#Pesquisa: Ambiente doméstico é terreno fértil para violência contra crianças

By | 27 de fevereiro de 2018
Por Ana Rita Araújo / UFMG.
violencia contra a criança

Crianças de zero a cinco anos são as principais vítimas de negligência no ambiente familiar. Foto: Steve White / Reprodução.

É em casa que ocorrem mais da metade dos casos de violência e negligência contra crianças, revela artigo produzido pela professora Deborah Carvalho Malta, da Escola de Enfermagem, em parceria com pesquisadores da UFMG e de outras instituições brasileiras. “A residência, que deveria ser locus de proteção e de cuidado, torna-se o local de agressão e de vitimização da infância”, enfatiza a autora. Ela utilizou dados do inquérito Vigilância de Violências e Acidentes (Viva) que focalizam dois públicos muito vulneráveis: infância e adolescência.

A análise, tema de matéria publicada na edição 2005 do Boletim UFMG, gerou dois artigos, publicados na Revista de Saúde Coletiva. A pesquisadora trabalhou com dados obtidos em 2014, do inquérito Viva, coletados nas entradas dos serviços de urgência e emergência dos hospitais de referência de todas as capitais brasileiras. Em Belo Horizonte, a amostra incluiu os hospitais João XXIII e Odilon Behrens.

O inquérito é aplicado a cada três anos, em todas as capitais brasileiras, sob a coordenação do Ministério da Saúde, em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde, com o objetivo de avaliar os atendimentos por causas externas em vítimas de acidentes e violência no Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados referentes a 2017 ainda não estão disponíveis.

Deborah Malta destaca que a base é muito rica e possibilita amplo diagnóstico da situação de saúde: oferece dados sobre as vítimas e agressores e possibilita captar não só os casos de maior gravidade, como os que exigem internação e equivalem a cerca de 10% do total, ou os que resultam em mortalidade. “Também ficam registrados os casos de média e leve gravidade que, de outra forma, não se tornariam conhecidos”, explica a professora.

Segundo ela, o estudo destaca que as violências encontram-se nas mais importantes instituições socializadoras – a família, a escola, o bairro, “o que indica a necessidade de mobilizar toda a sociedade na perspectiva do seu enfrentamento”.

 

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