Monthly Archives: novembro 2020

23 de Novembro: Dia Nacional de Enfrentamento ao Câncer Infantil

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Quando o assunto é o câncer infantil, estamos falando de um tema pouco falado, mas tão importante quanto às demais condições de saúde e, por isso, devemos dar a devida atenção. Com uma estimativa de 8.460 novos casos para o ano de 2020 (INCA), o câncer infantil tem como a principal medida de prevenção a informação sobre o tema! Nos diversos cânceres de adultos, ouvimos falar sobre diversos fatores de risco para o seu desenvolvimento, como por exemplo a exposição ao tabagismo no decorrer da vida, mas, no câncer infantil, muito raramente uma criança pode apresentar alterações genéticas que as tornem propensas a ter um certo tipo de câncer. 

Hoje, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos da doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. 

A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado!

Um criança com câncer é sempre uma vítima de sua condição e, por isso, totalmente dependente dos seus responsáveis para que o enfrentamento da doença seja o melhor possível. Informar-se sobre o câncer infantil é demonstrar respeito e responsabilidade sobre a saúde de quem nada pôde ou pode fazer sobre a sua própria condição. Câncer Infantil


O QUE É O CÂNCER E COMO ELE OCORRE NAS CRIANÇAS?

Câncer, ou neoplasia, é o nome dado a um grupo de mais de 200 doenças e que tem em comum o crescimento incomum e desordenado das células do corpo. O problema desse crescimento descontrolado é a possível alteração do funcionamento adequado dos órgãos em que ocorrem, podendo muitas vezes gerar condições agressivas e incontroláveis e que também podem se espalhar para outras áreas do corpo (metástases).

Naturalmente, todos os nossos trilhões de células vivas passam pelo processo natural de crescerem, se dividirem e morrerem de forma ordenada. Assim, o processo de renovação e substituição de nossas células pelo corpo é algo natural. O problema é que no câncer esse processo pode ser modificado das mais diversas formas possíveis, variando tanto no tipo celular, na fase da vida da célula, em quantidade e em malignidade de tal evento.

Diferentemente de como ocorre no adulto, o câncer infantil afeta principalmente as células do sistema sanguíneo e do sistema de sustentação do corpo (ossos, músculos), mas também podem atingir outras partes do corpo como sistema nervoso central, sistema linfático, rins, entre outros. Contudo, a principal característica dos cânceres infantis é o tipo celular afetado: as células embrionárias, ou seja as células indiferenciadas (células jovens que ainda não se diferenciaram tanto das demais).

Os cânceres na infância têm como principal alvo as células embrionárias, o que, geralmente, 

proporciona melhor resposta aos tratamentos atuais!

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS CÂNCERES NA INFÂNCIA?

Tumores na infância

São mais de 200 tipos de cânceres possíveis, portanto fique atento às queixas da criança e nunca descarte a visita ao médico para esclarecer suas dúvidas.


QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS DO CÂNCER NA INFÂNCIA?

Antes mesmo de citar os principais sinais e sintomas, vale lembrar de que existem mais de 200 tipos de cânceres possíveis na infância e, portanto, seria impossível listar um sinal ou sintoma comum a todos eles, por isso fica aqui um alerta: raramente uma mãe, pai ou responsável irá suspeitar de câncer como a principal suspeita da condição de saúde da criança, e com o médico isso também é verdade. Não só pela sua baixa incidência, comparada às inúmeras outras comorbidades possíveis, mas pelo sinal ou sintoma muitas vezes ser comuns a mais de uma doença. Sendo assim, as consultas de rotina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) são essenciais para que seja levantada a suspeita do diagnóstico oncológico.

Tão importante quanto se informar sobre o câncer na infância, é essencial também que os pais ou responsáveis pela criança fiquem atentos às suas queixas. Nunca descarte a possibilidade em fazer uma visita ao médico, pois muitos dos sintomas são comuns a outras doenças e muitas vezes o diagnóstico de câncer se dá por pequenos detalhes que podem passar despercebidos.

Puericultura

Como recomendação geral, os responsáveis pela criança devem estar atentos aos seguintes sinais: dor progressiva, febre sem causa aparente ou doença que não melhora, dor de cabeça frequente e acompanhada de vômitos, alterações oculares (pupila branca, estrabismo de início recente, perda visual, hematomas ou inchaço ao redor dos olhos), nódulo ou inchaço incomum, palidez repentina e perda de energia, sudorese noturna, dor óssea, hematomas ou sangramento, inchaço abdominal, quedas e contusões frequentes, mancar ao encaminhar e perda de peso repentina sem explicação.


COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DOS CÂNCERES

Como dito anteriormente, o diagnóstico de câncer não é uma tarefa simples e, para isso, pode ser necessário a realização de testes laboratoriais e de imagem específicos até chegar ao diagnóstico. Da mesma forma, o tratamento pode variar de acordo com o tipo de câncer detectado em cada paciente, podendo variar desde um procedimento cirúrgico para a retirada do tumor até a realização de radioterapia e quimioterapia, quando necessário.

O acompanhamento multidisciplinar é fundamental no acompanhamento de todos os pacientes oncológicos, dada o grau de complexidade e do suporte psicossocial que cada paciente demanda durante o tratamento. O preparo, o procedimento e a recuperação biológica de cada indivíduo deve sempre ser individualizado para que sejam reduzidos, ao máximo, os possíveis e frequentes danos sociais causados pelo tratamento oncológico.

Os Cuidados Paliativos em Oncologia Pediátrica são essenciais no cuidado desses pacientes e deve ser inserido desde o início do tratamento. A melhora da qualidade de vida das crianças e adolescentes que enfrentam esse desafio terapêutico é fundamental para que se otimize o conforto físico e psicológico de cada paciente.


PREVENÇÃO E ACOMPANHAMENTO

Infelizmente, ainda não existem evidências científicas que comprovem uma associação entre o câncer na infância e uma possível exposição de risco. Sendo assim, não existe uma recomendação para se prevenir as doenças oncológicas na infância.

No entanto, uma vez feito o diagnóstico precoce, há grandes chances de sucesso no tratamento (cerca de 80%). Porém, vale lembrar que a continuidade no acompanhamento do paciente, mesmo após a cura, é essencial, visto que em todos os casos oncológicos há uma probabilidade variável de complicações futuras e recidivas.


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Quando o assunto é o câncer infantil, devemos ter em mente de que se trata de uma condição que exige um cuidado especializado, tanto no início quanto na condução do caso como um todo. Porém, por se tratar de um diagnóstico secundário ou até mesmo de exclusão, em muitos casos, a suspeita têm início na Unidade Básica de Saúde (UBS) e somente após um tempo é que o caso é encaminhado aos centros oncológicos especializados. Dessa maneira, ao procurar uma UBS, normalmente o caso é conduzido como um caso de baixa ou média complexidade que não responde ao tratamento inicial, o que levanta a hipótese para uma investigação mais detalhada do caso. Assim, somente após o paciente ser encaminhado aos centros especializados é que o tratamento ou acompanhamento torna-se eficaz, ou seja, por se tratar de um diagnóstico mais complexo o quanto antes o paciente for encaminhado, melhores serão as chances de se obter sucesso no tratamento.

O acompanhamento dos pacientes oncológicos é altamente individualizado. É formado por equipes de profissionais que conhecem as necessidades específicas das crianças e adolescentes com câncer.

Referências:

Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (INCA).

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

American Cancer Society.

