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Dia Mundial da Tuberculose: saiba mais sobre a doença e a relação com diagnóstico de covid-19

Em 24 de março, ocorre o Dia Mundial da Tuberculose. Doença grave, que no mundo está entre as 10 maiores causas de morte e a principal causa de morte em pacientes com HIV, infectando 10 milhões de pessoas por ano, com 4 mil mortes ao dia.

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Doença de notificação compulsória do Ministério da Saúde, acomete mais pessoas do sexo masculino, adultos jovens e países de baixa renda. Em 2019, no Brasil, foram notificados mais de 70 mil casos e 4.500 mortes, ou seja, a cada 100 mil pessoas, 35 adoeceram com tuberculose.

Dr. João Ildeu Braga JuniorNeste contexto, veja a entrevista com João Ildeu Braga Junior. Médico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1980, concursado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) como médico de assistência ao paciente com Tuberculose desde 1985, atualmente lotado na vigilância epidemiológica de Tuberculose da Superintendência Regional de Saúde de Belo Horizonte, João Ildeu atuou 29 anos como médico exclusivo assistencial ao paciente com tuberculose.

Informações sobre a doença em Minas Gerais, vacina, tratamento e a relação entre tuberculose e a dificuldade no diagnóstico de covid-19 são alguns dos temas abordados.

Qual a situação da tuberculose atualmente em Minas Gerais?
Em 2020 foram notificados mais de 4 mil casos de Tuberculose em Minas Gerais, mais precisamente 3.940, e 48,5% dos casos foram notificados por unidades de atenção secundária (Centro de Especialidades) e terciárias (UPAs e Hospitais), sendo que os casos da doença deveriam ser identificados pelas unidades básicas municipais (Atenção Primária) por meio dos sintomáticos respiratórios. A cada 100 mil mineiros, 18 adoecem com tuberculose, e 10% dos pacientes com TB são coinfectados pelo HIV.

Há vacina para tuberculose?

A vacina contra tuberculose chama-se BCG e é aplicada no recém-nascido. Sua função é evitar as formas graves da doença na infância. Não há indicação de dose de reforço nem o uso na população adulta.

Existe um público mais vulnerável?
Sim. A população mais vulnerável à infecção são aqueles em situação de rua com 56 vezes mais risco de adoecer, privados de liberdade com 35 vezes; HIV (25 vezes mais risco); indígenas (3 vezes mais risco); portadores de doença crônica, especialmente diabetes, etilistas e imunodeprimidos.

Quais os principais sintomas?

Os principais sintomas são febre, tosse, emagrecimento e sudorese noturna. A doença só é transmitida por tosse e espirro de pacientes com tuberculose pulmonar, não havendo necessidade de separação de objetos de uso pessoal, como talheres, copos, roupas de cama, entre outros objetos. A alimentação deve ser normal, não havendo restrição alimentar. É importante manter ambientes arejados e ventilados.

Como é feito o tratamento?
O tratamento é com comprimidos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todas as unidades assistenciais de saúde, com duração média de 6 meses, não disponibilizado em farmácias/drogarias ou outras unidades da rede privada. Após 15 dias de uso regular da medicação, não há mais risco de transmissão.

A medicação é fornecida pelo Ministério da Saúde para descentralizar aos municípios, pela Secretaria de Estado da Saúde. Deve-se procurar o tratamento em qualquer unidade de saúde pública, que oferecem o tratamento básico disponível.

Qual a efetividade do tratamento?

O tratamento é efetivo quando uso é regular, sem interrupção, e não apresenta resistência a nenhuma das 4 drogas utilizadas. Se apresentar resistência a qualquer uma delas, é prescrito um tratamento especial por médicas das unidades secundária e terciária. O tratamento não é esterilizante, ou seja, o indivíduo pode apresentar uma reinfecção, por depender de resposta imunológica, que é individual.

Quais os riscos de abandonar o tratamento?
As metas preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) são de identificação de 70% dos casos de tuberculose, 85% de cura e menos de 5% de abandono, sendo que pelo menos 70% dos contatos dos casos positivos sejam examinados. Por ser a principal causa de morte em HIV, é definido que se ofereça a testagem para HIV em 100% dos pacientes com tuberculose.Com o abandono do tratamento, esta transmissão se perpetua. Cada paciente com tuberculose pulmonar, infecta outras 10-15 pessoas de seu convívio, sendo que destas, em torno de 10% desenvolvem a doença.

