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Setembro Amarelo: Mês de Prevenção ao Suicídio

por Pedro Otávio Oliveira Santos

Hands holding yellow ribbon, symbol of cancer awareness, medical

Autor*: Pedro Otávio Oliveira Santos

Desde o ano de 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho Federal de Medicina reservam o mês de setembro, especialmente o dia 10, para que todos possam lembrar e dar o devido valor ao tema tão importante e, infelizmente, muito presente na nossa sociedade, que é o suicídio. Mas, muito além disso, o Setembro Amarelo serve para nos alertar que juntos podemos virar este jogo.

Ao redor de todo o mundo, cerca de um milhão de vidas são perdidas para esta triste causa de morte, e o Brasil entra nesta estatística com cerca de 13 mil mortes a cada ano. Ainda é verdade que a maioria destes óbitos ocorrem na população jovem, mas é alarmante como os número tem crescido ano a ano entre a população idosa. 

Quer saber um pouco mais sobre como prevenir o suicídio e ajudar as pessoas que estão passando por momentos difíceis? Acompanhe o nosso post a seguir!

Como falar de suicídio?

Ao refletirmos brevemente sobre o nosso dia a dia, fica claro que nós, como sociedade, não damos a real importância para as mortes ocasionadas pelos suicídios. São mais de 13 mil vidas perdidas no país todos os anos, e mesmo assim existem tabus que de algum modo nos impedem de falar abertamente sobre esse tema tão prevalente. Seria isso medo de aumentar o número de mortes ao falarmos abertamente sobre o assunto? Ou apenas uma dificuldade inerente de discutir formas concretas para reduzir o número destas mortes?

Diversos estudos observacionais realizados nos indicam que dois sensos comuns que permeiam as sociedades não são verdadeiros. O primeiro é o que diz que se “uma pessoa fala que vai se matar, ela está apenas querendo chamar a atenção”. Diversos dados nos mostram que o paciente que revela pensamentos, mesmo que remotos, de suicídio, tem um risco muito superior de vir a cometer este ato.

O segundo pensamento popular que está equivocado, é o que nos faz acreditar que não podemos abertamente perguntar a uma pessoa se ela está pensando em fazer algo contra sua própria vida. Muitas pessoas imaginam que ao abordar um amigo, um familiar, um(a) namorado(a), o risco de suicídio aumentaria porque estaríamos dando uma ideia à eles. Mas, novamente, isso não é real. Pelo contrário, permitir que alguém se abra conosco, pode tirar um peso enorme das costas desta pessoa e ser o primeiro passo no caminho de buscar algum auxílio!

Você sabia? Como vimos até aqui, falar sobre suicídio pode ajudar muito aquelas pessoas que estão passando por momentos difíceis. Contudo, devemos nos atentar à forma de conversar. Ser acolhedor e evitar julgamento é fundamental. Precisamos ser um apoio e não um acusador!

Quais são os riscos para o suicídio?

Ao falarmos sobre os fatores de risco que aumentam a chance de um indivíduo cometer suicídio, devemos nos atentar que cada ser humano é um universo independente e diferente do seu próximo. Cada pessoa tem uma capacidade diferente de lidar com frustrações, perdas e acontecimentos ao longo da vida, e portanto, os fatores que aumentam o risco de suicídios podem ser muito diferentes para cada um. 

Porém, existem sim algumas características que são, inequivocamente, consideradas potencializadoras dos pensamentos suicidas e do ato consumado em si. Dentre estes fatores, temos como principais aqueles pacientes que possuem algum transtorno psiquiátrico de base, tais como depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias (álcool e outras drogas ilícitas, por exemplo). 

Você sabia? Ser do sexo masculino por si só é considerado um fator de risco para o suicídio, visto que a taxa de óbitos nesta população é bem maior do que na população feminina. Embora as mulheres tenham maiores números de tentativas de suicídio, os homens tendem a ser mais agressivos em suas tentativas e consumarem mais este ato.

Outros fatores que aumentam o risco de um paciente cometer suicídio são:

  • Doenças crônicas que limitam o dia a dia (câncer, por exemplo);
  • Perdas recentes;
  • Populações específicas como imigrantes e indígenas;
  • Ter parentes que já tentaram ou que cometeram suicídio;
  • Maus tratos, abuso físico ou sexual na infância;
  • Conflitos por identidade sexual.

Sendo assim, conseguimos notar que diversas situações e características podem aumentar a probabilidade de alguém cometer esta ação tão dolorosa contra sua própria vida. O suicídio nunca ocorre do nada, nunca ocorre por fraqueza da pessoa, e nunca deve ser entendido como algo para chamar a atenção das pessoas ao redor. Estas pessoas estão sofrendo, e mais do que nunca precisam da nossa ajuda!

A quem eu devo pedir ajuda?

