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Dezembro Laranja: mês de prevenção contra o Câncer de Pele !

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Os cânceres de pele ocupam o primeiro lugar no pódio de tumores mais frequentes na população mundial!

Devido à prevalência tão grande, a Sociedade Brasileira de Dermatologia iniciou no ano de 2014 uma campanha de conscientização sobre esta enfermidade, e em todo mês de dezembro mais informações sobre este tema são divulgadas para a população. No ano de 2021, a campanha do dezembro laranja tem a mensagem central: “Adicione mais fator de proteção ao seu verão”, em alusão à importante medida de uso dos filtros solares.

Este tipo de câncer apresenta-se basicamente sob duas formas: o não melanoma, mais incidente, sendo os carcinomas basocelular e espinocelular os mais frequentes e o melanoma, menos incidente, porém com maior potencial de malignidade.

Quer saber um pouco mais sobre os tipos de cânceres de pele, seus maiores fatores de risco e como se proteger de forma efetiva? Acompanhe nosso post abaixo!


OS CÂNCERES DE PELE

A cada ano do triênio 2020-2022, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima cerca de 185 mil novos casos de cânceres de pele na população brasileira, e deste montante, 177 mil são dos chamados cânceres não-melanoma, ou seja, o carcinoma basocelular (CBC) e o espinocelular (CEC). Para o estado de Minas Gerais espera se 18.560 casos de câncer de pele (870 melanoma e 17.690 pele não melanoma).

E só de chegar aqui, percebemos que o número de casos relacionados ao melanoma de fato, são bem menos expressivos, porém, com uma mortalidade muito mais acentuada, devido ao seu potencial agressivo e de gerar metástases (espalhar o câncer por outros locais do corpo).

O interessante, e de certo modo bom para toda a população, é que muitos dos fatores de risco são compartilhados por estes tipos de câncer, fazendo com que nossas ações de precaução sejam efetivas contra todos eles de uma vez! De fato, existem alguns fatores de risco que não podemos mudar, por exemplo, a cor da pele mais clara, mas podemos evitar outros fatores que aumentam o risco destes tumores. Alguns destes fatores associados ao surgimento do câncer de pele são:

  • Pessoa com pele, olhos e cabelos claros;
  • Exposições solares prolongadas;
  • Exposições solares por curtos períodos, mas com alta intensidade solar;
  • História de câncer de pele na família (principalmente familiares de primeiro grau);
  • Exposição a câmeras de bronzeamento artificial

Devemos nos atentar, que não é apenas pelo fato destes cânceres serem mais frequentes em pessoas de pele mais clara, que não possam ocorrer em pessoas de pele escura. Eles podem sim! Mas de fato com uma incidência bem menor.

Você sabia? Os dados atuais derivados de estudos científicos nos mostram quais são os genes responsáveis por aumentar o risco de ter câncer de pele, principalmente melanoma, se algum familiar também tiver. Alguns desses genes são chamados de: BRAF, NRAS, CDK4, entre outros!


SINAIS E SINTOMAS

Os cânceres de pele podem aparecer em nossa pele com diversas aparências diferentes, e por isso é de extrema importância que estejamos atentos e habituados com nossos corpos para podermos notar qualquer sinal de mancha, pinta ou lesão estranha que aparece de repente. Nestes casos, o que devemos fazer é buscar o médico mais próximo de nós, não necessariamente um dermatologista, mas também um médico presente nas Unidades Básicas de Saúde.

As lesões que devemos ficar atentos e suspeitar de seu aparecimento possuem algumas características peculiares, que iremos descrever a seguir para podermos ficar de olho:

  1. “Caroço” escurecido (de qualquer tamanho);
  2. Lesão translúcida de aspecto perolado;
  3. Lesões com pequenos e finos vasinhos de sangue em cima ou ao redor;
  4. Lesões acastanhadas;
  5. Lesões que sangram facilmente ao tocarmos nela;
  6. Manchas que crescem, coçam e formam crostas que não cicatrizam;
  7. Lesões com bordas irregulares e de várias cores ao mesmo tempo;

Como vimos, quase todo tipo de lesão que aparece de repente deve suscitar desconfiança e nos forçar a buscar auxílio médico o quanto antes, pois é melhor descobrir que não era uma lesão perigosa, do que deixar uma lesão considerada maligna crescer e se desenvolver, chegando em um ponto que impossibilita a cura do paciente.

Você sabia? Os médicos usam uma regra, conhecida como regra do ABCDE para avaliar se uma lesão tem mais ou menos chances de ser maligna (um câncer). Cada letra significa um aspecto da lesão: A (Assimetria), B (Bordas), C (Cor), D (Diâmetro da lesão) e E (Evolução, ou seja, como a lesão se comporta com o passar do tempo). 


