Monthly Archives: maio 2020

#SaúdeDigitalMG: Saiba como acessar o aplicativo

A chegada da pandemia da Covid-19 cobrou urgência por parte das instituições de saúde para a tomada de decisões rápidas e eficazes frente ao enfrentamento da doença. Com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais de Minas (SES-MG), não foi diferente. Além de implementar as ações assistenciais e epidemiológicas para prevenção e controle do Coronavírus, a Secretaria também tem buscado soluções tecnológicas que auxiliem a população, sem que as pessoas precisem sair de casa, por meio de atendimento digital.

Uma dessas soluções é a criação de uma plataforma de gestão da inovação em Telemedicina, que oferece um direcionamento para o acesso à saúde do Estado, neste momento específico de pandemia da Covid-19. Pelo aplicativo é possível identificar, triar e encaminhar um paciente com suspeita da Covid-19 que procure uma unidade de saúde mais próxima. “Com as orientações de manter o distanciamento e evitar procurar o serviço de saúde quando tiver um quadro gripal leve, a telemedicina faz-se necessária para podermos ampliar o contato com o cidadão e orientá-lo adequadamente ”, explica o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre o governo de Minas e a techtools ventures, empresa que agrega as melhores soluções de healthtech de 38 países, que doou para o estado, por um período de três meses, o direito ao uso da tecnologia de certificação de identidade dos pacientes, triagem inteligente para Covid-19 e plataforma de teleconsultas.

O aplicativo, que tem uma navegação intuitiva, permite que cada cidadão faça o seu registro e também cadastre seus familiares. Por meio de uma ferramenta que utiliza inteligência artificial, a pessoa fará uma triagem, respondendo questões relacionadas ao seu atual estado de saúde para ter uma orientação sobre o seu nível de criticidade – recebendo orientações para fazer o isolamento domiciliar, ser direcionado à teleconsulta, providenciar sua ida com urgência a um hospital ou posto de saúde, ou ainda, descartar a suspeita de contaminação.

Veja o vídeo abaixo e saiba como utilizar o aplicativo:

 

Clique aqui e acesse a matéria completa sobre o Saúde Digital MG no site da SES.

Saúde da Mulher e da Criança: conheça o Comitê de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal de Minas Gerais

por Regina Amélia Lopes Pessoa de Aguiar, presidente do Comitê de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal de Minas Gerais

A estratégia de análise dos óbitos maternos de forma qualificada foi iniciada no estado de Minas Gerais (MG) em 1995. A Resolução Nº 098 de 30 de junho de 1995 determinou a criação de comitês de prevenção da morte materna no âmbito estadual e nas regionais de saúde ligado diretamente à Secretaria de Estado de Saúde de MG (SES- MG), através da Diretoria de Promoção à Saúde da Superintendência de Epidemiologia.

Em 2004, a partir da Resolução SES Nº 0589 de 26 de outubro de 2004, o Comitê Estadual de Prevenção da Morte Materna (CEPMM) passou a ser vinculado diretamente à Coordenação de Atenção à Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, da Superintendência de Atenção à Saúde, na Subsecretaria de Políticas e Ações da Saúde. Na mesma data foi publicada a Resolução SES Nº 0590, que criou os Comitês Estadual, Regionais, Municipais e Hospitalares de Prevenção da Mortalidade Infantil com a mesma vinculação do CEPMM. Esses comitês foram bastante atuantes até o final da primeira década dos anos 2000, mas a partir daí passaram a ter atuação menos ativa.

Em 2013, a SES-MG retomou a implantação dos comitês como estratégia consolidada para a redução da mortalidade materna e infantil, publicando a Resolução Nº 4.031 de 19 de novembro de 2013, que unificou os Comitês de Prevenção de Mortalidade Materna e os Comitês de Prevenção de Mortalidade Infantil, criando um Comitê único de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal para integrar as ações de promoção, prevenção e acompanhamento da assistência à saúde da gestante, parturiente, puérpera, recém-nascido e criança até um ano de vida.

