Setembro Verde: Doe Órgãos, doe Vida!

By | 9 de setembro de 2021

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Autor*: Pedro Otávio Oliveira Santos

No mês de setembro, mais precisamente no dia 27, é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. O nosso país é considerado a maior nação do mundo que realiza transplantes de órgãos por meio de um sistema de saúde organizado e completamente público! Em números absolutos de transplantes, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos da América.

Dentre as modalidades de transplantes realizadas em território nacional, podemos citar os transplantes de córnea, rim, fígado coração, medula óssea, dentre outros! E não bastando a organização exemplar e a eficiência na organização das filas de transplantes, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampara os pacientes que necessitam destas terapêuticas com exames pré e pós operatórios, além de disponibilizar medicações necessárias para que o organismo aceite o órgão transplantado.

Quer saber um pouco mais sobre esta importante forma de tratamento e como a lei brasileira regulamenta esta prática? Acompanhe o nosso post a seguir!

Doação de Órgãos

A doação de órgãos vai muito além do seu sentido literal, ou seja, deixa de ser apenas um ato médico-científico para se tornar um ato de empatia e amor ao próximo. Devemos entender o real significado desta prática para que possamos nos conscientizar e ajudar para que as pessoas ao nosso redor também compreendam! O transplante de órgãos muitas vezes é a única saída para a cura de uma pessoa, significando a chance de viver novamente para algum paciente.

No Brasil, para que um cidadão se torne doador de órgãos, basta uma conversa clara com seus familiares a respeito do assunto. Isso é de grande importância para o ato da doação, visto que após a morte encefálica de um paciente, seus órgãos só serão doados se a família deste paciente autorizar a equipe médica a realizar esta ação.

Você sabia? A morte encefálica ocorre quando o cérebro e o tronco encefálico (estrutura ligada ao cérebro) param de funcionar. Existem diversas formas de o médico reconhecer que estes órgãos pararam, e assim que for feito esse diagnóstico, diz-se que o paciente está em morte encefálica.

Mas e se eu quiser doar algum órgão mesmo estando vivo, eu posso? A resposta é sim! Existem duas modalidades básicas de doadores de órgãos:

  • Doador vivo: Este tipo de doação só pode ser realizado se não for prejudicar a vida de quem está doando, ou seja, os órgãos a serem doados serão aqueles que existem em pares, ou aqueles que ao se doar um pedaço, o doador pode ficar com uma parte ainda funcionante. Alguns exemplos são a doação de um dos rins, ou a doação de parte do fígado (que mesmo sendo único, a parte que resta ainda é funcionante).

As pessoas que podem doar, segundo a lei nacional, são os cônjuges, parentes de até quarto grau ou pessoas não relacionadas diretamente ao paciente; essas precisam de uma autorização judicial para serem doadoras ainda em vida.

  • Doador falecido: São, como dito acima, aqueles pacientes reconhecidos em morte encefálica e que possuem um acordo prévio para que a família autorize a doação dos órgãos.

Viabilidade do órgão

Após a retirada dos órgãos de um doador, eles serão mantidos de forma adequada e sob proteções específicas por algumas horas antes de serem levados para o paciente que irá receber. O tempo que cada tecido consegue sobreviver antes de ser perdido varia de órgão para órgão. Por exemplo, as córneas retiradas dos olhos conseguem ser mantidas fora do corpo por 7 dias, alguns tecidos ósseos conseguem sobreviver por até 5 anos antes de serem doados, já o coração sobrevive no máximo 6 horas, precisando de um transporte rápido até o paciente receptor.

Você sabia? Diversos estudos são feitos previamente no paciente doador e no paciente receptor para avaliar se o órgão é compatível com o organismo de quem o receberá. Nosso corpo é repleto de sistemas de reconhecimento, como se fossem modelos de chave e fechadura, e quanto mais compatível for o tecido do doador com o do receptor, melhor será a resposta ao transplante!

Portanto, sabendo que existe um tempo determinado para que o órgão não seja perdido ao ser retirado do doador, é fundamental que o sistema e a rede de transplantes esteja bem integrada para já saber o destino final daquele órgão.

É nesse momento que as filas de transplante entram em foco, visto que o sistema de saúde mantém uma ordem de prioridade de acordo com o risco que cada paciente está exposto, e quanto maior a chance de evoluir a óbito dentro de alguns dias, maior será a prioridade do paciente em receber o órgão que surgiu para ser transplantado.

Lei dos Transplantes

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A Lei 11584 de 2007 institui de fato a data comemorativa de 27 de setembro como o dia nacional da doação de órgãos, além de tornar obrigatório que os veículos de comunicação em saúde do país promovam uma campanha iniciada duas semanas antes desta data com o intuito de informar a população sobre a importância desta prática na saúde pública.

Você sabia? A despeito da excelente rede integrada de transplante de órgãos do Brasil, um dos maiores problemas enfrentados pelo país se encontra na escassez de órgãos para realizar o transplante. É dentro deste cenário que a Lei 11584 se torna importante para evidenciar a importância do transplante e convocar mais cidadãos para este ato de empatia.  

Consentimento familiar

Ainda dentro do âmbito legal do transplante de órgãos, nenhum paciente poderá ter seus tecidos orgânicos retirados sem o consentimento prévio de seus familiares. A documentação física, por meio de diretrizes antecipativas, ou seja, documentos feitos antes de sua morte, não são obrigatórios. Mas uma conversa clara e aberta com os familiares, em vida, é de fundamental importância visto que com a autorização dos mesmo vários órgãos podem ser doados e diversas vidas serão salvas.

A Doação de Órgãos na Pandemia da Covid-19

Em meio à atual pandemia da covid-19, a importância dos transplantes de órgãos se manteve, gerando a necessidade de confecção de protocolos específicos para o cenário em que estamos inseridos. É nesse contexto que o Ministério da Saúde publicou a nota técnica número 25/2020, que estabelece alguns critérios para avaliação da presença do novo coronavírus no paciente doador, assim como critérios para rearranjar a fila de acordo com pacientes que estão infectados pela covid-19.

Dentre algumas das alterações realizadas pelos Ministérios durante a pandemia, temos que a busca ativa de possíveis pacientes doadores de órgãos não deve ser realizada, temporariamente, de forma presencial, utilizando-se por enquanto de meios como telefonemas e e-mails para entrar em contato com os pacientes que desejam doar. Na necessidade de se realizar alguma visita domiciliar a fim de avaliar o paciente, o mais indicado é que este encontro ocorra em locais abertos e bem arejados, com o intuito de manter a segurança do paciente e seus familiares, assim como da equipe de saúde.

Saiba mais sobre a doação de órgão e sua importância em: https://www.saude.mg.gov.br/doeorgaos

Referências