Monthly Archives: fevereiro 2018

#VidaSaudável: Conheça as frutas tradicionais do Sudeste!

Você sabia que uma alimentação saudável envolve mais que a escolha de alimentos adequados? Alguns aspectos como o reconhecimento da herança cultural e o valor histórico do alimento podem e devem ser levados em conta para uma escolha mais saudável. Além disso, que tal experimentar a riqueza dos alimentos típicos da sua região?

Alimentar-se é uma oportunidade de estimular os sentidos, apreciando os alimentos, seus sabores, aromas e suas apresentações, tornando o ato de comer ainda mais prazeroso e significa cultura, alegria, convívio e troca. Por isso, o Blog da Saúde MG preparou uma série sobre frutas da região Sudeste, para você conhecer e saborear. Veja abaixo em nossa galeria:

Ah! E fica a dica para você aproveitar e conhecer outros alimentos regionais e agregar à sua alimentação. Que tal? Clique aqui e saiba mais sobre esse assunto:

Com informações do Ministério da Saúde

#FakeNews: Pesquisador da Fiocruz fala sobre notícias falsas e pós-verdades em saúde

fake news

O pesquisador do Laboratório de Comunicação e Saúde (Laces) do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS/Icict/Fiocruz), Igor Sacramento, concedeu entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post,  em uma matéria sobre a febre amarela no Brasil. Nela, o pesquisador fala sobre os boatos contra a vacina da febre amarela no país.

Em um momento tão crucial para a saúde da população, diversas notícias falsas dificultam a adesão da população à vacinação contra a febre amarela. O site Boatos listou as sete mentiras sobre a febre amarela “que sempre enganam os menos informados”, tais como “Febre amarela é uma farsa criada para vender vacinas” ou “Médico de Sorocaba diz que vacina paralisa o fígado” ou “Própolis espanta o mosquito da febre amarela”, são alguns exemplos que circulam nas mídias sociais, em especial no WhatsApp, causando muita confusão e fazendo com que algumas pessoas fiquem em dúvida se devem ou não se vacinar.

No início de fevereiro (05/02), o site The Intercept veiculou a matéria Morte após acina contra febre amarela intensifica fake news e teorias da conspiração, na qual aborda a questão das notícias falsas e divulga o seguinte lembrete da Fiocruz: “Antes de compartilhar uma informação que possa causar pânico desnecessário e confundir, certifique-se que vem de uma fonte oficial. Saúde Pública é coisa séria”.

No meio de tanta incerteza, o site do Icict/Fiocruz conversou com Sacramento sobre o uso das fake news e a pós-verdade na saúde e seus impactos na desinformação da população. Ele afirma que “as fake news não têm como ser combatidas ou eliminadas. Elas fazem parte da dinâmica social contemporânea”, mas defende uma mudança na estratégia de comunicação: “do ponto de vista da comunicação, uma disposição grande para o diálogo, para a empatia, para a compreensão, mas também uma processo de formação que permita que profissionais de saúde conheçam a especialidade do imperativo comunicacional de nosso tempo”. Confira a entrevista completa:

1) Qual o impacto das fake news na campanha de vacinação da febre amarela?

Igor Sacramento: Os boatos, como informações concorrentes às oficiais, existem desde sempre. Eles fazem parte das redes de comunicação de uma sociedade,  produzindo as práticas de difamação de pessoas e a desconfiança das instituições, de imaginação de histórias e circulação de narrativas amplamente disseminadas mas sem localização de origem possível. No lugar de um responsável, um pseudônimo, quando muito. Em geral, era assim porque se dizia ser assim. Vivemos diferentes experiências de relação com a verdade. A principal  mudança contemporânea é o modo como nos relacionamos com eles e isso necessariamente tem a ver com o valor. O modo como se valora um enunciado algo como sendo boato e, portanto, falso, mentiroso, sem importância, e outra coisa como informação, ingrediente da verdade, correto.

O impacto das chamadas fake news na campanha de vacinação da febre amarela ainda não foi mensurado, mas temos uma reação popular complexa: ao mesmo tempo que vemos as filas aumentando, há uma crescente desconfiança em relação ao fracionamento (o termo leva as pessoas a crerem que se trata de algo menor, fragmentado, ineficiente, ruim) e à própria vacina, que poderia fazer mal e até levar à morte. Essas notícias se espalham com muita força na redes sociais online, mas também em aplicativos de troca de mensagens como o WhatsApp.

2) Mas, por que fake news na saúde?

