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Abril Verde

28 de abril –  Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho e Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

Atualmente, a cada ano, 313 milhões de trabalhadores e trabalhadoras sofrem lesões profissionais não fatais todos os anos, ou seja, 860.000 pessoas feridas no trabalho todos os dias. De acordo com as estatísticas da Organização Internacional do Trabalho – OIT, a cada 15 segundos, morre um (a) trabalhador (a) em virtude de um acidente de trabalho ou de doença relacionada com a sua atividade profissional. Ou seja, 6300 mortes por dia num total de 2.3 milhões de mortes por ano.

No Brasil, as estatísticas oficiais, conforme as informações disponibilizadas pela Previdência Social, entre os trabalhadores com vínculo formal celetista foram notificados 4.503.631 acidentes entre 2012 e 2018 (CATWEB). O número permite estimar a quantidade de acidentes por unidade de tempo e projeção para 2019 até hoje. No mesmo período, 16.455 desses acidentes resultaram em morte. Com projeção temporal, calcula-se que 1 morte ocorra a cada 3 horas 43 minutos e 42 segundos. Já no estado de Minas Gerais, no mesmo período, foram registrados 473.166 acidentes de 2152 mortes, entre os trabalhadores assegurados pela previdência social.

Frente a gravidade do problema, e da  necessidade de garantir a preservação da integridade da pessoa humana, um dos grandes desafios da política pública de saúde é a prevenção dos acidentes e das mortes no trabalho, uma vez que se trata de uma situação dramática, de desmonte traumático do projeto de vida que traz consequências para todo o núcleo familiar. Neste sentido, busca-se promover a cultura em que o direito a trabalhar num ambiente seguro e saudável é respeitado em todos os níveis e em que governos, empregadores e trabalhadores comprometam-se ativamente em assegurá-lo, por meio da definição de um sistema de direitos, responsabilidades e deveres, assim como da atribuição da máxima importância ao princípio da prevenção.

No âmbito do Sistema Único de Saúde e da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora é tema prioritário a Vigilância das doenças e agravos relacionados ao trabalho – ART/DRT. São de notificação compulsória em todo o território nacional: Acidente de Trabalho Grave; Acidente de Trabalho com exposição a material biológico; Intoxicação Exógena Relacionada ao Trabalho; Câncer Ocupacional; Dermatose Ocupacional; Pneumoconioses; Lesões por Esforços Repetitivos/ Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT); Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR); E Transtornos Mentais relacionados ao Trabalho; É importante observa-se que no estado de Minas Gerais no período de 2015 a 2020 foram notificados 118.217 casos de ART/DRT no Sistema de informação de agravos de notificação – SINAN, considerando-se que nesse sistema são abrangidos os casos entre trabalhadores formais e informais.

Algumas ações são fundamentais para a adequada vigilância dos acidentes e mortes em decorrência do trabalho, apontamos algumas: atuação ativa das referências técnicas municipais de saúde do Trabalhador no âmbito dos 853 municípios mineiros, execução das ações de vigilância de ambientes e processos de trabalho e notificação oportuna dos agravos e doenças relacionadas o trabalho em todos os serviços assistenciais de saúde; expansão da Rede Nacional de Atenção à Saúde do Trabalhador (Renast) dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), com a ampliação da cobertura dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador, em todo o estado de Minas Gerais, bem como a articulação ativa e construção conjunta com as instâncias de Controle Social

Referências Bibliográficas

OIT, Organização Internacional do Trabalho. SAFETY AND HEALTHAT THE HEART OFTHE FUTURE OF WORK. BUILDING ON 100 YEAR, 2019. Disponível em: https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/—dgreports/—dcomm/documents/publication/wcms_686646.pdf . Acesso em: 15/04/2021

MPT, Ministério Público do Trabalho. OBSERVATÓRIO DE SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO. Disponível em: https://smartlabbr.org/sst Acesso em: 15/04/2021

BRASIL, Ministério da Saúde. NOTA INFORMATIVA Nº 94/2019-DSASTE/SVS/MS. Orientação sobre as novas definições dos agravos e doenças relacionados ao trabalho do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Disponível em: http://vigilancia.saude.mg.gov.br/index.php/saude-do-trabalhador/ Acesso em: 15/04/2021

