Disfagia: saiba o que é e o que fazer

By | 19 de março de 2021

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

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Idealizado pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, o Dia Nacional de Atenção à Disfagia (20 de março) foi criado com o objetivo de informar a população sobre como reconhecer os principais sintomas, reforçar as medidas de prevenção e orientar o indivíduo diante de uma suspeita desse sintoma. E, falando nisso, você sabe o que é disfagia? Sabe como fazer para prevenir ou até mesmo o que fazer caso você apresente esse sintoma? Acompanhe aqui e mantenha-se informado sobre o assunto!


ENTENDENDO A DEGLUTIÇÃO

Mulher utilizando máscara, com a mão no pescoço, indicando um incômodo

De maneira geral, podemos dizer que o processo digestivo consiste na fragmentação e preparação do alimento que levamos à boca até que este se torne pequeno o suficiente para que, então, o nosso organismo seja capaz de absorver os nutrientes. Todo esse processo ocorre dentro de um tubo digestivo de cerca de 9 (metros) metros e cada uma de suas partes possui uma função bem específica. E, falando mais precisamente no início desse processo todo, você sabia que existe um órgão em formato de um “tubo” que conecta e conduz o bolo alimentar da nossa boca até o estômago? Esse órgão é o esôfago e ele tem papel fundamental na deglutição.

A deglutição (ato de engolir algo), apesar de ser aparentemente simples, é um processo complexo e muito bem coordenado, que pode ser dividido em três momentos para melhor compreensão de seu mecanismo. O primeiro momento, também chamado de fase oral, inicia-se no momento em que decidimos engolir o alimento e encerra-se quando empurramos o bolo alimentar para trás, com a língua. Em seguida, temos a chamada fase faríngea, em que os músculos do fundo da cavidade oral se contraem involuntariamente para que o alimento seja impulsionado ao esôfago, após o fechamento da passagem da via aérea. Por fim, a terceira fase, conhecida como a fase esofágica, consiste na peristalse* deste órgão, levando o bolo alimentar até o estômago.

Peristalse* (movimento peristáltico ou peristaltismo) é o nome dado ao movimento unidirecional coordenado e involuntário de contração e relaxamento dos músculos do tubo digestivo, em uma espécie de onda que transporta o bolo alimentar por dentro de um tubo.


O QUE É DISFAGIA?

A disfagia é definida como a dificuldade no início da deglutição ou na progressão do alimento deglutido, da boca até o estômago. Portanto, a disfagia não é uma doença, ela é um sintoma associado ao ato de engolir algo. E, por ser um sintoma, caracteristicamente ela é percebida e descrita de maneira subjetiva, ou seja, pode ser assintomática ou a mesma queixa pode significar algo simples ou que exige uma investigação mais detalhada. 

De maneira geral, a disfagia costuma ser percebida como uma dificuldade ao engolir, não necessariamente acompanhada de dor, e muitas vezes acompanhada por tosse, engasgos junto à deglutição ou por sensação de algo entalado ou impactado. Além disso, pode apresentar diferentes graus de comprometimento, geralmente associados à dificuldade ou incômodo na ingestão de alimentos sólidos, podendo progredir para líquidos.

Existem diversas causas possíveis para o surgimento da disfagia, podendo ter como origem as malformações ao nascimento, distúrbios motores, obstruções do esôfago, disfagia funcional, divertículos, quadros neurológicos (demência, acidente vascular cerebral, doenças neurodegenerativas, síndromes neurológicas), infecciosos (candidíase, herpes, citomegalovírus, abscesso) e neoplásicos (tumores benignos e malignos), entre outros

O incômodo associado à deglutição pode apresentar diversas formas de apresentação, quanto a sua cronologia: ela pode surgir de repente (aguda) e geralmente está associada a obstrução do esôfago por um corpo estranho, o que deve ser investigado imediatamente em um serviço médico; ou então em suas formas progressiva (crônica) ou com interrupções (intermitente), e geralmente exigem uma investigação mais detalhada por exame clínico, laboratorial e de imagem.

A investigação da disfagia, a depender de sua causa, pode exigir exames como a endoscopia digestiva alta (EDA), exame radiológico com uso de contraste, manometria esofágica (exame para avaliar a capacidade de força dos músculos do esôfago), entre outros.


A DISFAGIA TEM CURA?

Como visto anteriormente, a disfagia é um sintoma bem abrangente e pode estar associado a diversas causas possíveis, o que dificulta o estabelecimento de uma abordagem terapêutica padronizada e geral. Por isso, é fundamental que o diagnóstico seja individualizado e que seja direcionado a um acompanhamento multiprofissional, de acordo com a sua causa.

O tratamento é conduzido de acordo com a doença de base que tem a disfagia como um de seus sintomas. Portanto, as modalidades terapêuticas podem contar com uma ou a união das terapias disponíveis, de acordo com a recomendação, como: reeducação e reabilitação da deglutição, por meio de exercícios de fortalecimento da musculatura; modificações na alimentação que facilitem a deglutição, como a preferência por alimentos líquidos e pastosos; associação medicamentosa; e até mesmo por meio de procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos.


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

O acompanhamento do paciente com disfagia pode ser feito em atenção primária, mas em sua grande maioria ocorre a nível de atenção secundária, por meio do acompanhamento ambulatorial. É fornecido ao paciente com disfagia um atendimento essencialmente multiprofissional, que conta com diversos profissionais como fonoaudiólogo, médico especialista (geralmente, o gastroenterologista) ou generalista, bem como por nutricionistas, enfermeiros e toda a equipe de saúde. Caso seja necessário, o paciente também pode ser referenciado a outros especialistas, a depender do diagnóstico, como o endoscopista, cirurgião, oncologista, entre

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