Sobre as fake news, meu ponto é o seguinte: elas só são possíveis de serem qualificadas como falsas num contexto de crise institucional, próprio da modernidade tardia, em que novos e antigos sistemas de crença fazem frente aos sistemas peritos estabelecidos com base no conhecimento científico.  Está em jogo nas fake news de modo geral e sobre a saúde particularmente uma relação tensa entre a confiança e a desconfiança na política, na ciência e no Estado em direção ao privilegio de lutas e interesses micropolíticos, na experiência pessoal e na intimidade.

É possível notar, por exemplo, que os grupos antivacinação que proliferam no Brasil e no mundo tem como pressuposto básico a desconfiança e a busca por contra própria da verdade. Esses grupos estão disputando com o Estado e a ciência a verdade. Eles não são fanáticos, ignorantes, como muitos preconceituosamente afirmam. Eles acreditam estarem de fato em busca da verdade e numa legítima desconfiança, geralmente baseada em artigos, pesquisas, mas, sobretudo, em relatos de experiência pessoal. É preciso analisar esses grupos do ponto de vista da cultura, das transformações culturais, porque passamos numa sociedade marcada pelos processos de midiatização e pela intensa difusão do ideário de que a saúde é uma questão de mera responsabilidade individual. É preciso buscar compreender como eles veem o mundo, a ciência, a saúde.

3) O senhor poderia citar alguns exemplos?

Igor Sacramento: Vou dar apenas três exemplos recentes. Eles são muitos. O primeiro deles é o de que macacos transmitem febre amarela. O zelador do meu prédio me mostrou um vídeo que recebeu no WhatsApp fazendo um grande histórico das doenças que teriam origem em macacos: HIV, ebola e na sequência a febre amarela.

Outros dois vídeos eu recebi também por WhatsApp da minha sogra. Eles ainda estão disponíveis no YouTube: “A Farsa das Vacinas  – Febre Amarela” e “Febre Amarela, assista antes de tomar a vacina!”. O primeiro deles – numa linguagem mística e alarmista – faz associação entre a vacinação e o objetivo de diminuição da população mundial pelos “donos do mundo”. O outro é um áudio, com a imagem congelada, de alguém que parece ser um guru espiritual.

Outro caso, este de 2016, é da jornalista Fabiane Vasconcellos em seu canal do YouTube Fabiane Vasconcellos OFICIAL, que alega a necessidade de uso de protetor de pescoço para previnir câncer de tireóide em mamografias. Ela baseia seu comentário – que teve grande repercussão e recebeu uma contestação de Drauzio Varela em seu canal do YouTube – e conta com depoimentos do médico Lair Ribeiro.

Uma questão importante – para além do conteúdo – é a forma. O primeiro e o terceiro vídeo utilizam uma linguagem factual, do documentário (no primeiro) e do jornalismo (no terceiro). Acionar essas formas canônicas de circulação de um discurso socialmente valorado como verdadeiro é uma demonstração da disputa pelo poder dizer, pelo controle do discurso. É essa dimensão, a da disputa entre mundos sociais e sistemas de crenças distintos, é que deve ser explorada. Nessa disputa, não estamos nos afastando do discurso da perícia necessariamente, mas buscando sermos especialistas no estilo de vida e particularmente como um bom estilo de vida, seja no cuidado com a saúde, com o corpo, com a alimentação, na maternidade/paternidade, na religiosidade e assim por diante. O excesso de informações, de redes de comunicação, nos faz sermos especialistas. É uma contrapartida à entropia, ao caos, ao amontoado de textos e informações que nos rondam. Somos cobrados a sermos especialistas diante do excesso, nos autodiagnosticamos, vamos ao médico achando que sabemos o que temos.

4) Há estudos sobre as fake news na área de saúde?

Fake news tomou uma proporção muito grande no mundo, especialmente no âmbito da política. As três últimas campanhas a presidente dos EUA foram marcadas por fake news, vetorizado pela internet e particularmente pelas redes sociais on line. Há fenômenos relacionados ao das fake news como a paródia de notícias em sites como Sensacionalista, algo que Filipe Macon analisou na sua dissertação de mestrado que foi publicado em livro, Os Bastidores da Paródia de Notícias. Há alguns estudos sobre isso, sim.

Escrevi um texto com a Katia Lerner (Laces/Icict/Fiocruz) sobre os boatos em relação à vacina contra a Influenza H1N1 (Pandemia e biografia no jornalismo: uma análise dos relatos pessoais da experiência com a Influenza H1N1 em O Dia). Também destaco o trabalho de Marcelo Garcia (Disseram por aí: deu zika na rede! – Boatos e produção de sentidos sobre a epidemia de zika e microcefalia nas redes sociais), orientado pela Janine Cardoso, do PPGICS, que tem um excelente trabalho sobre o assunto. Estou orientando uma dissertação de mestrado, de Renata Ribeiro Gómez, sobre um grupo antivacinação no Facebook. Lá circulam muitas informações para embasar o não uso de vacinas. O que ela vem buscando é analisar como os enunciados que circulam ali são de prevenção de riscos e de promoção da saúde, o que no caso envolve-se não se vacinar. Entender a lógica que permeia esse discurso é fundamental para compreender a saúde coletiva e para entender a saúde como manifestação sociocultural.