Em novembro de 2015 alguns pontos foram ajustados a partir da Deliberação CIB-SUS/MG nº 2.226 de 18 de novembro de 2015 e Resolução Nº 5.016 de 18 de novembro de 2015, como a possibilidade dos municípios de uma mesma região se agrupar e constituírem um comitê compartilhado; o enfoque nas vulnerabilidades dos diferentes grupos sociais; a criação de uma secretaria executiva como órgão permanente com composição, finalidades e atribuições definidas em Regimento Interno; e racionalização da composição dos comitês, alterando “composição mínima” por composição preferencial. As alterações foram realizadas com o propósito de facilitar a implementação, atuação e os processos de trabalho dos comitês nos diversos níveis. A partir da publicação dessa última Resolução a atuação do Comitê Estadual foi retomada.

A secretaria executiva do CEPMMIF se reúne semanalmente enquanto que o CEPMMIF tem reuniões ordinárias mensais, salvo os meses de janeiro, julho e dezembro.

O CEPMMIF é composto pela representação de seguintes entidades

  • Coordenadoria de Atenção à saúde das Mulheres e Crianças
  • Diretoria de Políticas e Gestão Hospitalar
  • Diretoria de Políticas de Atenção Primária
  • Diretoria de Análise de Situação de Saúde
  • Diretoria de Vigilância em Serviços de Saúde
  • Diretoria de Regulação Assistencial
  • Conselho Regional de Medicina
  • Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais
  • Sociedade Mineira de Pediatria
  • Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras – Seccional Minas Gerais
  • Escola/Faculdade de Medicina
  • Escola/Faculdade de Enfermagem
  • Hospitais Públicos de Minas Gerais
  • Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais
  • Hospitais Universitários ou de Ensino
  • Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte
  • Conselho Estadual de Saúde
  • Conselho Estadual da Mulher
  • Organizações Não Governamentais relacionadas à saúde da mulher
  • Organizações Não Governamentais relacionadas à saúde da criança
  • Ministério Público de Minas Gerais
  • Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Estado de Minas Gerais
  • Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais

A Secretaria Executiva do CEPMMIF, que é composta pelos membros das áreas técnicas da SES-MG (representações 1 a 6 dos composição do CEPMMIF) inclui em suas atividades a discussão sistemática de óbitos de interesse, incluindo óbitos de mulheres em idade fértil com causas presumíveis de óbito materno, 100% dos óbitos maternos declarados, óbitos de gestantes/puérperas por causas externas, óbitos fetais e infantis.

Para a análise de casos de óbitos fetais e infantis, o CEPMMIF trabalha com uma lista atualizada periodicamente de causas básicas, fazendo análise por amostragem, em função do grande quantitativo de óbitos fetais e infantis. Como forma de apoio às Unidades Regionais de Saúde, várias dessas reuniões são realizadas por videoconferência contando com a participação das referências regionais e dos municípios de residência e de ocorrência dos casos.

O CEPMMIF dispõe de uma página no site da SES/MG para apoiar os demais comitês. É um instrumento que pode ser acessado por qualquer pessoa de qualquer lugar e tem como finalidade apoiar a estruturação e atuação desses comitês. A página pode ser acessada neste link, e contém a documentação que regulamenta o comitê estadual, o seu histórico, os instrumentos legais e de apoio, documentos elaborados pelo CEPMMIF e material dos treinamentos e eventos. Vários eventos para capacitação em investigação e análise de óbitos foram realizados pelo CEPMMIF. Também ocorrem diversas participações dos membros do CEPMMIF em eventos realizados com os mesmos objetivos em diversas URS do estado.

O CEPMMIF tem, também, como atribuição estimular a implantação e monitorar os comitês regionais, a partir de ferramentas para organizá-los facilitando o processo de composição, estruturação e atuação.

Atualmente, todo o material de análise de óbitos produzido pelo CEPMMIF bem como as recomendações sugeridas para a redução da ocorrência desses óbitos têm sido utilizados pela Coordenação Materno Infantil, pela Diretoria de Ações Temáticas e Estratégicas, pela Superintendência de Redes de Atenção à Saúde e pela Subsecretaria de Políticas e Ações de Saúde da gestão estadual para subsidiar ações referentes à saúde da mulher e criança.