DIABETES: Quase sempre é uma questão de escolha

Autores: Pedro Otávio Oliveira Santos e Vitor Yukio Ninomiya

Dia Mundial do Diabetes (14 de Novembro)

Dentre os mais de 13 milhões de pessoas com diabetes no Brasil, provavelmente você deve conhecer alguém com esta doença. O assunto é sobre uma das comorbidades mais comuns no mundo, acometendo cerca de 422 milhões de pessoas, com a maioria vivendo em países de baixa e média renda, e 1,6 milhão de mortes são diretamente atribuídas ao diabetes a cada ano. E não para por aí, esse número tem se tornado cada vez maior! 

A boa notícia sobre essa doença é que grande parte dos casos são evitáveis. Ainda que o arsenal terapêutico tenha se tornado cada vez melhor no decorrer dos anos, a prevenção ainda continua sendo a melhor opção.

Glicosímetro indicando glicemia elevada


O QUE É DIABETES?

O diabetes é uma doença crônica do metabolismo, caracterizada por níveis elevados de glicose no sangue (ou açúcar no sangue). Nessa doença, podem ocorrer diversos defeitos metabólicos relacionados à um hormônio produzido por células (células beta) do pâncreas: a insulina, responsável por tornar possível a utilização da glicose pelas nossas células. 

A insulina é o hormônio responsável por transportar a glicose presente no sangue para dentro das células. Na falta ou reduzida ação desse hormônio, a glicose permanece na circulação sanguínea, resultando em um aumento na concentração da glicose no sangue (hiperglicemia).

Importante ressaltar que o diabetes mellitus (DM) não se trata de uma única doença, mas de um grupo diverso de distúrbios metabólicos que apresentam em comum a hiperglicemia, como consequência dos defeitos na ação da insulina, na liberação de insulina ou em ambas.

É verdade que “Todas as pessoas que tem o diabetes precisam utilizar insulina” ?

Continue lendo para descobrir!


DIABETES MELLITUS TIPO 1 (DM1)

Aqui o diabetes não é uma questão de escolha, pois se trata de uma doença autoimune, presente em 5% a 10% dos casos de diabetes mellitus, em que o resultado é a destruição das células pancreáticas responsáveis pela produção de insulina (células beta do pâncreas ou betapancreáticas). Essa taxa de destruição das células beta é variável, mas, em geral, ela ocorre de maneira rápida e pode ser detectadas principalmente na infância ou adolescência, fases em que geralmente são dados os diagnósticos por meio dos sintomas da hiperglicemia e por exames laboratoriais específicos.

Para os portadores de diabetes tipo 1, o controle da doença é feito por meio da aplicação de insulina, uma vez que estes pacientes não conseguem produzir a insulina própria. Por se tratar de uma doença autoimune adquirida desde o nascimento, não existe cura para esta condição, mas diversas insulinas estão disponíveis no mercado. Além do uso da insulina, também estão indicados o controle alimentar e atividades físicas para ajudar a controlar o nível de glicose no sangue.

De modo geral, o diabetes mellitus tipo 1 pode ser classificado em três principais tipos:

DM1A: ocorre destruição autoimune das células beta

DM1b: idiopática, causa desconhecida

LADA (Diabetes Autoimune Latente do Adulto): ocorre destruição autoimune das células beta, mas de maneira lenta


DIABETES MELLITUS TIPO 2 (DM2)

O diabetes mellitus tipo 2 corresponde a cerca de 90% a 95% dos casos e caracteriza-se por defeitos na ação e secreção de insulina para o controle da glicemia, podendo haver o predomínio de um deles. Mas, aqui, o ponto mais importante da doença: esse é o tipo de diabetes que pode ser evitado e, não por acaso essa condição quase sempre está relacionada a pessoas com sobrepeso ou obesidade após os 40 anos. O estado hiperglicêmico cronicamente exposto ao metabolismo pode acabar gerando uma espécie de “exaustão metabólica”, em que o corpo altera a sensibilidade celular à insulina.

Por se tratar de uma doença desenvolvida ao longo de anos de exposição ao estado hiperglicêmico, ela sempre parte de um estado completamente assintomático e, com o tempo, alguns sinais podem acender o alerta, como: poliúria (urinar em grande quantidade, chegando a mais de 3 litros diariamente), polidipsia (aumento da sensação de sede), noctúria (aumento no número de vezes que se urina à noite), borramento visual e perda de peso. Sendo assim, fique atento a estes sinais.

Antes de perceber os sintomas citados acima, você pode ficar atento aos fatores de risco para o DM2. O principal deles é a presença dessa doença em um familiar próximo (atenção especial aos de primeiro grau), pois há uma forte correlação genética. Outros fatores são: idade acima de 45 anos, obesidade, dislipidemia (colesterol e triglicerídeos elevados no sangue), história de doença aterosclerótica, hipertensão arterial, história de intolerância à glicose, sedentarismo, uso crônico de corticoides e síndrome dos ovários policísticos.

Você já ouviu falar no Diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA)?

Devido ao processo autoimune lentificado, muitas vezes os pacientes com LADA eram diagnosticados com DM2 e então tratados de maneira incorreta (não uso de insulina).

Até hoje isso é comum, pois os principais diagnósticos tendem ao DM1 e DM2 clássicos.

Os outros tipos de DM acabam sendo diagnosticados após uma investigação da baixa resposta terapêutica inicial.


DIABETES MELLITUS GESTACIONAL (DMG)

O diabetes mellitus gestacional pode ocorrer em até 14% de todas as gestações, dependendo da população estudada, e relaciona-se com o aumento de morbidade e mortalidade perinatais. O DMG é definido como qualquer intolerância à glicose, de magnitude variável, com início ou diagnóstico durante a gestação.

Durante a gravidez ocorrem diversas modificações no organismo materno para permitir o desenvolvimento adequado do bebê. Nesse processo, uma das mudanças necessárias é o aumento na produção de insulina, pois ocorre um maior consumo desse hormônio tanto pelo aumento da captação de glicose quanto pela sua utilização por outros mecanismos de resistência insulínica gestacional. Quando não há esse aumento insulínico pela demanda gestacional, ocorre uma hiperglicemia sustentada caracterizando o diabetes gestacional.

Os fatores de risco para desenvolver a DMG são: antecedentes de óbito fetal/neonatal, diabetes gestacional em gestação prévia, obesidade ou ganho excessivo de peso durante a gestação (IMC > 25 kg/m2), história familiar de diabetes em parentes de primeiro grau, polidrâmnio, macrossomia fetal (bebês maiores de 4 kg), hipertensão ou pré-eclâmpsia na gravidez em vigência, duas ou mais gestações prévias.

A gestação é uma fase repleta de mudanças e, portanto, as consultas pré-natais são fundamentais não somente para o rastreio de DMG, mas de muitas outras condições que podem comprometer a saúde materna e fetal. Por isso, não esqueça:

Gestantes devem comparecer a, no mínimo, 6 consultas pré-natais.

(uma no primeiro trimestre, duas no segundo trimestre e três no terceiro trimestre)


COMO É FEITO O TRATAMENTO?

No caso do DM1, o tratamento é feito exclusivamente com o uso de insulina, pois nesse caso o organismo é incapaz de produzir insulina. Existem diversos tipos de insulina disponíveis no mercado e podem apresentar desde uma ação ultrarrápida (utilizada imediatamente antes das refeições) até aquelas de uso único durante o dia. Para mais informações sobre as insulinas, clique no link da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

No DM2, o arsenal terapêutico é ainda maior e muitas dessas terapias apresentam recomendações bem específicas de acordo com o perfil de cada paciente. Aqui, estão disponíveis medicamentos capazes de aumentar a sensibilidade à insulina, outros que estimulam o pâncreas a liberar insulina diretamente ou indiretamente, que mimetizam hormônios que participam do metabolismo da glicose e até mesmo alguns que estimulam a eliminação de glicose em excesso do organismo.

Apesar de o tratamento farmacológico ser fundamental, principalmente nos casos de DM1, as medidas não farmacológicas são essenciais nesse processo. As mudanças no estilo de vida, como ter um hábito alimentar saudável e a prática de exercícios físicos devem, sempre que possível, andar junto às terapias farmacológicas.


POR QUE O CONTROLE DA GLICEMIA É TÃO IMPORTANTE?

A exposição crônica do estado hiperglicêmico ao organismo pode levar a diversas consequências que comprometem a saúde. Além de aumentar significativamente a chance de desenvolver hipertensão arterial e dislipidemia (elevação de colesterol e triglicerídeos), o diabetes mellitus pode causar lesões diretas em diversos órgãos do corpo. 

Um dos órgãos mais afetados são os rins, podendo ocorrer a nefropatia diabética. Os altos níveis de açúcar sobrecarregam a capacidade de filtração do sangue e, com o tempo, levam à formação de lesões que podem resultar em perda de proteína e sangue pela urina e levar a sintomas como inchaço no corpo, principalmente nas pernas. Além disso, ocorre também o agravamento da hipertensão arterial.

Outra consequência é a retinopatia diabética, em que ocorre danos diretos aos vasos sanguíneos da retina dos olhos. Assim, há perda progressiva da visão, podendo levar a perda completa da visão.

A chamada neuropatia diabética é definida como a perda gradual da sensibilidade de diversas partes do corpo. Em quadros iniciais, pode ocorrer a perda da sensibilidade das extremidades (pés e mãos) o que muitas vezes é percebido pelo surgimento de feridas nesses locais, podendo complicar a perda completa da sensibilidade ou até mesmo levar à amputação do membro. Outros exemplos de neuropatia diabética são a gastroparesia diabética (ocorre alteração do funcionamento do estômago, geralmente lentificando o esvaziamento gástrico), vasculopatia diabética, entre outros.

Mas calma, não acaba por aí. Pessoas com diabetes podem apresentar muitos outros comprometimentos funcionais diretamente ou indiretamente, mas sempre sendo uma comorbidade que dificulta o tratamento de diversas outras doenças.

Você sabe por que os diabéticos fazer parte do grupo de risco da covid-19? Descubra aqui.


COMO PREVENIR O DIABETES?

Quando o assunto é a prevenção, o foco acaba sendo o DM2. A adoção de medidas preventivas é a principal indicação na redução dessa comorbidade mundial altamente prevalente. Apesar de não ser novidade à muita gente, vale a pena destacar quais são essas medidas:

  • Alimentação balanceada, sem excessos de carboidratos (doces e massas, por exemplo);
  • Fazer exercícios físicos regularmente (de 3 a 5 vezes por semana, durante 30 minutos cada);

SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Quando o assunto é o diabetes mellitus, temos que ter em mente que o paciente muito raramente aparecerá com queixas diretamente relacionadas à essa doença. Assim, o diagnóstico é dado, muitas vezes, por meio de um rastreio de pessoas que levantem a suspeita médica e, por meio da confirmação de exames laboratoriais. Ao obter o diagnóstico precoce, inicia-se o acompanhamento do paciente com a indicação de alterações de hábitos de vida (alimentação e exercícios físicos) ou o uso de medicamentos, dependendo de cada situação.

A suspeita médica de que o paciente possa apresentar diabetes mellitus ocorre principalmente pelo relato do paciente quanto aos seus hábitos de vida (alimentação, sedentarismo) e pela presença de outras comorbidades associadas (obesidade, hipertensão arterial).

Saiba mais sobre todo o tratamento oferecido pelo SUS procurando uma Unidade Básica de Saúde.

Após a leitura, você deve ter percebido que o acompanhamento desta doença pode variar e muito, não é mesmo? Sabendo disso, é essencial seguir as recomendações médicas tanto em relação as medidas preventivas quanto às terapêuticas. Além disso, a associação de medidas não farmacológicas às medicamentosas (orais e injetáveis) dependem principalmente da disciplina e do comprometimento do paciente com sua própria saúde.

Referências:

  • Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), São Paulo (SP), Brasil.
  • American Diabetes Association. 2. Classification and Diagnosis of Diabetes: Standards of Medical Care in Diabetes-2020. Diabetes Care 2020; 43:S14.

12 de Novembro: Dia Mundial da Pneumonia

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Muito tempo antes do surgimento do novo coronavírus, a pneumonia já era uma preocupação mundial de saúde pública. Atingindo principalmente os extremos de idade (abaixo de 5 anos e acima de 70 anos), é uma doença que tem atenção especial dos órgãos de saúde do mundo todo. Por isso, o dia mundial da pneumonia, proposto em 2009 pela Organização Mundial da Saúde, tem como objetivo a conscientização da população mundial sobre a importância da prevenção da doença.

Apesar da queda na taxa de mortalidade por pneumonia, observada nos últimos anos, muito ainda tem de ser feito. A infecção respiratória aguda causada por esta doença, apesar de estar mais relacionada aos idosos, é responsável pela morte de mais crianças do que qualquer outra doença infecciosa, somando mais de 800 mil crianças menores de cinco anos.

A cada 39 segundos, uma criança morre de pneumonia no mundo. 

O número de mortes por pneumonia em idosos com 70 anos ou mais chega a 1,13 milhão

Homem idoso, envolvido por uma manta, com o punho direito cobrindo a boca, indicando doença respiratória.


O QUE É PNEUMONIA?

A pneumonia é uma doença inflamatória aguda de causa infecciosa que se instala em um ou ambos os pulmões. Basicamente, as pneumonias são provocadas pela ação de um agente infeccioso ou irritante (vírus, bactérias, fungos, reações alérgicas e químicas), responsável por atrapalhar o funcionamento pulmonar.

Você conhece o aparelho mucociliar das nossas vias aéreas?

Para utilizar o ar que respiramos, puxamos ele pelo nariz e enviamos ao nosso pulmão por meio de uma espécie de tubo, que chamamos de traqueia. Sua parte interna é coberta por um conjunto de cílios que, ao se movimentarem, produzem o muco protetor das vias aéreas. Esse muco, que então é empurrado para as vias aéreas superiores (nariz e boca), é responsável por reter partículas potencialmente danosas ao nosso pulmão.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o frio não causa a pneumonia. O que ocorre, na verdade, é que em temperaturas mais baixas a movimentação do nosso aparelho mucociliar (cílios e muco) fica lentificado, aumentando a chance de uma possível infecção. Além disso, no frio há uma tendência em ficar em locais fechados, o que facilita a transmissão de um agente infeccioso presente no ambiente ou expelido por uma outra pessoa no mesmo local.

A transmissão ocorre pela via aérea, por meio de gotículas que expelimos durante a fala, tosse e o espirro. Há também a transmissão indireta, por meio de objetos contaminados com as gotículas contaminadas com o agente infeccioso. Apesar de a pneumonia bacteriana ser muito mais comum que a viral, a bacteriana é menos comum de se transmitir pelas pessoas contaminadas.


COMO SABER SE EU TENHO PNEUMONIA?

O quadro típico de uma pneumonia é caracterizado por sintomas como febre alta de início súbito, muitas vezes com calafrios, dor torácica em pontada e bem localizada, que confere dor  ao respirar, tosse com expectoração semelhante ao pus, falta de ar e piora no estado geral. Basicamente, a suspeita inicial é de um quadro gripal que se intensifica e que evolui com piora do estado geral e falta de ar. Mas cuidado, pois nem sempre os sintomas são os mesmos e ainda existem as chamadas pneumonias atípicas, que podem te confundir. Por isso, sempre procure ajuda médica quando tiver alguns dos sintomas citados.

Entre os principais fatores de risco para pneumonia, estão: o tabagismo, o alcoolismo (o álcool interfere no sistema imunológico e na capacidade de defesa do aparelho respiratório), o uso de ar condicionado (deixa o ar seco, facilitando a infecção) e as mudanças bruscas de temperatura.

Por que o tabagismo é um fator de risco para pneumonia?

Além de reduzir a capacidade respiratória, pelo dano direto às partes que compõem os pulmões, o tabagismo também danifica o aparelho mucociliar. O mau funcionamento dos cílios e a escassez ou ausência do muco protetor confere aos fumantes uma significativa redução nos mecanismos de defesa das vias aéreas. 

Além dos fatores de risco, quando falamos de pneumonia também devemos nos lembrar dos principais grupos que apresentam uma exposição de risco, como os pacientes em instituições superlotadas (ex.: presídios), moradores de casas de repouso/asilo, tabagistas e portadores de doença pulmonar estrutural (fibrose cística, bronquiectasia), broncoaspiração, exposição a sistema de ar-condicionado e infecção secundária aos vírus influenza.


QUAIS SÃO AS FORMAS DE PREVENÇÃO?

Como princípio básico das doenças infecto-contagiosas, deve-se seguir as recomendações de higiene. Além disso, para muitas das pneumonias existentes, há a prevenção por meio da vacinação e todas elas estão recomendadas, de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação.

A vacina pneumocócica conjugada 13-valente previne doenças graves como a pneumonia, meningite e a otite principalmente em crianças, causadas por 13 sorotipos de pneumococos.

Está indicada de rotina para crianças de 2 meses a 6 anos.

A vacina Hib é usada na prevenção de infecções por Haemophilus influenzae do tipo B, como pneumonias e meningites. Disponível na rede pública: pentavalente (DTP + Hib + hepatite B).

A vacina está indicada em três doses da vacina pentavalente, aos 2, 4 e 6 meses.

A vacina contra influenza, oferecida anualmente, apesar de conseguir prevenir contra a pneumonia causada pelo vírus influenza, é mais importante no sentido de impedir o enfraquecimento do sistema imunológico, o que tornaria os pulmões vulneráveis a outros agentes.


COMO SÃO O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO ?

Para o entendimento do diagnóstico e das condutas terapêuticas, é importante ter em mente de que a pneumonia é uma doença muito bem conhecida pelos médicos, e que boa parte das condutas iniciais são tomadas dentro de um protocolo clínico muito bem consolidado. Portanto, nem sempre a realização de exames complementares (imagem ou laboratoriais) estão indicadas. Muitas vezes o diagnóstico é clínico, apenas por meio de uma anamnese (espécie de entrevista feita pelo médico) e um exame físico. Um bom detalhamento do exame clínico pode ser capaz de fornecer dados suficientes para iniciar uma terapia adequada.

No entanto, vale lembrar que se o paciente estiver com sintomas mais graves ou que apresente dados insuficientes ao diagnóstico, o médico responsável poderá solicitar exames complementares ou até mesmo solicitar um encaminhamento à internação hospitalar.


RISCOS DA AUTOMEDICAÇÃO

Certamente, você já deve ter ouvido falar sobre o cuidado ao utilizar os antibióticos. A indução de resistência aos antibióticos vai se tornando cada vez mais forte a cada utilização de tais medicamentos, por isso a recomendação médica deve ser feita com muito cuidado. Mas você sabia que o uso de um simples xarope, sem indicação médica, pode trazer riscos à saúde e até mesmo ser fatal?

Alguns dos xaropes antitussígenos (que aliviam a tosse) ou descongestionantes nasais (que desentope o nariz) podem interferir no funcionamento do coração. Diversas formulações desses medicamentos contém adrenalina e seu uso pode desencadear uma desregulação na pressão arterial e causar até mesmo um infarto!

O uso de inaladores, corticoides e outros medicamentos ou medidas que fluidificam o muco das vias aéreas podem ajudar na proteção, mas todos eles devem ser previamente autorizadas por recomendação médica, pois podem apresentar efeitos adversos danosos à saúde.


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Quando o assunto é a pneumonia, devemos ter em mente de que em boa parte dos casos estamos lidando com uma situação de simples resolução na UBS. Contudo, quando houver o comprometimento significativo do estado geral, principalmente referente às queixas respiratórias ou quando for observado uma piora após o início do tratamento indicado no atendimento primário, deve-se procurar ajuda nas unidades de maior complexidade, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ou Hospitais. Ao procurar uma UPA, avalia-se a necessidade de internação e, se necessário, o paciente será estabilizado e enviado a um serviço hospitalar que disponibilize tal demanda. Mas lembre-se: existem diversas comorbidades que podem se confundir com a pneumonia e cabe ao médico decidir a melhor conduta individualizada ao paciente. Tanto o diagnóstico quanto o tratamento devem ser muito bem direcionados e a automedicação é contraindicada.

Referências:

  • UNICEF. Pneumonia. Outubro de 2020
  • Our World in Data. Pneumonia. Novembro de 2019.
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Pneumonia. Março de 2020.
  • Ministério da Saúde (BR). Instrução normativa referente ao calendário nacional de vacinação 2020.

 

Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez (10 de novembro) foi criado pela Portaria de Consolidação MS nº 1/2.017, art. 527 como símbolo de luta pela educação, conscientização e prevenção sobre os problemas relacionados à surdez e à saúde auditiva. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 10 milhões de brasileiros possuem algum grau de deficiência auditiva, o que equivale a 5% da população brasileira. Desse número, cerca de 2,7 milhões apresentam surdez severa, com predomínio de 54% de homens e 46% de mulheres.

A surdez é uma condição de saúde “invisível”, ela não tem cara. A sociedade não percebe o surdo ou deficiente auditivo da mesma forma que percebe uma outra condição limitante, como por exemplo os indivíduos cadeirantes. Além disso, os surdos também apresentam algumas particularidades quanto a inclusão social. Por isso, a conscientização sobre esta condição merece a atenção de todos, não somente neste dia (10 de novembro), mas cotidianamente. 

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ENTENDENDO A SURDEZ

A audição caracteriza-se como um dos cinco sentidos da percepção humana sobre o ambiente. O ato de ouvir ou escutar é percebido inicialmente pelo nosso ouvido e então transmitido ao nosso cérebro, mas esse processo é bem mais complexo do que parece. Sendo assim, para facilitar a compreensão sobre a surdez, primeiramente vamos entender como o som chega ao nosso cérebro. Para isso, podemos dividir o sistema auditivo em três partes:

  • Ouvido externo: pavilhão auricular e o canal auditivo;
  • Ouvido médio: membrana timpânica e pelos ossículos (martelo, bigorna e estribo);
  • Ouvido interno: cóclea e canais semicirculares.

Inicialmente, o pavilhão auricular (basicamente, a orelha que vemos externamente) é responsável por captar os sons do ambiente e, então, são conduzidos pelo canal auditivo até chegar à membrana timpânica. Ao receber a onda sonora, essa membrana transmite a vibração sonora aos ossículos do ouvido interno até atingir a cóclea, que por sua vez transforma as vibrações mecânicas em impulsos elétricos que chegam em locais específicos do cérebro permitindo a nossa percepção do som.

Ao entender essa trajetória até a percepção do som, agora você consegue imaginar que existem diversas causas possíveis para o desenvolvimento da surdez, não é mesmo? Qualquer comprometimento de uma ou mais das partes do ouvido externo, médio e interno pode levar ao comprometimento parcial ou total da audição.

Na surdez de condução, ocorre bloqueio da passagem do som da orelha externa até a interna

Na surdez neurossensorial, há lesão neurossensorial entre a cóclea e o cérebro.

Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta de um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500 Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 3.000 Hz. Sendo assim, deve-se realizar um exame chamado audiometria tanto para o diagnóstico de surdez quanto para a classificação do grau de comprometimento da audição. Veja a classificação abaixo:

Surdez


SURDEZ ADQUIRIDA

O tipo de surdez adquirida mais comum é a chamada surdez central, que ocorre como um processo natural do corpo humano. Assim como outras partes do nosso corpo que sofrem com o processo de envelhecimento (visão, coração, coluna, pele, rins, pulmão, cabelo etc), com a audição não é diferente: os desgastes vão se acumulando ao longo do tempo.

Outras causas menos comuns estão relacionadas às doenças infecciosas (meningite, sarampo, caxumba), infecções crônicas, acúmulo de líquido, uso de certos medicamentos (medicações ototóxicas e outros), lesão direta na cabeça ou na orelha, ruído excessivo (ocupacional), exposição recreativa a sons altos (uso de dispositivos pessoais por períodos prolongados e participação regular em shows, bares, eventos) e por acúmulo de cera ou corpos estranhos que bloqueiam o canal auditivo.

Entre os fatores de risco para o desenvolvimento da surdez adquirida, os principais são: exposição a ruído intenso, tabagismo, etilismo, sedentarismo, diabetes, dislipidemias, obesidade e hipotireoidismo.

O aparecimento súbito de perda auditiva (surdez súbita) é definida como uma perda auditiva sensorioneural de mais de 50 dB em três frequências contíguas, dentro de um período de 72 horas. 


SURDEZ CONGÊNITA

A incidência de perda auditiva na população infantil é de 1 a 6 para cada 1.000 nascidos vivos e de 1 a 4 para cada 100 recém-nascidos atendidos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. A detecção precoce da perda auditiva congênita nos primeiros 3 meses de vida com encaminhamento antes dos 6 meses permite um correto desenvolvimento neuronal, principalmente das estruturas ligadas à linguagem, rendimento escolar, autoestima e adaptação psicossocial.

A surdez de origem genética corresponde em até 50% dos casos de surdez congênita. No entanto, existem algumas doenças infecciosas que acometem o bebê durante a gestação e que sabidamente podem provocar a surdez congênita, como por exemplo a rubéola, toxoplasmose, sífilis, herpes, citomegalovírus e HIV. Assim, o acompanhamento pré-natal é o fator fundamental na prevenção tanto da surdez congênita como de diversas outras doenças que trazem danos tanto ao bebê quanto às gestantes.

Você conhece o teste da orelhinha?

O Teste da Orelhinha (Triagem Auditiva Neonatal) é o exame feito a partir de 48 horas de vida, que identifica problemas auditivos congênitos nos recém-nascidos. O exame leva de 5 a 10 minutos para ser concluído, sendo ele seguro e indolor. Na suspeita de alguma anormalidade, deve-se encaminhar para uma avaliação de especialistas.

O Teste da Orelhinha é assegurado por lei e todos os recém-nascidos devem fazer para testar a audição.


A LINGUAGEM BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS)

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De acordo com o decreto 5.626, de 22 de dezembro de 2005, Art. 2º, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras, considerada uma língua oficial do Brasil desde 24 de abril de 2002, através da lei nº 10.436.

Quando falamos de inclusão social dos surdos e deficientes auditivos não devemos nos limitar apenas à inserção da língua de sinais, apesar de sua extrema importância. A inclusão no ensino e no mercado de trabalho ainda estão muito longe do ideal e muitos dos deficientes auditivos ainda encontram dificuldades, muitas vezes limitantes, como na recusa pela matrícula em escolas pelo impossibilidade técnica em receber tais alunos. No mercado de trabalho, a inclusão também é um desafio, pois boa parte das empresas ainda apresentam um despreparo nessa questão.


ACESSO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Quando falamos sobre o acesso dos deficientes auditivos, principalmente os surdos,  à atenção primária, devemos ter em mente de que a procura por estes pacientes é como qualquer outra pessoa sem a surdez. A demanda pelos cuidados de saúde, dos básicos até os de mais alta complexidade, por parte desta população, enfrentam grande dificuldade quando solicitam esses serviços. O número de centros de saúde que contam com um profissional que compreenda a linguagem dos sinais (libras) é reduzido e, muitas vezes, inibem a procura ativa de muitas pessoas surdas ou com deficiência auditiva.

A percepção sobre as dificuldades que os surdos enfrentam ao procurar ajuda médica não é algo complexo. Ao procurar um atendimento, a primeira coisa que fazemos é contar ao profissional de saúde o que nos incomoda e, no decorrer da consulta, outras perguntas são feitas até a realização do exame físico. Boa parte dos problemas de saúde são resolvidos ou, no mínimo, são acompanhados a partir de uma boa anamnese (entrevista realizada pelo profissional de saúde). A comunicação é essencial para a obtenção do cuidado integral do paciente, portanto quando ocorre uma falha nesse relação médico-paciente, há também o comprometimento do cuidado oferecido ao paciente surdo.

Referências:

  • Portaria de Consolidação nº 1, de 28 de setembro de 2017. Consolidação das normas sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde, a organização e o funcionamento do Sistema Único de Saúde.
  • World Health Organization. Health topics. Deafness and hearing loss.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

 

Tuberculose: um problema de adesão!

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Primeiramente descrita no século XIX, a tuberculose foi responsável por dizimar centenas de milhares de vidas em todo o mundo e, assim, ficou conhecida como peste branca. A redução da mortalidade somente aconteceu na metade do século XX devido à melhoria das condições de vida das populações. Porém,com o crescente número de casos de infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), por volta da década de 1980, houve o ressurgimento dos casos de tuberculose em países desenvolvidos. E, nos países subdesenvolvidos, a ampliação da miséria, o processo de urbanização descontrolada e a desestruturação dos serviços de saúde foram os principais responsáveis pelo retorno da elevada incidência da tuberculose.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a tuberculose é, atualmente, a “doença infecciosa mais mortal do mundo”. Recentemente (14 de outubro), por meio de um relatório global sobre a tuberculose, a organização listou os 30 países com alta carga para a tuberculose e, desses, 20 possuem os mais altos casos absolutos, entre eles o Brasil, apesar de leve queda nos casos da doença.

Para que o controle da tuberculose, as metas são:

o diagnóstico e tratamento rápido da doença e a pesquisa e tratamento da infecção latente.

 

Análise da radiografia do tórax


O QUE É TUBERCULOSE?

A tuberculose é uma doença infecciosa causada por bactérias do complexo Mycobacterium tuberculosis (ao todo, sete espécies), que pode acometer vários órgãos, sendo a forma pulmonar a mais frequente e relevante.