5) Há alguma estratégia para controlar as fake news das mídias sociais na área de saúde?

Diretamente não. No entanto, eu acho que o Ministério da Saúde, e a Fiocruz particularmente, tem mudado de postura, embora lentamente. Dizer que é boato, que é mentira, que é ignorância não ajuda em nada. É apenas uma forma de incrementar a disputa pela verdade. O discurso anônimo ou sob pseudônimo que produz um conjunto de difamações e calúnias sobre reis, rainhas e outros nobres, por exemplo, é algo muito bem estudado pelo jornalista e historiador americano Robert Darnton no contexto do Antigo Regime. O que os estudos de Darnton fazem é demonstrar as redes de comunicação existem, como os boatos circulam, sob que materialidades e formatos (livros, panfletos, jornais, romances, poesias, crônicas).

Temos diferenças grandes em relação ao contexto estudado por ele. É perceptível que concorrem com informações oficiais discursos nominais. As pessoas assumem o que falam, sua opinião, seu ponto de vista, sua experiência como verdade em redes sociais online, principalmente. É assim porque, desde meados do século 20, vivemos uma guinada subjetiva, como diagnostica Beatriz Sarlo, escritora argentina, em que a experiência e o testemunho assumem um status de verdade: eu vivi, eu sei, é verdade. Assim, eu passo a confiar mais em que viveu (nas vítimas) do que nos que sabem (nos cientistas). Saber passa necessariamente pela experiência, pela necessidade de lugar de fala e de adesão àquilo que acredito. Portanto, acho que as fake news não têm como ser combatidas ou eliminadas. Elas fazem parte da dinâmica social contemporânea.

Novas estratégias de comunicação pública em saúde devem ser elaboradas e aplicadas. A atuação nas redes sociais online ainda é tímida, mas muito melhor do que foi. Não adianta apenas ter páginas, perfis no Facebook ou no Twitter, reponder às perguntas, porque também é preciso produzir conteúdos que apresentem outras dimensões do processo de saúde-doença, da importância da vacinação, reconhecendo e jamais ignorando que outras informações circulam.

Também é fundamental estratégias de comunicação mais locais. Nosso cotidiano é permeado por redes sociais online. Não há mais como pensar a comunicação em rede de acordo com os preceitos da comunicação de massa. É preciso saber pensar a rede, elaborar formas de atuação, incentivar pesquisas, atuar na rede, mobilizar, trazer as pessoas que disseminam informações contrárias às políticas de saúde atuais para dentro das instituições. É necessário sobretudo dialogar. E dialogar não é dizer que é mentira, que é falso, que é burrice. Isso não aproxima, afasta ainda mais a ciência da população. Então, é muito difícil um projeto de comunicação para a saúde senão como transmissão de informações. Esse modelo não dá conta de nossa realidade sociocomunicacional.

Então, qual é a solução, como você me pergunta? Do ponto de vista da comunicação, uma disposição grande para o diálogo, para a empatia, para a compreensão, mas também uma processo de formação que permita que profissionais de saúde conheçam a especialidade do imperativo comunicacional de nosso tempo.

6) A população está vulnerável às fake news e à pós-verdade?

A ideia de pós-verdade é um jargão jornalístico, marqueteiro, mas não é um conceito filosófico. Como conceito, ele não faz sentido. É preciso primeiro haver uma verdade ou a verdade para depois se dizer há uma pós-verdade. Eu trabalho com noção foucaultiana de regimes de verdade. Como ele disse, cada sociedade, em cada época histórica, tem seu regime de verdade e produz um conjunto de instancias e mecanismo que possibilitam a distinção dos enunciados verdadeiros dos falsos. Como já disse, vivemos uma crise de confiança nas instituições. O estatuto de dizer o que é verdadeiro ou não está em disputa. Por ouro lado, o que torna a população vulnerável são as desigualdades socais: a falta de saneamento, de moradia, de educação pública de qualidade, de lazer, de acesso à informação, do SUS fortalecido. O fenômeno das fake news deve ser pensado em sua inteireza nas suas dimensões sociais, culturais, econômicas, comunicacionais.