TRATAMENTO E PREVENÇÃO

De forma geral, todo câncer de pele deve ser tratado o mais precocemente possível, mesmo aqueles não-melanomas, para evitar que cresçam localmente (invadindo o local onde apareceram na pele da pessoa), além de evitar que ocorram as temidas e perigosas metástases. Existem atualmente diversas formas de tratar estes tumores, sendo algumas delas: biópsia excisional (retirar cirurgicamente toda a lesão), criocirurgia (destrói o tumor com nitrogênio líquido), cirurgia a laser e terapia fotodinâmica (o médico aplica um produto na lesão e expõe a pele a uma forte luz, ativando o produto químico e destruindo o tumor localmente).

Mas se tem uma coisa que realmente é efetiva, é evitar na medida do possível que estes cânceres apareçam. E para isso, diversas medidas podem ser tomadas, muitas delas nós já conhecemos bem, mas não custa relembrar atos tão importante:

  • Usar protetores solares de no mínimo 30 FPS (fator de proteção solar);
  • Usar chapéus, blusas de mangas compridas e óculos de sol;
  • Evitar exposições ao sol entre os horários de 10h e 16h;
  • Avaliar constantemente a nossa pele durante o banho e com auxílio de espelhos;
  • E sendo possível, consultar pelo menos uma vez ao ano com um dermatologista.

Com a pandemia da covid-19, acabamos voltando nossas atenções para outras medidas que nos mantêm protegidos, como utilizar máscaras e higienizar bem as mãos com álcool ou água e sabão. Mas não podemos esquecer de forma alguma das nossas “velhas práticas”, e com isso unir duas frentes de proteção, uma contra o coronavírus e outra contra os cânceres de pele. Vamos todos fazer a nossa parte!

 

Referências:

SUS em Minas promove integração entre Saúde Mental e Atenção Primária à Saúde

Por Leandro Heringer

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Belo Horizonte e da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG) realizou, nos dias 21/10, 4/11, 18/11 e 25/11 o Ciclo de Webinários “O Cuidado em Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde”. O evento teve, por encontro, média de 230 trabalhadores representantes da Atenção Primária à Saúde (APS) e da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) dos 39 municípios de abrangência da SRS-BH.

Após o evento, a equipe organizadora se encontrou em uma roda de conversa virtual para discutir a saúde mental, avaliar os webinários e programar possíveis parcerias para 2022. Nesse sentido, a assessora da Coordenação de Atenção à Saúde da Regional de BH, Mariana Dayrell, analisou como muito positivo os encontros para a Atenção Primária. “O impacto mais positivo é o estímulo aos municípios para reverem ou construírem os processos de trabalho na APS relacionados ao acolhimento, acompanhamento e tratamento dos usuários da saúde mental pelas Equipes de Saúde da Família e Equipe Multiprofissional, em compartilhamento com os componentes da Raps, quando necessário. A APS é a coordenadora do cuidado aos usuários em seus diversos ciclos da vida e deve ser a ordenadora deste cuidado nos diferentes pontos de atenção da Rede de Saúde”, ressaltou.

Dayrell apontou também a importância da troca de experiências entre os municípios, momento rico do evento. “Todos os municípios tiveram representatividade. Tiveram relatos e apresentações de usuários, profissionais da SES-MG e profissionais convidados. Foram apresentadas experiências exitosas de municípios que trabalham a inclusão do cuidado multiprofissional aos usuários com sofrimento mental no âmbito da APS e não apenas nos componentes da Raps”, disse.

A referência técnica em Equidades e Atenção Primária da CAS/SRS-BH, Viviane Souza Maciel de Almeida, e a coordenadora dos webinários pela ESP-MG, Ana Regina Machado, enumeraram os objetivos do evento:

Contribuir para o desenvolvimento/inclusão do cuidado em Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde;
Contribuir para qualificar e desenvolver novas competências para o cuidado em Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde, fortalecendo seus profissionais para realização de ações de saúde mental, bem como para compartilhamento de cuidado com outros pontos da Rede de Atenção Psicossocial;
Contribuir para qualificar a articulação entre pontos de atenção das redes de saúde para promover o cuidado integral às pessoas com sofrimento mental e/ou com necessidades decorrentes do uso de drogas;
Fomentar a aproximação e o compartilhamento de responsabilidades entre profissionais da Atenção Primária e dos demais pontos da Raps na promoção do cuidado em saúde mental.
Ana Regina Machado salientou a pluralidade de perfis dos participantes: “O público do evento é muito heterogêneo. A nossa intenção é de um curso introdutório. Valeu muito a pena. Experiência exitosa que pode ser ampliada futuramente”.

Referência técnica da Educação Permanente em Saúde da SRS-BH, Marta Elizabeth de Souza, ressaltou a importância da realização de um evento em parceria com a Escola de Saúde Pública como oportunidade de sensibilização profunda dos profissionais envolvidos. “Essa parceria com a ESP-MG é muito importante. Eu penso que a SRS-BH deveria continuar essa parceria. Foi muito importante o primeiro passo na mobilização dos profissionais para a responsabilização do cuidado integral e compartilhado dos usuários de saúde mental na Rede de Saúde.”

