#Hanseníase: Brasil registra 11,6% dos casos da doença no mundo

By | 5 de fevereiro de 2018

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O Brasil identificou 25,2 mil casos da patologia em 2016, número que representava 11,6% do total global de novas ocorrências, de acordo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Desenvolvido pelo Ministério da Saúde brasileiro em parceria com a OPAS e com apoio da Fundação Nippon, do Japão, o Projeto Abordagens Inovadoras para Intensificar Esforços para um Brasil livre da Hanseníase teve início em outubro de 2017. Programa busca reduzir a incidência da doença em 20 municípios dos estados do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí e Tocantins.

Essas localidades foram escolhidas por apresentaram o maior número de casos novos de hanseníase diagnosticados entre jovens com menos de 15 anos. O Pará, estado onde a campanha foi lançada, é o terceiro com o maior número de novas ocorrências (2.359), ficando atrás apenas de Mato Grosso (3.167) e Maranhão (2.715).

Joaquín Molina, representante da OPAS no Brasil, afirmou que a região das Américas tem observado uma diminuição gradual no número de novos casos da infecção. Entre 2011 e 2016, por exemplo, houve uma redução de 26% nos casos detectados e de 31% na quantidade de crianças diagnosticadas. Apesar das conquistas, o combate à doença não pode perder a força. “Avançamos e podemos comemorar os progressos alcançados nos últimos anos, mas não podemos baixar a guarda. São necessários recursos financeiros adicionais e mais compromisso político para atingir o objetivo da eliminação da hanseníase”, defendeu Molina.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil também registrou queda na detecção de casos nos últimos anos: de 40,1 mil em 2007 para 25,2 mil em 2016 – o que representa uma diminuição de 42,3% da taxa de diagnóstico do país. “É importante lembrar que, apesar de existirem tratamentos eficazes e cura para a hanseníase, campanhas massivas de educação em saúde pública, um aumento da consciência sobre a doença e integração dos tratamentos nos serviços de saúde, os esforços para o combate e controle dessa enfermidade ainda encontram um grande obstáculo: o estigma e a discriminação enfrentados pelas pessoas afetadas por ela”, acrescentou o dirigente da OPAS.

Em tempo

A hanseníase é uma doença crônica infecciosa causada por uma bactéria que se multiplica muito lentamente. O período de incubação da doença varia de nove meses a 20 anos, com uma média de cinco anos. Afeta principalmente a pele, os nervos periféricos e os olhos. A detecção precoce dos casos reduz muito os riscos de deformidades e incapacidades físicas entre os pacientes. Essa enfermidade tem cura e o medicamento é gratuito em todos os países.

A hanseníase não é muito contagiosa. É transmitida por meio de gotículas nasais e orais durante contato próximo e frequente com uma pessoa que tem a doença e não recebeu tratamento. Quando tratada em seus estágios iniciais, as chances de incapacidade diminuem consideravelmente. Hoje, o diagnóstico e o tratamento da hanseníase são simples e os países com maior endemicidade estão se esforçando para integrar plenamente o cuidado com a doença nos serviços gerais de saúde já existentes.

A doença está presente em 24 dos 35 países das Américas. Em 2016, esses Estados registraram um total de 27.357 novos casos. Isso representa 12,6% da carga global (11,6% somente no Brasil) e põe a região das Américas como a segunda em número de casos reportados, atrás apenas do Sudeste Asiático.

 

 

Fonte: ONU.

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