Doenças do períodos de chuva: saiba os cuidados para evitá-las

By | 20 de janeiro de 2022

por Gustavo Souza

Crédito: Agência Brasil

Crédito: Agência Brasil

Períodos de chuva intensa, em que ocorrem enchentes, enxurradas, alagamentos e outros eventos adversos, exigem atenção com doenças transmitidas pela água e alimentos contaminados. Por isso, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) alerta a população para os cuidados necessários à proteção da saúde e vida das pessoas em períodos de chuva.

ÁGUA E ALIMENTOS CONTAMINADOS

Os cuidados gerais com a água e os alimentos consumidos, bem como a higiene pessoal e do ambiente devem ser redobrados; além do destino das fezes e do lixo, sobretudo em casos de enchentes e alagamentos. O alerta vale especialmente para quem utiliza água de reservatórios e poços artesianos.

As orientações são:

  • Consuma somente água filtrada e fervida. Essa atitude simples evita doenças infecciosas gastrointestinais (diarreias), que podem causar desidratação grave, especialmente em crianças;
  • Mantenha os alimentos devidamente acondicionados em latas ou recipientes fechados, fora do alcance de roedores, insetos e outros animais;
  • Legumes, verduras, frutas, carnes, ovos, grãos, cereais, etc que tiveram contato com a água de enchentes devem ser inutilizados, pois se contaminam facilmente.
  • Lave frequentemente as mãos com água tratada antes de manipular alimentos e de se alimentar.

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Doenças relacionadas à ingestão de água e/ou alimentos contaminados:

Hepatite A

Transmitida por meio de alimentos mal lavados, a hepatite A também pode surgir com a ingestão acidental de água das chuvas contaminada. Durante o período chuvoso, a incidência da doença pode ser maior, uma vez que as enchentes podem levar água de esgoto aos rios, lagos, mares e piscinas, ampliando as chances de contaminação.

Os sintomas envolvem dores abdominais, febre, pele e olhos amarelados, além de urina escura. Para se prevenir, evite tomar água sem procedência conhecida; lave as mãos periodicamente, principalmente antes e após usar o banheiro e ao manipular alimentos; utilize cloro ou água sanitária para limpeza de objetos, bancadas, lavagem de alimentos, utensílios de cozinha e objetos pessoais. Além disso, evite compartilhar copos, talheres, e outros materiais de uso individual.

Diarreia aguda

A doença diarreica aguda é caracterizada por três ou mais evacuações, amolecidas ou aquosas, no período de 24 horas, com duração de até 14 dias. São causadas por bactérias, vírus, parasitas e toxinas, que podem ser transmitidas de pessoa para pessoa, ou através da ingestão de água e alimentos contaminados.

Para evitar as doenças diarreicas é preciso alguns cuidados, como a filtragem e desinfecção da água, lavagem adequada dos alimentos, e cuidado no preparo e na conservação para evitar a contaminação. É recomendado ainda fazer uma boa higiene das mãos, lavando-as com frequência com água e sabão.

Esteja atento aos sintomas de diarreia, especialmente nas crianças, e procure orientação médica para evitar complicações. Se não tratadas adequadamente, as doenças diarreicas podem evoluir para desidratação grave.

Febre Tifoide

Transmitida pela bactéria Salmonella enterica, provoca febre alta, dores de cabeça, mal-estar geral, falta de apetite, manchas rosadas no tronco, prisão de ventre ou diarreia e tosse seca. É transmitida pela ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes humanas ou com urina contendo a bactéria.

O saneamento básico, o preparo adequado dos alimentos e a higiene pessoal são as principais medidas de prevenção. A orientação é consumir apenas água tratada e selecionar alimentos frescos com boa aparência. Antes do consumo os alimentos devem ser lavados e desinfetados. Não utilize alimentos depois da data de vencimento e lave as mãos regularmente, sobretudo antes e durante a preparação dos alimentos; ao manusear objetos sujos; depois de tocar em animais e depois de ir ao banheiro ou após a troca de fraldas.

CONTATOS COM ÁGUA DE ENCHES E LAMA

Crédito: Freepik

Crédito: Freepik

Se a enchente inundar as residências, será necessário lavar e desinfetar o chão, paredes, objetos e roupas atingidas, após as águas baixarem. Para isso, use sacos plásticos duplos nas mãos e pés, ou luvas e botas, evitando o contato da pele com a água e lama das enchentes. Com a ocorrência de algum sintoma de enfermidade, procure uma unidade de saúde e relate ao profissional o contato com águas de enchente ou lama.

Doenças relacionadas ao contato com águas de enchente ou lama:

Leptospirose

Durante as enchentes, a urina de roedores, presente nos esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama. Qualquer pessoa que tiver contato com a água ou lama pode se infectar. Os sintomas clássicos da doença são febre, calafrios, dor muscular generalizada, dor de cabeça e dor ao redor dos olhos, podendo ser acompanhados de outras complicações.

Para se prevenir, evite sempre que possível exposição às águas e lama de enchentes, ou faça uso de luvas e botas; conserve adequadamente água e alimentos e faça o armazenamento e destinação adequados do lixo.

Micoses

As micoses são infecções causadas por fungos que atingem a pele, as unhas, o couro cabeludo, e que, em casos raros, podem acometer órgãos internos. São transmitidas pelo contato com o solo contaminado pelos fungos, por animais e pessoas com a doença. No período chuvoso, em decorrência do clima úmido, as pessoas tendem a ficar com os pés e as roupas molhadas. Assim, são frequentes as micoses em áreas de dobras de pele, como as axilas e virilhas, e nos pés, as chamadas “frieiras”, devido ao calor e maior umidade nestes locais.

As micoses podem ser assintomáticas, mas algumas vezes apresentam coceira leve ou intensa. As lesões na pele podem se apresentar como manchas com descamação, podendo ocorrer ainda queda do cabelo e alterações de coloração e espessamento das unhas.

Para se prevenir, evite ficar com roupas molhadas, quentes ou justas por muito tempo. Dê preferência para roupas de algodão e não use peças e/ou objetos de outras pessoas. Outras recomendações são: não ande descalço, use luvas e botas em contato com a água de chuva ou lama, e deixe os calçados expostos à luz solar e “arejando” por um a dois dias após o uso.