A tuberculose dificulta o diagnóstico de covid-19?
Sim. Os sintomas podem ser os mesmos (febre e tosse) com o período diferente. Para suspeita de tuberculose, os sintomas devem estar presentes há mais de 3 semanas, exceto para população privada de liberdade e população em situação de rua, que pelo risco maior de adoecimento, a presença destes sintomas independe do tempo. Para casos de covid-19, os sintomas estão presentes até 7 dias, em média. Os médicos devem sempre pensar nas duas doenças e fazer o diagnóstico diferencial para ambas.
Com a pandemia de covid-19, muitos pacientes estão abandonado o tratamento por receio de infectar-se com o vírus nas unidades e não buscam o medicamento para seguimento do tratamento.

É fundamental que se faça busca ativa dos pacientes faltosos.

A covid-19 é um dificultador para tratamento da tuberculose?

Não para o tratamento, a dificuldade está em sair para consultar e buscar medicamento em unidades assistenciais que atendem covid.

Qual a importância da comunicação para informar sobre a tuberculose?
É preciso mais campanhas de conscientização da população sobre os sintomas da doença e importância do tratamento. Infelizmente é uma doença negligenciada, em que as pessoas se sentem estigmatizadas. O Brasil ocupa a 20ª posição no mundo em incidência da doença, com melhora dos indicadores nos últimos anos.

Qual mensagem passaria para os profissionais de saúde?
É importante ressaltar a necessidade de busca ativa de pacientes faltosos, avaliar os contatos dos casos positivos e identificar os sintomáticos respiratórios. Não há falta de exames para diagnóstico nem medicação para tratamento. Recentemente foi publicada nova versão do Manual de Normas para Tuberculose, que foi disponibilizado para todos os municípios, assim como as notas técnicas de orientação aos profissionais de saúde.

Qual mensagem passaria para a população?
Ninguém está livre de adoecer com tuberculose. Não depende de nível socioeconômico ou cultura e é preciso persistência no tratamento mesmo após melhora dos sintomas. Você não está curado antes de completar 6 meses de tratamento.

21 de Março: Dia Internacional da Síndrome de Down

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Criado em 2006 pela organização mundial Down Syndrome International, o dia 21 de março foi reservado com a finalidade de conscientização da população mundial sobre a síndrome de Down, buscando alcançar tanto a visibilidade do tema quanto a inclusão dessas pessoas na sociedade.

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De acordo com o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2010, cerca de 300 mil pessoas têm Síndrome de Down, que corresponde a uma boa parcela dos mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência mental ou física. E, por falar nisso, você sabe sabe o que é a Síndrome de Down e quais são os cuidados gerais com as pessoas com essa condição? Acompanhe aqui e saiba mais!


O QUE É UMA SÍNDROME

O termo “síndrome” faz referência a um conjunto de sinais e sintomas atribuídos a uma ou mais doenças. É utilizado, portanto, como um agrupamento de características que comumente estão juntas quando na presença de determinada doença ou até mesmo quando não se sabe a causa exata do conjunto dos sinais e sintomas manifestados pelo paciente. Uma mesma síndrome pode, portanto, compartilhar ou não das mesmas origens e causas.

Um exemplo tão falado é a “Síndrome Gripal”, que consiste no quadro respiratório agudo, caracterizado por pelo menos dois (2) dos seguintes sinais e sintomas: febre (mesmo que referida), calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos (cheiro) ou distúrbios gustativos.

Em crianças, além dos itens anteriores considera-se também: obstrução nasal

Em idosos, também deve ser considerado: síncope (desmaio), confusão mental, sonolência excessiva, irritabilidade e inapetência (perda ou redução do apetite).
Na suspeita de COVID-19, a febre pode estar ausente e sintomas gastrointestinais podem estar presentes.

Existem diversos tipos de síndromes e cada uma delas pode estar relacionada a mais de uma doença. A síndrome de Down faz parte do grupo das síndromes genéticas, mas existem outros grupos possíveis, como as síndromes respiratórias, traumáticas, cardíacas, infecciosas, renais, intestinais, entre outras.


SÍNDROME DE DOWN

Como dito anteriormente, a síndrome de Down é uma síndrome genética, como resultado de uma alteração na divisão celular desde o início da formação do embrião. É  a alteração cromossômica (estrutura que contém o material genético) mais comum nos seres humanos e a principal causa de deficiência intelectual na população.

