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DIA MUNDIAL DE COMBATE À LER/DORT

O Dia Mundial de Combate às Lesões por Esforços Repetitivos ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho – LER/DORT, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e celebrado anualmente no dia 28 de fevereiro, tem como objetivo alertar a população e chamar a atenção das autoridades sobre a adoção de cuidados e medidas preventivas contra lesões associadas à repetição de movimentos.

O que é LER/DORT?

As lesões por esforços repetitivos contemplam diversas doenças causadas pela realização de atividades contínuas e repetitivas, responsáveis pela alteração de tendões, articulações, músculos e nervos, dentre as quais as mais conhecidas são a tendinite, a tenossinovite e a bursite.

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Quando causadas por movimentos repetitivos durante a execução de um trabalho são chamadas de DORT, que se refere aos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, e são consideradas por normas técnicas como síndromes clínicas, caracterizadas por dor crônica no pescoço, ombro e/ou braços, podendo também acometer os quadris e as pernas, devido ao esforço laboral.

Comportamentos geradores

Na maioria das vezes, as doenças são provocadas por atividades relacionadas à organização do trabalho, como a repetição de movimentos, postura inadequada, fatores psicológicos e sobrecarga física.

Principais sintomas

Os sinais e sintomas de LER/DORT são múltiplos e diversificados, podendo-se destacar:

• A dor como primeiro sinal;
• Alterações como formigamento e dormência, sensação de diminuição, perda ou aumento de sensibilidade, fraqueza para segurar objetos, desconforto, fadiga, inchaço, enrijecimento muscular, choques, agulhadas ou peso nos membros, aumento ou redução da temperatura;
• Dificuldade de movimento para uso dos braços, especialmente das mãos, podendo ocorrer sinais como inchaço, vermelhidão, e dor, além áreas com redução de volume.

Estes sinais e sintomas são de evolução lenta e insidiosa, o que leva muitos trabalhadores a procurar auxílio de um profissional especializado muito tardiamente. Daí a necessidade do trabalhador, ao primeiro sintoma, procurar a assistência médica.

O início dos sintomas é insidioso, com predominância nos finais da jornada de trabalho ou durante os picos de produção, ocorrendo alívio com o repouso à noite e nos fins de semana. Aos poucos, os sintomas tornam-se presentes por mais tempo durante a jornada de trabalho e, às vezes, passam a estar presentes durantes as noites e finais de semana.

Em geral, o alerta só ocorre para o paciente quando os sintomas passam a existir durante a realização de esforços mínimos, comprometendo a capacidade, seja no trabalho ou em casa.

Medidas de prevenção

As medidas de prevenção das LER/DORT englobam correções do ambiente de trabalho, adoção de medidas preventivas e de novas formas e ferramentas de trabalho por parte da empresa bem como as ações individuais por parte dos trabalhadores. Para isso, destaca-se algumas dicas importantes para evitar essas condições:

• Manter sempre uma postura apropriada durante o horário de trabalho, com as costas eretas, seja em pé ou bem apoiadas no encosto da cadeira quando assentado.
• Fazer pausas e alongamentos a cada 60 minutos.
• Respeitar os limites do corpo.
• Utilizar apoios ergonômicos para os punhos e pés durante a utilização do computador.
• Manter o monitor na altura dos olhos para evitar a sobrecarga no pescoço.
• Utilizar cintas e outros acessórios de proteção fornecidos pela empresa ao executar tarefas que exigem força física.
• Praticar exercícios físicos regularmente.
• Manter um estilo de vida saudável, com uma boa qualidade de sono, boa alimentação, condicionamento físico e manutenção da saúde em geral.

Tratamento

Quanto mais precoce o diagnóstico e o início do tratamento adequado, maiores as possibilidades de êxito. No entanto, geralmente o diagnóstico é difícil e o primeiro passo para um tratamento adequado é entender e determinar a causa dos sintomas, que podem variar de uma pessoa para outra. Muitas vezes é preciso recorrer a uma avaliação multidisciplinar para identificar corretamente a situação.