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Se você está passando por algum momento difícil, tem tido pensamentos recorrentes sobre como gostaria de não estar mais vivo ou que nada mais faz sentido, saiba que mesmo sentindo que está sozinho e que ninguém vai te entender, você não está! Além de várias pessoas estarem na mesma situação, diversas outras estão dispostas a te acolher, nem que seja apenas para ouvir o que você tem a dizer e conseguir de alguma forma te ajudar. 

Um primeiro passo que pode ser muito efetivo, é ligar para profissionais que sabem lidar com este momento tão delicado e te ajudar neste momento. O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um serviço de tele atendimento gratuito que funciona 24h por dia, basta ligar no número 188.

Outra forma que as coisas podem começar a se ajustar neste momento é conversar com aquela pessoa que você considera mais próxima. Compartilhar seus medos e pensamentos, dar mais uma chance para que alguém veja seu momento difícil e te auxilie a sair aos poucos destes pensamentos que parecem não ter fim. As Unidades Básicas de Saúde (centros de saúde) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) estão sempre à disposição para receber todos aqueles que estão pensando em cometer algo contra si mesmos, procure o mais próximo da sua casa!

Você sabia? O Sistema Único de Saúde (SUS) conta com uma rede de atenção à saúde integrada por profissionais especializados em saúde mental para o atendimento adequado e o tratamento a longo prazo para que estes pensamentos recorrentes de morte possam parar de incomodar o paciente.

A Pandemia de Covid-19 e o Suicídio

Segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), a pandemia de covid-19 aumentou expressivamente o número de suicídios ocorridos no ano de 2020. Principalmente no início da pandemia, com a necessidade mais presente do distanciamento social e dos planos de lockdown, diversos pacientes que já possuíam fatores de risco e predisposição para o suicídio, acabaram realizando este ato. Não só os pacientes, mas também os profissionais da saúde, tiveram uma incidência crescente destes ocorridos, justificados pelo aumento da angústia, medo e pensamentos recorrentes de solidão.

Outros fatores relacionados pela OPAS como sendo gatilhos para o aumento observado no número de mortes, têm sido relacionados com a expressiva elevação do consumo de substâncias dentro de casa, como o uso de álcool e outras drogas. Assim como o aumento alarmante da violência doméstica relata neste período de pandemia, que certamente contribuiu para desfechos desfavoráveis em pacientes predispostos. 

A pandemia não tem uma previsão exata para acabar, e neste contexto não podemos continuar perdendo vidas para esta causa tão cruel e solitária que é o suicídio. Devemos sim respeitar as regras de distanciamento e evitar aglomerações, mas podemos aproveitar as maravilhas das tecnologias atuais e manter contato com aqueles que sabemos estarem sozinhos e possivelmente passando por momentos desesperadores. Que possamos ser o diferencial na vida de alguém!

Referências:

  • MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS – DSM V
  • https://www.setembroamarelo.com/
  • https://www.setembroamarelo.com/post/suicidio-fatores-de-risco
  • https://www.setembroamarelo.org.br/o-movimento/
  • https://www.paho.org/pt/noticias/10-9-2020-pandemia-covid-19-aumenta-fatores-risco-para-suicidio
  • SUICÍDIO: INFORMANDO PARA PREVENIR – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA

Setembro Verde: Doe Órgãos, doe Vida!

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Autor*: Pedro Otávio Oliveira Santos

No mês de setembro, mais precisamente no dia 27, é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. O nosso país é considerado a maior nação do mundo que realiza transplantes de órgãos por meio de um sistema de saúde organizado e completamente público! Em números absolutos de transplantes, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos da América.

Dentre as modalidades de transplantes realizadas em território nacional, podemos citar os transplantes de córnea, rim, fígado coração, medula óssea, dentre outros! E não bastando a organização exemplar e a eficiência na organização das filas de transplantes, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampara os pacientes que necessitam destas terapêuticas com exames pré e pós operatórios, além de disponibilizar medicações necessárias para que o organismo aceite o órgão transplantado.

Quer saber um pouco mais sobre esta importante forma de tratamento e como a lei brasileira regulamenta esta prática? Acompanhe o nosso post a seguir!

Doação de Órgãos

A doação de órgãos vai muito além do seu sentido literal, ou seja, deixa de ser apenas um ato médico-científico para se tornar um ato de empatia e amor ao próximo. Devemos entender o real significado desta prática para que possamos nos conscientizar e ajudar para que as pessoas ao nosso redor também compreendam! O transplante de órgãos muitas vezes é a única saída para a cura de uma pessoa, significando a chance de viver novamente para algum paciente.

No Brasil, para que um cidadão se torne doador de órgãos, basta uma conversa clara com seus familiares a respeito do assunto. Isso é de grande importância para o ato da doação, visto que após a morte encefálica de um paciente, seus órgãos só serão doados se a família deste paciente autorizar a equipe médica a realizar esta ação.

Você sabia? A morte encefálica ocorre quando o cérebro e o tronco encefálico (estrutura ligada ao cérebro) param de funcionar. Existem diversas formas de o médico reconhecer que estes órgãos pararam, e assim que for feito esse diagnóstico, diz-se que o paciente está em morte encefálica.