As mídias sociais ficaram sob fogo cerrado em 2017, com vários questionamentos sobre manipulação de informação e notícias falsas. É possível, ou desejável, um controle sobre as mídias sociais? Controle social é completamente diferente de censura. Não se revolve o surto de febre amarela, de dengue ou de zika com a censura. Qual seria a solução? Caçar fake news? Solicitar ao Facebook para cancelar grupos sobre o assunto? Isso só reforça o fato de que algo que o Estado quer esconder. Esse é o principal argumento das fake news sobre saúde: os poderosos querem matar a população por dinheiro e poder.

A questão para mim é inclusão. As estratégias de comunicação não devem ignorar as informações antagônicas. É muito comum optar por soluções fáceis como “é verdade ou mito?”. Esse, para mim, não é o caminho. É preciso estar atento aos múltiplos usos possíveis e ciente de que era um trabalho de comunicação saber que, por exemplo, o uso da expressão “fracionada” para vacina era ruim. Embora seja tecnicamente correto, poderia ser entendido  – e foi – como algo parcial, fraco, ruim, não completo. Isso veio algum tempo depois de anos de recomendação de dose com validada para 10 anos mudar para dose única e passar agora para fracionada, que pode durar até oito anos. Num contexto marcado pelo excesso de informações e visibilidade como o nosso, é preciso pensar essas decisões políticas no campo da saúde do ponto de vista da comunicação. A comunicação não pode ser encarada apenas como ferramenta, como instrumento, como serviço, mas também como um campo estratégico de pensamento e ação no campo da saúde. Essa mentalidade vem mudando no âmbito do Ministério da Saúde, mas muitas lutas ainda precisam ser conquistadas.

7) Qual o papel da mídia (grande e pequena ou alternativa) em relação às fake news e à pós-verdade?

Para mim, não adianta que as instituições (do Estado e do mercado) fiquem acusando o discurso do outro de “falta”: é falta interpretação, é falta de repertório, é falta de letramento midiático, é falta de estudo, é falta pensamento abstrato e assim por diante. Em alguma medida, o fenômeno do que vem sendo chamado de pós-verdade é real, concreto, com grandes efeitos na sociedade. Mas, como ideia, ele é gestado (somente possível) numa sociedade como nossa, marcado por processos de midiatização e de crise institucional na definição do verdadeiro, do correto, do bem. Por exemplo, muitas empresas e start-ups jornalísticas estão se especializando em checagem de informações. É um fenômeno contemporâneo, uma demanda social e uma oportunidade de mercado num contexto de crise do jornalismo como discurso da verdade. Essa é a questão fundamental.

Eu entendo que, quando se diz pós-verdade, não se está dizendo que há uma verdade que está sendo falsificada. É muito mais produtivo pensar que o que se chama de pós-verdade é a busca por informação baseada nas crenças, nos desejos e nas preferências pessoais ou de grupos restritos. Atualmente, isso tem a ver com o Facebook, criando bolhas afetivo-informacionais pela lógica do algoritmo. Trata-se de uma lógica pautada pelo “eu acredito naquilo que eu gosto e eu gosto daquilo em que eu acredito”. Não chega a ser a ausência da diferença, mas um presença bem controlada (pelo Facebook e também pelo usuário, na medida em que ele pode deixar de seguir, denunciar, apagar o comentário). Isso tem a ver com o Facebook, mas a ferramenta e outras redes sociais online são efeitos de um processo social mais amplo.

O sociólogo americano Richard Sennet num livro importantíssimo, O declínio do homem público, tem como tese de que a esfera pública burguesa moderna tem se reconfigurado drasticamente pelo fato de contemporaneamente entendermos a intimidade como o lugar da verdade: as relações sociais são vistas como sendo mais verdadeiras quanto mais íntimas forem. É por isso que, por exemplo, pode-se acreditar mais nas informações que circulam no WhatsApp, com seus amigos e familiares, do que nas informações oficiais, do governo ou dos jornais de grande imprensa. Ou seja, o fenômeno de pós-verdade deve ser entendido como uma nova relação com a verdade, que não está mais pautada pela checagem, pelo factual, mais pela capacidade de afetação, de reforço de crenças pessoais ou de um grupo, como no caso dos antivacinação.

Nisso tudo, os jornais não são mais vistos como lugares da verdade, mas da opinião. É muito comum nas redes sociais veremos manifestações como as da página Caneta Desmanipuladora, demonstrando claramente os posicionamentos políticos dos principais jornais do país, em algum momento chamados de jornais de referência ou da grande imprensa. Também identificamos um conjunto grande de novos coletivos de informação como Mídia Ninja.

8) É possível mudar o jogo?