DeuNaMídia: Programa Medicamento em Casa, da SES-MG, é destaque no Jornal Nacional

O Programa Medicamento em Casa foi destaque no quadro Solidariedade S/A do Jornal Nacional, da Rede Globo, nesta terça-feira (26/05). O Medicamento em Casa é um serviço oferecido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) em conjunto com a Defesa Civil de Minas Gerais de entrega de medicamentos em domicílio para pacientes do grupo de risco da COVID-19, por meio de parceria com a 99, empresa de mobilidade urbana.

Clique na imagem abaixo e assista:

Reprodução G1

Reprodução G1

#DiaMundialSemTabaco: Diretoria de Promoção à Saúde disponibiliza formulário para registro de ações

A Diretoria de Promoção à Saúde convida a todos os municípios que realizem o registro das ações desenvolvidas sobre o Dia Mundial Sem Tabaco no espaço de Comunidade de Conhecimentos e Práticas em Promoção à Saúde – SES/MG,  através do link: http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=38068.

Esse formulário tem o objetivo de compilar as experiências municipais a fim de divulgar por meio das redes sociais oficiais da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e/ou para relatos anuais de boas práticas.  

Saúde do sono e Covid-19: 7 orientações de cuidado

por Lírica Saulluz Mattos Pereira, enfermeira e mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Especialista em Gestão de Redes de Atenção à Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Fiocruz) e doutoranda em Saúde Coletiva pela Fiocruz MG. Atualmente é Especialista em Políticas e Gestão de Saúde da SES-MG, onde atua como Diretora de Saúde Mental, Álcool e outras drogas. Diretora de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas. 

O sono é um estado fisiológico complexo, sendo um momento extremamente relaxante, além de um processo vital para nosso organismo e manutenção da imunidade. Sabemos que neste cenário de pandemia de Covid-19 as pessoas podem apresentar preocupações, angústias, medos, ansiedades, estresse, incertezas e inseguranças diversas que podem comprometer a saúde mental e o sono.

Assim, compreendemos que algumas ações são importantes nesse sentido; são elas:

  • Busque manter horários regulares para dormir e acordar, mesmo aos finais de semana;
  • Tente estabelecer uma rotina relaxante antes da hora de dormir, criando um ambiente agradável, confortável e calmo no momento do sono;
  • Mantenha uma dieta equilibrada, evite fumar e ingerir refrigerantes, café e álcool perto do horário de dormir;
  • Não utilize medicamentos para dormir sem prescrição médica;
  • Tente manter uma rotina ativa, com a prática de atividades físicas*;
  • Desligue a TV, celular e outros aparelhos similares pelo menos 2h antes do horário que costuma dormir;
  • Evite cochilos prolongados ao longo do dia. O indicado são apenas 30 minutos após o almoço.

* A SES-MG te convida a conhecer as PICS, Práticas Integrativas e Complementares, que têm alto potencial de proporcionar relaxamento, boas sensações e bem estar geral. Neste link você encontra vídeos e podcasts que trazem orientações simples para que todos possam fazer, no conforto dos seus lares, as mais variadas práticas que, acreditem, podem mudar a sua relação com a sua saúde, com o seu corpo e com o mundo! Experimentem e compartilhem conosco a experiência que tiveram com as PICS, registrando através de fotos ou vídeos a prática escolhida e postando nas redes sociais com a seguinte hashtag: #FiqueEmCasaComPICS.

Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil

Por Coordenação de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis

A violência e suas consequências são uma violação aos direitos humanos fundamentais, além de serem consideradas um grave problema de saúde pública no mundo, segundo Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2002. Os casos de violência sofridos na infância e na adolescência, ocorrem em fases da vida de maior vulnerabilidade, por serem praticados, em sua maioria, no âmbito intrafamiliar, são encobertos pelo silêncio das vítimas, podendo se perpetuar por meses e anos. No Brasil, crianças e adolescentes são protegidos por várias normas jurídicas e institucionais que garantem, ao menos no que diz respeito à lei, seus direitos humanos fundamentais.

criança triste

Uma das normas é o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) que prevê no artigo 5º que “nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais“.

