#RodaDeConversa: ESP-MG promove atividade com a temática “Mulheres que Lutam”

By | 13 de março de 2018

Por Ayrá Sol Soares (ASCOM/ESP-MG)

Ayrá Sol Soares (ASCOM/ESP-MG)

Ayrá Sol Soares (ASCOM/ESP-MG)

Na última sexta-feira (09), foi realizada na Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), a roda de conversa “Mulheres que Lutam”, iniciativa de trabalhadoras da instituição pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado em 08 de março.

A atividade foi espaço de compartilhamento, trocas e vivências, por meio do diálogo, sobre o protagonismo das mulheres e suas invisibilidades na sociedade. Além disso, a atividade contou com narrativas de poemas, músicas e lanche coletivo.

Alessandra Faria, docente da ESP-MG e uma das organizadoras do evento, destaca a troca de saberes, o crescimento coletivo que estas ações proporcionam para mudança de pensamento, umas das estratégias da humanização do Sistema Único de Saúde (SUS). “A iniciativa está relacionada a humanização do SUS, com pessoas reunidas, em coletividade. Não existe um debate prévio, as pessoas estarão juntas falando das suas histórias, das suas trajetórias, e juntas fazemos as reflexões e pensamos propostas. A grande aposta é estarmos reunidas”, diz.

Saúde e mulheres

Ana Flávia Quintão, pesquisadora da ESP-MG, falou sobre a resistência feminina e sua relação com a saúde, tanto no SUS, como em práticas que promovam qualidade de vida para mulheres, em diferentes contextos. “Um local de acolhimento a mulheres vítimas de violência é um espaço de produção de saúde, assim como as questões ambientais, como o acesso à água e alimentos de qualidade é sempre uma preocupação da mãe, das irmãs, das mulheres que cuidam das crianças. A relação dessas questões sempre tem a ver com o contexto da mulher na sociedade, inserida dentro do lar”, explica.

Érica Menezes, também trabalhadora da ESP-MG, destaca o a roda de conversa permite que as mulheres falem em seu ambiente de trabalho sobre questões que fortalecem e enriquecem o trabalho e a relação com os usuários do SUS. “É um momento de refletir situações em que participamos em outros espaços, onde a mulher é ou não protagonista. É uma proposta que tem a ver com a política de Educação Permanente em Saúde, pois estamos dentro do espaço de trabalho, discutindo questões que influenciam também no nosso ambiente profissional. É uma oportunidade de discutir e refletir”, afirma.

Violência

Como convidada, Indira Xavier, coordenadora da Casa de Referência da Mulher Tina Martins e do Movimento de Mulheres Olga Benário, falou sobre a importância da sororidade, baseada na empatia e companheirismo, como princípio das práticas exercidas coletivamente. Na Casa, promovemos para mulheres uma outra forma de auto-organização, que é a convivência coletiva. Nós fazemos todas as atividades de forma coletiva, nós compartilhamos as coisas, o que tem para uma tem para todas, o que não tem para uma não tem para nenhuma. Assim elas vivenciam esse espaço de gerenciar os conflitos do cotidiano, e vão se apropriando disso. Elas começam a entender essa relação de espaço privado, explica.

Indira também destacou a importância da autonomia da mulher no processo de distanciamento de ciclos de violência e dependência de outro indivíduo. “Queremos que elas se empoderem e emancipem até o ponto que elas não retornem para nenhum outro ciclo de violência. Elas só conseguem fazer isso aprendendo a conduzir as suas próprias vidas. Como a Casa é um espaço aberto, nós prezamos para que as mulheres tenham autonomia para conduzir sua vida. Se não damos autonomias para elas, permanecerão sempre nessa relação de dependência, e no momento em que saírem da Casa, ficarão reféns de alguém que vai conduzir a vida delas”, ponderou.

Paula Araújo, trabalhadora da Escola, falou sobre as mudanças de pensamento que a discussão acrescentou, para a quebra de paradigmas, ao se tratar de questões polêmicas como a violência contra a mulher. “Muitas das questões colocadas já perfaziam meu ponto de vista sobre a mulher na sociedade como mãe, filha, esposa e indivíduo. Mas outras questões foram novas para mim, por nunca ter parado para pensar o quanto estamos acostumadas a fazer e que não nos damos conta do porquê fazemos. É o exemplo do desgaste mental que normalmente a mulher toma para si ao pensar e organizar os afazeres do lar e da família”, disse.

Ainda na roda de conversa, o debate foi ampliado para questões como o atual contexto político do país, a perda de direitos, o aumento da violência e criminalidade, o feminicídio, estupro e assédio.

 Ayrá Sol Soares (ASCOM/ESP-MG)

Ayrá Sol Soares (ASCOM/ESP-MG)

Casa Tina Martins

A Casa de Referência da Mulher Tina Martins, que integra a Rede Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher em Minas Gerais, é um espaço que visa fortalecer mulheres em situações de vulnerabilidade e violência doméstica. O projeto desenvolve trabalhos a partir de quatro eixos: formação política, encaminhamento, acolhimento e abrigamento.

Saiba mais sobre a Casa Tina Martins: https://www.facebook.com/casatinamartins/

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