#MaioAmarelo: Campanha alerta a sociedade para o alto índice de óbitos no trânsito

By | 23 de maio de 2018
Por Warlen Valadares / Faculdade de Medcina da UFMG 
Crédito: Agência Brasil / Reprodução.

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O Brasil é o quarto país do mundo com o maior número de óbitos por acidentes de trânsito, atrás apenas de China, Índia e Nigéria. São mais de 47 mil mortes por ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Os motociclistas e pedestres, especialmente crianças e idosos, são as vítimas mais vulneráveis. Apesar das leis, fiscalização e multas em vigor, muitos motoristas e pedestres não têm consciência das suas responsabilidades para um trânsito mais humano e seguro.

Respeitar os limites de velocidade, não dirigir alcoolizado, atravessar na faixa de pedestre e usar a passarela são medidas simples para prevenção de acidentes de trânsito. “Nós sempre dizemos que o acidente de trânsito nem deveria se chamar acidente. Em muitos países, não se utiliza esse termo. Em inglês, a palavra que se usa é injury. Então, talvez fosse mais adequado que nós chamássemos de lesão no trânsito, porque é completamente prevenível”, pontua a médica e professora da Escola de Enfermagem da UFMG, Deborah Malta.

Ultrapassagens proibidas e dirigir com sono ou sob efeito de drogas psicoativas também são fatores de risco. “Nos últimos anos tem havido um crescimento do número de acidentes motivado pelo uso do celular ao volante, tanto falando quanto digitando mensagens. O uso do texto e a consulta às redes sociais, às vezes, leva a uma distração maior que a fala”, acrescenta a professora. Segundo Deborah, esses comportamentos são motivos de preocupação e exigem do poder público mais fiscalização, vigilância e ações educativas.

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A escola e a família também podem – e devem – se engajar nessa pauta. “É muito importante que a educação se envolva nisso, porque as crianças, ao terem noção das medidas educativas para o trânsito, elas mesmas lembram os pais da importância de respeitar o sinal, do limite de velocidade e até mesmo do álcool”, observa a especialista. A Lei Seca, implantada no Brasil em 2008, proíbe a venda de bebidas alcoólicas nas estradas e prevê a punição de condutores que dirigem alcoolizados.

De acordo com a psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina da UFMG, Tatiana Mourão, apesar da lei e fiscalização vigentes, dirigir sob efeito de álcool ainda é um hábito arraigado na cultura brasileira. “Durante muitos anos, aqui no Brasil, foi permitido o uso de álcool e direção. Ainda é recente essa mudança. Acredito que essa nova geração que está surgindo precisa criar quase como se fosse uma rede cerebral: vai beber, não dirija”, afirma. Homens jovens representam o grupo mais predisposto a se envolver em acidentes de trânsito, principalmente pelo uso abusivo de álcool nos finais de semana.

Maio Amarelo

O movimento Maio Amarelo, promovido no Brasil pelo ONSV e realizado em 27 países, busca alertar a sociedade para o alto índice de mortes no trânsito. A cor amarela, sinal que pode indicar advertência, foi escolhida como símbolo da atenção pela vida. Durante todo o mês são realizadas palestras, debates, cursos e blitz educativas em ruas, praças, escolas e empresas. A iniciativa foi motivada por ações como o Outubro Rosa e o Novembro Azul.

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A campanha reforça, dentre outras medidas, a importância de utilizar o cinto de segurança e o capacete. “Todos sabem que o capacete é obrigatório para o motociclista. Se ele não utiliza ou se usa de maneira irregular, com a viseira aberta ou sem abotoar, está colocando sua vida em risco”, aponta a coordenadora de Educação para o Trânsito da Assessoria de Comunicação Social do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER/MG), Rosely Fantoni.

Para Rosely, campanhas como o Maio Amarelo suscitam a reflexão sobre o papel de cada indivíduo na segurança do trânsito. “Se a pessoa não entende a importância dos equipamentos de segurança para sua vida, ela também não vai se preocupar com a vida do outro. E o trânsito é um espaço coletivo, onde as pessoas precisam cuidar de si e do outro”, conclui.

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