Grande parte das pessoas, no entanto, procuram ajuda profissional apenas quando estão em uma crise, optando pelo uso de anti-inflamatórios e repouso. A demora em tratar do problema pode trazer um problema ainda maior, exigindo, em alguns casos, fisioterapia e cirurgia.

Neste sentido, a prevenção é a melhor forma de tratar e combater a LER/DORT. Para isso, além do tratamento multiprofissional, empresas de todos os segmentos devem procurar aplicar ações de controle dos fatores desencadeantes e agravantes, a fim de preservar e equilibrar os colaboradores e as condições de trabalho, garantindo um ambiente mais seguro. Se não ocorrer mudanças nas condições de trabalho, há grandes chances de piora progressiva da doença.

Para a realização de um tratamento efetivo é necessário, entre outros, a investigação de fatores causais a partir do paciente. Para isso é importante identificar o histórico da queixa atual, avaliar o paciente de forma integral, bem como seus hábitos e comportamentos relevantes e, de fundamental importância, perguntar detalhes de como e onde o paciente trabalha, como é sua rotina e ambiente de trabalho, tanto do atual, quanto dos anteriores.

O que o SUS oferece?

Ao perceber os sinais e sintomas de LER/DORT é necessário procurar a Unidade Básica de Saúde. Em alguns casos o trabalhador pode ser encaminhado para um Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), caso o município possua esse serviço, ou outro serviço de atenção especializada.

A Coordenadora do CEREST Araxá e fisioterapeuta com especialização em saúde do trabalhador, Flávia Aparecida Freire de Almeida, explica as ações realizadas pelo CEREST Araxá em relação à LER / DORT:

“Em relação ao protocolo de LER / DORT, o CEREST Regional Araxá, realiza atendimento a trabalhadores com doenças ou queixas de síndromes no sistema músculo esquelético causadas pelo processo produtivo. O trabalhador referenciado ou por demanda espontânea, passa pelo atendimento do CEREST, com acolhimento assistencial da sua história clínica e ocupacional, atendimento médico, quando necessário solicitação de exames complementares e fechamento de nexo causal. Esse trabalhador quando necessita de atendimento fisioterápico é referenciado pelo setor de regulação do município para realização de Fisioterapia na Rede de Atenção à Saúde. Os trabalhadores com quadro crônico são acompanhados no CEREST pelo grupo de alongamento e orientação postural, onde ao iniciar, recebem orientações sobre como melhorar suas atividades laborais realizando posturas adequadas ao realizar suas atividades no trabalho, orientações sobre pausas, alternância de atividades e orientações ergonômicas conforme sua atividade laboral. Quando é de consentimento do trabalhador vamos até o local de trabalho para dar sugestões de adequações ergonômicas. Os grupos de alongamento são realizados na sede do CEREST, grupos de até 10 trabalhadores com realização de exercícios ativos e alongamento postural.”

Bibliografia

1 INSTRUÇÃO NORMATIVA DC/INSS Nº 98 DE 05/12/2003. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=75579.

2 BRASIL. Diagnóstico, tratamento, reabilitação, prevenção e fisiopatologia das LER/DORT (Série A. Normas e Manuais Técnicos, nº 105). Brasília: Ministério da Saúde, 2001. 64p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diag_tratamento_ler_dort.pdf.

15 de Fevereiro: Dia Internacional do Câncer na Infância

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Diante de um tema tão pouco falado, porém tão importante quanto aos outros temas relacionados à saúde, criou-se o Dia Internacional do Câncer na Infância em 2002 pela Childhood Cancer Internacional (CCI). Com uma estimativa de 8.460 novos casos para o ano de 2020 (INCA), o combate ao câncer infantil tem como principal ferramenta a prevenção e a informação. Diferentemente dos cânceres em adultos, em que se ouve falar sobre diversos fatores de risco evitáveis para o seu desenvolvimento, como por exemplo o tabagismo no decorrer da vida, no câncer infantil a criança não têm essa oportunidade e acaba se tornando uma vítima genética, propensas a ter um certo tipo de câncer.