BRASIL. Ministério da Saúde. Notificação de acidentes do trabalho fatais, graves e com crianças e adolescentes. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: Disponível em: http://vigilancia.saude.mg.gov.br/index.php/saude-do-trabalhador/ Acesso em: 15/04/2021

 

 

 

 

 

Meningite: prevenção e ação rápida

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

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No dia 24 de abril de 2021, o Dia Mundial do Combate à Meningite chama a sua atenção para o reconhecimento da importância da prevenção da doença e do manejo rápido e eficiente na suspeita da doença. Com uma taxa de mortalidade que pode chegar a cerca de 90%, quando não tratadas corretamente, a campanha mundial (Confederation of Meningitis Organisations (CoMO)) reforça a necessidade de uma abordagem ágil nas primeiras 24 horas. Anualmente, mais de 5 milhões de pessoas são afetadas pela meningite, sendo que cerca de 10% delas acabam morrendo e 20% ficam com sequelas. Por isso, mantenha-se informado e saiba o que você pode fazer para evitar ou conduzir a doença  da melhor maneira possível.


ENTENDENDO A MENINGITE

Como você já deve imaginar, o cérebro é um órgão complexo e muito importante no funcionamento de todo o nosso organismo. Responsável por receber, processar e enviar as informações que permitam a nossa interação com o ambiente e pessoas que vivemos, ele é o principal órgão do chamado sistema nervoso central. E, para proteger esse órgão tão importante e ao mesmo tempo tão frágil do nosso corpo, além de estar imerso em um líquido (líquido cefalorraquidiano) e abrigado no crânio, é também protegido por três membranas (uma espécie de película protetora) chamadas de meninges, que recobrem todo o cérebro e medula espinhal.

Ao envolver o sistema nervoso central, pode-se dizer que as meninges são fundamentais no fornecimento de nutrientes e proteção mecânica essenciais ao seu funcionamento adequado. Contudo, quando uma infecção, invasão ou reação estranha ocorre nessas membranas, ocorre um acúmulo de células de defesa na região, levando a à inflamação das meninges, ou meningite.

A meningite pode afetar qualquer pessoa, a qualquer momento, e pode matar em horas.

A meningite tem como as principais causas as infecções por vírus, bactéria, fungos e parasitas, mas também pode estar relacionado ao câncer, doenças autoimunes (ex.: lúpus), medicamentos, traumatismos e relacionado à complicações de uma neurocirurgia.


COMO A MENINGITE É TRANSMITIDA?

Assim como muitas outras doenças infecciosas, como no caso da covid-19, a meningite pode também pode ser transmitida de pessoa a pessoa por meio do contato com as gotículas respiratórias eliminadas no espirro, tosse, fala, ingestão de alimentos contaminados e também pelo contato com superfícies e objetos contaminados pelo microorganismo.

Apesar de a meningite atingir principalmente as crianças menores de 5 anos, pessoas de qualquer idade podem ser infectadas e desenvolver a doença.

Os sinais e sintomas podem variar de acordo com o microrganismo causador da doença. Quando virais (principalmente em crianças), o quadro se assemelha às síndromes gripais, ou seja, acompanhado de febre, dor de cabeça, perda de apetite, rigidez nucal e irritabilidade. Já nos casos em que há o agente bacteriano, pode ocorrer febre alta, vômitos, manchas avermelhadas na pele, dor de cabeça intensa, rigidez nucal com limitação de movimento (por exemplo, não conseguir encostar o queixo no peito), irritabilidade, tontura, fotofobia, sinais de hemorragia e convulsão.

De maneira geral, uma meningite bacteriana costuma ser mais grave que o quadro viral, mas ambos podem apresentar sinais e sintomas muito semelhantes. Além disso, vale destacar que a meningite pode evoluir para um quadro grave em pouco tempo e o diagnóstico e tratamento devem ser feitos o quanto antes, pois trata-se de uma doença que pode levar à morte do paciente se não tratada a tempo. Por isso, sob qualquer suspeita do quadro, procure ajuda médica o mais rápido possível.

