Psoríase: entenda essa doença!

By | 21 de outubro de 2020

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Dia Mundial de Conscientização da Psoríase (29 de Outubro)

A psoríase é uma doença relativamente comum, presente em cerca de 5% da população mundial, principalmente nas pessoas de pele clara. Além do acometimento clássico da pele, também pode comprometer as articulações em quadros mais graves. É uma condição de saúde com causa não muito bem esclarecida, mas que apresenta uma ótima resposta aos atuais tratamentos. No entanto, quem possui psoríase enfrenta, atualmente, um grande desafio devido ao preconceito por trás da doença. Quer saber mais sobre a doença? Confira o texto abaixo!
Psoríase - mão

O QUE É PSORÍASE?

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, mas que também pode acometer as articulações (artrite psoriásica). Caracteriza-se como uma doença cíclica (aparece e desaparece periodicamente) de causa desconhecida e multifatorial, envolvendo a resposta imunológica da nossa pele. Em pacientes predispostos à essa doença, pode-se observar alguns fatores desencadeantes como: infecções, uso de medicamentos e estresse emocional.

Os principais fatores de risco para a psoríase são:

  • Histórico familiar (30 a 40% dos pacientes com psoríase têm parentes com a doença);
  • Estresse, em função da provável desregulação do sistema imune;
  • Obesidade, devido às alterações inflamatórias comuns da obesidade;
  • Tempo frio, pois a pele tende a ficar ressecada;

QUAIS SÃO OS SINAIS E SINTOMAS DA PSORÍASE?

Os sinais e sintomas da psoríase costumam variar muito entre os pacientes que apresentam tal condição, mas geralmente apresentam lesões de pele que podem acometer qualquer região do corpo, mas há uma maior incidência nas regiões dos cotovelos, dos joelhos e do couro cabeludo.

Apresentam as seguintes características:

  • Manchas ou placas avermelhadas com escamas secas e esbranquiçadas;
  • Pele ressecada;
  • Coceira
  • Queimação;
  • Dor local;

Muito embora façamos referência à psoríase como uma doença única, vale lembrar que ela é subdividida em alguns subtipos, sendo elas:

  • Psoríase em placas (ou vulgar): forma clássica da doença;
  • Psoríase ungueal (unha): pode alterar espessura, cor e a forma da unha;
  • Psoríase do couro cabeludo: aspecto semelhante à caspa;
  • Psoríase gutata (em gotas): lesões espalhadas, associadas às infecções bacterianas;
  • Psoríase invertida: em áreas úmidas como axilas, virilhas, abaixo dos seios e genitais;
  • Psoríase pustulosa: apresenta manchas, bolhas ou pústulas (bolha com pus);
  • Psoríase eritrodérmica: vermelhidão acompanhada de descamação;
  • Psoríase artropática: acometimento das articulações.

A PSORÍASE É UMA DOENÇA CONTAGIOSA?

Apesar de muitas pessoas associarem as escamas esbranquiçadas como o responsável por um possível contágio da doença, destaca-se o fato de que a psoríase não é uma doença contagiosa e que não há qualquer comprovação de identificação de um possível agente infeccioso nessas escamas presentes nas lesões psoriásicas.

Os portadores da psoríase não oferecem nenhum risco de contágio às pessoas ao seu redor, podendo frequentar piscinas e praias, até mesmo se houver contato direto com as lesões. Sendo assim, é de extrema importância que os indivíduos com essa doença sejam inseridos normalmente às atividades cotidianas, evitando assim futuros prejuízos à sua saúde mental.

COMO PREVENIR A DOENÇA?

Uma vez que a causa ainda permanece desconhecida, os cuidados quanto à prevenção consistem basicamente em controlar os fatores de risco conhecidos, mantendo um estilo de vida saudável. Assim, deve-se evitar as situações de estresse, manter uma alimentação regrada, diminuindo os riscos à obesidade, e reduzir a exposição ao frio para evitar o ressecamento da pele.

COMO É O TRATAMENTO DA PSORÍASE?

O tratamento da psoríase é variável e depende de alguns fatores como: tipo de lesão, região acometida, extensão acometida e grau de acometimento.

Em casos leves, geralmente o uso de medicamentos tópicos (pomadas, cremes) associados a exposição solar e ao uso de hidratantes já é suficiente para a regressão da doença. Já nos quadros mais graves, utilizam-se os medicamentos sistêmicos (comprimidos por via oral), injetáveis (imunobiológicos) e a fototerapia (exposição à luz ultravioleta em câmaras artificiais).

A PSORÍASE TEM CURA?

Ainda que a resposta terapêutica seja muito eficiente no tratamento da psoríase (desde que feita corretamente conforme prescrição médica), atualmente ainda não há uma cura para a doença. O tratamento atual é eficaz no controle da atividade da doença e é capaz de reduzi-la até que ela fique minimamente perceptível, mas isso varia para cada paciente. Sendo assim, uma vez diagnosticado, o paciente deve fazer o acompanhamento com um dermatologista por toda a vida, com frequência variável de acordo com o perfil de atividade da doença.

ACESSO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Quando o assunto é a psoríase,  devemos procurar ajuda inicialmente na UBS! Muito embora o diagnóstico seja esclarecido por um serviço especializado, em boa parte das vezes, pelo médico dermatologista, devemos lembrar que existem diversas doenças de pele (dermatológicas) e que uma boa parte dela podem ser muito semelhantes à psoríase. Sendo assim, cabe ao médico da atenção primária avaliar a necessidade de encaminhamento ao serviço especializado para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento.

Referência:

Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

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