A característica que se destaca na síndrome de Down é o seu atraso global quanto ao desenvolvimento. Observam-se os atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, além do déficit intelectual e retardo no crescimento (peso e altura).

O desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) é o processo em que, a partir de estímulos, a criança adquire e desenvolve determinadas habilidades.

Fazem parte desse desenvolvimento as habilidades motoras (sentar, engatinhar, andar, correr, pular, manusear objetos), psicossocial (conjunto de interações entre pessoas e com o meio ambiente) e de linguagem (chorar, sorrir, falar, expressões faciais).

Além do desenvolvimento global citado anteriormente, algumas características físicas também são bem características desta síndrome, que muitas vezes é responsável pela suspeita diagnóstica após o nascimento. Dentre as características, as da face acabam sendo as mais valorizadas:

  • Olhos: epicanto (dobra do canto do olho), fenda palpebral (inclinação) oblíqua;
  • Nariz: pequeno com o ponte nasal (porção superior) plana;
  • Boca: palato alto e língua projetada levemente para fora da boca;
  • Cabeça: em formato achatado;
  • Orelha: pequena e com implantação baixa, lobo delicado;

Mitos e verdades sobre a Síndrome de Down:

  • Mito: todas as pessoas com síndrome de Down têm a mesma aparência.
  • Verdade: de fato, existem características que são comuns à síndrome de Down, mas um indivíduo com essa síndrome tende a se parecer muito mais com a sua família do que com outra pessoa com a mesma síndrome.
  • Mito: somente as mães mais velhas têm filhos com síndrome de Down;
  • Verdade: mães mais velhas apresentam maior chance de ter filhos com a síndrome de Down, mas as mães mais jovens também podem ter filhos com essa síndrome.
  • Mito: pessoas com síndrome de Down tem uma vida mais curta;
  • Verdade: ao receber os cuidados médicos adequados, podem ter uma vida longa.
  • Mito: pessoas com síndrome de Down não conseguem atingir seus objetivos de vida normais.
  • Verdade: recebendo o suporte adequado e com a devida inclusão social, a maioria das pessoas com síndrome de Down podem viver uma vida adulta plena e semi-independente.
  • Mito: pessoas com síndrome de Down são sempre felizes e afetuosas.
  • Verdade: pessoas com síndrome de Down não são diferentes de ninguém em seus traços de caráter e humor.

O diagnóstico da síndrome de Down, apesar de ser feito principalmente pela observação das características físicas somadas ao comprometimento neuromotor, além de outros sinais e sintomas, também pode ser feito pela análise do material genético (cariótipo).


CUIDADOS GERAIS

Por se tratar de uma síndrome genética e, portanto, sem cura, o acompanhamento multidisciplinar é essencial na melhora da qualidade de vida do indivíduo e deve sempre contar com a participação da família tanto em relação à inclusão social como no suporte médico e psicológico.

É de extrema importância que uma pessoa com síndrome de Down receba atenção o quanto antes por profissionais da saúde, visto que exige atenção especial para se reduzir ao máximo o comprometimento global referente às habilidades neuropsicomotoras, do desenvolvimento do intelecto e do acompanhamento da curva de crescimento. Ademais, o acompanhamento deve ser feito durante toda a vida, sendo as consultas espaçadas de acordo com a necessidade de cada indivíduo quanto às suas particularidades.

O desenvolvimento da autonomia é algo que se aprende, não somente por pessoas com a síndrome de Down, mas por todos. O que ocorre é que esse processo é lentificado nos portadores da síndrome, mas não devem deixar de ser objetivados durante todo o processo, sempre que possível.


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

A Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, instituiu pela da Deliberação CIB-SUS/MG nº 1.272, de 24 de outubro de 2012 a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, por meio da criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com deficiência temporária ou permanente, nas formas progressiva, regressiva ou estável, sendo intermitente ou contínua, no âmbito do Sistema Único de Saúde de Minas Gerais – SUS/MG.

Os serviços de reabilitação são executados em unidades especializadas de abrangência regional, qualificadas para atender às pessoas com deficiência. As equipes são formadas por profissionais como médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas e enfermeiros. Estas equipes fazem o trabalho de avaliação de cada caso e também o planejamento do processo de reabilitação.

