Author Archives: Marcus Ferreira

Setembro Verde: Doe Órgãos, doe Vida!

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Autor*: Pedro Otávio Oliveira Santos

No mês de setembro, mais precisamente no dia 27, é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. O nosso país é considerado a maior nação do mundo que realiza transplantes de órgãos por meio de um sistema de saúde organizado e completamente público! Em números absolutos de transplantes, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos da América.

Dentre as modalidades de transplantes realizadas em território nacional, podemos citar os transplantes de córnea, rim, fígado coração, medula óssea, dentre outros! E não bastando a organização exemplar e a eficiência na organização das filas de transplantes, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampara os pacientes que necessitam destas terapêuticas com exames pré e pós operatórios, além de disponibilizar medicações necessárias para que o organismo aceite o órgão transplantado.

Quer saber um pouco mais sobre esta importante forma de tratamento e como a lei brasileira regulamenta esta prática? Acompanhe o nosso post a seguir!

Doação de Órgãos

A doação de órgãos vai muito além do seu sentido literal, ou seja, deixa de ser apenas um ato médico-científico para se tornar um ato de empatia e amor ao próximo. Devemos entender o real significado desta prática para que possamos nos conscientizar e ajudar para que as pessoas ao nosso redor também compreendam! O transplante de órgãos muitas vezes é a única saída para a cura de uma pessoa, significando a chance de viver novamente para algum paciente.

No Brasil, para que um cidadão se torne doador de órgãos, basta uma conversa clara com seus familiares a respeito do assunto. Isso é de grande importância para o ato da doação, visto que após a morte encefálica de um paciente, seus órgãos só serão doados se a família deste paciente autorizar a equipe médica a realizar esta ação.

Você sabia? A morte encefálica ocorre quando o cérebro e o tronco encefálico (estrutura ligada ao cérebro) param de funcionar. Existem diversas formas de o médico reconhecer que estes órgãos pararam, e assim que for feito esse diagnóstico, diz-se que o paciente está em morte encefálica.

Mas e se eu quiser doar algum órgão mesmo estando vivo, eu posso? A resposta é sim! Existem duas modalidades básicas de doadores de órgãos:

  • Doador vivo: Este tipo de doação só pode ser realizado se não for prejudicar a vida de quem está doando, ou seja, os órgãos a serem doados serão aqueles que existem em pares, ou aqueles que ao se doar um pedaço, o doador pode ficar com uma parte ainda funcionante. Alguns exemplos são a doação de um dos rins, ou a doação de parte do fígado (que mesmo sendo único, a parte que resta ainda é funcionante).

As pessoas que podem doar, segundo a lei nacional, são os cônjuges, parentes de até quarto grau ou pessoas não relacionadas diretamente ao paciente; essas precisam de uma autorização judicial para serem doadoras ainda em vida.

  • Doador falecido: São, como dito acima, aqueles pacientes reconhecidos em morte encefálica e que possuem um acordo prévio para que a família autorize a doação dos órgãos.

Viabilidade do órgão

Após a retirada dos órgãos de um doador, eles serão mantidos de forma adequada e sob proteções específicas por algumas horas antes de serem levados para o paciente que irá receber. O tempo que cada tecido consegue sobreviver antes de ser perdido varia de órgão para órgão. Por exemplo, as córneas retiradas dos olhos conseguem ser mantidas fora do corpo por 7 dias, alguns tecidos ósseos conseguem sobreviver por até 5 anos antes de serem doados, já o coração sobrevive no máximo 6 horas, precisando de um transporte rápido até o paciente receptor.

Você sabia? Diversos estudos são feitos previamente no paciente doador e no paciente receptor para avaliar se o órgão é compatível com o organismo de quem o receberá. Nosso corpo é repleto de sistemas de reconhecimento, como se fossem modelos de chave e fechadura, e quanto mais compatível for o tecido do doador com o do receptor, melhor será a resposta ao transplante!

Portanto, sabendo que existe um tempo determinado para que o órgão não seja perdido ao ser retirado do doador, é fundamental que o sistema e a rede de transplantes esteja bem integrada para já saber o destino final daquele órgão.

