#SaúdeEntrevista: SUS oferece teste e tratamento gratuito para HIV/Aids

By | 29 de novembro de 2018
Por Paula Gargiulo*

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No próximo sábado (01/12), é celebrado o Dia Mundial de Luta contra a AIDS. A data foi instituída em 27 de outubro de 1988 pela Assembleia Geral da ONU e a Organização Mundial de Saúde (OMS), cinco anos após a descoberta do vírus causador da aids, o HIV. Neste ano, o Brasil completa 30 anos de oferta do tratamento da doença por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A garantia do tratamento para todos e a melhoria do diagnóstico contribuíram para a queda de óbitos, além da ampliação do acesso à testagem e redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento.

  • Clique aqui e confira uma matéria completa no site da SES-MG.

O SUS disponibiliza teste rápidos para a detecção do vírus nas unidades de saúde do país. Já o autoteste de HIV é vendido nas farmácias privadas do país, mas os resultados não podem ser utilizados para o diagnóstico definitivo. Em caso de resultado positivo, a orientação é que o usuário busque o serviço de saúde para testes complementares. Nas caixas de autoteste de HIV, distribuído pelo SUS, haverá um número 0800 do fabricante para tirar dúvidas e dar orientações aos usuários. Este serviço funcionará 24 horas e 7 dias por semana. Além disso, o usuário pode tirar dúvidas pelo Disque Saúde 136.

Além da testagem, o Governo Federal também financia o tratamento para o HIV/aids no país. Desde 2013, os medicamentos (antirretrovirais) podem ser acessados nas unidades de saúde pelos soropositivos independente da quantidade de vírus que eles apresentarem no corpo. Desde a introdução do tratamento para todos, até setembro deste ano, 585 mil pessoas com HIV/aids estavam em tratamento no país. A maioria, 87%, fazem uso do dolutegravir, um dos melhores medicamentos do mundo que está disponível gratuitamente no SUS. Para falar mais sobre a importância da testagem e do tratamento Aids/HIV no SUS, o Blog da Saúde MG conversou com a Coordenadora de IST/AIDS e Hepatites Virais da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Mayara Marques de Almeida. Confira:

SAÚDE MG: Qual a importância de haver uma data em alusão à luta contra a AIDS?

Mayara: O Dia Mundial de Enfrentamento ao HIV é uma data comemorada mundialmente, com o objetivo de conscientizar toda a sociedade e chamar atenção para o problema, desde a prevenção até o tratamento, e, como consequência, a redução do preconceito.

Qual é o tipo de tratamento que o SUS fornece para a pessoa HIV positiva?

No Brasil, desde 1996, todas as pessoas diagnosticadas com AIDS recebem tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizados pelas Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM) dos Centros de Aconselhamentos e Testagens (CTA) e dos Serviços de Atendimentos Especializados (SAE). A partir de 2013, o tratamento para HIV/AIDS também passou a ser distribuído para todas as pessoas com o diagnóstico reagente para o HIV/AIDS.

O tratamento, que consiste no uso de medicamentos antirretrovirais (ARV) que ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico, fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV, além de reduzir o número de internações e infecções por doenças oportunistas. Ele traz vários benefícios como: diminui as complicações relacionadas às infecções pelo HIV, reduz a transmissão do vírus, melhora a qualidade de vida da pessoa e diminui a mortalidade.

Atualmente, existem 22 medicamentos em 38 apresentações farmacêuticas.

A AIDS, em Minas Gerais, é uma preocupação?

A taxa de detecção de AIDS vem caindo no Brasil nos últimos anos. A Região Sudeste apresenta tendência de queda nos últimos dez anos. Em 2007, a taxa de detecção dessa região era de 22,0, passando para 17,1 casos por 100 mil habitantes em 2017. Em Minas Gerais, tem se observado um declínio da taxa de infecção (18%) e do coeficiente de mortalidade padronizado de AIDS entre os anos de 2007 e 2017 (23,8%), de acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde 2018.

Quais são as principais formas de prevenir a doença?

O método mais eficaz para evitar a transmissão do HIV/AIDS é o uso do preservativo (masculino ou feminino) em todas as relações sexuais (orais, anais e vaginais). O preservativo está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS).  Outras formas de prevenção são:

  • Não compartilhar agulhas, seringas, canudos e cachimbos;
  • Utilizar materiais esterilizados na aplicação de piercings e tatuagens;
  • Realizar exames de pré-natal durante a gestação;
  • Evitar transfusão sanguínea sem o controle rigoroso das bolsas;
  • Evitar materiais não esterilizados em clínicas odontológicas, nas manicures, barbearias, etc.