Hoje, cerca de 80% das crianças e adolescentes acometidas pelo câncer podem ser curadas, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados.

A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado!

A criança com câncer é sempre vítima de sua condição e, por isso, é totalmente dependente de seus responsáveis para que o enfrentamento da doença seja feito da melhor maneira possível. Por isso, manter-se informado sobre o câncer infantil é um ato de respeito e responsabilidade sobre a saúde de quem nada pôde ou pode fazer sobre a sua própria saúde.

Criança analisando radiogragia


O QUE É O CÂNCER E COMO ELE OCORRE NAS CRIANÇAS?

Câncer, ou neoplasia, é o nome dado a um grupo de mais de 200 doenças e que tem em comum o crescimento incomum e desordenado das células do corpo. O problema desse crescimento descontrolado é a possível alteração do funcionamento adequado dos órgãos em que ocorrem, podendo muitas vezes gerar condições agressivas e incontroláveis e que também podem se espalhar para outras áreas do corpo (metástases).

Naturalmente, todos os nossos trilhões de células vivas passam pelo processo natural de crescerem, se dividirem e morrerem de forma ordenada. Assim, o processo de renovação e substituição de nossas células pelo corpo é algo natural. O problema é que no câncer esse processo pode ser modificado das mais diversas formas possíveis, variando tanto no tipo celular, na fase da vida da célula, em quantidade e em malignidade de tal evento.

Diferentemente de como ocorre no adulto, o câncer infantil afeta principalmente as células do sistema sanguíneo e do sistema de sustentação do corpo (ossos, músculos), mas também podem atingir outras partes do corpo como sistema nervoso central, sistema linfático, rins, entre outros. Contudo, a principal característica dos cânceres infantis é o tipo celular afetado: as células embrionárias, ou seja as células indiferenciadas (células jovens que ainda não se diferenciam tanto das demais).

Os cânceres na infância têm como principal alvo as células embrionárias, o que, geralmente, proporciona melhor resposta aos tratamentos atuais!


VOCÊ CONHECE OS PRINCIPAIS CÂNCERES NA INFÂNCIA?

Gráfico câncer na infância

São mais de 200 tipos de cânceres possíveis, portanto fique atento às queixas da criança e nunca descarte a visita ao médico para esclarecer suas dúvidas.


QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS DO CÂNCER NA INFÂNCIA?

Antes mesmo de citar os principais sinais e sintomas, vale lembrar de que existem mais de 200 tipos de cânceres possíveis na infância e, portanto, seria impossível listar um sinal ou sintoma comum a todos eles, por isso fica aqui um alerta: raramente uma mãe, pai ou responsável irá suspeitar de câncer como a principal suspeita da condição de saúde da criança, e com o médico isso também é verdade. Não só pela sua baixa incidência, comparada às inúmeras outras comorbidades possíveis, mas pelo sinal ou sintoma muitas vezes ser comuns a mais de uma doença. Sendo assim, as consultas de rotina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) são essenciais para que seja levantada a suspeita do diagnóstico oncológico.

Tão importante quanto se informar sobre o câncer na infância, é essencial também que os pais ou responsáveis pela criança fiquem atentos às suas queixas. Nunca descarte a possibilidade de fazer uma visita ao médico, pois muitos dos sintomas são comuns a outras doenças e muitas vezes o diagnóstico de câncer se dá por pequenos detalhes que podem passar despercebidos.

