21 de Junho: Dia Nacional de Controle da Asma

By | 21 de junho de 2021

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Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Das mais de 339 milhões de pessoas com asma no mundo, cerca de 20 milhões estão no Brasil, ou seja, é uma doença comum no país. A proposta da campanha do Dia Nacional de Controle da Asma, além de informar sobre a doença, tem como um dos seus pilares a conscientização quando a adesão ao tratamento que, apesar de não oferecer cura a doença, permite melhora significativa na qualidade de vida do paciente.


Um dado que confirma essa proposta da campanha mundial é o de que apenas 12,3% dos asmáticos estão com a doença bem controlada. Por isso, tão importante quanto saber sobre o diagnóstico de asma é saber como tratar adequadamente seus sintomas. Por isso, mantenha-se informado sobre a asma e saiba o que pode ser feito.

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ENTENDENDO A RESPIRAÇÃO E A ASMA

O sistema respiratório é o nome dado ao conjunto de órgãos e tecidos que permitem a ocorrência da respiração. Esse processo pode ser dividido em duas partes: ventilação e respiração celular (células do corpo). A ventilação é formada pela via aérea superior (fossas nasais, faringe e laringe) e a via aérea inferior (traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos), partes responsáveis pela condução do oxigênio presente no ar para dentro dos pulmões e dos gases produzidos nos pulmões para o meio externo. Já a respiração celular é o processo em que as células do nosso organismo utilizam o oxigênio captado para produzir energia, e então devolvendo um outro gás (dióxido de carbono – um dos produtos do metabolismo celular) eliminado ao ambiente.

Você sabia? Além da respiração (inspiração e respiração), propriamente dita, o sistema respiratório também possui papel fundamental na fonação (produção da voz), no olfato, na proteção do organismo contra as substâncias nocivas e irritantes presentes no ar, além de muitos outros papéis diretos e indiretos no metabolismo em geral.

Na ventilação, as vias aéreas inferiores formam uma espécie de tubo (figura acima), no qual o oxigênio percorre até chegar aos pulmões. Esse tubo, formado por uma camada muscular fina que pode contrair ou relaxar, diminuindo ou aumentando, respectivamente, o seu calibre de acordo com diversos fatores ambientais ou do próprio organismo. E é exatamente nesse ponto que que devemos focar para o entendimento da doença: pessoas com asma apresentam hiperresponsividade e inflamação nesse tubo (brônquios). Por meio de uma predisposição ambiental, genética e/ou imunológica, pode ocorrer uma resposta desproporcional nesse tubo responsável pelo fluxo respiratório, levando a uma dificuldade na capacidade ventilatória da respiração.

Agora que você já sabe o que acontece com as vias respiratórios inferiores do paciente com asma, principalmente quando em momentos de crise (“crise asmática”), ficou mais fácil de entender o porquê de essas pessoas estarem no grupo de risco para a covid-19, não é mesmo?

Como a insuficiência respiratória é uma das principais complicações da covid-19, o paciente com asma pode evoluir mais rapidamente para um caso grave da doença!


COMO SABER SE TENHO ASMA?

Primeiramente, é importante destacar que a asma não é uma doença restrita às crianças, ela pode também acometer, em menor proporção, indivíduos mais velhos. No entanto, até mesmo em pacientes mais jovens a asma continua sendo uma doença caracteristicamente heterogênea, variando tanto em intensidade como a forma de apresentação e tratamento adequados para controle das manifestações. 

Apesar de ser uma doença amplamente conhecida, estima-se que apenas 12,5% das pessoas que têm asma são diagnosticadas. Os 87,5% restantes apresentam etc etc

A asma é caracterizada principalmente por sintomas variáveis de sibilo (som agudo produzido durante a respiração), falta de ar, aperto no peito, tosse e por limitação do fluxo de ar. Contudo, tais sintomas podem variar muito, tanto em intensidade quanto em relação ao tempo. Uma vez que estão fortemente relacionados a alguns eventos desencadeantes, como exercícios, exposição a alérgenos (poeira, ácaro, mofo, pólen, fezes de barata, pelos de animais) ou irritantes (tabagismo, fumaças), mudanças de tempo (exposição ao frio) ou infecções respiratórias (viroses, como gripes e resfriados, sinusites), a observação e descrição detalhada dos fatores ambientes tornam-se fundamentais para que o diagnóstico seja dado com maior precisão.

Além da observação aos eventos desencadeantes, dê uma atenção especial ao componente genético da doença, ou seja, investigue se na sua família existem pessoas com asma.


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O QUE FAZER SE TIVER ASMA?

Quando o assunto é o tratamento da asma, fica quase impossível não lembrar daquela famosa  “bombinha” (imagem acima) para o controle da doença, não é mesmo? Pois bem, esse tipo de uso da medicação é realmente muito eficaz, mas cuidado: ela não está indicada em todos os casos e a maioria dos pacientes com mau controle do tratamento da doença relatam o uso excessivo e, muitas vezes, desnecessário delas.

Além da ampla combinação da terapia farmacológica (comprimidos, inaladores, corticoides, entre outros) direcionada, de acordo com o estágio da doença de cada pacientes, outro fator fundamental no controle é a observação e o afastamento dos chamados “fatores-gatilho”, como por exemplo os domésticos (poeira, ácaro, mofo, pelos de animais, baratas, etc), irritativos (fumaça de cigarro, poluição, forno a lenha, perfumes, produtos de limpeza, pintura recente), sazonais (pólen), exposição ocupacional, medicamentos, entre outros.

Para se ter uma boa resposta ao tratamento, deve-se ter em mente que o acompanhamento médico deve ser feito com frequência muito bem estabelecida e respeitada, pois existem diversas combinações terapêuticas possíveis. Além disso, lembre-se de que a terapia farmacológica sem o controle dos “fatores-gatilho” não é suficiente para o manejo da doença.

Para ajudar a entender o tratamento, crie uma situação em sua mente em cada paciente encontra-se sobre o degrau de uma escada: 

  1. Cada degrau representa uma combinação terapêutica diferente;
  2. Para subir ou descer cada degrau, o auxílio médico é essencial (terapia adequada);
  3. Cada degrau para cima representa uma piora da asma (médico indica uma terapia mais intensa);
  4. Cada degrau para baixo representa uma melhora da asma (médico indica uma terapia mais branda);

SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Tanto a investigação da doença quanto o acompanhamento do paciente com asma podem ser feitos integralmente no Sistema Único de Saúde (SUS). Procure por orientações mais detalhadas e mais específicas ao seu caso em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Toda a abordagem terapêutica (medicamentosa  não medicamentosa) e preventiva (para evitar as crises asmáticas), bem como o fornecimento dos medicamentos podem ser feitos pelo SUS. Por isso, à qualquer suspeita, não deixe de procurar orientações médicas e, caso seja diagnosticado com asma, não deixe de manter o acompanhamento em dia, pois mesmo na ausência de uma cura para a doença ela pode ser muito bem controlada, trazendo qualidade de vida ao paciente.

 

Referências

Ministério da Saúde (MS)

Organização Mundial da Saúde (OMS)