Os serviços componentes da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência serão articulados entre si, de forma a garantir a integralidade do cuidado e o acesso regulado, a cada ponto de atenção e/ou aos serviços de apoio. A regulação aos serviços de reabilitação será executada pelas Juntas Reguladoras da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, conforme atribuições instituídas pela Deliberação CIB-SUS/MG nº 2.003, de 09 de dezembro de 2014.

Referências:

  1. Down Syndrome Internacional
  2. Ministério da Saúde. Definição de Caso e Notificação de COVID-19.

20 de Março: Dia Mundial da Saúde Bucal

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Muito mais que apenas o fator estético relacionado ao sorriso, a saúde bucal é composta por diversos fatores, como a capacidade de falar, mastigar, engolir, sorrir, cheirar, saborear, tocar e transmitir uma série de emoções por meio de expressões faciais. Dar a devida importância à saúde bucal é uma tarefa diária e que previne uma série de doenças, que vão muito além da cavidade oral.

HIGIENE BUCAL

Uma boa higiene bucal, além de prevenir as doenças da própria cavidade oral, também evita outras condições como a endocardite bacteriana (bactérias presentes no bolo alimentar podem cair na circulação e atingir o coração), parto prematuro e agravamento da diabetes.

Antes de iniciar a escovação, utilize o fio dental.

Portanto, uma escovação eficaz consiste nos passos abaixo:

  1. Colocar o creme dental fluoretado (com flúor) sobre as cerdas da escova;
  2. Escovar os dentes com movimentos circulares suaves e curtos, com cuidado especial para não aplicar muita força na região próxima à gengiva;
  3. Escovar as superfícies externas superiores e, depois, os inferiores;
  4. Escovar as superfícies internas superiores e, depois, os inferiores;
  5. Higienizar a língua, com um raspador próprio ao uso, retirando a camada esbranquiçada;

Quando devo trocar a escova dental?

De maneira geral, recomenda-se trocar a escova de dentes a cada três meses ou

então quando você perceber que ela está desgastada. A utilização de escovas desgastadas, além de comprometer a limpeza dos dentes também pode danificar a região periodontal,

levando a lesões bucais, aftas, entre outras.

 

Confira aqui alguns dos principais problemas bucais:

  • Cárie: destruição dos dentes causado por ácidos produzidos por bactérias presentes na boca;
  • Gengivite: inflamação da gengiva, que pode resultar em vermelhidão, inchaço e sangramento;
  • Lesões bucais e aftas: inchaços, manchas ou feridas na cavidade oral, que podem ser provocadas por herpes labial, candidíase (“sapinho”) e próteses mal ajustadas;
  • Mau hálito: odor fétido exalado, decorrente de má higiene bucal e/ou outras causas;
  • Placa bacteriana: conjunto de bactérias que colonizam a cavidade bucal;
  • Tártaro: endurecimento da placa bacteriana na superfície dos dentes.

O mau hálito, ou halitose, pode ter várias causas, como: higienização bucal inadequada, gengivite, ingestão de alimentos específicos (alho, cebola), tabagismo, alcoolismo, boca seca, saburra lingual (placa bacteriana esbranquiçada na língua), entre outros.


DENTIÇÃO E HIGIENE BUCAL

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Apesar da higiene bucal fazer parte dos nossos hábitos diários e de sua ampla divulgação como medida favorável à saúde, ainda restam algumas dúvidas que valem a pena serem abordadas. Como exemplo, provavelmente você já deve ter se perguntado quando essa atividade se inicia e como ela deve ser feita no decorrer dos anos, não é mesmo?

Os primeiros dentes começam a aparecer por volta dos seis meses de vida e por volta dos três anos de vida a criança já possui cerca de 20 dentes de leite. Os dentes de leite começam a ser substituídos assim que os definitivos estão prontos para nascer, processo que ocorre por volta dos 5 anos de vida e só termina na fase da adolescência.

O que muitos não sabem é que mesmo antes do surgimento dos dentes de leite a higienização bucal já deve ser feita rotineiramente. Enquanto os dentes ainda não estão presentes, deve-se passar um pano úmido após a ingestão de leite materno, eliminando excessos e possíveis secreções. Assim, tal procedimento deve ser feito sempre após a amamentação.

Com o surgimento dos dentes, deve-se fazer a higienização com escova pequena, adequada à idade e tamanho da cavidade oral, sempre com cerdas macias e pelo menos duas vezes ao dia (ao acordar e antes de dormir) e sempre após as refeições. Com o passar do tempo, geralmente a partir dos 2 anos, os pais ou responsáveis pela criança devem estimular a escovação, diariamente e sempre devem supervisionar o processo. Ensinar a criança a não engolir a pasta de dente com flúor, ensinar os movimentos circulares e curtos e ensinar a importância da escovação são essenciais no processo.


CÂNCER DE BOCA

O câncer de boca é tecnicamente definido como um tumor maligno que pode acometer principalmente as regiões dos lábios, gengivas, língua, céu da boca e até mesmo a região da garganta.

Existem vários tipos de câncer de boca, sendo divididos por tipos celulares acometidos pelo tumor. O tipo mais comum é o carcinoma de células escamosas; tumor que compromete as células escamosas da nossa pele, sendo responsável por até 90% dos casos de câncer de boca. Outros exemplos são os teratomas (tumor de células embrionárias), adenocarcinomas (tumor de tecidos glandulares), melanoma (tumor de células produtoras de melanina) e sarcomas (tumor de partes moles, como músculos, gordura, cartilagens tendões e nervos).

O câncer de boca é frequentemente antecedido pelas lesões denominadas pré-malignas, sendo as leucoplasias (manchas ou lesões espessas brancas) e as eritroplasias (manchas ou lesões espessas avermelhadas) as mais comuns. Tanto a leucoplasia quanto a eritroplasia são lesões consideradas benignas (crescimento anormal, sem chance de invadir outros tipos de tecidos e órgãos). Estudos indicam uma chance de 5% das leucoplasias evoluírem para a condição maligna. Por outro lado, a eritroplasia apresenta uma chance de 51% de apresentar alterações malignas.

A maioria dos pacientes são homens com idade superior a 50 anos e com história de tabagismo e etilismo (consumo de álcool), que relatam uma ferida oral (caroço, inchaço, áreas de dormência, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, úlceras) com surgimento há algumas semanas, mas que não se cicatrizam, ocasionalmente podem sangrar e frequentemente possuem mau hálito. Podem também apresentar dificuldade para falar ou engolir, caso a lesão seja na garganta.

Leia aqui: Câncer de boca: saiba o que é e como se prevenir!


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Muito provavelmente você já deve ter ouvido falar sobre a disponibilidade dos cuidados com a saúde bucal no Sistema Único de Saúde, mas você sabe quais são eles? Entre os serviços que você pode receber gratuitamente pelo SUS estão: limpezas, extrações, implantes dentários, restaurações, aplicações de flúor, retirada dos sisos, tratamento de cáries, aparelho dental, biópsias, cirurgias e exames bucais para detecção de câncer bucal, infecções e outras doenças.comorbidades que podem se confundir com a pneumonia e cabe ao médico decidir a melhor conduta individualizada ao paciente. Tanto o diagnóstico quanto o tratamento devem ser muito bem direcionados e a automedicação é contraindicada.

Disfagia: saiba o que é e o que fazer

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

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Idealizado pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, o Dia Nacional de Atenção à Disfagia (20 de março) foi criado com o objetivo de informar a população sobre como reconhecer os principais sintomas, reforçar as medidas de prevenção e orientar o indivíduo diante de uma suspeita desse sintoma. E, falando nisso, você sabe o que é disfagia? Sabe como fazer para prevenir ou até mesmo o que fazer caso você apresente esse sintoma? Acompanhe aqui e mantenha-se informado sobre o assunto!


ENTENDENDO A DEGLUTIÇÃO

Mulher utilizando máscara, com a mão no pescoço, indicando um incômodo

De maneira geral, podemos dizer que o processo digestivo consiste na fragmentação e preparação do alimento que levamos à boca até que este se torne pequeno o suficiente para que, então, o nosso organismo seja capaz de absorver os nutrientes. Todo esse processo ocorre dentro de um tubo digestivo de cerca de 9 (metros) metros e cada uma de suas partes possui uma função bem específica. E, falando mais precisamente no início desse processo todo, você sabia que existe um órgão em formato de um “tubo” que conecta e conduz o bolo alimentar da nossa boca até o estômago? Esse órgão é o esôfago e ele tem papel fundamental na deglutição.

