23 de Maio: Dia Internacional da Tireoide

By | 25 de maio de 2021

Autor: Vitor Yukio Ninomiya
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Muito provavelmente você já deve ter se preocupado, em algum momento da vida, com a saúde do seu coração, fígado, rins, cérebro, não é mesmo? Mas alguma vez você já se perguntou sobre o funcionamento da sua tireoide? Ou até mesmo, já ouviu falar dela? Sabe onde ela se localiza no nosso corpo e qual a sua função no organismo? Pois bem, a tireoide não é assunto tão comum do cotidiano e em boa parte dos casos ela só é lembrada no consultório médico, quando em investigação de seu funcionamento adequado.

Tendo em vista a importância e o pouco conhecimento, por parte da população em geral sobre o tema, a Federação Internacional de Tireoide, em 2008, reservou o dia 25 de maio como o Dia Internacional da Tireoide, com o objetivo de chamar a atenção sobre a importância da tão pouco conhecida glândula tireóide. Por isso, leia o texto abaixo e mantenha-se informado sobre esse órgão tão importante do nosso corpo.

Glândula: órgão que tem como função produzir e liberar substâncias (ex.: hormônio) em um local-alvo (ex.: corrente sanguínea)

A TIREOIDE

A tireoide é uma glândula localizada na parte inferior do pescoço, logo abaixo do conhecido “pomo de adão” (região mais elevada da parte da frente do pescoço). Ela envolve a traqueia (“tubo” que conduz o ar que respiramos até os pulmões) e possui um formato semelhante a uma borboleta. Apesar de seu tamanho reduzido (de 3 a 5 cm cada lado e cerca de 20 a 25 gramas), a tireoide é uma das maiores glândulas do corpo humano e possui papel fundamental na regulação do metabolismo.

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A tireoide, por atuar diretamente no metabolismo, é responsável por todas as funções vitais no organismo, como: batimentos cardíacos, temperatura corporal, funcionamento intestinal, peso, memória, cognição, humor, fertilidade, entre muitos outros. 

A tireoide tem influência em todos os sistemas do corpo humano.

Na ocorrência de um mal funcionamento da tireóide, há alteração na quantidade de hormônios produzidos por ela e, consequentemente, ocorre o comprometimento da atividade das células do nosso corpo. Ou seja, dependendo do tipo e da intensidade da doença que acomete a glândula, pode haver desde quadros assintomáticos da doença até comprometimento geral do indivíduo, podendo até mesmo levar a óbito pelo número de complicações relacionadas.


SINAIS E SINTOMAS

Antes de citar alguns dos sinais e sintomas que podem indicar um funcionamento inadequado da tireoide, vale lembrar que os hormônios produzidos por essa glândula possuem ação direta e indireta sobre todo o organismo. Sendo assim, os achados abaixo não são, necessariamente, exclusivos de um problema relacionado à tireoide e, por isso, sempre procure auxílio médico para que haja melhor esclarecimento do caso e para que a investigação seja feita de maneira adequada.

No hipotireoidismo, a glândula tireóide está produzindo menos hormônios que o normal e, consequentemente, o metabolismo fica mais lento. Já no hipertireoidismo, ocorre o contrário: há uma produção excessiva dos hormônios da tireóide, resultando em um metabolismo acelerado.

No hipotireoidismo, a glândula tireóide está produzindo menos hormônios que o normal e, consequentemente, levando a uma lentificação do metabolismo. Nessa situação, alguns dos principais sinais e sintomas são: fadiga, ganho de peso, lentificação da fala e de movimentos corporais, intolerância ao frio, constipação (devido à lentificação do trato gastrointestinal), pele fria e ressecada, anemia, falta de ar, depressão, cãibras, fraqueza, dor nas articulações, entre outros.

No hipertireoidismo, a excessiva liberação de hormônios leva a um metabolismo acelerado. Sendo assim, os principais sintomas são: emagrecimento, aumento de apetite, intolerância ao calor, pele quente e úmida, queda de cabelos, palpitações, falta de ar, náuseas, anemia, aumento da frequência em urinar e defecar, fadiga, tremor, nervosismo, inquietação, insônia, entre outros.


COMO É FEITO O EXAME DA TIREÓIDE?

Dada a ampla função da tireoide, bem como a sua relação com as demais partes do organismo, muito frequentemente a investigação de um problema relacionado à tireoide exigirá mais de um exame para se chegar a um diagnóstico. Não existe um padrão que indique qual o primeiro exame que deve ser feito, pois cada paciente pode relatar um comprometimento diferente na saúde, bem como a localização, intensidade, frequência, entre outros fatores. 

Muito embora o autoexame não seja um método confiável para se indicar ou não uma investigação de problemas relacionados à tireoide, a palpação desta glândula é frequentemente realizada em primeira análise, mas que na maioria das vezes não apresenta alteração. No entanto, vale a pena chamar a atenção à importância do autoexame como incentivo ao conhecimento sobre  o próprio corpo, que muitas vezes acaba por incentivar a busca pelo atendimento.

O autoexame é uma ferramenta que se aperfeiçoa com o tempo e que pode ajudar no diagnóstico de muitas doenças. Quanto maior o seu conhecimento sobre cada detalhe do seu próprio corpo, maiores são as chances de perceber uma possível alteração e procurar ajuda.

Frequentemente, os exames de sangue podem indicar alterações diretas (exemplo: hormônios tireoidianos), indiretas (exemplo: função renal) e até mesmo indicar uma outra doença (exemplo: anemia).

Exames de imagem também são comuns nos casos em que há uma forte suspeita após verificar alterações nos exames de sangue. Inicialmente, com uma ultrassonografia e, se necessário, uma cintilografia da tireoide.

As biópsias (retirada de um fragmento da tireoide para análise laboratorial) são mais raras e estão indicadas somente se houver suspeita de câncer da glândula.

Frequentemente, os nódulos na tireoide trazem muita preocupação aos pacientes. Contudo, vale destacar que não são, necessariamente, um achado que confirma o câncer. O diagnóstico ocorre apenas após a confirmação do resultado da biópsia da lesão.


PREVENÇÃO E TRATAMENTO

Ao contrário de muitas outras doenças, não existe nenhum tipo de prevenção ou cuidado especial que ajude a evitar o surgimento das doenças da tireoide. Quase que a totalidade dos casos de distúrbios da tireoide possuem relação com tumores benignos e, bem menos frequentemente, malignos. Casos de comprometimento da tireoide relacionados ao uso de medicamentos são muito específicos e não entram como cuidado de prevenção geral, mas na orientação dos pacientes que utilizam os medicamentos possíveis de gerar esse efeito tóxico à tireoide.

Ainda que o baixo consumo de iodo possa ser uma causa de doença da tireoide, ela é muito restrita a regiões muito específicas em que não há iodo na alimentação. Apesar de, talvez, você nunca ter se preocupado com o consumo de iodo, muito raramente você deverá se preocupar com isso, pois este elemento é adicionado ao sal de cozinha e em muitos outros alimentos.

Por outro lado, o tratamento das diversas doenças da tireoide vão desde a reposição medicamentosa de iodo até procedimentos invasivos, como a cirurgia. Contudo, cada caso apresenta a sua indicação precisa e deve ser sempre acompanhada por um especialista (endocrinologista).