A meningite pode ser fatal e, em boa parte dos casos em que o tratamento não é feito a tempo, pode resultar em dano cerebral, perda auditiva ou alguma outra condição incapacitante.


PREVENÇÃO

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  • Evitar locais com aglomeração de pessoas;
  • Deixar os ambientes ventilados e, se possível, com exposição solar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal;
  • Reforçar hábitos de higiene, como a lavar as mãos e a desinfecção de superfícies e objetos;
  • Manter a vacinação em dia.

Clique aqui para baixar o Calendário Nacional de Vacinação e mantenha a prevenção em dia!


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

A principal medida de controle da meningite é a prevenção e a vacinação tem uma importante participação nessa ação. Manter a vacinação em dia ajuda a prevenir o desenvolvimento da doença frente aos seus principais agentes. Vale lembrar, porém, que a vacinação não garante imunidade total à doença, pois ela confere proteção somente a alguns dos principais causadores da meningite. Por isso, além da vacinação (oferecida gratuitamente pelo SUS), outras medidas de prevenção devem ser tomadas para se evitar a infecção.

Todos os tipos de meningite devem ser obrigatoriamente notificados às autoridades sanitárias, devido à sua importância clínica-epidemiológica. Dessa maneira, sob qualquer suspeita de meningite, procure ajuda médica o mais rápido possível. Todo o momento, desde a prevenção, diagnóstico, tratamento e, se necessário, internação hospitalar, é garantido pelo Sistema Único de Saúde.

Referências:

Doença de Chagas: uma epidemia silenciosa

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

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Após 112 anos desde o primeiro diagnóstico da doença de Chagas em humanos, no dia 14 de Abril de 2021 celebramos o segundo ano do Dia Mundial da Doença de Chagas. Considerada uma doença tropical negligenciada no mundo, essa data traz muito mais que apenas o alerta à sociedade sobre a doença de Chagas, mas também coloca em evidência mundial a importância do reforço às medidas de prevenção e volta os olhares da saúde e dos governos para as populações rurais e vulneráveis caracterizadas pela pobreza e exclusão social.

Endêmica em 21 países das Américas, com destaque ao Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia e México, a doença de Chagas já atinge mais de 7 milhões de pessoas no mundo, com cerca de 30 mil novos casos por ano. No Brasil, a doença é a quarta causa de morte entre as doenças infecto-parasitárias, o que reforça a necessidade de se manter informado sobre o assunto.

Uma doença endêmica é aquela com grande frequência de casos em determinada região.


A DOENÇA DE CHAGAS

Descoberta em 1909 na pequena cidade Lassance (Minas Gerais) pelo médico sanitarista mineiro Carlos Ribeiro Justiniano Chagas (1879-1934), até hoje a Doença de Chagas continua fazendo parte do grupo das doenças negligenciadas e mantém sua forte relação com a desigualdade socioeconômica, sobretudo em relação às populações rurais.

Assim como descrito na época, a transmissão foi associada a um inseto presente em algumas regiões rurais, como o norte de Minas e Sul da Bahia, conhecido como “barbeiro”. Esse inseto, quando em seu hábitat natural, costuma se abrigar em locais como troncos de árvores, tocas de animais, ninhos abandonados, entre outros locais. Quando presentes em ambientes habitados pelo homem, costumam se esconder em telhas e fendas de paredes nas chamadas “casas de pau-a-pique”. Além disso, dado o seu hábito noturno e por se alimentar de sangue, frequentemente picam o homem em áreas expostas, como rosto, pescoço e braços.

O inseto transmissor da doença pode ser conhecido popularmente como: “barbeiro” (mais comum), “chupão”, “procotó” ou “bicudo”. 