A transmissão ocorre pela via aérea, a partir de uma pessoa infectada pela tuberculose pulmonar ou laríngea, por meio de aerossóis exalados durante a tosse, fala ou espirro. Porém, quando essas bactérias se depositam em superfícies, dificilmente se dispersam em aerossóis e, por isso, reduzem o seu potencial de transmissão. Outras formas de transmissão, como a pele ou via placenta, são raras.

O risco de adoecimento (progressão para a tuberculose ativa) depende, principalmente, da condição do sistema imune de cada indivíduo. Estima-se que apenas 10% das pessoas infectadas acabam adoecendo (5% no dois primeiros anos que sucedem a infecção e 5% ao longo da vida). Contudo, a doença pode permanecer silenciosamente no organismo por muitos anos até a ocorrência de sua reativação, por isso a importância de se rastrear a tuberculose em sua fase latente.

A infecção prévia pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis não evita o adoecimento, 

ou seja, o adoecimento não confere imunidade e recidivas podem ocorrer.


COMO SABER SE EU TENHO TUBERCULOSE?

Boa parte da população infectada pela doença é completamente assintomática e, em menor frequência, podem manifestar outras formas de tuberculose (tuberculose extrapulmonar). Sendo assim, o rastreio fundamenta-se, principalmente, na identificação de casos respiratórios (sintomático ou contato) e deve receber atenção especial a dois grupos específicos da doença: tuberculose latente e tuberculose ativa.

A Organização Mundial da Saúde estima que um quarto da população mundial tenha ILTB.

A tuberculose latente (infecção latente da tuberculose – ILTB) é definida como infecção assintomática, que pode ser reativada. Nessa situação, o indivíduo é infectado pelo bacilo e rapidamente o sistema imunológico atua contendo a infecção, porém sem destruir a bactéria. Ela persiste em sua forma inativa no organismo imunocompetente. Os indivíduos com ILTB não transmitem a doença, mas são reconhecidos por testes que detectam a imunidade contra o bacilo.

O PPD é o exame utilizado na investigação de pacientes que tiveram contato com portadores da doença ativa.

Além de poder indicar a necessidade de profilaxia, também é utilizado no acompanhamento dos casos de infecção latente.

Na maioria dos pacientes imunocompetentes, a infecção permanece latente por meses ou anos. No restante dos casos (5 a 10%) há evolução para a tuberculose ativa, e particularmente nos indivíduos imunocomprometidos, ocorre a progressão da doença pulmonar e/ou disseminação para outros locais do organismo. A reativação ocorre quando o bacilo volta a se multiplicar após o período de latência, apresentando os mesmos sintomas da forma ativa.

Os principais testes disponíveis para a detecção da tuberculose (latente ou ativa) são:

 Prova tuberculínica (PT) e IGRA (Interferon-Gamma Release Assays)

Os sintomas clássicos, como tosse persistente seca ou produtiva (com catarro), febre vespertina (à tarde), sudorese noturna e emagrecimento, podem ocorrer em qualquer uma das apresentações de tuberculose pulmonar ativa.

SINTOMÁTICO RESPIRATÓRIO

Pessoa que, durante a estratégia programática de busca ativa, apresenta tosse por 3 semanas ou mais.

Essa pessoa deve ser investigada para tuberculose através de exames bacteriológicos.

 

RISCO DE ADOECIMENTO POR TUBERCULOSE NAS POPULAÇÕES VULNERÁVEIS

POPULAÇÕES VULNERÁVEIS

RISCO DE ADOECIMENTO POR TB

Pessoas vivendo em situação de rua

56 vezes maior

Pessoas vivendo com o HIV

28 vezes maior

Pessoas privadas de liberdade

28 vezes maior

Indígenas

3 vezes maior

O diagnóstico de tuberculose inicia-se pela suspeita clínica (sinais, sintomas, epidemiologia), seguido por exames laboratoriais gerais, testes microbiológicos (exame do escarro), testes histológicos (biópsia), testes moleculares (PCR, GeneXpert) e exames radiológicos.


A TUBERCULOSE TEM CURA?

A tuberculose é evitável e curável. Aproximadamente 85% das pessoas que desenvolvem tuberculose podem ser tratadas com sucesso, desde que seguidas as recomendações médicas quanto ao tempo de tratamento. A adesão ao tratamento tem o benefício adicional de reduzir a transmissão progressiva da infecção e exige o comprometimento do paciente para a obtenção da eficácia no tratamento.

O paciente portador da forma latente da doença deve fazer acompanhamento médico em intervalos regulares (mensal), para avaliar e estimular a adesão ao tratamento medicamentosos e possíveis efeitos adversos. 


O QUE POSSO FAZER PARA PREVENIR A DOENÇA?

A prevenção da tuberculose pode ser dividida em dois grupos, dependendo da situação do indivíduo quanto a exposição à doença. Quando falamos em profilaxia primária, estamos nos referindo às medidas de controle para se evitar o desenvolvimento da doença pela primeira vez no organismo. A profilaxia secundária está voltada às pessoas que já tiveram a doença e que, por meio de outras medidas de proteção, beneficiam-se para impedir a recorrência da mesma.

A vacina BCG é a principal medida de profilaxia primária para tuberculose e é recomendada a todos os recém-nascidos, de preferência até as 12 horas do nascimento. Contudo, aqueles recém-nascidos que convivem com indivíduos bacilíferos, deverão ser vacinados somente após o tratamento da infecção latente da tuberculose ou da quimioprofilaxia adequada.

Outra medida, também considerada como profilaxia primária é a detecção e controle dos contatos bacilíferos. Assim, indicando-se a avaliação de todas as pessoas que tiveram contato com o doente e, se necessário, o tratamento o quanto antes.

O termo “bacilífero” refere-se a pessoas com tuberculose pulmonar ou laríngea 

que apresentam resultado positivo ao exame microbiológico do escarro.

A profilaxia secundária está indicada aos indivíduos que tiveram contato com paciente bacilífero, mas que não apresentam sinais ou sintomas da doença. Nesses casos, indica-se o tratamento medicamentoso.


POR QUE A ADESÃO AO TRATAMENTO É TÃO IMPORTANTE?

O abandono por parte do paciente é a principal causa de insucesso do tratamento e da persistência da doença em nosso meio. Sendo assim, a principal luta no combate à tuberculose é a qualidade na adesão do paciente ao tratamento, tanto nas formas ativas quanto nas latentes de tuberculose.

Por se tratar de um tratamento longo (pelo menos 6 meses) e, com maioria dos pacientes assintomáticos, o abandono do tratamento da tuberculose é um importante desafio no campo da saúde comunitária. A busca ativa e o rastreamento por sintomáticos respiratórios mostra-se como medida prioritária na contenção da doença, mas o reforço na orientação da população é fundamental tanto na detecção quanto na manutenção dos casos de tuberculose.

Diversos estudos apontam as causas de abandono do tratamento da tuberculose no Brasil, dentre eles os fatores econômicos (desemprego, custo das passagens para realização do tratamento, falta de ajuda de custo), fatores relacionados ao tratamento (risco de desenvolver hepatite, enjoo, alteração no olfato, inapetência e outros incômodos associados ao uso do medicamento), relativos ao diagnóstico (dúvida na confirmação do diagnóstico, sintomatologia inespecífica) e a agravos associados (ter contraído HIV, desmotivação para continuar o tratamento). 

Conhecer os fatores associados a não adesão  ao  tratamento dos pacientes com tuberculose é essencial, pois esse conhecimento torna possível a criação e o redirecionamento  de  estratégias  para diminuir as taxas de abandono e, assim, reduzir a incidência da doença para potencializar a cura e a não disseminação da tuberculose.