É nesse momento que as filas de transplante entram em foco, visto que o sistema de saúde mantém uma ordem de prioridade de acordo com o risco que cada paciente está exposto, e quanto maior a chance de evoluir a óbito dentro de alguns dias, maior será a prioridade do paciente em receber o órgão que surgiu para ser transplantado.

Lei dos Transplantes

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A Lei 11584 de 2007 institui de fato a data comemorativa de 27 de setembro como o dia nacional da doação de órgãos, além de tornar obrigatório que os veículos de comunicação em saúde do país promovam uma campanha iniciada duas semanas antes desta data com o intuito de informar a população sobre a importância desta prática na saúde pública.

Você sabia? A despeito da excelente rede integrada de transplante de órgãos do Brasil, um dos maiores problemas enfrentados pelo país se encontra na escassez de órgãos para realizar o transplante. É dentro deste cenário que a Lei 11584 se torna importante para evidenciar a importância do transplante e convocar mais cidadãos para este ato de empatia.  

Consentimento familiar

Ainda dentro do âmbito legal do transplante de órgãos, nenhum paciente poderá ter seus tecidos orgânicos retirados sem o consentimento prévio de seus familiares. A documentação física, por meio de diretrizes antecipativas, ou seja, documentos feitos antes de sua morte, não são obrigatórios. Mas uma conversa clara e aberta com os familiares, em vida, é de fundamental importância visto que com a autorização dos mesmo vários órgãos podem ser doados e diversas vidas serão salvas.

A Doação de Órgãos na Pandemia da Covid-19

Em meio à atual pandemia da covid-19, a importância dos transplantes de órgãos se manteve, gerando a necessidade de confecção de protocolos específicos para o cenário em que estamos inseridos. É nesse contexto que o Ministério da Saúde publicou a nota técnica número 25/2020, que estabelece alguns critérios para avaliação da presença do novo coronavírus no paciente doador, assim como critérios para rearranjar a fila de acordo com pacientes que estão infectados pela covid-19.

Dentre algumas das alterações realizadas pelos Ministérios durante a pandemia, temos que a busca ativa de possíveis pacientes doadores de órgãos não deve ser realizada, temporariamente, de forma presencial, utilizando-se por enquanto de meios como telefonemas e e-mails para entrar em contato com os pacientes que desejam doar. Na necessidade de se realizar alguma visita domiciliar a fim de avaliar o paciente, o mais indicado é que este encontro ocorra em locais abertos e bem arejados, com o intuito de manter a segurança do paciente e seus familiares, assim como da equipe de saúde.

Saiba mais sobre a doação de órgão e sua importância em: https://www.saude.mg.gov.br/doeorgaos

Referências

O QUE VOCÊ SABE SOBRE A RAIVA? MUITA ATENÇÃO!

Autor*: Pedro Otávio Oliveira Santos

A raiva é uma doença infecciosa viral aguda causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridaeque acomete mamíferos, inclusive o homem, e se caracteriza como uma encefalite progressiva e aguda com letalidade de aproximadamente 100%.

A diminuição no número de casos de raiva humana transmitida por cães e gatos doentes, nos últimos anos, deve-se, principalmente, às campanhas anuais de vacinação animal, além da indicação de profilaxia antirrábica humana oportuna!

Quer entender mais sobre a raiva? Acompanhe nosso post a seguir!

COMO A RAIVA É TRANSMITIDA?

A infecção pelo vírus da raiva ocorre a partir da mordedura, lambedura e/ou arranhadura de animais que possam estar contaminados, como gatos, cachorros e morcegos. É importante lembrar que o vírus da raiva pode ser encontrado na saliva dos animais doentes e, portanto, não apenas a mordida, mas também a lambedura e às vezes a arranhadura, podem levar o vírus para os seres humanos!

Depois que uma pessoa sofre algum acidente ou agressão por animais doentes suspeitos, por exemplo, é mordido por algum deles, os sintomas podem demorar meses a aparecer! A este tempo de espera para o início dos sintomas, damos o nome de período de incubação, que é o período em que o vírus penetra no organismo até o aparecimento dos sintomas.

Você sabia? O vírus da raiva é neurotrópico, ou seja, prefere o sistema nervoso, local em que ele produz os sintomas mais importantes!

