#SaúdeEntrevista: Os cuidados com a saúde do homem vão além do câncer de próstata

By | 7 de novembro de 2018
Por Ramon Santos
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Fotos: Shutterstock / Reprodução.

Novembro não é marcado apenas como o mês em que se deve reforçar os cuidados em relação ao câncer da próstata, mas é também um bom momento para mobilizar as atenções sobre os cuidados referentes à saúde do homem, de maneira global, para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

» Clique aqui e leia a matéria sobre #SaúdeDoHomem no site da SES-MG.

Para falar mais sobre este assunto, o #BlogDaSaúdeMG conversou com a a Diretora de Políticas de Atenção Primária à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Mayla Magalhães de Souza. Acompanhe a entrevista:

1) Nesse ano, optou-se para uma ampliação da faixa etária de pessoas do sexo masculino incentivada a cuidar da saúde: da infância à velhice. Quais são os fatores e dados que mais prevaleceram para que fosse tomada essa decisão?

Essa decisão está sendo discutida pelo Ministério da Saúde através da revisão da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, de modo considerar a pluralidade e a diversidade masculina do ser homem. Desse modo, está propondo como tema de sua Campanha: Homens como sujeitos do cuidado, ampliando o olhar para os ciclos de vida, promoção e prevenção em saúde.

A campanha, este ano, abordará as ações de pluralidade e diversidade, como: promoção da equidade na atenção a essa população, que deve ser considerada em suas diferenças por idade, condição socioeconômica, étnico-racial, por local de moradia (urbano, rural, ribeirinha, de rua, dentre outros), pelas diversas situações que se encontram como: em situação carcerária, em situação de rua, pela deficiência física, dentre outros.

2) Quais são as principais ações ou eixos principais para o incentivo do cuidado à saúde do homem neste momento?

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) trabalha em 5 eixos temáticos:

# Acesso e Acolhimento: objetiva reorganizar as ações de saúde, através de uma proposta inclusiva, na qual os homens considerem os serviços de saúde também como espaços masculinos e, por sua vez, os serviços reconheçam os homens como sujeitos que necessitam de cuidados.

# Saúde Sexual e Reprodutiva: busca sensibilizar gestores (as), profissionais de saúde e a população em geral para reconhecer os homens como sujeitos de direitos sexuais e reprodutivos, os envolvendo nas ações voltadas a esse fim e implementando estratégias para aproximá-los desta temática.

# Paternidade e Cuidado: objetiva sensibilizar gestores (as), profissionais de saúde e a população em geral sobre os benefícios do envolvimento ativo dos homens com em todas as fases da gestação e nas ações de cuidado com seus(uas) filhos(as), destacando como esta participação pode trazer saúde, bem-estar e fortalecimento de vínculos saudáveis entre crianças, homens e suas (eus) parceiras(os).

# Doenças prevalentes na população masculina: busca fortalecer a assistência básica no cuidado à saúde dos homens, facilitando e garantindo o acesso e a qualidade da atenção necessária ao enfrentamento dos fatores de risco das doenças e dos agravos à saúde.

# Prevenção de Violências e Acidentes: visa propor e/ou desenvolver ações que chamem atenção para a grave e contundente relação entre a população masculina e as violências (em especial a violência urbana) e acidentes, sensibilizando a população em geral e os profissionais de saúde sobre o tema.

Ainda, podemos ressalta também importantes ações como: o estímulo as ações de promoção da saúde por meio da implementação da Política Estadual de Promoção da Saúde, com a oferta de ações de promoção da alimentação saudável nas equipes de atenção primária à saúde e Polos da Academia da Saúde, em consonância com o Guia Alimentar para a População Brasileira que visam estimular o consumo de mais frutas, verduras, legumes, arroz, feijão, carnes, ovos e leites e optando por preparações feitas em casa, com temperos naturais.