ACESSO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Quando o assunto é a tuberculose, devemos procurar ajuda na UBS! Ao perceber os sintomas da doença, principalmente a persistência da tosse por mais de três semanas, busque atendimento na atenção primária. E, tão importante quanto a queixa sobre os próprios sintomas, é a percepção sobre a saúde daqueles que convivem próximos à você. Lembre-se que existem muitas outras doenças respiratórias semelhantes à tuberculose e que somente o médico poderá confirmar o diagnóstico individualmente.

Vale lembrar que todo o tratamento da tuberculose é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas é essencial que o paciente esteja comprometido em completar o ciclo, adequadamente. Os sintomas são conhecidos, o diagnóstico é clássico e o tratamento é muito bem organizado, mas somente com a adesão do paciente podemos controlar a doença a ponto de erradicá-la do Brasil e do mundo.

Referências:

  • Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.

Saúde do homem: reeducar para prevenir

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Para melhor reconhecimento e abordagem sobre a saúde do homem, devemos compreender as barreiras sócio-culturais, biológicas e comportamentais sobre a realidade singular masculina. A adoção de medidas de promoção da saúde do homem, quando pautadas pelo princípio da equidade, poderão contribuir com respostas biopsicossociais positivas desta população. Ter o conhecimento sobre suas vulnerabilidades é o primeiro passo para agir sobre a causa da má adesão masculina no acesso e continuidade do acompanhamento nos serviços de saúde. Ainda hoje, o principal agravante da morbimortalidade no homem, frente às principais doenças e comorbidades é a resistência masculina em buscar a Atenção Primária: a adesão tardia e focada no tratamento ao invés das medidas preventivas de saúde.

Aproximadamente, 75% das enfermidades e agravos dessa população concentram-se em cinco grandes especialidades: cardiologia, urologia, saúde mental, gastroenterologia e pneumologia. Juntas, apresentam como fator principal de melhor prognóstico a adesão às medidas preventivas, pois apresentam causas bem conhecidas para controle adequado. 

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Equidade é um dos princípios doutrinários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Busca-se, com este princípio, o reconhecimento das diferenças nas condições de vida e saúde e nas necessidades das pessoas, considerando que o direito à saúde passa pelas diferenças sociais e deve atender a diversidade.

Quando falamos sobre a saúde do homem, principalmente quando o assunto é a prevenção e o rastreamento de doenças, quase que imediatamente nos lembramos do câncer de próstata. Bem, isso não ocorre ao acaso: o câncer de próstata é o mais comum entre os homens, correspondendo a quase 30% dos tumores primários, segundo projeções estatísticas de 2020 do Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (INCA)/Ministério da Saúde.

No Brasil, estima-se que para cada ano do triênio 2020-2022 ocorrerão 625 mil casos novos de câncer, sendo, nos homens, o de próstata o segundo mais comum (29,2%), seguido pelos tumores de cólon e reto (9,1%), pulmão (7,9%), estômago (5,9%) e cavidade oral (5,0%). Com esses dados, fica evidente a necessidade de fortalecer a vigilância e prevenção não somente pelos gestores e profissionais da saúde, mas pela sociedade em geral. O primeiro passo para a prevenção é o autoconhecimento!


CÂNCER DE PRÓSTATA

De acordo com a mais recente estimativa mundial (2018), dentre os 18 milhões de casos novos de todos os tipos de câncer, o tumor de próstata ocupa o quarto lugar geral e é o segundo mais  comum nos homens, com uma incidência de cerca de 1,3 milhão. Estima-se que em 2020 ocorram mais 65.840 novos casos (INCA). Em 2018, o Brasil registrou 15.576 mortes por câncer de próstata.

O câncer de testículo é o tumor sólido mais comum no homem!

O tumor de próstata é o tumor sólido mais comum no homem. Sua prevalência aumenta de acordo com o avanço da idade (principal fator de risco), principalmente após os 50 anos. Outros fatores de risco são: presença de câncer de próstata em um familiar (principalmente aqueles que tiveram diagnóstico de câncer de próstata antes dos 65 anos), fatores genéticos (alterações específicas no gene), etnia negra e exposição a produtos (aminas aromáticas, arsênio, produtos de petróleo, motor de escape de veículo, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, fuligem, dioxinas). O excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de próstata em estágio avançado.

Você conhece alguém da sua família com câncer de próstata?

O risco aumenta se você tiver um parente de primeiro grau com diagnóstico antes dos 65 anos.

Frequentemente, o câncer de próstata apresenta evolução inicial silenciosa, não apresentando nenhum sintoma na grande maioria dos casos. Quando presentes, os sintomas costumam ser semelhantes àqueles causados por tumores benignos, sensação de urgência para urinar,aumento da frequência para urinar de dia ou à noite. Quando em estágios avançados, a doença pode causar dor óssea, sintomas urinários mais intensos e infecção generalizada.

Provavelmente você já deve ter ouvido falar sobre o exame do toque retal ou do exame de dosagem do PSA (antígeno prostático específico) no rastreio do câncer de próstata entre os 50 e 70 anos. Mas você sabia que o uso do rastreio para a detecção precoce de câncer de próstata é controverso e que não é recomendado pelo próprio Ministério da Saúde? Mas cuidado, isso não significa que o exame é contraindicado! Atualmente, não há indicação para o rastreio de todos os homens à procura do câncer de próstata em sua fase precoce, portanto deve-se sempre buscar a orientação médica e compartilhar essa decisão.

Quando está recomendado o rastreio para o câncer de próstata?

Idade entre 50 e 74 anos, sempre levando em conta os possíveis riscos e benefícios

Homens com menos de 50 anos ou mais de 75 anos, somente quando apresentarem alto risco

O toque retal e a dosagem do PSA são recursos que aumentam a probabilidade de detecção da existência do câncer de próstata e, somente quando houver essa suspeita a biópsia (retirada de amostras do tecido da próstata para análise laboratorial) está indicada para a obtenção do diagnóstico preciso.

Por meio da biópsia realiza-se o estadiamento da doença para, então, definir o prosseguimento do cuidado. À depender do resultado obtido neste processo, o paciente pode ser apenas orientado a retornar para nova avaliação futuramente. Ou ser submetido aos tratamentos, como retirada da próstata, radioterapia, terapia hormonal ou quimioterapia.


CÂNCER DE TESTÍCULO

Bem menos frequente que o câncer de próstata, o tumor de testículo corresponde a 5% do total dos casos de câncer no homem, mas esse percentual deve ser interpretado com muita cautela. O câncer de testículo é o tumor sólido mais frequente no homem em idade produtiva (entre 15 e 50 anos), com ocorrência rara antes dos 13 anos (0,5 a 2 para cada 100.000 homens).

O câncer de testículo é o tumor sólido mais frequente no homem jovem!

A boa notícia sobre é que, em geral, apresenta um bom prognóstico, ou seja, seu provável desenvolvimento futuro é favorável, sendo curado quando detectado precocemente. Mas não se engane, esse câncer também pode ser letal, com número de mortes em 395, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer de 2018.

Entre os principais fatores de risco para a ocorrência desse câncer, estão a criptorquidia (ausência de um ou dois testículos na bolsa escrotal, condição geralmente identificada durante uma consulta pediátrica na infância), histórico de lesões e traumas na bolsa escrotal, infertilidade ou subfertilidade, síndrome de Klinefelter, histórico familiar de câncer de testículo e a exposição a agrotóxicos.

