#SaúdeEntrevista: Você sabe qual é a importância do Sanitarista para a saúde pública?

By | 2 de janeiro de 2019

Por Sílvia Amâncio / ESP-MG

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Nesta quarta-feira (02/01) é comemorado Dia do Sanitarista. Trata-se de um profissional responsável por analisar a saúde pública local, categorizando os problemas em ordem de prioridades, propondo soluções e alternativas e também estimativas sobre os recursos necessários para que as medidas possam ser executadas tanto no âmbito da saúde coletiva, quanto na saúde individual. Geralmente, a este profissional se associa os seus conhecimentos a outras áreas de conhecimento da saúde, tais como medicina, biomedicina, farmácia, enfermagem, biologia, veterinária, entre outras.

A especialidade de sanitarista passou por inúmeras transformações ao longo da história e, atualmente, é essencial para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, insere-se na área de conhecimento denominada de Saúde Coletiva e se caracteriza por ser multiprofissional e interdisciplinar. Os sanitaristas mais famosos do Brasil foram Oswaldo Cruz e Carlos Chagas, que se destacaram não só pelas grandes pesquisas cientificas que realizaram, mas principalmente pelo impacto social que elas tiveram.

Nesse sentido, a Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG) é pioneira na formação de sanitaristas no Estado, por meio da especialização em Saúde Pública é um dos grandes marcos da ESP-MG. Durante sua história, o curso exerceu papel de destaque na qualificação dos profissionais, buscando sempre ofertar formação de qualidade em consonância com o contexto mais amplo da saúde pública.

A primeira edição do curso de especialização em Saúde Pública foi realizada em 1947, um ano após a criação da ESP-MG. Em 2017, curso foi Acreditado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), reconhecimento formal de que a especialização atende a requisitos previamente definidos e que a instituição demonstra ser competente para realizar a ação educacional de grande importância para qualificação de trabalhadores do SUS.

Para falar mais sobre a formação de sanitarista, o Blog da Saúde MG conversou com Alessandra Faria, Juliana Santos (Docentes de Educação Popular em Saúde) e Ana Flávia Quintão Fonseca (Docente de Saúde, Trabalho e Ambiente), professoras da especialização de Saúde Pública da ESP-MG. Acompanhe:

1) Como é a formação do sanitarista na ESP-MG?

Na Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais são formados profissionais que atuam na saúde pública, dentro da perspectiva de defesa, crescimento e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso é necessário que os profissionais tenham uma leitura crítica da realidade sócio-econômica-política e cultural e que desenvolva práticas coerentes com isso.

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Alessandra Faria, Juliana Santos e Ana Flávia são docentes da especialização de Saúde Pública da ESP-MG. Crédito: ESP-MG / Arquivo.

2) Alguma disciplina em particular promove essa leitura crítica?

Cada uma traz seus conceitos, mas a educação popular em saúde traz princípios e ferramentas que sustentam uma atuação crítica e humanizadora que podem subsidiar o trabalho de um sanitarista. Esse profissional, trabalhando dentro desta perspectiva, busca uma aproximação das realidades do território em que atua, tendo um olhar ampliado para peculiaridades locais, no que diz respeito a condições de vida, diversidades étnico-cultural, de gênero, sexual, religiosa e geracional, formas de organização e relação entre os diferentes grupos. Esse olhar é de extrema importância no planejamento e realização de ações em saúde.

3) Como você trabalho com a Educação Popular em Saúde e Saberes Tradicionais na perspectiva da saúde pública em sala de aula?

Essa aproximação se dá por meio do diálogo entre os sujeitos do território, que compartilham de maneira respeitosa e acolhedora seus saberes, vivências e experiências. A partir dessa partilha, os sujeitos vão compondo e confrontando maneiras de explicar as situações vividas, problematizando concepções, permitindo uma elaboração mais rica e complexa dos problemas do cotidiano. Vão sendo desveladas as contradições, as relações hierárquicas de poder, as opressões e silenciamentos, o papel do Estado nessa correlação de forças. Torna-se possível, por exemplo, discutir e compreender a saúde como direito de todos e dever do Estado. Torna-se possível também construir projetos de intervenção em saúde coerentes com essa análise compartilhada da realidade.

4) Como os novos sanitaristas se apropriam desses saberes e os utilizam em seu trabalho no SUS?

Na medida em que a educação popular em saúde se traduz no diálogo, acolhimento problematização e intervenção, ela contribui para que os profissionais tenham uma leitura crítica da realidade, desenvolvendo o seu trabalho de forma implicada e comprometida com a população.

5) Como você trabalha com a questão do meio ambiente na perspectiva da saúde pública em sala de aula?

Abordo o impacto da atuação dos seres humanos na natureza e as consequências dessas alterações para a saúde humana, em uma perspectiva ecossistêmica, pois nossa vida e saúde são indissociáveis da saúde e equilíbrio de todos os ecossistemas. Nós e a natureza somos a mesma coisa.

6) Qual a importância desse conteúdo para os alunos?

Amplia o olhar sobre essa indissociabilidade e possibilita reconhecer novas perspectivas sobre a atuação dos profissionais da saúde, principalmente no campo da promoção da saúde. Quando promovemos saúde, por meio do cuidado com a natureza que nos provê tudo que precisamos para existir, promovemos também uma redução das intervenções mais complexas em saúde. Isso pode, indiretamente, favorecer a redução dos gastos em saúde, associado a um aumento de qualidade de vida, além de apoiar o desenvolvimento de uma saúde integral, considerando aspectos sociais e ambientais.

7) E a Agroecologia? Como eles podem explorar esses conhecimentos e atuarem em seus locais de trabalho?

Alimento é saúde, é vida. No país que mais consome agrotóxicos no mundo e onde a segunda causa de mortalidade é o câncer, discutir a qualidade da produção de nossos alimentos e o impacto disso na qualidade de nossas águas, solos e ar é urgente. As alunas e alunas costuma se surpreender muito com as informações sobre agrotóxicos e os impactos disso na saúde. Dessa maneira, a agroecologia se configura como uma importante prática de promoção da saúde e aumento da qualidade de vida, para todas e todos.

 

Veja também:
Artigo publicado no site da Abrasco sobre o Dia do Sanitarista

 

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