As pessoas buscam cada vez mais formas alternativas, concorrentes, menores, não oficiais de informação, de modo que atenda às suas crenças e posicionamentos. Isso não é diferente em relação à saúde. As pessoas buscam informações que reforcem seus preceitos. Estamos saindo de um regime de verdade baseado no factual para o domínio dos dogmas, das crenças e das preferências. É claro que ainda importa, em alguma medida, se algo aconteceu ou não, mas há também uma desconfiança em relação a quem diz que aconteceu ou não. O que aconteceu reforça a minha visão de mundo? Se não reforça, eu não dou bola, minimizo, deixo para lá. Se reforça, eu comento, compartilho, defendo, comemoro.

Vivemos um contexto de máxima visibilidade, de excesso de circulação informacional, de uma enorme disposição para a polêmica, para o debate, para o comentário, para o compartilhamento, para a curtida, para o like, para o unlike, mas ainda mais, como bem disse Sennett, para a vida em gueto, reclusa àqueles que pensam e agem como eu, que gostam do que gosto e acreditam no que eu acredito. A integração e o diálogo são desafios para o campo da comunicação na saúde, assim como são para uma sociedade democrática.

O programa Ciência & Letras, do Canal Saúde, foi ao ar em novembro de 2017 e traz uma entrevista com Igor Sacramento e com o coordenador do Laces/Icict/Fiocruz, Wilson Couto Borges, sobre as diversas abordagens dos meios de comunicação e saúde:

 

*Com Agência Fiocruz de Notícias.

#Ciência: Artigo na The Lancet afirma que Zika Vírus pode gerar imunoproteção contra a Dengue

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Foto: Agência Brasil / Reprodução.

Um artigo publicado na edição de fevereiro da revista The Lancet Global Health lançou a hipótese de que a infecção do vírus zika, transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, pode gerar imunoproteção contra o vírus da dengue. O estudo intitulado Does immunity after Zika vírus infection cross-protect against dengue? foi resultado de pesquisas realizadas com pacientes infectados pelos vírus zika, dengue e chikungunya, em Salvador, no estado da Bahia.

O trabalho, que tem dentre os autores o pesquisador da Fiocruz Bahia Guilherme Ribeiro, apresenta evidências estatísticas sobre a redução na frequência de dengue antes e após a epidemia de zika, ocorrida em 2015. A pesquisa começou a ser realizada em 2009 e se estendeu até 2017, com cerca de 3.300 moradores de Salvador, que estavam com uma doença febril aguda e foram atendidos em uma unidade de pronto-atendimento da cidade.

Entre 2009 e 2013, os participantes foram testados para o vírus da dengue e depois de 2014, com a chegada dos vírus da Zika e da Chikungunya no Brasil, passaram a ser testados também para esses vírus. De acordo com a estudo, de 2009 até março de 2015, 25% (484 de 1937) dos pacientes analisados foram diagnosticados com dengue.

A partir de abril de 2015, início da epidemia de Zika, até 2017, a frequência de dengue diminuiu para apenas 3% (43 de 1334). Além disso, desde 2016 não houve mais picos na ocorrência de dengue, embora a frequência de casos de Chikungunya permanecesse elevada. Como os vírus da dengue e da Chikungunya são transmitidos pela mesma espécie de mosquitos, a manutenção na ocorrência da Chikungunya indica que o ambiente continuava propício para a transmissão do vírus da dengue.

Com isso, os pesquisadores chegaram à conclusão de que pode haver uma imunoproteção contra a dengue em pacientes que foram infectados pelo vírus zika. Caso essa hipótese seja confirmada, ela poderá ajudar a direcionar estudos sobre a imunopatogênese da dengue e da Zika, bem como no desenvolvimento de vacinas contra esses vírus.

 

 

Fonte: Agência Fiocruz.

#SUSParaTodas: Gestantes de baixa renda podem receber repelentes gratuitos pelo SUS

Foto: Pixabay / Reprodução.

Foto: Pixabay / Reprodução.

As gestantes que participam do Programa Bolsa Família têm direito a receber repelentes para proteção contra o mosquito Aedes Aegypti, que transmite vírus da Dengue, Zika e Chikungunya. As doenças estão ligadas à ocorrência de microcefalia em recém-nascidos. Atualmente, são 484 mil grávidas inscritas para receber o benefício pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo o Ministério da Saúde, dos 15,9 milhões de frascos adquiridos em fevereiro do ano passado, 92,4% já foram entregues. O cronograma conta com a conclusão das entregas desse lote até março deste ano.

Como solicitar?

  • O frasco será entregue a gestantes beneficiárias do programa Bolsa Família que fazem pré-natal no SUS;
  • A gestante deve ir a um Posto de Saúde (Unidade Básica de Saúde) ou aos Centros de Referência de Assistência Social;
  • Há o limite de retirada de dois frascos por mês.