Você conhece alguém da sua família com câncer de testículo?

Caso você tenha um pai com esse câncer, suas chances aumentam cerca de 4 vezes.

Caso você tenha um irmão com esse câncer, suas chances aumentam cerca de 8 vezes.

A maior parte dos casos de câncer de testículo é sintomática, ou seja, ela pode ser mais facilmente percebida pelo paciente ou parceiro sexual e, com isso, melhor informada ao médico. O relato consiste na presença de um nódulo ou inchaço no testículo, de consistência pétrea e geralmente indolor. A dor testicular é incomum, presente em apenas 10% dos casos. Sendo assim, destaca-se que o autoexame dos testículos é um hábito importante para o diagnóstico desse tipo de câncer.

Quando não percebida pelo paciente ou relatada ao médico (preferencialmente um urologista), ocorre como um achado inesperado em um exame físico durante a consulta ou de imagem (frequentemente em exames da região baixa do abdome e pelve). Ou então, quando em estágios mais avançados da doença, pelo acometimento à distância desse tumor, pela sua disseminação no organismo (metástases), comprometendo principalmente os pulmões, fígado, cérebro, ossos e rins.

O suspeita diagnóstica ocorre pela história clínica (relato e investigação) e pelo exame físico do paciente. Contudo, sua confirmação só ocorre por meio da ultrassonografia dos testículos e por exames laboratoriais que detectam os marcadores tumorais no sangue.

Diferente do câncer de próstata, a biópsia não é necessária para a confirmação diagnóstica do câncer de testículo.

O estadiamento da doença é fator determinante do acompanhamento do paciente, sendo o tratamento inicial sempre cirúrgico (75% a 85% de chance de cura). Comumente, a conduta é a retirada completa do testículo afetado. A quimioterapia ou radioterapia são reservadas aos casos de estágio avançado da doença, na presença de metástase.

Vale ressaltar que a função sexual ou reprodutiva do paciente submetido à cirurgia de retirada de testículo não é afetada, desde que um dos testículos não esteja afetado pelo tumor. Sendo assim, nos casos em que houver a retirada de ambos os testículos, a criopreservação de sêmen é uma boa opção a ser oferecida ao paciente.


CÂNCER DE PÊNIS

Pouco menos frequente que o câncer de testículo, o câncer de pênis também é um tumor raro. Responsável por 454 mortes em 2018 (Atlas de Mortalidade por Câncer), este tipo de câncer possui uma prevalência de cerca de 2% dentre todos os tipos de câncer que atingem o homem, no Brasil. Também apresenta predomínio em idades avançadas, na faixa etária entre 40 e 69 anos.

Diferentemente dos cânceres de próstata e de testículo, o que chama mais a atenção aqui é a estreita relação com o fator socioeconômico. Países ou regiões menos favorecidas, como o norte e nordeste do Brasil apresentam maior incidência de câncer de testículo. Relacionam-se à esta condição os demais fatores de risco, como a baixa escolaridade, má instrução de higiene íntima inadequada, associação com doenças sexualmente transmissíveis (principalmente o HPV – papiloma vírus humano). Outros fatores são: fimose (estreitamento do prepúcio) e tabagismo. Consequentemente, as medidas preventivas apresentam ligação direta com os fatores de risco, ou seja, uma boa higiene da região genital (principalmente após as relações sexuais e a masturbação), a correção da fimose e a utilização de preservativos durante as relações sexuais são imprescindíveis para reduzir as chances de desenvolver a doença.

A boa higienização e o autoexame são essenciais na prevenção do câncer de pênis. Além de evitar o surgimento da doença também evitam procedimentos traumáticos como a cirurgia parcial ou até mesmo a amputação do pênis

Os principais sinais que indicam forte suspeita do câncer de pênis são as feridas ou úlceras persistentes, bem como a presença de tumoração (aumento anormal de tecido) localizada na glande, prepúcio ou corpo do pênis. Concomitantemente, podem ser observados os sinais de má higiene, como a presença de secreção branca (esmegma) e mau cheiro. O surgimento de gânglios inguinais (ínguas na virilha) podem estar presentes, sendo estas um sinal de progressão da doença (metástase), sendo muito rara a ocorrência de metástases à distância. Sendo assim, é recomendado fortemente que os pacientes façam o autoexame e a higienização diariamente.

O diagnóstico é dado por exames clínicos, laboratoriais, radiológicos e por meio da biópsia. Quando realizado de forma precoce o tratamento, apresenta alto potencial de cura, contudo a maioria dos diagnósticos são dados em sua forma tardia, o que pode alterar o desfecho da doença. O tratamento depende da extensão local do tumor e acometimento ou não de linfonodos regionais. Os procedimentos podem variar desde terapias tópicas (pomadas, cremes) até tratamento cirúrgicos, acompanhados por braquiterapia (radioterapia interna) e quimioterapia. O diagnóstico tardio e a baixa procura por tratamento especializado fazem com que os desfechos sejam menos favoráveis, muitas vezes com necessidade de cirurgias mutiladoras que impactam fortemente na questão física, psicológica, na reabilitação funcional e na reintegração social desses indivíduos.


ENTENDENDO AS INDICAÇÕES DO RASTREAMENTO

Após a leitura sobre os três cânceres exclusivos do homem, certamente você deve ter percebido a importância das medidas preventivas como determinantes na alteração da evolução da doença, não é mesmo?  Mas talvez você tenha se perguntado mais de uma vez se você deve ou não fazer o rastreio para essas doenças. Essa dúvida é comum entre todos os homens, visto que boa parte dos exames sugeridos trazem algum tipo de desconforto (físico e psicológico) ou até certo receio devido às medidas invasivas de alguns procedimentos. A resposta para cada um deles depende principalmente de um fator: o conhecimento e intimidade com seu próprio corpo!

Todos os cânceres evoluem de maneira lenta e, muitas vezes, silenciosamente no início da doença. Por isso, além de adotar as medidas preventivas, é fundamental conhecer detalhadamente o seu próprio corpo para que você seja capaz de perceber qualquer alteração, até mesmo as mais discretas. Por fim, também é muito importante que você tenha um bom conhecimento sobre a sua história familiar: procure saber sobre a saúde de seus parentes, principalmente daqueles de primeiro grau (pai, mãe e filhos). Com isso, as indicações para rastreio se tornam melhor direcionadas, evitando assim os incômodos desnecessários.

RASTREAMENTO

Aplicação de exames ou testes em pessoas saudáveis, assintomáticas.

A indicação é feita exclusivamente por dados estatísticos e epidemiológicos, estando indicada somente quando os benefícios superam os riscos e que não forneça morbidade significativa ao paciente.

CÂNCER DE PRÓSTATA

O Ministério da Saúde não recomenda o rastreio para a detecção precoce, mas pode ser feito desde que sejam esclarecidos os riscos e benefícios ao paciente, sendo que esta decisão sempre é feita de maneira individualizada.

O toque retal e a dosagem do PSA sugerem o diagnóstico, mas não confirmam.

Apenas a biópsia é a responsável por dar o diagnóstico da doença, mas é um processo invasivo.

CÂNCER DE TESTÍCULO

Não há indicação de rastreio para população em geral.

Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de testículo traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado.

CÂNCER DE PÊNIS

Não há indicação de rastreio para população geral.

Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de pênis traga

mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado.

Referências: 

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

National Comprehensive Cancer Network (NCCN). NCCN Clinical practice guidelines in oncology.

Diretrizes de tratamentos oncológicos recomendados pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).