumentado, contrariando o movimento percebido no estado como um todo.

Cenário Epidemiológico Regional

Caratinga, Inhapim, Piedade de Caratinga, Ubaporanga e Timóteo são os municípios que apresentam o maior número de casos registrados até o momento, o que os coloca em uma condição crítica, classificada como de “muito alto risco”, ou seja, o risco de se adquirir leishmaniose nestes municípios é alto. Deve-se reforçar, porém, que existem municípios que têm apresentado surtos de leishmaniose em localidades específicas, o que significa que a dispersão vetorial não está na extensão geográfica do município como um todo.

O gráfico abaixo apresenta uma série histórica do total de casos ocorridos em um intervalo de 10 anos nos 35 municípios que compõe a Regional de Saúde de Coronel Fabriciano e uma linha de tendência ascendente, que demonstra a necessidade de intervenção, fortalecimento de ações de controle, medidas preventivas, para que os casos diminuam, caso contrário, a tendência é só aumentar.

GRAFICO SINAN

E agora, como prevenir, como proteger minha família?

Alguns cuidados podem ser tomados como: o uso de repelentes quando exposto a ambientes onde os vetores habitualmente possam ser encontrados; evitar a exposição nos horários de atividades do vetor (crepúsculo e noite), uso de mosquiteiros  e/ou telagem de portas e janelas; manejo ambiental por meio de limpeza de quintais e terrenos; poda de árvores, de modo a aumentar a insolação, diminuindo o sombreamento do solo e evitando as condições favoráveis (temperatura e umidade) ao desenvolvimento de larvas de mosquito; entre outras, são ações preventivas que diminuem o risco de transmissão para a população.

» Leia o texto completo aqui.

* Fabiano Martins é enfermeiro, especialista em Vigilância em Saúde ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e referência técnica em Zoonoses da Regional de Saúde de Coronel Fabriciano

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