Como usar?

De acordo com o Ministério da Saúde, a aplicação nas áreas do corpo que são expostas ao sol deve ser reforçada a cada dez horas, mas o uso de repelentes não deve ser a única medida a ser tomada para evitar a transmissão das doenças. A melhor maneira de se proteger contra o mosquito é eliminando seus criadouros.

É importante que as gestantes adotem ainda medidas simples que possam evitar o contato com o Aedes aedypti, como se proteger da exposição de mosquitos, manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida, entre outras.

Para outras informações, acesse: www.saude.mg.gov.br/aedes

 

 

Fonte: Portal Brasil.

#Vida Saudável: O que devo saber antes de começar a praticar atividade física?

Você sabia que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prática regular de 30 minutos de atividade física de intensidade moderada, preferencialmente, todos os dias para reduzir o risco de doenças cardiovasculares? Além disso, o estilo de vida ativo como um condicionamento aeróbico moderado pode ser associado à diminuição do risco de incidência de Doenças Crônicas Não Transmissíveis.

Dentre os benefícios ao se realizar atividade física de forma regular, destacam-se: a melhora da autoestima, redução do isolamento social, alívio do estresse, diminuição da depressão, melhora da resistência física, melhora da autoimagem, aumento do bem estar físico e mental e melhora da função pulmonar.

E aí, diante desse tanto de benefício, você animou de começar uma atividade física? Então, preparamos uma série com algumas dicas valiosas para te ajudar nesse início. Veja abaixo na galeria:

#Pesquisa: Ambiente doméstico é terreno fértil para violência contra crianças

Por Ana Rita Araújo / UFMG.
violencia contra a criança

Crianças de zero a cinco anos são as principais vítimas de negligência no ambiente familiar. Foto: Steve White / Reprodução.

É em casa que ocorrem mais da metade dos casos de violência e negligência contra crianças, revela artigo produzido pela professora Deborah Carvalho Malta, da Escola de Enfermagem, em parceria com pesquisadores da UFMG e de outras instituições brasileiras. “A residência, que deveria ser locus de proteção e de cuidado, torna-se o local de agressão e de vitimização da infância”, enfatiza a autora. Ela utilizou dados do inquérito Vigilância de Violências e Acidentes (Viva) que focalizam dois públicos muito vulneráveis: infância e adolescência.

A análise, tema de matéria publicada na edição 2005 do Boletim UFMG, gerou dois artigos, publicados na Revista de Saúde Coletiva. A pesquisadora trabalhou com dados obtidos em 2014, do inquérito Viva, coletados nas entradas dos serviços de urgência e emergência dos hospitais de referência de todas as capitais brasileiras. Em Belo Horizonte, a amostra incluiu os hospitais João XXIII e Odilon Behrens.

O inquérito é aplicado a cada três anos, em todas as capitais brasileiras, sob a coordenação do Ministério da Saúde, em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde, com o objetivo de avaliar os atendimentos por causas externas em vítimas de acidentes e violência no Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados referentes a 2017 ainda não estão disponíveis.

Deborah Malta destaca que a base é muito rica e possibilita amplo diagnóstico da situação de saúde: oferece dados sobre as vítimas e agressores e possibilita captar não só os casos de maior gravidade, como os que exigem internação e equivalem a cerca de 10% do total, ou os que resultam em mortalidade. “Também ficam registrados os casos de média e leve gravidade que, de outra forma, não se tornariam conhecidos”, explica a professora.

Segundo ela, o estudo destaca que as violências encontram-se nas mais importantes instituições socializadoras – a família, a escola, o bairro, “o que indica a necessidade de mobilizar toda a sociedade na perspectiva do seu enfrentamento”.

 

#Evento: Ciência em Movimento chega à cidade mineira de Ponte Nova

Caminhão do programa "Ciência em Movimento" da FUNED. Foto: ASCOM/FUNED.

Caminhão do programa “Ciência em Movimento” da FUNED. Foto: ASCOM/FUNED.

O programa Ciência em Movimento, da Fundação Ezequiel Dias (Funed), segue viagem desta vez para a cidade de Ponte Nova, localizada na Zona da Mata mineira, a 170 km de Belo Horizonte. Os moradores da cidade de quase 56 mil habitantes poderão visitar as exposições nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1º de março, das 8h às 17h.

Além da exposição, serão realizadas palestras abertas ao público. No dia 27, o tema será “Animais Peçonhentos”, com a bióloga Tâmara Táscama de Oliveira Rodrigues e no dia 28, sobre Aracnídeos, com a também bióloga Bruna Luiza de Paula Mendes. As palestras serão realizadas de 14h às 15h. Toda a programação ocorrerá no Parque de Exposição de Ponte Nova, localizado na Rua José Otaviano Vieira, 211, Santo Antônio.