A Constituição Federal no artigo 227 também estabelece: é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Todos os dias devemos atuar no combate do abuso da exploração sexual de nossas crianças e adolescentes. No entanto, o dia 18 de maio é uma data especial dedicada a este assunto. O 18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil foi instituído a partir da aprovação de Lei Federal n° 9.970/00. Esta data foi escolhida em virtude do crime cometido contra Araceli, uma menina de apenas 8 anos de idade, abusada sexualmente e brutalmente assassinada em 18 de maio de 1973. A intenção destacar essa data é para mobilizar e convocar toda a sociedade a participar dessa luta e proteger nossas crianças e adolescentes. A data reafirma a importância de se denunciar e responsabilizar os autores de violência sexual contra a população infanto-juvenil.

Entretanto, apesar desse dia ser destacado, todo mês de maio é marcado por essa luta, com a campanha do Maio Laranja voltado para a sensibilização de toda a sociedade e de diversos setores, através de diversas ações.

Após a declaração da pandemia pelo novo coronavírus (Covid-19), uma das medidas de contenção é o isolamento social, medida grande importância para proteção contra o coronavírus. No entanto, esse período pode levar a ocorrência e aumento de casos de violência contra crianças e adolescentes, por muitas vezes estarem no mesmo ambiente com os possíveis agressores e também mais expostos ao conteúdo da internet, por terem tempo mais livre.

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Alguns cuidados e orientações são importantes para garantir a proteção de crianças e adolescentes, não somente durante o isolamento social, mas em todos os dias:

– Fique próximo das crianças e adolescentes, e redobre a atenção com os conteúdos acessados na internet;

– Caso perceba alguma alteração no comportamento da criança e ou adolescente, que possa indicar algum tipo de violência, converse com tranquilidade e se necessário procure os serviços disponíveis para atendimento;

– Procure não deixar crianças e adolescentes sozinhos; se você é o único adulto responsável pelas crianças da casa e precisou ir ao hospital, peça ajuda de pessoas da sua confiança, ou ligue para o Conselho Tutelar e busque apoio dos órgãos de proteção à criança na sua cidade. Se você conhece alguém nessa situação, ofereça ajuda e entre em contato com os órgãos de proteção responsáveis, quando necessário.

– Não desvalorize o relato de uma criança ou adolescente, caso cite uma possível violência;

– Se tiver conhecimento de maus tratos ou qualquer tipo de violência, o responsável ou a pessoa que observar a violência deve entrar em contato com os órgãos competentes para as medidas cabíveis;

– Cuidar e proteger, é a chave para prevenir a violência contra crianças e adolescentes;

– Durante o confinamento, lembre-se: xingar, humilhar e praticar castigos físicos, como bater, são formas de violência. Por isso, tenha em mãos os canais de denúncia para qualquer situação de violência contra crianças e adolescentes. As ligações são gratuitas e disponíveis para todo o Brasil e você não precisa se identificar.

 

Canais de proteção e denúncia:

Disque 100 – Vítimas ou testemunhas de violações de direitos de crianças e adolescentes, como violência física ou sexual, podem denunciar anonimamente pelo Disque 100.

Disque 180 – Em casos de violência contra mulheres e meninas, seja violência psicológica, física, sexual causada por pais, irmãos, filhos ou qualquer pessoa. O serviço é gratuito e anônimo.

Polícias – Quando estiver presenciando algum ato de violência, acione a Polícia Militar por meio do número 190. Também é possível acionar as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher e as de Proteção à Criança e ao Adolescente da sua cidade.

Safernet Brasil – A rede recebe denúncias de cyberbullying e crimes realizados em ambiente online. Para denunciar, acesse https://new.safernet.org.br/

– Caso algum canal não funcione, procure a rede de Assistência Social do seu município, eles poderão fazer a ponte com os serviços disponíveis.

