#Ciência: Pesquisadores discutem insuficiência hepática causada pela febre amarela

By | 25 de abril de 2018
Por Dalila Coelho / UFMG 
Crédito: Rovena Rosa / Agência Brasil.

Crédito: Rovena Rosa / Agência Brasil.

No último verão, o Brasil experimentou o maior surto de febre amarela dos últimos 38 anos, tendo registrado, de acordo com o Ministério da Saúde, 1.157 casos e 342 mortes, de 1º de julho de 2017 a 17 de abril deste ano. O surto, que está atenuado, mas ainda não se encerrou, reforçou uma tendência: grande parte dessas mortes teve como causa a insuficiência hepática aguda decorrente da Febre Amarela.

Com o objetivo de expandir resultados de pesquisas realizadas sobre a doença, diagnósticos e tratamentos e preparar os profissionais das várias áreas correlatas para a reincidência esperada para este ano, o centro de pesquisas Liver Center at UFMG promove nesta quinta-feira, dia 26, o simpósio Acometimento hepático na febre amarela: avanços e perspectivas na pesquisa básica e clínicaO evento, aberto ao público, começa às 17h no CAD 1, no campus Pampulha. Veja a programação.

“Vamos reunir pesquisadores, médicos e profissionais da saúde para abordar questões como diagnósticos da febre amarela, biomarcadores imunológicos, manejo de pacientes com hepatite aguda e avaliação de patologista para explicar as razões da evolução tão séria da doença”, informa a professora Maria de Fátima Leite, do Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB, uma das coordenadoras do Liver Center. Confira os principais trechos da conversa:

1) O acometimento hepático decorrente da febre amarela é um fenômeno novo ou já fora observado em surtos anteriores da doença?

A última epidemia que enfrentamos apenas realçou as complicações hepáticas decorrentes da doença. A progressão da insuficiência hepática em pacientes com febre amarela é muito rápida e é a maior causa de mortes. A novidade é que agora o transplante de fígado foi introduzido, com sucesso, como estratégia de tratamento.

2) Qual a razão desse surto tão grande de febre amarela?

As principais causas da última epidemia em Minas Gerais são a deficiência de vacinação e os problemas ambientais que ocorreram no estado nos últimos anos. O último surto foi muito grave. Os casos diminuíram recentemente, mas espera-se que aumentem novamente no fim do ano.

3) Como o simpósio busca contribuir para o enfrentamento da doença?

O simpósio reunirá professores, pesquisadores e médicos de vários locais. Queremos nos preparar melhor para enfrentar o novo surto. Teremos palestras sobre aplicação de biomarcadores, kits seletivos para detecção da febre amarela, estratégias de tratamento, avaliação patológica e pesquisas aplicadas e em modelo animal.Tudo pensado para explicar melhor o que está acontecendo com o fígado, o porquê dessa evolução tão grave e como podemos nos preparar melhor para a volta da epidemia.

4) Que linhas de pesquisa têm sido desenvolvidas na UFMG sobre a febre amarela e o acometimento hepático?

Na UFMG já existiam pesquisas na área de febre amarela, mas com a recente epidemia, as pessoas “saíram da zona de conforto” por causa da questão hepática. Da mesma forma, pesquisadores que já estudavam o fígado se voltaram também para a febre amarela. Observou-se a necessidade de reunir os grupos e mudar a direção das pesquisas para focar nesse grande problema de saúde pública. Essa preocupação alcança, inclusive, o nosso grupo de pesquisa (Liver Center), criado no ano passado em parceria com a universidade de Yale (EUA).  Com a grande incidência de problemas hepáticos atrelados à febre amarela, estamos mais atentos a essa questão.

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