Nas exposições, o público poderá conhecer um pouco mais sobre a Funed, as serpentes, aracnídeos e abelhas, além de participar de atividades lúdicas sobre os temas expostos.

O programa

O programa Ciência em Movimento foi criado em 2012 com o objetivo de difundir o conhecimento científico e tecnológico através de linguagem acessível e atividades lúdicas.

O projeto é pioneiro em Minas Gerais e o único que leva aos cidadãos mineiros informações fundamentais para o controle dos acidentes causados por animais peçonhentos, agravo identificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como doença negligenciada. Dessa forma, a Funed se aproxima do cidadão e contribui para a melhoria da qualidade de vida da população.

Serviço:
Local: Parque de Exposição de Ponte Nova
Rua José Otaviano Vieira, 211, Santo Antônio 1.
Entre os dias 27 de fevereiro (terça-feira) e 1º de março (quinta-feira) será realizada uma exposição sobre Serpentes, aracnídeos, abelhas, dengue, oficinas de abelhas, aranhas e serpentes, jogos e videoteca (História da Funed e vídeos de saúde).
As visitas podem ser realizadas de 8h às 12h e de 13h às 17h.

 

#Tecnologia: Personagem virtual orienta adolescentes sobre segurança online

Print da página da personagem virtual Fabi Grossi, do projeto "Caretas". Foto: Reprodução.

Print da página da personagem virtual Fabi Grossi, do projeto “Caretas”. Foto: Reprodução.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Facebook, em parceria com a empresa de comportamento Sherpas, lançaram recentemente uma experiência virtual que combina ficção e realidade para ajudar adolescentes a compreender os riscos do compartilhamento de imagens íntimas na internet. Iniciativa aborda o que eles podem fazer em situações desse tipo.

Por meio de uma plataforma de inteligência artificial, batizada de Caretas, jovens a partir de 13 anos interagem no Messenger do Facebook com a personagem fictícia Fabi Grossi, uma adolescente muito ativa nas redes sociais. Ela está se recuperando do fim de um relacionamento quando descobre que seu ex-namorado vazou um vídeo íntimo dos dois.

A narrativa é construída usando textos, fotos, vídeos e mensagens de áudio e, ao longo de pelo menos 48 horas, o adolescente passa a ser o melhor amigo de Fabi, trocando experiências, conselhos e aprendendo a lidar com situações de compartilhamento de imagens íntimas sem autorização. Além disso, são apresentadas aos participantes formas efetivas de buscar ajuda em situações de violência online, como o helpline da organização não governamental SaferNet Brasil.

Os primeiros resultados do Caretas mostraram que essa forma de interagir com jovens é particularmente eficaz para chamar a atenção deles sobre os perigos da internet. Cerca de 7,4 mil adolescentes testaram a plataforma entre junho e novembro de 2017, com 1,6 milhão de mensagens trocadas entre eles e a Fabi. Pouco mais de 40% deles concluíram a experiência.

Dos adolescentes que chegaram até o fim da história, apenas 39,7% declararam que sabiam o que era sexting e como se proteger de violência online e cyberbullying antes do Caretas. Esse percentual cresceu para 90,5% depois da troca de mensagens com a Fabi.

 

Fonte: ONU Brasil.

#Ciência: Fiocruz desenvolve aplicativo para pesquisa em doenças crônicas

Foto: Shutterstock / Reprodução.

Foto: Shutterstock / Reprodução.

O desenvolvimento de um aplicativo voltado para pesquisas sobre doenças crônicas resultou na assinatura de uma parceria público-privada entre a Fiocruz Pernambuco e a empresa Sysvale. Trata-se do Collectivehealthmaps (HCMAPS), um software para uso em pesquisas qualitativas e quantitativas, que utiliza georreferenciamento.

A ferramenta é compatível com celulares e tablets e utiliza o sistema operacional Android. O acordo, assinado na última sexta-feira (16/2) pelo diretor da Fiocruz Pernambuco, Sinval Brandão Filho, e pelo sócio-administrador da Sysvale, Denisson Leal, estabelece a propriedade conjunta do software, com participações iguais por parte das duas entidades.

O software foi criado no âmbito do projeto Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf): uma análise dos componentes alimentação, nutrição e atividade física na rede de atenção aos hipertensos e diabéticos em Pernambuco, do Laboratório de Avaliação, Monitoramento e Vigilância em Saúde (Lam-Saúde).