Puericultura

Não existe uma tabela oficial sobre o número de consultas de Puericultura para todas as crianças, pois cada criança apresenta uma necessidade específica. Contudo, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda um número mínimo de consultas de acordo com a faixa etária:

IDADE

5 a 30 dias 2 a 6 meses 7 meses a 2 anos 2 a 6 anos 7 a 19 anos
FREQUÊNCIA Semanal Mensal Bimestral Trimestral

Anual

Como recomendação geral, os responsáveis pela criança devem estar atentos aos seguintes sinais: dor progressiva, febre sem causa aparente ou doença que não melhora, dor de cabeça frequente e acompanhada de vômitos, alterações oculares (pupila branca, estrabismo de início recente, perda visual, hematomas ou inchaço ao redor dos olhos), nódulo ou inchaço incomum, palidez repentina e perda de energia, sudorese noturna, dor óssea, hematomas ou sangramento, inchaço abdominal, quedas e contusões frequentes, mancar ao encaminhar e perda de peso repentina sem explicação.


COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DOS CÂNCERES

Diagnosticar câncer não é uma tarefa simples e, para isso, pode ser necessário a realização de alguns testes laboratoriais e de imagem. Da mesma forma, o tratamento pode variar de acordo com o tipo de câncer detectado em cada paciente, desde um procedimento cirúrgico até a realização de radioterapia ou quimioterapia. 

Dessa forma, o seguimento multidisciplinar é fundamental no acompanhamento de todos os pacientes oncológicos, relativo ao grau de complexidade e à necessidade de suporte psicossocial que cada paciente demanda durante o tratamento. Por isso, o preparo, o procedimento e a recuperação física e mental de cada paciente deve sempre ser individualizado para que sejam reduzidos, ao máximo, os possíveis e frequentes danos psicossociais resultantes do tratamento oncológico.

Os Cuidados Paliativos em Oncologia Pediátrica são essenciais no acompanhamento desses pacientes e deve ser inserido desde o momento em que for dado o diagnóstico. A melhora da qualidade de vida das crianças e adolescentes que enfrentam esse desafio terapêutico é fundamental para a otimização do conforto físico e mental de cada paciente.


PREVENÇÃO E ACOMPANHAMENTO

Infelizmente, ainda não existem evidências científicas que comprovem uma associação entre o câncer na infância e uma possível exposição de risco. Sendo assim, não há uma recomendação quanto à prevenção das doenças oncológicas na infância.

No entanto, o diagnóstico oncológico precoce possibilita grandes chances de sucesso no tratamento (cerca de 80%). Porém, vale lembrar que a continuidade no acompanhamento do paciente, mesmo após a cura, é essencial, visto que em todos os casos oncológicos há uma probabilidade variável de complicações futuras e de recidivas.


ACESSO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Quando o assunto é o câncer infantil, devemos ter em mente de que se trata de uma condição que exige um cuidado especializado, tanto no início quanto na condução do caso como um todo. Porém, por se tratar de um diagnóstico secundário ou até mesmo de exclusão, em muitos casos, a suspeita têm início na Unidade Básica de Saúde (UBS) e somente após um tempo é que o caso é encaminhado aos centros oncológicos especializados. Dessa maneira, ao procurar uma UBS, normalmente o caso é conduzido como um caso de baixa ou média complexidade que não responde ao tratamento inicial, o que levanta a hipótese para uma investigação mais detalhada do caso. Assim, somente após o paciente ser encaminhado aos centros especializados é que o tratamento ou acompanhamento torna-se eficaz, ou seja, por se tratar de um diagnóstico mais complexo o quanto antes o paciente for encaminhado, melhores serão as chances de se obter sucesso no tratamento.

O acompanhamento dos pacientes oncológicos é altamente individualizado. É formado por equipes de profissionais que conhecem as necessidades específicas das crianças e adolescentes com câncer.

 

Referências:

  • Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (INCA).
  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
  • American Cancer Society.

 

Fevereiro Roxo: Alzheimer, Fibromialgia E Lúpus

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Apesar de serem condições bem diferentes entre si, a doença de Alzheimer, a Fibromialgia e o Lúpus Eritematoso Sistêmico, possuem algo em comum: não existe cura. Mas calma, isso não significa necessariamente que nada pode ser feito em relação ao controle dessas doenças. Muito pelo contrário, elas são estudadas há um bom tempo e, apesar de não existir um tratamento para a resolução dessas condições, apresentam diversos tratamentos efetivos para atrasar ou evitar as crises características de cada uma. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para fornecer ao portador da doença uma vida com mais conforto. Acompanhe aqui algumas das principais características de cada uma delas.

