Fevereiro Roxo: Alzheimer, Fibromialgia E Lúpus

By | 9 de fevereiro de 2021

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Apesar de serem condições bem diferentes entre si, a doença de Alzheimer, a Fibromialgia e o Lúpus Eritematoso Sistêmico, possuem algo em comum: não existe cura. Mas calma, isso não significa necessariamente que nada pode ser feito em relação ao controle dessas doenças. Muito pelo contrário, elas são estudadas há um bom tempo e, apesar de não existir um tratamento para a resolução dessas condições, apresentam diversos tratamentos efetivos para atrasar ou evitar as crises características de cada uma. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para fornecer ao portador da doença uma vida com mais conforto. Acompanhe aqui algumas das principais características de cada uma delas.

Fevereiro roxo: alzheimer, lúpus e fibromialgia


DOENÇA DE ALZHEIMER

Provavelmente você já deve ter ouvido falar sobre a doença de Alzheimer, popularmente conhecida como a doença que leva à “perda da memória”, e não é por acaso, pois é a doença neurodegenerativa mais frequente no mundo. O crescente número de casos da doença é resultado do aumento da longevidade na população, uma vez que tal doença possui destaque em idades mais avançadas, geralmente após os 60 anos. Mas não se engane, a manifestação da doença não é exclusiva dos idosos e também pode estar presente, apesar de ser mais rara, em pessoas jovens, além de apresentar forte componente genético para o desenvolvimento da doença de Alzheimer.

Apesar de ter sido descrita em 1906 e dos avanços no diagnóstico e tratamento desta doença, ainda não existe uma cura para ela. Contudo, com os conhecimentos adquiridos até a atualidade sobre a evolução do Alzheimer, já é possível reduzir a velocidade de sua progressão e consequentemente proporcionar uma melhora da qualidade de vida. Além disso, diversos estudos mostram ser possível, em alguns casos, atrasar o surgimento da doença por meio do hábito em manter a mente constantemente ativa, seja pela execução de tarefas intelectuais mais complexas, seja por meio de atividades físicas com regularidade.

A perda da memória de curto prazo não é o único sintoma do Alzheimer. Ela é classificada precocemente como uma síndrome demencial, ou seja, além dos prejuízos cognitivos também apresenta déficits funcionais.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, ou seja, compromete os neurônios do cérebro de maneira progressiva. Portanto, o diagnóstico precoce tem como objetivo atrasar a progressão natural da doença, melhorando não somente a qualidade de vida dos indivíduos com a doença, mas de todos aqueles que se relacionam com o portador da doença.

Os sintomas da doença estão relacionados à perda da capacidade cognitiva do indivíduo, ou seja, ocorre prejuízo nos processos relativos ao aprendizado e à construção e resgate do conhecimento. Com a progressão da doença, além do comprometimento da memória, há também interferências no pensamento, na linguagem, na compreensão, na percepção da realidade e nas capacidades intelectuais e emocionais. Por isso, os sintomas iniciais podem facilmente ser percebidos por familiares e amigos como uma simples apatia, tristeza passageira ou perdas de memória, erroneamente relacionados à idade.

A negação do diagnóstico, muito comum aos pacientes que o recebem, está fortemente relacionada ao desenvolvimento de alterações comportamentais e outros distúrbios neuropsiquiátricos como os transtornos do humor, principalmente a depressão e a ansiedade.

O diagnóstico pode levar meses até a sua confirmação clínica, mas deve ser investigado o quanto antes para atrasar a evolução da doença. Por isso, ao perceber sinais de perda de memória, perda de capacidades físicas e mentais para executar tarefas mais complexas, apatia, tristeza ou depressão, bem como a perda de outras capacidades funcionais, procure auxílio médico (generalista, psiquiatra ou neurologista) para melhor esclarecimento. Algumas mudanças no estilo de vida e o tratamento farmacológico, quando bem prescritos, reduzem o avanço da doença de maneira significativa.


LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), ou apenas Lúpus, é a doença mais caracteristicamente associada às chamadas “doenças autoimunes”, isto é, condição em que o sistema imune produz anticorpos contra partes do próprio corpo, levando a um comprometimento funcional do organismo. Devido à sua forte associação com o estrogênio, hormônio produzido nos ovários, o lúpus está muito mais presente em mulheres (cerca de 10 mulheres para cada 1 homem) em idade reprodutiva e tende a mostrar seus primeiros sintomas entre a segunda e a terceira década de vida.

