Qual a importância do Educador Sanitário?

By | 11 de junho de 2020

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Por Amanda Nathale Soares – Trabalhadora da ESP-MG

Amanda Soares é graduada em Enfermagem pela UFMG, Especialista em Docência e Gestão do Ensino Superior pela PUC-MG. Mestrado, Doutorado e Pós Doutorado em Enfermagem pela UFMG – Linha de Pesquisa: Educação em Saúde e Enfermagem.

A figura do educador sanitário, ou melhor, da educadora sanitária (eram mulheres, em sua maioria) nasceu na década de 1920, em um contexto de crescimento de uma série de problemas, como fome, pobreza, más condições de moradia, epidemias, grandes taxas de mortalidade infantil. Com a necessidade de instituir novos modos de viver e outras formas de cuidar, houve um deslocamento na centralidade da política de saúde pública da época, que deixa de ser marcadamente policialesca e passa a enfatizar a formação da consciência sanitária da população[i]. É aí que nascem as educadoras sanitárias para orientar a população sobre a prevenção de doenças e os cuidados com a própria saúde.

Atualmente, podemos dizer que todos os trabalhadores do SUS são considerados educadores em saúde, incorporando em suas práticas muitas atribuições anteriormente vinculadas ao educador sanitário. Um exemplo mais claro é a atuação do Agente Comunitário de Saúde (ACS).  A potência educativa, antes sustentada na figura da educadora sanitária, hoje, de algum modo, pode ser observada na figura do ACS, também de maioria feminina. Os ACS compõem as equipes que trabalham nas unidades básicas de saúde e estão mais próximos dos usuários do SUS, por meio das visitas domiciliares que realizam cotidianamente. São trabalhadores que, em geral, moram no mesmo território em que atuam e, por isso, conhecem os modos de vida e de cuidado das pessoas, as dinâmicas locais, as crenças relacionadas à saúde e à doença. Essa relação estreita com o território permite ao ACS desenvolver melhor o seu papel de educador, distintamente dos demais trabalhadores da saúde.

Entretanto, como já dito, é necessário e urgente fazermos crescer a potência educativa entre os diferentes profissionais de saúde do SUS. Precisamos talvez dizer menos de um educador sanitário e mais de uma potência educativa que precisa ser ampliada, discutida e trabalhada nos diferentes espaços do SUS.

Em Minas Gerais, a Escola de Saúde Pública (ESP-MG) realiza a formação de trabalhadores do SUS, em suas diferentes categorias profissionais. Nos processos formativos, é abordada a dimensão educativa do trabalho em saúde, com a intenção de capilarizar a potência educativa tão necessária para o cuidado em saúde da população. Algumas ofertas da ESP-MG são desenvolvidas, especificamente, para o fortalecimento da educação em saúde no SUS, como, por exemplo, o curso “Educação em Saúde nas Práticas do ACS”, ofertado na modalidade EAD, que já formou 922 ACS atuantes em 238 municípios mineiros.

A educação em saúde é tão fundamental que, hoje em dia, no contexto da pandemia da Covid-19, tem sido a principal estratégia utilizada para o cuidado da população. A educação em saúde contribui para que as pessoas potencializem suas capacidades de compreender sobre a doença, as suas formas de contágio e as medidas de prevenção (uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social). Apostando nisso, a ESP-MG produziu o curso “ACS no enfrentamento da Covid-19”, que contribuirá para qualificar a atuação de 6 mil ACS do estado de Minas Gerais junto às comunidades.

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