#Artigo: Preprints e os novos desafios de autores e editores na Comunicação Científica

By | 26 de junho de 2018

Para ver a imagem de forma ampliada e em PDF, clique aqui. Fonte: Periódicos Fiocruz.

 

Emplacar um artigo numa revista científica, chegando à fase final de publicação, é uma grande conquista para a maioria dos pesquisadores. Para que um manuscrito entre na seleção dos editores dos periódicos, seus autores passam por várias etapas: submissão do trabalho, avaliação por pares, revisão, edição. Mas este modelo, que tem sido usado por séculos para validar a informação científica, vem sendo criticado.

No campo do conhecimento e da divulgação científica, um dos debates da vez é a adoção de preprints — manuscritos com dados e metodologia completos, depositado pelos autores em um repositório público, mas sem avaliação prévia dos pares. Numa tradução livre, uma “pré-impressão” ou “pré-publicação” do artigo.

Em dezembro de 2017, a revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz — o periódico científico mais antigo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) — passou a aceitar a submissão de preprints. Para ilustrar as principais diferenças deste processo em relação ao de revisão por pares, o Portal de Periódicos Fiocruz traz o infográfico Preprints e os novos desafios de autores e editores na comunicação científica, que tem como fonte o editorial de Adeilton Brandão e Claude Pirmez, editores das Memórias.

O material também trata das implicações deste novo esquema tático, em que se joga de forma mais aberta, em relação ao sistema tradicional de publicação — fechado, lento e custoso. Paralelamente, mostra como isso está relacionado à entrada das tecnologias digitais nesta arena, numa partida disputada pelas agências de financiamento e investidores públicos e as grandes editoras comerciais. Enquanto o primeiro time busca agilidade para garantir resultados imediatos e transparentes, o segundo fica na retranca para defender seus interesses. Ambos têm o objetivo de fazer com que os artigos ganhem visibilidade junto a um grande público.

Editores precisam repensar seu posicionamento

Nessa partida, o papel dos editores mudou, e eles precisam repensar seu posicionamento. No processo tradicional de revisão por pares, os autores batiam à porta das revistas científicas. Dominando a bola, o editor tinha maior poder para decidir quais  artigos continuavam ou não na sua seleção.

Com as novas tecnologias, a internet, os movimentos pela ciência aberta e a força das redes sociais, a pressão aumenta. Todo mundo pode ser um comentarista e repercutir (positiva ou negativamente) os resultados das pesquisas, seja na comunidade científica ou junto à sociedade, à população em geral. Assim, os editores assumem a posição de centroavantes ou pontas de lança, buscando mais ativamente as melhores oportunidades de gol para sua revista. Agora, também compete aos editores convencer os autores a passarem a bola para a sua revista.

Bola dentro (vantagens)

  • Os autores compartilham trabalhos recentes numa plataforma aberta.
  • O acesso aos manuscritos é público. Assim, os trabalhos ganham visibilidade imediata e maior alcance.
  • Os repositórios web oferecem diversos serviços editoriais, permitindo que os cientistas controlem diretamente a disseminação de seu trabalho para a comunidade científica mundial.
  • Diferentes players participam do processo — que é mais descentralizado, rastreável, mensurável e transparente.
  • Devido ao maior envolvimento da comunidade, a literatura científica é revisada de forma coletiva e permanente.
  • A publicação dos artigos científicos é mais rápida.
  • Os custos são mais baixos tanto para os financiadores quanto para a sociedade em geral.

Bola fora (desvantagens)

  • Fraudes e plágios
  • Pressa em publicar
  • Baixa qualidade das pesquisas

 

Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz)

 

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