12 de Novembro: Dia Mundial da Pneumonia

By | 12 de novembro de 2020

Muito tempo antes do surgimento do novo coronavírus, a pneumonia já era uma preocupação mundial de saúde pública. Atingindo principalmente os extremos de idade (abaixo de 5 anos e acima de 70 anos), é uma doença que tem atenção especial dos órgãos de saúde do mundo todo. Por isso, o dia mundial da pneumonia, proposto em 2009 pela Organização Mundial da Saúde, tem como objetivo a conscientização da população mundial sobre a importância da prevenção da doença.

Apesar da queda na taxa de mortalidade por pneumonia, observada nos últimos anos, muito ainda tem de ser feito. A infecção respiratória aguda causada por esta doença, apesar de estar mais relacionada aos idosos, é responsável pela morte de mais crianças do que qualquer outra doença infecciosa, somando mais de 800 mil crianças menores de cinco anos.

A cada 39 segundos, uma criança morre de pneumonia no mundo. 

O número de mortes por pneumonia em idosos com 70 anos ou mais chega a 1,13 milhão

Homem idoso, envolvido por uma manta, com o punho direito cobrindo a boca, indicando doença respiratória.

O QUE É PNEUMONIA?

A pneumonia é uma doença inflamatória aguda de causa infecciosa que se instala em um ou ambos os pulmões. Basicamente, as pneumonias são provocadas pela ação de um agente infeccioso ou irritante (vírus, bactérias, fungos, reações alérgicas e químicas), responsável por atrapalhar o funcionamento pulmonar.

Você conhece o aparelho mucociliar das nossas vias aéreas?

Para utilizar o ar que respiramos, puxamos ele pelo nariz e enviamos ao nosso pulmão por meio de uma espécie de tubo, que chamamos de traqueia. Sua parte interna é coberta por um conjunto de cílios que, ao se movimentarem, produzem o muco protetor das vias aéreas. Esse muco, que então é empurrado para as vias aéreas superiores (nariz e boca), é responsável por reter partículas potencialmente danosas ao nosso pulmão.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o frio não causa a pneumonia. O que ocorre, na verdade, é que em temperaturas mais baixas a movimentação do nosso aparelho mucociliar (cílios e muco) fica lentificado, aumentando a chance de uma possível infecção. Além disso, no frio há uma tendência em ficar em locais fechados, o que facilita a transmissão de um agente infeccioso presente no ambiente ou expelido por uma outra pessoa no mesmo local.

A transmissão ocorre pela via aérea, por meio de gotículas que expelimos durante a fala, tosse e o espirro. Há também a transmissão indireta, por meio de objetos contaminados com as gotículas contaminadas com o agente infeccioso. Apesar de a pneumonia bacteriana ser muito mais comum que a viral, a bacteriana é menos comum de se transmitir pelas pessoas contaminadas.

COMO SABER SE EU TENHO PNEUMONIA?

O quadro típico de uma pneumonia é caracterizado por sintomas como febre alta de início súbito, muitas vezes com calafrios, dor torácica em pontada e bem localizada, que confere dor  ao respirar, tosse com expectoração semelhante ao pus, falta de ar e piora no estado geral. Basicamente, a suspeita inicial é de um quadro gripal que se intensifica e que evolui com piora do estado geral e falta de ar. Mas cuidado, pois nem sempre os sintomas são os mesmos e ainda existem as chamadas pneumonias atípicas, que podem te confundir. Por isso, sempre procure ajuda médica quando tiver alguns dos sintomas citados.

Entre os principais fatores de risco para pneumonia, estão: o tabagismo, o alcoolismo (o álcool interfere no sistema imunológico e na capacidade de defesa do aparelho respiratório), o uso de ar condicionado (deixa o ar seco, facilitando a infecção) e as mudanças bruscas de temperatura.

Por que o tabagismo é um fator de risco para pneumonia?

Além de reduzir a capacidade respiratória, pelo dano direto às partes que compõem os pulmões, o tabagismo também danifica o aparelho mucociliar. O mau funcionamento dos cílios e a escassez ou ausência do muco protetor confere aos fumantes uma significativa redução nos mecanismos de defesa das vias aéreas. 

Além dos fatores de risco, quando falamos de pneumonia também devemos nos lembrar dos principais grupos que apresentam uma exposição de risco, como os pacientes em instituições superlotadas (ex.: presídios), moradores de casas de repouso/asilo, tabagistas e portadores de doença pulmonar estrutural (fibrose cística, bronquiectasia), broncoaspiração, exposição a sistema de ar-condicionado e infecção secundária aos vírus influenza.

QUAIS SÃO AS FORMAS DE PREVENÇÃO?

Como princípio básico das doenças infecto-contagiosas, deve-se seguir as recomendações de higiene. Além disso, para muitas das pneumonias existentes, há a prevenção por meio da vacinação e todas elas estão recomendadas, de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação.

A vacina pneumocócica conjugada 13-valente previne doenças graves como a pneumonia, meningite e a otite principalmente em crianças, causadas por 13 sorotipos de pneumococos.

Está indicada de rotina para crianças de 2 meses a 6 anos

A vacina Hib é usada na prevenção de infecções por Haemophilus influenzae do tipo B, como pneumonias e meningites. Disponível na rede pública: pentavalente (DTP + Hib + hepatite B).

A vacina está indicada em três doses da vacina pentavalente, aos 2, 4 e 6 meses.

A vacina contra influenza, oferecida anualmente, apesar de conseguir prevenir contra a pneumonia causada pelo vírus influenza, é mais importante no sentido de impedir o enfraquecimento do sistema imunológico, o que tornaria os pulmões vulneráveis a outros agentes.

COMO SÃO O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO ?

Para o entendimento do diagnóstico e das condutas terapêuticas, é importante ter em mente de que a pneumonia é uma doença muito bem conhecida pelos médicos, e que boa parte das condutas iniciais são tomadas dentro de um protocolo clínico muito bem consolidado. Portanto, nem sempre a realização de exames complementares (imagem ou laboratoriais) estão indicadas. Muitas vezes o diagnóstico é clínico, apenas por meio de uma anamnese (espécie de entrevista feita pelo médico) e um exame físico. Um bom detalhamento do exame clínico pode ser capaz de fornecer dados suficientes para iniciar uma terapia adequada.

No entanto, vale lembrar que se o paciente estiver com sintomas mais graves ou que apresente dados insuficientes ao diagnóstico, o médico responsável poderá solicitar exames complementares ou até mesmo solicitar um encaminhamento à internação hospitalar.

RISCOS DA AUTOMEDICAÇÃO

Certamente, você já deve ter ouvido falar sobre o cuidado ao utilizar os antibióticos. A indução de resistência aos antibióticos vai se tornando cada vez mais forte a cada utilização de tais medicamentos, por isso a recomendação médica deve ser feita com muito cuidado. Mas você sabia que o uso de um simples xarope, sem indicação médica, pode trazer riscos à saúde e até mesmo ser fatal?

Alguns dos xaropes antitussígenos (que aliviam a tosse) ou descongestionantes nasais (que desentope o nariz) podem interferir no funcionamento do coração. Diversas formulações desses medicamentos contém adrenalina e seu uso pode desencadear uma desregulação na pressão arterial e causar até mesmo um infarto!

O uso de inaladores, corticoides e outros medicamentos ou medidas que fluidificam o muco das vias aéreas podem ajudar na proteção, mas todos eles devem ser previamente autorizadas por recomendação médica, pois podem apresentar efeitos adversos danosos à saúde.

ACESSO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Quando o assunto é a pneumonia, devemos ter em mente de que em boa parte dos casos estamos lidando com uma situação de simples resolução na UBS. Contudo, quando houver o comprometimento significativo do estado geral, principalmente referente às queixas respiratórias ou quando for observado uma piora após o início do tratamento indicado no atendimento primário, deve-se procurar ajuda nas unidades de maior complexidade, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ou Hospitais. Ao procurar uma UPA, avalia-se a necessidade de internação e, se necessário, o paciente será estabilizado e enviado a um serviço hospitalar que disponibilize tal demanda. Mas lembre-se: existem diversas comorbidades que podem se confundir com a pneumonia e cabe ao médico decidir a melhor conduta individualizada ao paciente. Tanto o diagnóstico quanto o tratamento devem ser muito bem direcionados e a automedicação é contraindicada.

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Referências:

UNICEF. Pneumonia. Outubro de 2020

Our World in Data. Pneumonia. Novembro de 2019.

Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Pneumonia. Março de 2020.

Ministério da Saúde (BR). Instrução normativa referente ao calendário nacional de vacinação 2020.

 

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