COMO RECONHECER UM CÃO OU GATO RAIVOSO?

O animal fica com o comportamento diferente, geralmente pára de comer, procura ficar em locais mais escuros, tenta ingerir líquido, mas não consegue. Pode ficar agressivo, babar e seu latido normalmente fica rouco e prolongado como um uivo. O animal doente normalmente morre sete dias após o início dos sintomas.

COMO REAGIR EM CASO DE AGRESSÃO POR CÃO OU GATO? NÃO MACHUQUE E NEM MATE O ANIMAL!

Mantenha-o preso em local seguro, durante dez dias, com água e comida à vontade.

Evite contato próximo e não permita que outras pessoas e animais se aproximem dele.

A pessoa agredida deve lavar bem a ferida com água e sabão e PROCURAR UMA UNIDADE DE SAÚDE PRÓXIMA DE SUA CASA. SE O ANIMAL DESAPARECER OU MORRER, RETORNE IMEDIATAMENTE AO CENTRO DE SAÚDE!

COMO SE PREVENIR DA DOENÇA?

– Vacine seu cão e gato anualmente;

– Não deixe animais soltos nas ruas;

– Jogue o lixo no local correto, evitando assim o acesso desses animais;

– Não mexa com animais desconhecidos ou doentes;

– Não separe brigas de animais;

– Passeie com seu animal sempre preso em coleira;

Lembre-se! Quando houver acidente ou agressão por animais doentes, deve-se procurar de imediato a Unidade de Saúde mais próxima de sua casa!

Atenção! O risco de transmissão da doença pelo morcego é sempre elevado. Por isso, todo acidente com morcego é considerado grave!

 

VACINAÇÃO ANTIRRÁBICA ANIMAL

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O Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, através de seus programas de vigilância da raiva animal, estimulam e promovem campanhas para vacinação de cães e gatos contra a raiva uma vez por ano. Tal ação, gratuita e ofertada pelo SUS, permitiu uma queda importante no número de casos de raiva humana e animal. É importante lembrar que os animais domésticos devem ser vacinados todos os anos!

O mês de vacinação varia de acordo com cada município, entre em contato com a Secretaria de Saúde de seu município para saber melhor como funciona na sua região!

SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

O tratamento profilático contra a raiva humana é ofertado pelo SUS, de forma gratuita, e encontra-se implantado em todos os municípios de jurisdição do estado de Minas Gerais, daí a importância de quando houver acidente ou agressão por animal doente, procurar imediatamente a Unidade de Saúde mais próxima de sua residência para avaliação do profissional de saúde.

 

Referências

28 de Junho: Dia internacional do orgulho LGBT

Autor: Coordenação de Saúde Indígena e Políticas de Promoção da Equidade em Saúde

No dia 28 de Junho, comemora-se o dia internacional do orgulho LGBT, data marcada pelo ato de resistência de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais diante da repressão sexual sofrida por esta comunidade.  Este acontecimento foi histórico para a construção da luta em defesa dos direitos dessas pessoas e nos convida a refletir e construir estratégias que ampliem o acesso aos direitos dessas cidadãs e cidadãos, sobretudo ao acesso à saúde integral.

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Cabe destacar que as diferentes formas de preconceito e discriminação vivenciados pela população LGBT se repetem em sua busca pelo cuidado em saúde de diferentes formas, como o não reconhecimento ao nome social de pessoas transexuais e travestis, a ausência de serviços especializados no cuidado ao processo transexualizador, o não reconhecimento das diversas orientações sexuais e identidades de gênero nos protocolos e ações de saúde, na baixa oferta de exames preventivos para as mulheres lésbicas e bissexuais, dentre outros.

No sentido de superar essas barreiras e ampliar e qualificar o acesso integral à saúde por essa população, a Coordenação de Saúde Indígena e Políticas de Promoção da Equidade em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais conduz o Comitê Técnico de Saúde Integral LGBT de Minas Gerais, que tem como objetivo trabalhar de forma transversal e articulada, em parceria com a sociedade civil, áreas técnicas da SES e demais secretarias de estado, ações e diretrizes que visem à qualificação e à garantia do acesso integral à saúde pela população LGBT. O Comitê técnico, atua no enfrentamento à homofobia, à lesbofobia, à bifobia e à transfobia institucionais e em prol da construção de diretrizes de saúde que respondam à diversidade de orientações sexuais e de identidades de gênero dos mineiros e mineiras.