Fevereiro roxo: alzheimer, lúpus e fibromialgia


DOENÇA DE ALZHEIMER

Provavelmente você já deve ter ouvido falar sobre a doença de Alzheimer, popularmente conhecida como a doença que leva à “perda da memória”, e não é por acaso, pois é a doença neurodegenerativa mais frequente no mundo. O crescente número de casos da doença é resultado do aumento da longevidade na população, uma vez que tal doença possui destaque em idades mais avançadas, geralmente após os 60 anos. Mas não se engane, a manifestação da doença não é exclusiva dos idosos e também pode estar presente, apesar de ser mais rara, em pessoas jovens, além de apresentar forte componente genético para o desenvolvimento da doença de Alzheimer.

Apesar de ter sido descrita em 1906 e dos avanços no diagnóstico e tratamento desta doença, ainda não existe uma cura para ela. Contudo, com os conhecimentos adquiridos até a atualidade sobre a evolução do Alzheimer, já é possível reduzir a velocidade de sua progressão e consequentemente proporcionar uma melhora da qualidade de vida. Além disso, diversos estudos mostram ser possível, em alguns casos, atrasar o surgimento da doença por meio do hábito em manter a mente constantemente ativa, seja pela execução de tarefas intelectuais mais complexas, seja por meio de atividades físicas com regularidade.

A perda da memória de curto prazo não é o único sintoma do Alzheimer. Ela é classificada precocemente como uma síndrome demencial, ou seja, além dos prejuízos cognitivos também apresenta déficits funcionais.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, ou seja, compromete os neurônios do cérebro de maneira progressiva. Portanto, o diagnóstico precoce tem como objetivo atrasar a progressão natural da doença, melhorando não somente a qualidade de vida dos indivíduos com a doença, mas de todos aqueles que se relacionam com o portador da doença.

Os sintomas da doença estão relacionados à perda da capacidade cognitiva do indivíduo, ou seja, ocorre prejuízo nos processos relativos ao aprendizado e à construção e resgate do conhecimento. Com a progressão da doença, além do comprometimento da memória, há também interferências no pensamento, na linguagem, na compreensão, na percepção da realidade e nas capacidades intelectuais e emocionais. Por isso, os sintomas iniciais podem facilmente ser percebidos por familiares e amigos como uma simples apatia, tristeza passageira ou perdas de memória, erroneamente relacionados à idade.

A negação do diagnóstico, muito comum aos pacientes que o recebem, está fortemente relacionada ao desenvolvimento de alterações comportamentais e outros distúrbios neuropsiquiátricos como os transtornos do humor, principalmente a depressão e a ansiedade.

O diagnóstico pode levar meses até a sua confirmação clínica, mas deve ser investigado o quanto antes para atrasar a evolução da doença. Por isso, ao perceber sinais de perda de memória, perda de capacidades físicas e mentais para executar tarefas mais complexas, apatia, tristeza ou depressão, bem como a perda de outras capacidades funcionais, procure auxílio médico (generalista, psiquiatra ou neurologista) para melhor esclarecimento. Algumas mudanças no estilo de vida e o tratamento farmacológico, quando bem prescritos, reduzem o avanço da doença de maneira significativa.


LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), ou apenas Lúpus, é a doença mais caracteristicamente associada às chamadas “doenças autoimunes”, isto é, condição em que o sistema imune produz anticorpos contra partes do próprio corpo, levando a um comprometimento funcional do organismo. Devido à sua forte associação com o estrogênio, hormônio produzido nos ovários, o lúpus está muito mais presente em mulheres (cerca de 10 mulheres para cada 1 homem) em idade reprodutiva e tende a mostrar seus primeiros sintomas entre a segunda e a terceira década de vida.

