12 de Junho: Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita

By | 12 de junho de 2021

Coração PED

Autor*: Vitor Yukio Ninomiya

A cada cem recém-nascidos no Brasil, pelo menos uma delas apresentará cardiopatia congênita. Dentre todas as doenças presentes logo ao nascimento, estamos falando da mais comum e a que mais leva a óbito. Trata-se de uma doença de incidência relativamente alta no país, mas que não apresenta a mesma proporcionalidade no conhecimento da população. Por isso, o dia 12 de junho foi reservado como o Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita, com a finalidade de conscientizar a sociedade sobre suas manifestações e necessidade de diagnóstico precoce e tratamento.

Já ouviu falar sobre o tema? Mantenha-se atualizado(a) após a leitura do texto abaixo.


O QUE É UMA CARDIOPATIA CONGÊNITA?

A palavra “congênita” é dada à característica que se originou antes (dentro do útero materno) ou no momento de seu nascimento. Dessa maneira, uma cardiopatia congênita deve ser entendida como uma anormalidade na estrutura ou na função do coração já existente no recém-nascido, no momento de seu nascimento.

CIRCULAÇÃO NEONATAL EM TRANSIÇÃO

Durante a gestação, a circulação fetal e materna (via placenta) ocorre de maneira única e integrada para que haja a troca de nutrientes, oxigênio e outros componentes necessários ao desenvolvimento fetal. Para que isso ocorra, algumas adaptações estruturais e funcionais são fundamentais, sendo algumas delas relacionadas ao sistema cardiovascular. No entanto, tendo em vista o seu processo dinâmico e de adaptação específica de estruturas vitais, há uma probabilidade natural de haver algum tipo de malformação que resulte em consequências tanto maternas quanto fetais.

Um detalhe importante é que as malformações congênitas nem sempre resultarão em comprometimento significativo à saúde. A repercussão dessas alterações é altamente variável de acordo com cada paciente, podendo variar desde uma situação totalmente benigna e assintomática ao paciente até casos graves que podem levar a óbito intraútero.


RASTREAMENTO E DIAGNÓSTICO 

COMO É FEITO O RASTREAMENTO*

O rastreio das cardiopatias congênitas pode ser dividido em dois momentos: durante a gestação e após o nascimento.

*Rastreamento: aplicação de exames ou testes em pessoas saudáveis, assintomáticas.

A indicação é feita exclusivamente por dados estatísticos e epidemiológicos, estando indicada somente quando os benefícios superam os riscos e que não forneça morbidade significativa ao paciente.

Ultrassom

Durante os exames periódicos realizados durante a gestação, além do exame físico e da checagem dos batimentos cardíacos fetais em todas as consultas, também estão indicados os exames ultrassonográficos morfológicos realizados rotineiramente no primeiro e no segundo trimestres gestacionais, que já podem indicar uma suspeita de algum tipo de malformação cardíaca fetal. Sendo assim, na suspeita de alguma alteração, naturalmente há indicação de investigação mais detalhada, com um ecocardiograma. No entanto, nenhum desses exames é “infalível” e, em certos casos, o diagnóstico acaba ocorrendo somente após o nascimento.

O segundo momento do rastreio ocorre pelo chamado “teste do coraçãozinho”, nas próprias maternidades em que são realizados os partos. Havendo alguma alteração, há seguimento da investigação com um novo ecocardiograma do recém-nascido para maior detalhamento.

O teste do coraçãozinho faz parte dos exames de triagem neonatal, na qual também fazem parte o “teste do pezinho” (triagem biológica), “teste do olhinho” (triagem ocular), e o “teste da orelhinha” (triagem auditiva).

TESTE DO CORAÇÃOZINHO SEM ALTERAÇÕES, E AGORA?

Apesar do importante papel na triagem de recém-nascidos, é importante destacar que ele não é capaz de detectar todas as cardiopatias congênitas, mas possui boa sensibilidade para os casos mais graves. Da mesma forma, não é sempre que um teste positivo indica necessariamente intervenção imediata, como uma cirurgia ou medicamento. Algumas cardiopatias congênitas possuem resolução espontânea e demandam apenas uma conduta expectante por parte do médico responsável.


FATORES DE RISCO E PREVENÇÃO

Boa parte das cardiopatias congênitas possuem o fator genético como o principal fator de risco. Sendo assim, a presença dessa condição na família aumenta a chance de o recém-nascido apresentar a mesma doença. Algumas síndromes possuem um risco maior, como a síndrome de Down, síndrome de DiGeorge, síndrome de Marfan, síndrome de Noonan e a síndrome de Turner.

Atenção: os fatores de risco indicam apenas uma maior probabilidade de ter a doença em relação àqueles que não apresentam os fatores de risco. Portanto, ter fator de risco não significa, necessariamente, que há a doença.

CUIDADOS DURANTE A GESTAÇÃO

O acompanhamento pré-natal é fundamental para que haja uma redução significativa dos riscos tanto à saúde materna quanto à fetal. Além dos exames físicos, laboratoriais e ultrassonográficos, também é importante buscar aconselhamento sobre a prevenção. À respeito das cardiopatias congênitas, algumas das recomendações são:

  • Evitar o uso de medicações, como a isotretinoína (tratamento da acne), lítio (tratamento de transtorno bipolar);
  • Evitar o consumo de álcool e drogas;
  • Cessar o tabagismo;
  • Antes de engravidar, iniciar a ingestão diária de ácido fólico em doses recomendadas;

O diabetes, antes da gestação, também é considerado fator de risco para o desenvolvimento de cardiopatias congênitas e de outras comorbidades fetais.


COMO É FEITO O TRATAMENTO?

INTRAÚTERO

Em alguns casos específicos e muito selecionados, pode-se fazer uma cirurgia no feto ainda dentro do útero. No entanto, mesmo com a indicação deste procedimento, é altamente específico e exige profissional especializado, sendo pouco disponível até mesmo em grandes centros.

APÓS O NASCIMENTO

A conduta aqui é ampla e pode variar desde a simples observação clínica do paciente por toda a vida, até mesmo a indicação de uma cirurgia cardíaca. A condução de cada caso é relativa à condição de cada paciente, devendo portanto ser avaliado individualmente.