Além de outras ações que visam estímulo da atividade física para a melhora da autoestima, redução do estresse, da depressão e do isolamento social. Atualmente, cerca de 90% dos municípios do Estado ofertam práticas corporais e atividade física. A oferta do programa de cessação do tabagismo, objetivando apoiar os usuários a parar de fumar. No estado, 663 municípios realizam o tratamento. Além de ações de prevenção a iniciação precoce a tabaco, álcool e outras drogas, realizada nas escolas pactuadas pelo Programa Saúde na Escola.

3) Especificamente para o aspecto da diversidade, há algum ponto a ser reforçado ou trabalhado? Por quê?

A PNAISH ressalta a importância da reflexão contínua sobre as construções sociais de gênero voltadas às masculinidades, buscando abolir papéis estereotipados que afastam os homens da saúde, do cuidado, do afeto e da construção de relações mais equitativas e humanizadas em suas parcerias sexuais e afetivas.

Da mesma forma, aponta a necessidade de se pensar e desenvolver ações em saúde fora do enquadramento biológico e heteronormativo – reconhecendo e valorizando assim, os diversos arranjos familiares existentes e as diferentes possibilidades de vivenciar a paternagem, como por exemplo, através de casais homossexuais, pais solteiros, adolescentes ou idosos e também homens que desempenham a função paterna (avôs, tios, amigos, padrastos, etc.).

Com isso, a política busca enfatizar que o momento da gestação e os cuidados posteriores com as crianças também devem ser aproveitados para valorizar modelos positivos de masculinidade, pautados pela cooperação, pelo diálogo, pelo respeito, pelo cuidado, pela não-violência e pelas relações entre gêneros que respeitem a diversidade, a pluralidade e a equidade como princípios básicos.

4) Como os cuidados na infância e o pré-natal podem ser articulados?

É importante atuarmos na perspectiva da inclusão do tema da paternidade e cuidado, por meio do Pré-Natal do Parceiro, nos debates e nas ações voltadas para o planejamento reprodutivo como uma estratégia essencial para qualificar a atenção à gestação, ao parto e ao nascimento, estreitando a relação entre trabalhadores de saúde, comunidade e, sobretudo, aprimorando os vínculos afetivos familiares dos usuários e das usuárias nos serviços ofertados. É estimulada a participação do homem no acompanhamento do pré-natal, nos momentos do parto (pré-parto, parto e pós-parto) e nos cuidados com a criança.

5) Com relação ao câncer de próstata. Qual o panorama atual no Estado com relação a perfil da população, casos, exames? Cite, por gentileza, as principais medidas preventivas e o como proceder após eventual diagnóstico.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os principais fatores de risco do câncer da próstata são o envelhecimento e fatores genéticos. O avanço da idade é um fator de risco bem estabelecido visto que tanto a incidência como a mortalidade aumentam após os 50 anos de idade. O histórico familiar apresenta associação positiva para aumento no risco de desenvolvimento dessa neoplasia pelo histórico familiar em primeiro grau (pais, irmãos ou filhos).

É preciso esclarecer a população sobre a doença para a população de risco, especialmente no reconhecimento dos principais sinais de alerta, para que se procure o atendimento nos serviços de saúde em tempo oportuno. A Atenção Primária é a principal porta de entrada na Rede de Atenção à Saúde e as unidades básicas de saúde são o serviço mais próximo desses cidadãos, atuando como coordenadoras do cuidado e ordenadoras das ações e serviços disponibilizados na rede.

Para o ano 2018, o INCA estima a ocorrência de 6.730 casos novos de câncer de próstata na população masculina de Minas Gerais, com a taxa bruta estimada de incidência de 63,80 casos novos por 100 mil homens mineiros. Em 2017, o câncer de próstata foi responsável por 1.348 óbitos (12,2% do total de neoplasias do sexo masculino) com uma taxa bruta de 12,99 óbitos por 100 mil homens mineiros.

 

 

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