#ClimaESaúde: Como o semiárido brasileiro interfere na saúde dos cidadãos?

By | 2 de fevereiro de 2018
Foto: Deposit Photos / Reprodução.

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O semiárido não é mais o mesmo descrito por Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e Raquel de Queiroz. Mas, os efeitos da seca na saúde ainda se fazem sentir de forma cruel na população. Na quarta e última matéria da série Clima e Saúde – “Semiárido: saúde é o caminho para o desenvolvimento sustentável”, produzida pelo Icict/FIOCRUZ, a partir de dados gerados pelo Monitor de Seca e Saúde, do Observatório Nacional de Clima e Saúde, do Laboratório de Informação em Saúde (LIS/Icict)/Fiocruz – são abordadas questões como as doenças – diarreias e gastroenterites, asma e dengue são algumas delas – que mais afetam a população dos 1.252 municípios da região, que engloba nove estados – distribuídos pelos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Rio Grande do Norte, num total de 26,62 milhões de habitantes.

Pesquisadores acreditam que o cuidado com a saúde é a base para o desenvolvimento sustentável da região. Foram ouvidos pesquisadores da Fiocruz. Acompanha a matéria farto material de leitura (inclusive artigos internacionais), documentário e links para pesquisa. Segundo Patricia Feitosa, pesquisadora do Observatório Nacional de Clima e Saúde, do Icict/Fiocruz, em uma consulta interativa feita à base de dados do Monitor de Seca e Saúde, do Observatório, que vem sendo montado com esses dados, é possível saber que “há diferenças dos picos de internação entre a quadra chuvosa e o período de estiagem”, afirma.

A pesquisadora explica que ao longo dos meses, “no início da estiagem predominam as internações por asma e no auge do período mais seco, especificamente nos meses de setembro até novembro, as internações por diarreia são mais frequentes. Ao contrário da quadra chuvosa, que devido à elevação das precipitações pode elevar a incidência de dengue clássica e as taxas de internação para esta doença”.

A população sofre como um todo. Mas, alguns grupos são mais vulneráveis aos efeitos da seca como explica Patrícia Feitosa: “a partir dos dados do Monitor, que foram formulados pela revisão da literatura, é possível saber que a internação hospitalar por asma atinge principalmente crianças na faixa etária entre 00 a 09 anos; já aqueles entre 00 e 04 anos, os casos são por diarreia e entre 20 e 64 anos, o motivo da internação é dengue”. Ela chama a atenção que além destes, “outros grupos encontrados em artigos específicos podem ser agricultores idosos e mulheres”.

Lançado em 2008, o Observatório tem parcerias com o Datasus, IBGE, Ibama, Ministério do Meio Ambiente, secretarias estaduais e municipais de Saúde, e instituições de ensino federais e estaduais, além de integrar a Rede Brasileira de Pesquisas Sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede-Clima), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)/Ministério da Ciência e Tecnologia. Atualmente, o Observatório trabalha com informações dos seguintes sítios sentinelas de Porto Velho (Rondônia), Semiárido e Transfronteiriço (Guiana Francesa e Brasil), além do de Manaus (AM) e do Rio de Janeiro (RJ).

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