Os sinais e sintomas da doença podem variar de acordo com a forma de infecção e  fase da doença em que a pessoa se encontra (aguda ou crônica). Contudo, muitos  pacientes não apresentam quaisquer sintomas (assintomáticos) e muitas vezes só descobrem após 20 a 30 anos do momento da infecção da doença, em um exame de rotina ou suspeita clínica e epidemiológica. A doença apresenta período de incubação variável relacionada a forma de infecção, quando a transmissão ocorre através da picada do barbeiro, o período médio de incubação é de 4 a 15 dias. A duração média da  fase aguda é de 8 a 12 semanas. O indivíduo na fase crônica, se não tratado apropriadamente, pode permanecer infectado durante toda a vida.

O local em que houve a picada do “barbeiro”, seguido pelo contato com as fezes contaminadas com parasitos, costuma apresentar uma reação inflamatória com um inchaço nodular.

Durante a fase aguda sintomática, pode haver sintomas muito semelhantes a um quadro de síndrome gripal: febre alta, dor de cabeça, calafrios, fadiga, irritabilidade, mal-estar, dor muscular, alterações de apetite, entre outros.

Em sua fase crônica sintomática pode haver comprometimento gastrointestinal (soluços, dificuldade para engolir, dor abdominal , regurgitação, constipação, desnutrição), neurológico (convulsões, meningite, encefalite) e, mais frequentemente, cardíacos (aumento cardíaco, insuficiência cardíaca, formação de trombos, morte súbita).


COMO OCORRE A TRANSMISSÃO DA DOENÇA?

A doença tem como causa a infecção causada pelo protozoário Trypanossoma cruzi (tripanossomíase), que pode ocorrer das seguintes formas:

  • Vetorial: contato com as fezes do inseto barbeiro, contaminadas com o protozoário;
  • Vertical: passagem de parasitos de mulheres infectadas para seus bebês, durante a gravidez ou o parto;
  • Amamentação: mulheres na fase aguda da doença de Chagas podem transmitir o protozoário aos seus filhos através do leite materno.
  • Transfusão de sangue ou transplante de órgãos de doadores infectados a receptores sadios;
  • Acidental: contato da pele ferida ou de mucosas com material contaminado durante manipulação em laboratório ou na manipulação de caça.
  • Oral: ingestão de alimentos contaminados com os parasitos;

Diferentemente das outras doenças que envolvem os insetos para a ocorrência da transmissão, a doença de Chagas não é transmitida pela picada do barbeiro, mas pelo contato das fezes contaminadas com o protozoário com o sangue ou mucosas (olhos e cavidade oral).


QUAIS SÃO AS MEDIDAS DE PREVENÇÃO DA DOENÇA?

Agora que você já conhece as formas de transmissão, fica mais fácil de entender as formas de prevenção, pois elas estão fortemente relacionadas, sendo elas:

  • Evitar a presença do barbeiro dentro das residências: telas e mosquiteiros nas portas e janelas; manter os quintais limpos retirando entulhos que podem servir de esconderijos para o vetor, manter galinheiros e abrigos de animais distantes da casa, uso de inseticidas residuais (exige equipe técnica especializada);
  • Medidas de proteção individual (repelentes, roupas de mangas longas, etc) durante a realização de atividades noturnas;
  • Prevenção da transmissão oral: ações de vigilância sanitária e inspeção em todas as etapas da cadeia de produção de alimentos suscetíveis à contaminação;
  • Cuidados técnicos: regulação da doação de sangue, transplante de órgãos e cuidados durante a manipulação de material contaminado.

SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

A doença de Chagas é descrita como uma epidemiologia silenciosa e, portanto, depende da participação ativa dos sistemas de saúde. Apesar de o SUS fornecer gratuitamente todo o diagnóstico e tratamento da doença ao paciente, vale lembrar que trata-se de uma doença que exige a atenção de muitos fatores envolvidos e que, portanto, pode ser falho em alguns de seus pontos. Por isso, sempre que for viajar um local verifique se a região é endêmica para a doença e siga as recomendações preventivas. Além disso, caso perceba algum sinal ou sintoma suspeito, procure um centro de saúde mais próximo para que o diagnóstico seja feito precocemente e, assim, você possa se beneficiar do tratamento. Apesar de haver tratamento para a doença, ela deve ser feita precocemente, pois seus danos aos diversos órgãos do corpo são irreversíveis.

 

Referências: