Entrevista pingue-pongue com Mayara Marques de Almeida, coordenadora de Infecções Sexualmente Transmissíveis / Aids e Hepatites Virais do estado de Minas Gerais

By | 1 de dezembro de 2020

Instituído em 1988 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS promove a necessidade de entendimento sobre a doença. Trinta e dois anos depois do marco inicial, muita coisa mudou neste cenário e não é exagero dizer que o Brasil é pioneiro nos bons resultados no que diz respeito à prevenção e tratamento da doença graças à distribuição universal e gratuita de medicamentos antirretrovirais por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Para celebrar a data, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) lançou a campanha Fazer o teste é a melhor escolha, para sensibilizar as pessoas sobre a necessidade de submeter-se à testagem caso exposto ao risco de contrair o HIV, uma vez que existe tratamento para o agravo. A coordenadora de Infecções Sexualmente Transmissíveis / Aids e Hepatites Virais do estado de Minas Gerais, Mayara Marques de Almeida bateu um papo com os jornalistas sobre avanços na prevenção, o papel do SUS, testagem e vida saudável com HIV. “Não podemos esquecer que observamos, nos últimos anos, grande queda no número de mortalidade por AIDS e a uma melhoria da qualidade de vida das pessoas que convivem com a doença. Acredito que foi uma consequência da ampliação do diagnóstico, da terapia antirretroviral e da eficiência das políticas de prevenção e tratamento em relação ao vírus”, avalia Mayara.  Confira.

Por que existe o Dia Mundial de Luta contra a AIDS?

O Dia Mundial da Luta Contra a Aids foi instituído como forma de despertar a necessidade da prevenção, promover o entendimento sobre o agravo e incentivar ações referente à Aids.

Qual o papel do SUS na luta contra a Aids?

O Brasil teve um grande destaque na luta contra a AIDS no cenário internacional por causa da distribuição universal e gratuita de medicamentos antirretrovirais por meio do Sistema Único de Saúde. Todas as pessoas que vivem com HIV/ AIDS recebem a medicação antirretroviral gratuitamente. Além disso, todas as ações de prevenção, tratamento e diagnóstico estão disponíveis na rede pública.

Quais as conquistas mais importantes a sociedade teve em relação ao tratamento de quem vive com HIV? 

A distribuição de antirretrovirais de forma universal pelo SUS, a ampliação do diagnóstico e da oferta de tratamento eficaz para o HIV. Também merecem destaques a disponibilidade de estratégias e tecnologias avançadas para prevenir a infecção pelo vírus por meio de PEP, PrEP, teste rápido, preservativo e gel lubrificante.

O que são a PEP e PrEP?

PEP significa Profilaxia Pós Exposição e é uma medida de urgência à infecção pelo HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis. Consiste no uso de medicamentos para reduzir o risco de adquirir essas infecções e deve ser utilizada após qualquer situação de risco de contágio como violência sexual, relação sexual sem o uso de camisinha ou com rompimento da mesma.  Já a Profilaxia Pré Exposição (PrEP) consiste no uso diário de um comprimido que impede que o vírus causador da Aids infecte o organismo antes de contato com o mesmo.

Quais são os maiores desafios para a luta contra a AIDS?

Apesar de todas as conquistas e evolução no tratamento e prevenção ao HIV/AIDS, ainda há um estigma sobre a doença. Mesmo com toda a disponibilidade de informação, falta a conscientização da população sobre a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento.

Qual a diferença entre ter AIDS e HIV?

HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, causador da AIDS. Já a AIDS é a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, doença causada pelo HIV, que ataca células específicas do sistema imunológico, responsáveis por defender o organismo de doenças. É importante ressaltar que, ter HIV não significa que a pessoa desenvolverá AIDS; porém, uma vez infectada, a pessoa viverá com o HIV durante toda vida.

Quem deve fazer o teste de HIV?

O teste de HIV deve ser feito por todo indivíduo que tiver passado por situação de risco, como ter feito sexo sem camisinha. O diagnóstico precoce e tratamento oportuno são importantes para a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV.

O SUS oferece teste? Quais? Como ter acesso?

O SUS oferece o teste rápido, que é prático e de fácil execução, e também a sorologia convencional (exame de sangue). Os testes rápidos podem ser realizados com a coleta de uma gota de sangue ou com fluído oral, e fornecem o resultado em, no máximo, 30 minutos. É possível realizar os exames nas unidades de saúde da rede pública ou nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).

Os testes devem ser realizados com regularidade e sempre que o indivíduo tiver passado por uma situação de risco, como ter feito sexo sem camisinha. É muito importante que o diagnóstico seja feito em tempo oportuno.  No caso das gestantes e parcerias sexuais é importante que o teste seja realizado durante o pré-natal.

Qual tipo de tratamento o SUS fornece para a pessoa HIV positiva?

Atendimento clínico, laboratorial, psicossocial (psicólogo e assistente social) além do fornecimento de medicamentos antirretrovirais.

A AIDS, em Minas Gerais, é uma preocupação?

Apesar da diminuição do número de casos de AIDS observados nos últimos anos, resultado do diagnóstico precoce e do tratamento antirretroviral instituído de forma universal a todas as pessoas vivendo com HIV, ainda temos um número considerável de casos de AIDS.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais busca ampliar o diagnóstico, conscientizar a população sobre as formas de prevenção ao agravo. O objetivo da SES-MG é evitar novos casos e, consequentemente, diminuir a mortalidade pelo agravo.

Quais são as principais formas de prevenir a doença?

Atualmente, temos a prevenção combinada como estratégia que faz uso simultâneo de diferentes abordagens de prevenção para responder às necessidades de cada indivíduo. As formas de prevenção disponíveis estão representadas na Mandala de Prevenção Combinada.

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Quais são as formas de contágio?

  • Sexo vaginal sem camisinha;
  • Sexo anal sem camisinha;
  • Sexo oral sem camisinha;
  • Uso de seringa por mais de uma pessoa;
  • Transfusão de sangue contaminado;
  • Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;
  • Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados

Quantas pessoas vivem, hoje, com a doença em Minas? E qual a faixa etária mais atingida pelo agravo?

Atualmente temos 76.799 pessoas notificadas como HIV/Aids no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A faixa etária mais acometida é a de 20 a 34 anos, uma vez que os jovens são a população sexualmente ativa.

É possível ter HIV positivo e ter uma vida saudável?

Sim. O tratamento com medicamentos antirretrovirais reduz significativamente a mortalidade e o número de internações e infecções por doenças oportunistas, que aproveitam a fraqueza do sistema imunológico para atacar o organismo.

A expectativa de vida hoje de uma pessoa que tem um diagnóstico precoce e inicia o tratamento imediatamente, mantendo a carga viral indetectável, é semelhante à de uma pessoa com a mesma faixa etária e que não tenha HIV.

Autor: Juliana Gutierrez

 

 

 

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