A deglutição (ato de engolir algo), apesar de ser aparentemente simples, é um processo complexo e muito bem coordenado, que pode ser dividido em três momentos para melhor compreensão de seu mecanismo. O primeiro momento, também chamado de fase oral, inicia-se no momento em que decidimos engolir o alimento e encerra-se quando empurramos o bolo alimentar para trás, com a língua. Em seguida, temos a chamada fase faríngea, em que os músculos do fundo da cavidade oral se contraem involuntariamente para que o alimento seja impulsionado ao esôfago, após o fechamento da passagem da via aérea. Por fim, a terceira fase, conhecida como a fase esofágica, consiste na peristalse* deste órgão, levando o bolo alimentar até o estômago.

Peristalse* (movimento peristáltico ou peristaltismo) é o nome dado ao movimento unidirecional coordenado e involuntário de contração e relaxamento dos músculos do tubo digestivo, em uma espécie de onda que transporta o bolo alimentar por dentro de um tubo.


O QUE É DISFAGIA?

A disfagia é definida como a dificuldade no início da deglutição ou na progressão do alimento deglutido, da boca até o estômago. Portanto, a disfagia não é uma doença, ela é um sintoma associado ao ato de engolir algo. E, por ser um sintoma, caracteristicamente ela é percebida e descrita de maneira subjetiva, ou seja, pode ser assintomática ou a mesma queixa pode significar algo simples ou que exige uma investigação mais detalhada. 

De maneira geral, a disfagia costuma ser percebida como uma dificuldade ao engolir, não necessariamente acompanhada de dor, e muitas vezes acompanhada por tosse, engasgos junto à deglutição ou por sensação de algo entalado ou impactado. Além disso, pode apresentar diferentes graus de comprometimento, geralmente associados à dificuldade ou incômodo na ingestão de alimentos sólidos, podendo progredir para líquidos.

Existem diversas causas possíveis para o surgimento da disfagia, podendo ter como origem as malformações ao nascimento, distúrbios motores, obstruções do esôfago, disfagia funcional, divertículos, quadros neurológicos (demência, acidente vascular cerebral, doenças neurodegenerativas, síndromes neurológicas), infecciosos (candidíase, herpes, citomegalovírus, abscesso) e neoplásicos (tumores benignos e malignos), entre outros

O incômodo associado à deglutição pode apresentar diversas formas de apresentação, quanto a sua cronologia: ela pode surgir de repente (aguda) e geralmente está associada a obstrução do esôfago por um corpo estranho, o que deve ser investigado imediatamente em um serviço médico; ou então em suas formas progressiva (crônica) ou com interrupções (intermitente), e geralmente exigem uma investigação mais detalhada por exame clínico, laboratorial e de imagem.

A investigação da disfagia, a depender de sua causa, pode exigir exames como a endoscopia digestiva alta (EDA), exame radiológico com uso de contraste, manometria esofágica (exame para avaliar a capacidade de força dos músculos do esôfago), entre outros.


A DISFAGIA TEM CURA?

Como visto anteriormente, a disfagia é um sintoma bem abrangente e pode estar associado a diversas causas possíveis, o que dificulta o estabelecimento de uma abordagem terapêutica padronizada e geral. Por isso, é fundamental que o diagnóstico seja individualizado e que seja direcionado a um acompanhamento multiprofissional, de acordo com a sua causa.

O tratamento é conduzido de acordo com a doença de base que tem a disfagia como um de seus sintomas. Portanto, as modalidades terapêuticas podem contar com uma ou a união das terapias disponíveis, de acordo com a recomendação, como: reeducação e reabilitação da deglutição, por meio de exercícios de fortalecimento da musculatura; modificações na alimentação que facilitem a deglutição, como a preferência por alimentos líquidos e pastosos; associação medicamentosa; e até mesmo por meio de procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos.


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

O acompanhamento do paciente com disfagia pode ser feito em atenção primária, mas em sua grande maioria ocorre a nível de atenção secundária, por meio do acompanhamento ambulatorial. É fornecido ao paciente com disfagia um atendimento essencialmente multiprofissional, que conta com diversos profissionais como fonoaudiólogo, médico especialista (geralmente, o gastroenterologista) ou generalista, bem como por nutricionistas, enfermeiros e toda a equipe de saúde. Caso seja necessário, o paciente também pode ser referenciado a outros especialistas, a depender do diagnóstico, como o endoscopista, cirurgião, oncologista, entre