15 de Fevereiro: Dia Internacional do Câncer na Infância

By | 15 de fevereiro de 2021

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Diante de um tema tão pouco falado, porém tão importante quanto aos outros temas relacionados à saúde, criou-se o Dia Internacional do Câncer na Infância em 2002 pela Childhood Cancer Internacional (CCI). Com uma estimativa de 8.460 novos casos para o ano de 2020 (INCA), o combate ao câncer infantil tem como principal ferramenta a prevenção e a informação. Diferentemente dos cânceres em adultos, em que se ouve falar sobre diversos fatores de risco evitáveis para o seu desenvolvimento, como por exemplo o tabagismo no decorrer da vida, no câncer infantil a criança não têm essa oportunidade e acaba se tornando uma vítima genética, propensas a ter um certo tipo de câncer.

Hoje, cerca de 80% das crianças e adolescentes acometidas pelo câncer podem ser curadas, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados.

A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado!

A criança com câncer é sempre vítima de sua condição e, por isso, é totalmente dependente de seus responsáveis para que o enfrentamento da doença seja feito da melhor maneira possível. Por isso, manter-se informado sobre o câncer infantil é um ato de respeito e responsabilidade sobre a saúde de quem nada pôde ou pode fazer sobre a sua própria saúde.

Criança analisando radiogragia


O QUE É O CÂNCER E COMO ELE OCORRE NAS CRIANÇAS?

Câncer, ou neoplasia, é o nome dado a um grupo de mais de 200 doenças e que tem em comum o crescimento incomum e desordenado das células do corpo. O problema desse crescimento descontrolado é a possível alteração do funcionamento adequado dos órgãos em que ocorrem, podendo muitas vezes gerar condições agressivas e incontroláveis e que também podem se espalhar para outras áreas do corpo (metástases).

Naturalmente, todos os nossos trilhões de células vivas passam pelo processo natural de crescerem, se dividirem e morrerem de forma ordenada. Assim, o processo de renovação e substituição de nossas células pelo corpo é algo natural. O problema é que no câncer esse processo pode ser modificado das mais diversas formas possíveis, variando tanto no tipo celular, na fase da vida da célula, em quantidade e em malignidade de tal evento.

Diferentemente de como ocorre no adulto, o câncer infantil afeta principalmente as células do sistema sanguíneo e do sistema de sustentação do corpo (ossos, músculos), mas também podem atingir outras partes do corpo como sistema nervoso central, sistema linfático, rins, entre outros. Contudo, a principal característica dos cânceres infantis é o tipo celular afetado: as células embrionárias, ou seja as células indiferenciadas (células jovens que ainda não se diferenciam tanto das demais).

Os cânceres na infância têm como principal alvo as células embrionárias, o que, geralmente, proporciona melhor resposta aos tratamentos atuais!


VOCÊ CONHECE OS PRINCIPAIS CÂNCERES NA INFÂNCIA?

Gráfico câncer na infância

São mais de 200 tipos de cânceres possíveis, portanto fique atento às queixas da criança e nunca descarte a visita ao médico para esclarecer suas dúvidas.


QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS DO CÂNCER NA INFÂNCIA?

Antes mesmo de citar os principais sinais e sintomas, vale lembrar de que existem mais de 200 tipos de cânceres possíveis na infância e, portanto, seria impossível listar um sinal ou sintoma comum a todos eles, por isso fica aqui um alerta: raramente uma mãe, pai ou responsável irá suspeitar de câncer como a principal suspeita da condição de saúde da criança, e com o médico isso também é verdade. Não só pela sua baixa incidência, comparada às inúmeras outras comorbidades possíveis, mas pelo sinal ou sintoma muitas vezes ser comuns a mais de uma doença. Sendo assim, as consultas de rotina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) são essenciais para que seja levantada a suspeita do diagnóstico oncológico.

Tão importante quanto se informar sobre o câncer na infância, é essencial também que os pais ou responsáveis pela criança fiquem atentos às suas queixas. Nunca descarte a possibilidade de fazer uma visita ao médico, pois muitos dos sintomas são comuns a outras doenças e muitas vezes o diagnóstico de câncer se dá por pequenos detalhes que podem passar despercebidos.