O trabalho desse Comitê Técnico de Saúde Integral LGBT possibilitou a publicação da Política Estadual de Saúde Integral à Saúde da População em Minas Gerais, através da DELIBERAÇÃO CIB-SUS/MG Nº 3.202, DE 14 DE AGOSTO DE 2020, disponível em: saude.mg.gov.br.

Nesta data, a Coordenação reforça a importância de adotar ações que visam à melhoria do acesso à saúde da população LGBT, como:

– Respeitar o nome social de pessoas transexuais e travestis nos atendimentos, na sala de espera, nos prontuários e nos demais sistemas de saúde;

– Preencher os campos de orientação sexual e de identidade de gênero nos sistemas de informação respeitando a autodeclaração das usuárias e dos usuários, atuando na eliminação do preconceito e da discriminação da população LGBT nos serviços de saúde;

–  Qualificação das informações em saúde no que tange à coleta, ao processamento e à análise dos dados específicos sobre a saúde da população LGBT, incluindo os recortes étnico-racial e territorial;

– Garantir o acesso ao processo transexualizador na rede do SUS, nos moldes regulamentados;

– Oferecer atenção e cuidado à saúde de adolescentes e de idosos que fazem parte da população LGBT;

–  Garantir os direitos sexuais e reprodutivos da população LGBT no âmbito do SUS;

– Identificar as necessidades de saúde da população LGBT;

– Incluir conteúdos relacionados à saúde da população LGBT, com recortes étnico-racial e territorial, no material didático usado nos processos de educação permanente para trabalhadores de saúde;

– Inserir representações gráficas (imagens, símbolos, bandeiras LGBT, ilustrações) e/ou modelos que representem essa comunidade nas campanhas de Saúde, em todas as temáticas de prevenção e promoção da saúde.

– Ampliação do acesso de lésbicas, de gays, de bissexuais, de travestis e de transexuais aos serviços de saúde do SUS, garantindo o respeito à autodeclaração e às especificidades das pessoas, e o acolhimento com qualidade e a resolução de suas demandas e necessidades;

– Atuar na prevenção, na promoção e na recuperação da saúde mental de LGBTs, por meio de estratégias embasadas nas Resoluções nº 01/1999 e Resolução nº 1, de 29 de janeiro de 2018 do Conselho Federal de Psicologia – CFP, e pautadas na despatologização das identidades de gênero e das orientações sexuais, inclusive adotando estratégias para reduzir o estigma relacionado ao diagnósticos no caso das populações de travestis e transexuais;

– Ampliar e fortalecer as ações de prevenção para a população LGBT, em parceria com a Coordenação de IST/Aids e Hepatites Virais, com garantia de acesso aos Serviços de Atendimento Especializado/Centro de Testagem e Aconselhamento/Unidade Dispensadora de Medicamentos – SAE/CTA/UDM do Estado e articular estratégias de divulgação da prevenção combinada para essas populações;

 

10/5: Dia Mundial do Lúpus

O dia 10 de maio é conhecido como o Dia Mundial do Lúpus – doença autoimune que, por motivos que não se sabe ao certo, leva o sistema imunológico a atacar partes do próprio organismo, causando a inflamação de alguns órgãos e até sua disfunção.

O objetivo da data é chamar a atenção para o impacto que o Lúpus Eritematoso Sistêmico, como a doença também é conhecida, tem sobre as pessoas, enfocando a necessidade de melhorar os serviços de saúde; aumentar a pesquisa sobre suas causas e sua cura; diagnosticar e tratar precocemente a doença; melhorar os dados epidemiológicos em nível global e obter mais recursos para reduzir o sofrimento causado pela doença.

O médico reumatologista Boris Cruz explica que, no caso do lúpus, os órgãos mais acometidos são a pele, com manchas caracteristicamente vermelhas e em locais expostos à luz (face, colo, braços), as articulações, com dores e inchaço, e órgãos internos como rins, sistema respiratório, coração ou sistema nervoso. “A doença é muito variável em sua apresentação clínica, desde casos leves, com poucas lesões, até casos mais graves, com insuficiência renal ou coma”, explica o especialista.