 

 

Material da UNICEF- https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/eh-urgente-proteger-criancas-e-adolescentes-contra-violencia-durante-o-isolamento-social

SES-MG e UFMG realizam webpalestra sobre tabagismo – Participe!

Como parte das ações a serem desenvolvidas referente a Campanha do Dia Mundial Sem Tabaco, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) está realizando, em parceria com o CETES Telessaúde da UFMG, uma webpalestra sobre “Tabagismo e COVID-19 + Campanha Dia Mundial Sem Tabaco, que acontecerá no dia 14/05 às 15:30. A webpalestra é voltada para todos os profissionais da saúde e a participação poderá acontecer através do link: https://youtu.be/BjxQFFEUGDM

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Uso Racional de Medicamentos: riscos da automedicação

Por Luciana Cássia Oliveira Barbosa | Formada em Farmácia pela Universidade Federal de Ouro Preto, com habilitação em Análises Clínicas e Farmácia Industrial. Mestre em Farmacologia e Fisiologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Possui especialização em Gestão de Saúde Pública e cursa especialização em Farmácia Clínica. Atualmente é Especialista em Políticas e Gestão de Saúde da SES-MG, onde atua na Superintendência de Assistência Farmacêutica com trabalhos na Comissão de Farmácia e Terapêutica e Cuidado Farmacêutico.

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Automedicação e principais riscos

A automedicação é uma prática caracterizada fundamentalmente pela iniciativa de um doente, ou de seu responsável, em utilizar um medicamento sem prescrição médica para tratamento de alguma doença ou alívio de sintomas. Muitas vezes, a correta orientação médica é substituída inadvertidamente por sugestões entre familiares, amigos ou até por conta própria. Além disso, utilizar medicamentos prescritos para tratamento pontual de forma contínua, também se caracteriza como forma de automedicação. Neste sentido, é importante salientar que nesta prática muitas vezes os riscos superam os benefícios.

Os medicamentos são a principal causa de intoxicação no Brasil, segundo dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), da Fundação Oswaldo Cruz, ficando à frente de produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos danificados.

Além do impacto sobre a vida humana, as reações adversas a medicamentos também influenciam significativamente nos custos despendidos com saúde. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os hospitais gastam entre 15% a 20% de seus orçamentos para lidar com as complicações causadas pela automedicação, caracterizando um problema de saúde pública.

De forma generalizada, os principais riscos da automedicação são:

• Atraso no diagnóstico correto, devido ao mascaramento dos sintomas;
• Agravamento do distúrbio;
• Alguns medicamentos podem provocar dependência;
• Possibilidade da ocorrência de efeitos adversos que são indesejados e podem ser graves;
• Desconhecimento de interações medicamentosas, uma vez que um medicamento pode anular ou potencializar o efeito de outro.
• Reações alérgicas que podem variar de leves, moderadas a graves,
• Criar resistência a micro-organismos, como no caso dos antibióticos;
• Intoxicações, que podem inclusive serem letais.

Os principais medicamentos utilizados na automedicação são os anti-inflamatórios e analgésicos, para alívio dos sintomas de dor e febre. Como qualquer outro medicamento, no entanto, deve-se atentar aos riscos. Febre alta, dores musculares, dor nos olhos, mal-estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo, podem ser confundidas com uma gripe forte, mas também são sintomas de arboviroses como Dengue, Zika e Chikungunya.

Arboviroses e doenças respiratórias

Medicamentos derivados de ácido acetilsalicílico ou sigla AAS são totalmente contraindicados nos casos das arboviroses causadas pelo mosquito Aedes aegypti, porque são anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários e assim, aumentam o risco de sangramentos e hemorragias, pois a coagulação do paciente já está prejudicada pela redução de plaquetas causada pelo ciclo da doença. Além disso, os anti-inflamatórios não hormonais (ou não esteroidais) como o diclofenaco, indometacina, piroxicam, naproxeno, cetoprofeno e o ibuprofeno, por exemplo, são também todos contraindicados, pois também elevam o risco de sangramentos. Por isso, é fundamental evitar a automedicação, procurar um serviço de saúde e seguir rigorosamente as orientações do médico, ficando atento a qualquer alteração no quadro de saúde ao longo do tratamento prescrito.