Também de causa multifatorial, o Lúpus possui forte correlação genética e possui risco aumentado de cerca de 17 vezes quando presente em parentes de primeiro grau. A doença caracteriza-se pela alternância entre as crises e os silenciamentos, sendo que muitas vezes o fator desencadeante, além dos hormonais,  comumente relaciona-se à exposição solar (raios ultravioleta), às infecções (principalmente virais) e ao tabagismo. A exposição a esses “gatilhos” resultam na resposta autoimune responsável pelos períodos de atividade da doença (crises) e consequentemente na desregulação funcional do organismo, o que se manifesta nos diversos sintomas possíveis da doença.

Evitar os gatilhos da doença (evitar a exposição solar desprotegida, infecções e tabagismo) e o acompanhamento médico com regularidade, permitem a melhora da qualidade de vida, pois aumentam os períodos de silenciamento da doença e evitam ou reduzem a ocorrência das crises.

Os sintomas da doença são bem variados e, apesar das lesões de pele serem as mais conhecidas (vermelhidão, fotossensibilidade, queda de cabelo, cicatriz, atrofia, bolhas), há também o acometimento musculoesquelético (dor articular, muscular, inchaço), renal (inflamações até doença renal crônica), pulmonares (infecções, hemorragias), vasculares (inflamação, trombose), hematológicas (principalmente anemia), cardíacas (inflamação do tecido cardíaco, assim como do tecido que reveste o coração, infarto agudo do miocárdio), gastrointestinais e neuropsiquiátricas (doenças dos nervos periféricos, AVC, transtornos do humor, psicose, convulsões). Ou seja, pode comprometer todo o organismo, variando tanto em local quanto intensidade. Por isso, o acompanhamento médico, além de direcionar a conduta de maneira individual, é essencial para que os períodos de silenciamento da doença sejam prolongados, melhorando assim a qualidade de vida.


FIBROMIALGIA

No Brasil, a fibromialgia é a segunda doença reumatológica mais comum depois da osteoartrite. E, por falar em reumatologia, vale destacar que a fibromialgia não é uma doença autoimune. Podemos defini-la como a síndrome da fibromialgia o conjunto de sinais e sintomas característicos, no qual frequentemente estão presentes a dor crônica difusa, fadiga, transtorno de humor e distúrbio do sono. Contudo, a sintomatologia é bastante variada e outros sintomas mais subjetivos podem ser referidos, como: sensação de formigamento, inchaços, palpitações, distúrbios funcionais gastrointestinais, dor de cabeça e distúrbios psicossomáticos diversos. Além disso, a fibromialgia ocorre mais frequentemente em mulheres (cerca de seis a dez mulheres para cada homem com a doença), costuma ser diagnosticado entre 25 e 65 anos e possui agregação familiar frequente.

A fibromialgia não possui uma única causa no seu desenvolvimento, ela é multifatorial e conta com a interação entre fatores genéticos e ambientais. De maneira simplificada, pode-se dizer que a fibromialgia é percebida subjetivamente por cada indivíduo que desenvolve esta doença, mas que compartilha em comum a alteração da percepção da dor e que, consequentemente, quando não tratada precocemente e de maneira individualizada tende a gerar as demais sintomatologias citadas, principalmente quando relacionadas aos transtornos de humor e psicossomáticos.

A fibromialgia ou síndrome da fibromialgia é frequentemente percebida pelos seguintes sintomas: dor crônica, fadiga, transtorno de humor e distúrbio do sono.

Sendo assim, apesar da ausência de uma cura para a fibromialgia, muito pode ser feito em relação ao tratamento dos seus diversos sintomas possíveis. Em especial, o caráter multidisciplinar da condução desta doença tem como um de seus pilares a importância das medidas não farmacológicas, que consistem em atividades físicas, higiene do sono e psicoterapia. E, quanto às medicações há um vasto campo de ação, devendo esta ser individualizada cuidadosamente e evitando o uso de anti-inflamatórios.