Quais são as formas de contágio?

As principais formas de transmissão do HIV/AIDS são as relações sexuais (anal, vaginal e oral) sem o uso do preservativo. Também há a transmissão da mãe infectada para o filho durante a gestação, no parto ou na amamentação (transmissão vertical). O compartilhamento da mesma seringa ou agulha contaminada por mais de uma pessoa, instrumentos que furam ou cortam, não esterilizados, são outras formas de transmissão não menos relevantes.

E os sintomas?

Quando ocorre a infecção pelo vírus HIV, causador da AIDS, o sistema imunológico começa a ser atacado. E é na primeira fase, chamada de infecção aguda, que ocorre a incubação do HIV. Esse período varia de três a seis semanas. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebida. A segunda fase é marcada pela forte interação entre as células de defesa e as constantes e rápidas mutações do vírus. Esse período, que pode durar muitos anos, é chamado de assintomático.

Com o frequente ataque, as células de defesa começam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas. O organismo fica cada vez mais fraco e vulnerável às infecções comuns.

A terceira fase é a sintomática inicial e é caracterizada pela alta redução dos linfócitos TCD4+ (glóbulos brancos do sistema imunológico), que chegam a ficar abaixo de 200 unidades por mm³ de sangue. Os sintomas mais comuns nessa fase são: febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento. A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas, que recebem esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. Com isso, atinge-se o estágio mais avançado da doença, a AIDS em si. Quem chega a essa fase, por não saber da sua infecção ou por não seguir o tratamento indicado pela equipe de saúde, pode sofrer de hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer.

A faixa etária mais atingida pelo agravo é a de 20-34 anos. A que a SES-MG credita esses números tão expressivos para essas idades?

A infecção pelo HIV/AIDS nesta faixa etária nos últimos 10 anos vem aumentando consideravelmente. Isso se dá ao fato de estarem na fase sexualmente ativa e, muitas vezes, com múltiplos parceiros, além do uso de drogas e álcool ser mais comum nesta faixa etária.

Qual é a atual taxa de incidência de AIDS em Minas Gerais?

A taxa de incidência de HIV/AIDS em Minas Gerais até novembro de 2018 é de 23,82%. Observamos que há um declínio na incidência quando comparado aos anos anteriores.

É possível ter HIV positivo e ter uma vida saudável?

Sim. A seriedade do tratamento com os remédios reduz significativamente a mortalidade e o número de internações e infecções por doenças oportunistas, que aproveitam a fraqueza do sistema imunológico para atacar o organismo. Por isso, seu uso é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida de quem tem HIV/AIDS. Iniciar o tratamento cedo é crucial para conseguir atingir uma qualidade de vida melhor e por mais tempo. A expectativa de vida hoje de uma pessoa que tem um diagnóstico precoce e inicia o tratamento imediatamente e mantém a carga viral indetectável é semelhante à de uma pessoa com a mesma faixa etária e que não tenha HIV.

No que consiste a PEP e a PrEP?

A Profilaxia Pós Exposição (PEP) é uma medida de prevenção de urgência à infecção pelo HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), que consiste no uso de medicamentos para reduzir o risco de adquirir essas infecções. Deve ser utilizada após qualquer situação em que exista risco de contágio, tais como:

  • Violência sexual;
  • Relação sexual desprotegida;
  • Acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes ou contato direto com material biológico).

A Profilaxia Pré Exposição (PrEP) ao HIV é um novo método de prevenção à infecção pelo HIV. A PrEP consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o vírus causados da AIDS infecte o organismo, antes de a pessoa ter contato com o vírus.

A PrEP não é para todos. Ela é indicada para pessoas que tenham maior chance de entrar em contato com o HIV. Como:

  • LGBT’S;
  • Pessoas trans;
  • Trabalhadores do sexo.

E, além disso, se você:

  • Frequentemente deixa de usar camisinha em suas relações sexuais;
  • Tem relações sexuais, sem camisinha, com alguém que seja HIV positivo e que não esteja em tratamento.
  • Faz uso repetido de PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV);
  • Apresenta episódios frequentes de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s).

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*Com informações do Ministério da Saúde.

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