#ObesidadeInfantil: prevenção e controle envolvem alimentação saudável, atividade física e brincadeiras sem dispositivos eletrônicos

By | 3 de junho de 2020

por Nathália Ribeiro Mota Beltrão, nutricionista, referência técnica da Coordenadoria de Promoção da Alimentação Saudável e Adequada e Atividade Física da SES-MG

No dia 03 de junho é celebrado o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil. No Brasil, 3 a cada 10 crianças entre 5 e 9 anos atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS), estão acima do peso, e 14% das crianças nessa faixa etária estão obesas (POF, 2008-2009). Em Minas Gerais, segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), dados referentes ao ano de 2019 indicam que 28,15% das crianças na mesma faixa etária estão com excesso de peso, sendo 13,15% o percentual das que estão com obesidade.

A obesidade é uma doença multifatorial, que dentre as suas causas encontram-se a má alimentação, a inatividade física e o desmame precoce.

A mudança dos hábitos alimentares da população brasileira, caracterizada pelo aumento do consumo de alimentos processados e ultraprocessados (congelados, macarrão instântaneo, salgadinhos tipo “chips”, biscoitos recheados, refrigerantes, guloseimas e outros), e a redução no consumo de alimentos in natura ou minimamente processados como frutas, legumes, arroz, feijão, carnes, leite e ovos, determina, dentre outras consequências, o desequilíbrio na oferta de nutrientes e a ingestão excessiva de calorias e alimentos nutricionalmente pobres em sua composição.

Essa tendência favorece a incidência do sobrepeso e do desenvolvimento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como o diabetes, a hipertensão, as doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer. Anteriormente, manifestadas com maior frequência em pessoas idosas, atualmente, as DCNT, atingem, também adolescentes e crianças, sendo um importante problema de saúde pública mundial.

A inatividade física é outra mudança de hábito entre a população, principalmente entre as crianças, que estão dedicando grande parte do tempo em comportamentos sedentários como: assistindo à televisão, jogando videogame, utilizando tablets e celulares. Essa redução no gasto energético favorece o aumento da prevalência da obesidade.

Uma relação desconhecida por muitos é entre o aleitamento materno e a obesidade infantil. Muitos estudos têm demonstrado um efeito protetor do aleitamento contra a obesidade infantil (MS, 2012).

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde lançou em 2019 a Campanha de prevenção e controle da obesidade infantil: “1,2,3 e já!”, baseada em 3 pilares: Alimentação Saudável, Atividade física e Brincadeiras sem televisão, celular e videogame.

Foi disponibilizado um site para a divulgação e compartilhamento de informações sobre a Campanha, que contém materiais de apoio; vídeos e materiais para serem compartilhados pelas redes sociais; cartazes, jogo de tabuleiro e outros materiais.

Profissionais de Saúde

O profissional de saúde tem papel fundamental para auxiliar no controle dessa epidemia que se tornou a obesidade infantil. No cenário atual de pandemia devido ao novo Coronavírus, os profissionais devem adaptar as orientações e ações de promoção da saúde anteriormente ofertadas. Dessa forma, orientações sobre atividade física, promoção do aleitamento materno e de uma alimentação saudável podem ser ofertadas de forma remota, nos atendimentos individuais e nas visitas domiciliares. É importante oferecer estratégias para que as crianças se mantenham ativas em casa.  Além disso, os atendimentos presenciais que forem mantidos, como as consultas de puericultura, imunização, consultas de pré-natal, e avaliação de crescimento e desenvolvimento da criança, são uma oportunidade de coleta de dados antropométricos e de consumo alimentar, seguido de orientações individualizadas sobre a adoção/ manutenção de uma alimentação mais saudável.

Ressaltamos a importância de registrar no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional os dados antropométricos da população, principalmente das crianças. Com esse registro é possível, posteriormente, realizar o diagnóstico do estado nutricional da população atendida, identificando, por exemplo, a prevalência de obesidade entre crianças atendidas na unidade ou no município, subsidiando ações e políticas específicas.

Para estimular a adoção de hábitos saudáveis desde a infância, a SES-MG elaborou uma Cartilha com informações sobre alimentação complementar para crianças menores de 02 anos, disponível neste link. Também existem diversas publicações do Ministério da Saúde para auxiliar o profissional, como o Guia Alimentar para a População Brasileira, o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 02 anos, além de outras publicações disponíveis no site www.saude.mg.gov.br/vidasaudavel.

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