ACESSO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços,  como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Nos casos de pacientes com a doença de Alzheimer, Lúpus Eritematoso Sistêmico ou Fibromialgia há uma grande variedade na condução dos casos, principalmente no início, quando há necessidade em excluir outros diagnósticos ou até mesmo quando há doenças sobrepostas. Sendo assim, todos eles costumam ter início da condução no serviço de atendimento primário para que então seja feita a avaliação sobre a necessidade de encaminhar aos serviços especializados.

Referências:

Alzheimer’s Disease International

American College of Rheumatology

 

Regional de BH capacita profissionais sobre Hanseníase

A Coordenação de Atenção à Saúde da Superintendência Regional de Saúde de Belo Horizonte (CAS/SRS-BH) realizou, ontem (3/2), pela plataforma online Google Meet, uma ação de mobilização regional referente à Campanha Educativa de conscientização sobre a hanseníase.

Foram abordados temas como sinais, sintomas, tratamento e cura da hanseníase como importante estratégia da Atenção Primária à Saúde (APS), além de serem apresentados o cenário regional da Hanseníase e a proposta de trabalho da CAS em parceria com a Vigilância Epidemiológica.

Dermatologista associada a Sociedade Brasileira de Dermatologia, Laura Salles Dias Pinto, foi uma das palestrantes no evento em que participaram médicos e enfermeiros dos 39 municípios da região central que serão multiplicadores no âmbito municipal para os profissionais da APS.

Por: Leandro Heringer

4 de Fevereiro: Dia Mundial do Câncer

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Criado em 2000, o Dia Mundial do Câncer foi criado pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), com o objetivo de conscientização e a educação mundial sobre um grupo de mais de 100 tipos de doenças. Com isso, buscando pela mobilização populacional e governamental acerca de um problema sério de saúde responsável por milhões de mortes anualmente.

Portanto, a necessidade em abordar o tema é uma medida fundamental para desmistificar o estigma social sobre o câncer. A desinformação ainda continua sendo um dos principais inimigos do enfrentamento ao câncer. O rastreio e a prevenção, quando bem conduzida, reduz significativamente sua incidência na população. Sendo assim, leia o texto abaixo e fique atualizado sobre o que você pode fazer para se prevenir contra o câncer.

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ENTENDENDO O CÂNCER

Câncer é o nome dado a um grupo com mais de 100 diferentes tipos de doenças que apresentam em comum a desorganização no crescimento e na multiplicação das células do organismo. Suas variantes, portanto, variam de acordo com o local em que ocorrem e do comportamento de cada uma dessas desordens. A complexidade nos seus diversos fatores aos quais estão relacionados (predisposição genética, exposição ambiental, controle e tratamento) é que faz com que o câncer seja um dos principais desafios da ciência até a atualidade.

Mesmo frente à impossibilidade em controlar e prevenir as chamadas desordens celulares responsáveis pelo desenvolvimento do câncer, ainda assim é possível intervir nos chamados fatores ambientais da oncogênese (formação do câncer). De maneira geral, processos que interfiram no “estresse” celular ou que alterem o ambiente em que o crescimento celular ocorre são fatores que contribuem para o câncer.

A oncogênese é o resultado de fatores genéticos e ambientais, mas variam significativamente de pessoa a pessoa.

Contudo, o diagnóstico precoce e o rastreamento são essenciais a todos.

DIAGNÓSTICO PRECOCE E RASTREAMENTO

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Apesar da possibilidade na detecção precoce do câncer, apenas alguns deles são alvos de rastreamento.

São eles: câncer de mama, colo do útero, cólon e reto.

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Os intervalos acima correspondem ao tempo mínimo entre cada exame de rastreio, mas podem ser menores dependendo da necessidade do acompanhamento: conduta individualizada.

Os exames para rastreamento não fornecem o diagnóstico, mas indicam a realização de exames mais precisos como a biópsia (retirada de uma amostra da lesão para avaliação laboratorial).