Nas doenças respiratórias também ocorrem altos índices de automedicação, especialmente com a chegada do inverno. A estação mais fria do ano caracteriza-se pela baixa umidade, resfriamento do ar, proliferação de vírus e consequentemente um perigoso aumento de automedicação. Antitérmicos, analgésicos, anti-inflamatórios e descongestionantes nasais são alguns dos principais medicamentos utilizados sem prescrição médicas nesses casos. Porém, há uma série de riscos envolvidos, a saber:

• Analgésicos e anti-inflamatórios: o uso indiscriminado pode agravar problemas gástricos, ter ação anticoagulante, provocar hemorragias, prejudicar pacientes com problema cardíaco ou renal e agravar a hipertensão.
• Antitérmicos: pacientes com reação alérgica, ao usar o antitérmico, podem sofrer edemas (inchaço) da glote, impedindo a passagem de ar para os pulmões, e coceira.
• Descongestionantes nasais: quando usados constantemente podem causar taquicardia, elevação da pressão arterial, dependência e rinite medicamentosa.

Há riscos também nas doenças respiratórias crônicas, como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a asma. O manejo inadequado destas doenças acarreta prejuízos à qualidade de vida dos pacientes e produz custos evitáveis para o sistema de saúde.

As hospitalizações por asma e DPOC seguem entre as principais causas de internação, com projeções de aumento da carga para os serviços de saúde pública. A piora de sintomas ou a frequência de exacerbações nem sempre indicam a progressão da doença, mas pode indicar tratamento inadequado, seja pelo uso de medicamentos sem prescrição médica com possíveis interações medicamentosas ou ainda pouca adesão ao tratamento. Entre os fármacos disponíveis, aqueles administrados via dispositivos inalatórios constituem o tratamento de primeira escolha e devem ser corretamente utilizados. Neste âmbito, persiste o desafio de identificar e desenvolver estratégias educativas para garantir êxito no controle e manejo das doenças respiratórias com uso dos medicamentos inalatórios.
Na tentativa de minimizar os problemas causados pela automedicação, os pacientes devem considerar exclusivamente as orientações de profissionais habilitados e após um diagnóstico seguro. No caso de eventuais dúvidas na utilização de qualquer medicamento, consulte sempre o seu médico ou farmacêutico. A automedicação pode trazer sérios riscos à saúde.

Referências:
MATOS JF et al, Prevalência, perfil e fatores associados à automedicação em adolescentes e servidores de uma escola pública profissionalizante – Cad. saúde colet. vol.26 no.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2018
ARRAIS P S D. et al.; Perfil da automedicação no Brasil- Rev. Saúde Pública vol. 31 no. 1 São Paulo Feb. 1997
BORTOLETTO, M. E.; BOCHNER, R. Impacto dos medicamentos nas intoxicações humanas no Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 15, n. 4, p. 859-869, out./dez. 1999.
OLIVEIRA P D et al., Uso de inaladores na população de adolescentes e adultos com diagnóstico médico autorreferido de asma, bronquite ou enfisema em Pelotas, RS- Jornal Brasileiro de Pneumologia, Pelotas, 2013;v. 39(, n.3):287-295
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Doenças respiratórias crônicas / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2010.
Sites:
http://portal.anvisa.gov.br/resultado-de-busca?p_p_id=101&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_101_struts_action=%2Fasset_publisher%2Fview_content&_101_assetEntryId=402812&_101_type=content&_101_groupId=33868&_101_urlTitle=informe-snvs-anvisa-ufarm-n-2-de-1-de-dezembro-de-2003&inheritRedirect=true Acesso em: 24/04/2020
https://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/riscos-da-automedicacao-crescem-com-aumento-de-doencas-respiratorias-no-inverno-19564075.html Acesso em: 27/04/2020