O tempo de desenvolvimento do sistema foi de cerca de um ano e contou com financiamento pelo Programa de Excelência em Pesquisa (Proep) da Fiocruz, em convênio com a Facepe. “Esse aplicativo traz inúmeros benefícios à pesquisa, um dos mais importantes, com certeza, é a geração de dados em tempo real”, disse a coordenadora do Lab-Saúde, Eduarda Cesse. O aplicativo, que está sendo testado em projetos de alunos do mestrado e doutorado em Saúde Pública da Fiocruz Pernambuco, encontra-se em análise para possível inclusão no portfólio de inovação da Fundação.

 

#Capacitação: Minas Gerais terá 24.145 agentes de saúde formados em técnico em enfermagem

Ténico Enfermagem

Foto: iStcok / Reprodução.

O Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, irá qualificar 24.145 agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate às endemias (ACE) como técnicos em enfermagem no estado de Minas Gerais. A medida faz parte da nova Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que amplia a atribuição desses profissionais, proporcionando maior resolutividade aos atendimentos realizados à população.

Ao todo, serão investidos R$ 1,25 bilhão na formação dos agentes, que terão o curso totalmente gratuito, livres de taxas, mensalidades ou quaisquer contribuições relativas à prestação do serviço.

O curso será ofertado por instituições de ensino públicas e privadas do estado, habilitadas pelo Ministério da Educação e habilitadas no Programa de Formação Técnica para Agentes de Saúde (PROFAGS). Para participar do programa, as instituições precisam se credenciar para indicar a quantidade de vagas possíveis de serem atendidas, por município de abrangência e por semestre.

Após isso, as entidades encaminharão para avaliação do Ministério da Saúde documentos que comprovem habilitação jurídica, regularidade fiscal e trabalhista, além de qualificação técnica e econômico-financeira. O edital, para as entidades interessadas em participar do programa, está disponível no site.

Em todo o país, serão mais de 250 mil vagas de qualificação. O curso será totalmente gratuito, livres de taxas, mensalidades ou quaisquer contribuições relativas à prestação do serviço. Um dos objetivos do Ministério da Saúde com a formação desses profissionais é ampliar o acompanhamento da saúde da população no atendimento que é feito nos domicílios e nas comunidades, reduzindo agravos.

Fonte: Ministério da Saúde.

#VoltaÀsAulas: Minas Gerais capacita profissionais para a alimentação escolar na rede de ensino

Foto: Agência Brasil / Reprodução.

Foto: Agência Brasil / Reprodução.

Dentro das políticas de alimentação escolar na rede estadual de ensino em 2018, estão novos e melhores cardápios para os alunos, além da capacitação dos profissionais que lidam com a alimentação de cada dia. Para isso, é de responsabilidade da Diretoria de Suprimento Escolar da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE) orientar e exigir o cumprimento do Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), estabelecido pela legislação federal.

Nesse sentido, a contratação de 54 nutricionistas, uma para cada Superintendência Regional de Ensino (SRE) e sete para o órgão central da SEE; e a capacitação de mais de três mil diretores, vice-diretores e equipes administrativas e de mais 12 mil cantineiras, que representam 30% dos Auxiliares de Serviço da Educação Básica (ASBs) em Minas Gerais, contribui para o fortalecimento das ações em todo o Estado.

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De acordo com a nutricionista e coordenadora do PNAE na SEE, Tatiane Guimarães Perri Maciel, em 2017 foram realizadas 2.584 visitas a escolas estaduais para a qualificação das equipes que lidam direta ou indiretamente com a alimentação escolar.

“Em vista do trabalho que realizamos no ano passado, acreditamos que em 2018 tende a ser muito melhor. As novas capacitações começarão a partir de março, já que os ASBs começam a trabalhar neste mês, em função dos processos de designação. Queremos treinar todos desde o início, para que possam desempenhar suas atividades com eficiência e qualidade durante todo o ano”, explicou.

O acompanhamento das escolas pelas nutricionistas em cada SRE, de acordo com Tatiane, tem sido fundamental para mapear as realidades, dificuldades e as especificidades de cada território no que diz respeito à alimentação escolar.

“O trabalho destas profissionais tem nos mostrado, por exemplo, as dúvidas das cantineiras em relação às orientações e exigências da legislação, os procedimentos de higiene adotados, a preferência ou não por produtos da agricultura familiar, o respeito à validade dos alimentos, a gestão do desperdício, entre vários outros processos que são importantes para fazer uma análise de como tem funcionado a alimentação escolar no Estado como um todo”, afirmou Tatiane.

Neste caso, as nutricionistas não só acompanham o trabalho de todas as escolas, como também ficam à disposição para tirar dúvidas e orientar o cumprimento dos cardápios estabelecidos pela SEE.

Fonte: SEE-MG.