PREVENÇÃO

Ainda que cada câncer possa apresentar características específicas quanto à prevenção ou fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença, algumas medidas preventivas podem ser comuns a mais de um tipo delas e, por isso, vale a pena adotar tais medidas. Abaixo, algumas das prevenções mais importantes não somente para a prevenção do câncer, mas de muitas outras comorbidades (Instituto Nacional do Câncer – INCA):

NÃO FUMAR

As mais de 4.700 substâncias tóxicas e cancerígenas que são inaladas por fumantes e não fumantes são responsáveis pelo câncer de pulmão, boca, laringe, faringe e esôfago.

TER UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

Uma ingestão rica em alimentos de origem vegetal (frutas, legumes, verduras, cereais integrais, leguminosas) e pobre em alimentos ultraprocessados (presunto, salsicha, bacon, salame, mortadela, entre outros) e conservantes (nitritos e nitratos), além de conferirem proteção às doenças cardiovasculares, também ajudam na prevenção de câncer de cólon, reto e de estômago.

PRATICAR EXERCÍCIOS FÍSICOS

A prática de exercícios físicos promove o equilíbrio dos níveis de hormônios, reduz o tempo de trânsito gastrointestinal, fortalece as defesas do corpo e ajuda a manter o peso corporal adequado. Com isso, contribui para prevenir o câncer de cólon, reto, endométrio e mama.

VACINAR CONTRA O HPV

A vacinação contra o HPV, disponível no SUS, e o exame preventivo (Papanicolau) se complementam como ações de prevenção do câncer do colo uterino.

VACINAR CONTRA A HEPATITE B

O câncer de fígado está relacionado à infecção pelo vírus causador da hepatite B e a vacina é um importante meio de prevenção deste câncer.

EVITAR BEBIDAS ALCOÓLICAS

O consumo de álcool, em qualquer quantidade, contribui para o risco de desenvolver câncer.

Além disso, combinar bebidas alcoólicas com o tabaco aumenta a possibilidade do surgimento da doença.

EVITAR EXPOSIÇÃO SOLAR EXCESSIVA E SEM PROTEÇÃO ADEQUADA

A exposição solar excessiva e sem proteção adequada, principalmente entre 10 horas e 16 horas, aumentam a probabilidade de desenvolver câncer de pele (melanoma e não melanoma).


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80%  das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Quando o assunto é a prevenção do câncer, a atenção primária mostra-se como protagonista deste processo. O rastreamento, diagnóstico ou detecção precoce de doenças é tema fundamental na atuação da Atenção Primária à Saúde (APS), pois aborda o cuidado integral à saúde da população brasileira. A APS, em seus vários níveis de atuação na prevenção do câncer, ocorre basicamente da seguinte forma:

  • Prevenção primária: remoção das causas e fatores de risco na saúde individual ou proporcional antes do desenvolvimento de uma condição clínica. Fazem parte dela: promoção da saúde e proteção específica (ex.: imunização, orientação de atividade física);
  • Prevenção secundária: suspeita ou diagnóstico de um problema de saúde em sua fase inicial, facilitando assim o tratamento ou redução de danos decorrentes da evolução da doença. Exemplos: rastreamento, diagnóstico precoce;
  • Prevenção terciária: ações voltadas à redução dos prejuízos funcionais consequentes de um problema agudo ou crônico, incluindo reabilitação. Exemplo: prevenir complicações do diabetes, reabilitar paciente pós-infarto.

Sendo assim, a adoção de um estilo de vida saudável e seguir as recomendações acima (tópico “prevenção”) são fundamentais na prevenção não somente do câncer, mas também de diversas comorbidades. E, caso seja necessária uma investigação de um possível acometimento oncológico, não deixe de procurar ajuda em um serviço de Atenção Primária, seja para uma investigação inicial ou apenas para a aquisição de informações úteis para prevenções.

Referências:

  • Ministério da Saúde. Rastreamento. Cadernos de Atenção Primária n.29.
  • Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (INCA).