Puericultura

Não existe uma tabela oficial sobre o número de consultas de Puericultura para todas as crianças, pois cada criança apresenta uma necessidade específica. Contudo, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda um número mínimo de consultas de acordo com a faixa etária:

IDADE

5 a 30 dias 2 a 6 meses 7 meses a 2 anos 2 a 6 anos 7 a 19 anos
FREQUÊNCIA Semanal Mensal Bimestral Trimestral

Anual

Como recomendação geral, os responsáveis pela criança devem estar atentos aos seguintes sinais: dor progressiva, febre sem causa aparente ou doença que não melhora, dor de cabeça frequente e acompanhada de vômitos, alterações oculares (pupila branca, estrabismo de início recente, perda visual, hematomas ou inchaço ao redor dos olhos), nódulo ou inchaço incomum, palidez repentina e perda de energia, sudorese noturna, dor óssea, hematomas ou sangramento, inchaço abdominal, quedas e contusões frequentes, mancar ao encaminhar e perda de peso repentina sem explicação.


COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DOS CÂNCERES

Diagnosticar câncer não é uma tarefa simples e, para isso, pode ser necessário a realização de alguns testes laboratoriais e de imagem. Da mesma forma, o tratamento pode variar de acordo com o tipo de câncer detectado em cada paciente, desde um procedimento cirúrgico até a realização de radioterapia ou quimioterapia. 

Dessa forma, o seguimento multidisciplinar é fundamental no acompanhamento de todos os pacientes oncológicos, relativo ao grau de complexidade e à necessidade de suporte psicossocial que cada paciente demanda durante o tratamento. Por isso, o preparo, o procedimento e a recuperação física e mental de cada paciente deve sempre ser individualizado para que sejam reduzidos, ao máximo, os possíveis e frequentes danos psicossociais resultantes do tratamento oncológico.

Os Cuidados Paliativos em Oncologia Pediátrica são essenciais no acompanhamento desses pacientes e deve ser inserido desde o momento em que for dado o diagnóstico. A melhora da qualidade de vida das crianças e adolescentes que enfrentam esse desafio terapêutico é fundamental para a otimização do conforto físico e mental de cada paciente.


PREVENÇÃO E ACOMPANHAMENTO

Infelizmente, ainda não existem evidências científicas que comprovem uma associação entre o câncer na infância e uma possível exposição de risco. Sendo assim, não há uma recomendação quanto à prevenção das doenças oncológicas na infância.

No entanto, o diagnóstico oncológico precoce possibilita grandes chances de sucesso no tratamento (cerca de 80%). Porém, vale lembrar que a continuidade no acompanhamento do paciente, mesmo após a cura, é essencial, visto que em todos os casos oncológicos há uma probabilidade variável de complicações futuras e de recidivas.


ACESSO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Quando o assunto é o câncer infantil, devemos ter em mente de que se trata de uma condição que exige um cuidado especializado, tanto no início quanto na condução do caso como um todo. Porém, por se tratar de um diagnóstico secundário ou até mesmo de exclusão, em muitos casos, a suspeita têm início na Unidade Básica de Saúde (UBS) e somente após um tempo é que o caso é encaminhado aos centros oncológicos especializados. Dessa maneira, ao procurar uma UBS, normalmente o caso é conduzido como um caso de baixa ou média complexidade que não responde ao tratamento inicial, o que levanta a hipótese para uma investigação mais detalhada do caso. Assim, somente após o paciente ser encaminhado aos centros especializados é que o tratamento ou acompanhamento torna-se eficaz, ou seja, por se tratar de um diagnóstico mais complexo o quanto antes o paciente for encaminhado, melhores serão as chances de se obter sucesso no tratamento.

O acompanhamento dos pacientes oncológicos é altamente individualizado. É formado por equipes de profissionais que conhecem as necessidades específicas das crianças e adolescentes com câncer.

 

Referências:

  • Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (INCA).
  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
  • American Cancer Society.

 

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