Mas e se eu quiser doar algum órgão mesmo estando vivo, eu posso? A resposta é sim! Existem duas modalidades básicas de doadores de órgãos:

  • Doador vivo: Este tipo de doação só pode ser realizado se não for prejudicar a vida de quem está doando, ou seja, os órgãos a serem doados serão aqueles que existem em pares, ou aqueles que ao se doar um pedaço, o doador pode ficar com uma parte ainda funcionante. Alguns exemplos são a doação de um dos rins, ou a doação de parte do fígado (que mesmo sendo único, a parte que resta ainda é funcionante).

As pessoas que podem doar, segundo a lei nacional, são os cônjuges, parentes de até quarto grau ou pessoas não relacionadas diretamente ao paciente; essas precisam de uma autorização judicial para serem doadoras ainda em vida.

  • Doador falecido: São, como dito acima, aqueles pacientes reconhecidos em morte encefálica e que possuem um acordo prévio para que a família autorize a doação dos órgãos.

Viabilidade do órgão

Após a retirada dos órgãos de um doador, eles serão mantidos de forma adequada e sob proteções específicas por algumas horas antes de serem levados para o paciente que irá receber. O tempo que cada tecido consegue sobreviver antes de ser perdido varia de órgão para órgão. Por exemplo, as córneas retiradas dos olhos conseguem ser mantidas fora do corpo por 7 dias, alguns tecidos ósseos conseguem sobreviver por até 5 anos antes de serem doados, já o coração sobrevive no máximo 6 horas, precisando de um transporte rápido até o paciente receptor.

Você sabia? Diversos estudos são feitos previamente no paciente doador e no paciente receptor para avaliar se o órgão é compatível com o organismo de quem o receberá. Nosso corpo é repleto de sistemas de reconhecimento, como se fossem modelos de chave e fechadura, e quanto mais compatível for o tecido do doador com o do receptor, melhor será a resposta ao transplante!

Portanto, sabendo que existe um tempo determinado para que o órgão não seja perdido ao ser retirado do doador, é fundamental que o sistema e a rede de transplantes esteja bem integrada para já saber o destino final daquele órgão.

É nesse momento que as filas de transplante entram em foco, visto que o sistema de saúde mantém uma ordem de prioridade de acordo com o risco que cada paciente está exposto, e quanto maior a chance de evoluir a óbito dentro de alguns dias, maior será a prioridade do paciente em receber o órgão que surgiu para ser transplantado.

Lei dos Transplantes

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A Lei 11584 de 2007 institui de fato a data comemorativa de 27 de setembro como o dia nacional da doação de órgãos, além de tornar obrigatório que os veículos de comunicação em saúde do país promovam uma campanha iniciada duas semanas antes desta data com o intuito de informar a população sobre a importância desta prática na saúde pública.

Você sabia? A despeito da excelente rede integrada de transplante de órgãos do Brasil, um dos maiores problemas enfrentados pelo país se encontra na escassez de órgãos para realizar o transplante. É dentro deste cenário que a Lei 11584 se torna importante para evidenciar a importância do transplante e convocar mais cidadãos para este ato de empatia.  

Consentimento familiar

Ainda dentro do âmbito legal do transplante de órgãos, nenhum paciente poderá ter seus tecidos orgânicos retirados sem o consentimento prévio de seus familiares. A documentação física, por meio de diretrizes antecipativas, ou seja, documentos feitos antes de sua morte, não são obrigatórios. Mas uma conversa clara e aberta com os familiares, em vida, é de fundamental importância visto que com a autorização dos mesmo vários órgãos podem ser doados e diversas vidas serão salvas.

A Doação de Órgãos na Pandemia da Covid-19

Em meio à atual pandemia da covid-19, a importância dos transplantes de órgãos se manteve, gerando a necessidade de confecção de protocolos específicos para o cenário em que estamos inseridos. É nesse contexto que o Ministério da Saúde publicou a nota técnica número 25/2020, que estabelece alguns critérios para avaliação da presença do novo coronavírus no paciente doador, assim como critérios para rearranjar a fila de acordo com pacientes que estão infectados pela covid-19.

Dentre algumas das alterações realizadas pelos Ministérios durante a pandemia, temos que a busca ativa de possíveis pacientes doadores de órgãos não deve ser realizada, temporariamente, de forma presencial, utilizando-se por enquanto de meios como telefonemas e e-mails para entrar em contato com os pacientes que desejam doar. Na necessidade de se realizar alguma visita domiciliar a fim de avaliar o paciente, o mais indicado é que este encontro ocorra em locais abertos e bem arejados, com o intuito de manter a segurança do paciente e seus familiares, assim como da equipe de saúde.

Saiba mais sobre a doação de órgão e sua importância em: https://www.saude.mg.gov.br/doeorgaos

Referências