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No sentido de fortalecer laços e interfaces no Sistema Estadual de Saúde, a psicóloga e coorganizadora, referência técnica do Recursos Humanos da Coordenadoria de Gestão, Finanças e Prestação de Contas da SRS-BH, Ângela Aparecida Dias Barboza, concorda com Marta em relação ao potencial de trabalho conjunto entre a SES-MG e a Escola. “Para mim, foi um evento muito importante de muito aprendizado e conhecimento. Possibilidade de construir pontes, fortalecer a interface com a ESP-MG no Sistema Estadual de Saúde. Percebi o envolvimento, o prazer dos profissionais dos municípios em estarem lá”, disse Barboza.

Visto como ponto de partida nessa parceria, no contexto da saúde mental dentro Rede de Atenção Psicossocial e da Atenção Primária, a assessora de Atenção Primária da SRS-BH, Mariana Dayrell, destaca a construção e o fortalecimento da saúde mental. “Demos um pontapé em um tema que era pouco abordado dentro da Atenção Primária da Coordenação regional. Acredito na potencialidade do evento para gerar reflexão aos profissionais de saúde do cuidado em saúde mental na APS. A parceria com a ESP-MG foi muito positiva. Ter essa interface aberta para pensarmos propostas de educação continuada com os nossos municípios é fundamental.”

Segundo a referência técnica em Equidades e Atenção Primária da CAS/SRS-BH, Viviane Souza Maciel de Almeida, novas percepções e modelos foram apresentados durante o evento. “Tivemos experiências muito importantes de universidades na Atenção Primária, em Betim e também no Rio de Janeiro, como contou a professora Erotildes Leal da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É um modelo possível. Conhecemos muitas práticas que dão orientações interessantes. Fomentamos a discussão, trouxemos a APS e precisamos conversar sobre o que é possível realizar nos municípios ou microrregiões.

Psicóloga e membro da equipe de Saúde Mental da Regional, Denize Armond, analisa a percepção dos municípios em relação ao posicionamento da saúde mental no sistema de saúde. “Percebi que municípios prestam mais atenção à urgência, mas foram sensibilizados para perceber o trabalho do cuidado descentralizado pela Atenção Primária. Podemos discutir uma ação continuada para o ano que vem. Trabalhar o território, os Caps, os serviços. Esse é um tema a ser trabalhado constantemente e em futuros eventos.”

Temática

Os webinários abordaram os seguintes temas:

  • Sofrimentos e adoecimentos mentais: compreensões e modos de cuidado;
    O cuidado em Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde (APS);
    O trabalho em Saúde Mental na APS, privilegiando a relação entre trabalhadores nas articulações de trabalho;
    O cuidado em saúde às pessoas com sofrimento mental.

Participaram como colaboradores e palestrantes:

Equipe responsável pelos webinários:

SRS-BH: Viviane de Souza Maciel (APS/CAS), Ângela Aparecida Dias Barboza (RH/CGPC), Luiz Carlos Penna Chaves (Saúde Mental/CAS), Marta Elizabeth de Souza (Educação Permanente/CGPC), Denize Armond (Saúde Mental/CAS), Mariana Dayrell (APS/CAS).

ESP-MG: Ana Regina Machado e Priscila Moraes.

Corpo docente convidado:

  • Nathalia Temponi Natal (psiquiatra, trabalhadora da Rede de Saúde Mental de Itabirito-MG);
  • Lírica Salluz Mattos Pereira (diretora de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas da SES-MG);
  • Karla Gomes Nunes (psicóloga, professora do Internato de Saúde Mental da PUC Minas- Betim);
  • Marta Elizabeth de Souza (psicóloga, militante da luta antimanicomial/Fórum Mineiro de Saúde Mental, ex-trabalhadora da UBS Dom Bosco em Betim);
  • Bruno de Amério Ney (PSF BH);
  • Viviane de Souza Maciel (SRS-BH);
  • Erotildes Maria Leal (psiquiatra, matriciadora de SM, professora do Departamento de Medicina em Atenção Primária em Saúde da Faculdade de Medicina da UFRJ);
  • Abílio José Ribeiro de Castro (psiquiatra, atua na Gerência de Saúde Mental da SMS-PBH);
  • Milena Martins de Castro (psicóloga, trabalhadora da Saúde Mental de Itabirito);
    Daniela Souza Lima Campos (diretora de Promoção à Saúde da SES-MG);
  • Paulo Azevedo (comunicólogo e designer de Moda; usuário da Raps Metropolitana da Grande BH);
  • Maria Aparecida de Carvalho Lobato (agente comunitária de saúde da UBS Dom Bosco de Betim/MG desde 2011 e conselheira municipal de saúde desde 2013).