Também de causa multifatorial, o Lúpus possui forte correlação genética e possui risco aumentado de cerca de 17 vezes quando presente em parentes de primeiro grau. A doença caracteriza-se pela alternância entre as crises e os silenciamentos, sendo que muitas vezes o fator desencadeante, além dos hormonais,  comumente relaciona-se à exposição solar (raios ultravioleta), às infecções (principalmente virais) e ao tabagismo. A exposição a esses “gatilhos” resultam na resposta autoimune responsável pelos períodos de atividade da doença (crises) e consequentemente na desregulação funcional do organismo, o que se manifesta nos diversos sintomas possíveis da doença.

Evitar os gatilhos da doença (evitar a exposição solar desprotegida, infecções e tabagismo) e o acompanhamento médico com regularidade, permitem a melhora da qualidade de vida, pois aumentam os períodos de silenciamento da doença e evitam ou reduzem a ocorrência das crises.

Os sintomas da doença são bem variados e, apesar das lesões de pele serem as mais conhecidas (vermelhidão, fotossensibilidade, queda de cabelo, cicatriz, atrofia, bolhas), há também o acometimento musculoesquelético (dor articular, muscular, inchaço), renal (inflamações até doença renal crônica), pulmonares (infecções, hemorragias), vasculares (inflamação, trombose), hematológicas (principalmente anemia), cardíacas (inflamação do tecido cardíaco, assim como do tecido que reveste o coração, infarto agudo do miocárdio), gastrointestinais e neuropsiquiátricas (doenças dos nervos periféricos, AVC, transtornos do humor, psicose, convulsões). Ou seja, pode comprometer todo o organismo, variando tanto em local quanto intensidade. Por isso, o acompanhamento médico, além de direcionar a conduta de maneira individual, é essencial para que os períodos de silenciamento da doença sejam prolongados, melhorando assim a qualidade de vida.


FIBROMIALGIA

No Brasil, a fibromialgia é a segunda doença reumatológica mais comum depois da osteoartrite. E, por falar em reumatologia, vale destacar que a fibromialgia não é uma doença autoimune. Podemos defini-la como a síndrome da fibromialgia o conjunto de sinais e sintomas característicos, no qual frequentemente estão presentes a dor crônica difusa, fadiga, transtorno de humor e distúrbio do sono. Contudo, a sintomatologia é bastante variada e outros sintomas mais subjetivos podem ser referidos, como: sensação de formigamento, inchaços, palpitações, distúrbios funcionais gastrointestinais, dor de cabeça e distúrbios psicossomáticos diversos. Além disso, a fibromialgia ocorre mais frequentemente em mulheres (cerca de seis a dez mulheres para cada homem com a doença), costuma ser diagnosticado entre 25 e 65 anos e possui agregação familiar frequente.

A fibromialgia não possui uma única causa no seu desenvolvimento, ela é multifatorial e conta com a interação entre fatores genéticos e ambientais. De maneira simplificada, pode-se dizer que a fibromialgia é percebida subjetivamente por cada indivíduo que desenvolve esta doença, mas que compartilha em comum a alteração da percepção da dor e que, consequentemente, quando não tratada precocemente e de maneira individualizada tende a gerar as demais sintomatologias citadas, principalmente quando relacionadas aos transtornos de humor e psicossomáticos.

A fibromialgia ou síndrome da fibromialgia é frequentemente percebida pelos seguintes sintomas: dor crônica, fadiga, transtorno de humor e distúrbio do sono.

Sendo assim, apesar da ausência de uma cura para a fibromialgia, muito pode ser feito em relação ao tratamento dos seus diversos sintomas possíveis. Em especial, o caráter multidisciplinar da condução desta doença tem como um de seus pilares a importância das medidas não farmacológicas, que consistem em atividades físicas, higiene do sono e psicoterapia. E, quanto às medicações há um vasto campo de ação, devendo esta ser individualizada cuidadosamente e evitando o uso de anti-inflamatórios.


ACESSO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços,  como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Nos casos de pacientes com a doença de Alzheimer, Lúpus Eritematoso Sistêmico ou Fibromialgia há uma grande variedade na condução dos casos, principalmente no início, quando há necessidade em excluir outros diagnósticos ou até mesmo quando há doenças sobrepostas. Sendo assim, todos eles costumam ter início da condução no serviço de atendimento primário para que então seja feita a avaliação sobre a necessidade de encaminhar aos serviços especializados.

Referências:

Alzheimer’s Disease International

American College of Rheumatology

 

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