Diagnóstico

Como o lúpus é uma doença que afeta várias partes do corpo, o diagnóstico também se apresenta como um desafio. O reumatologista explica que existem manifestações mais típicas como lesões de pele ou dos rins, mas podem existir sinais e sintomas inespecíficos como febre sem causa aparente ou sintomas neurológicos. “Não existem exames que sejam por si só absolutos. Então, o diagnóstico se dá pela avaliação clínica de diferentes sinais e sintomas e sua combinação com vários achados em exames de laboratório, imagem e, por vezes, biópsia. O desafio se dá na suspeita clínica em casos de apresentação muito heterogênea e diferentes exames, solicitados de acordo com as especificidades de cada caso”, detalha Bóris Cruz.

De acordo com o médico, houve muitos avanços nos últimos anos tanto em relação ao diagnóstico quanto ao tratamento da doença. As melhorias estão relacionadas ao melhor entendimento dos mecanismos da doença e ao aperfeiçoamento na interpretação dos exames. Foram aprimoradas estratégias para o diagnóstico precoce e houve ajustes nas diretrizes do tratamento para controle mais rápido da doença e prevenção de lesões irreversíveis ou efeitos colaterais. “Com diagnóstico precoce e melhores diretrizes para o tratamento, buscamos hoje o que chamamos ‘remissão’, o que seria o controle da inflamação da doença, com melhora dos sintomas e prevenção de progressão das lesões outrora irreversíveis, como a insuficiência renal” afirma o médico.

Tratamento

O tratamento do lúpus depende do tipo de manifestação apresentada por cada paciente devendo, por isso, ser individualizado. O objetivo é permitir o controle da atividade da doença, minimizar os efeitos adversos dos medicamentos e proporcionar uma boa qualidade de vida aos pacientes.

A Portaria n°100, de 7 de fevereiro de 2013, do Ministério da Saúde, indica a talidomida como alternativa em alguns casos de lúpus discoide – uma forma mais intensa de inflamação da pele, que pode não responder a outros tratamentos. A farmacêutica Paula Lana de Miranda Drummond, da Divisão de Desenvolvimento de Medicamentos da Fundação Ezequiel Dias (Funed), explica que a talidomida é um medicamento imunomodulador (que age no sistema imunológico), com atividade anti-inflamatória e antiangiogênica (que reduz a formação de novos vasos sanguíneos), mas seu mecanismo de ação não é completamente entendido ainda. “Sendo o lúpus uma doença autoimune, caracterizada pela inflamação de diversos órgãos e tecidos, alguns estudos demonstram benefícios no uso de talidomida, em pacientes com manifestações dermatológicas que não apresentem resposta a tratamentos convencionais”, explica Paula.

A farmacêutica frisa a importância de se seguir todos os cuidados exigidos na RDC 11/2011 (atualmente em consulta pública – CP 1.030/2021), principalmente com relação a se evitar a teratogenicidade, ou seja, causar algum dano ao embrião ou feto durante a gravidez de paciente que por ventura possa usar o medicamento. “As mulheres em idade fértil devem ter a gravidez descartada mensalmente para receberem a prescrição de talidomida, por meio de exame de beta-HCG e utilizar dois métodos contraceptivos. Os homens devem usar preservativo durante todo o tratamento e por mais 30 dias após sua interrupção”, acrescenta Paula.

Alguns estudos mostram os benefícios do uso de talidomida em pacientes, que não respondem aos tratamentos convencionais, com relação à remissão da doença e melhora do quadro clínico. “Apesar da ocorrência de efeitos adversos associados ao uso de talidomida, com manejo da dose e após a suspensão do tratamento, a maioria dos sintomas desses pacientes desaparece. Mas vale ressaltar que são escassos os estudos que avaliem a qualidade de vida de pacientes com lúpus em uso de talidomida”, esclarece a farmacêutica.

Paula lembra, ainda, que todos os pacientes devem ser orientados pelo médico e farmacêutico quanto aos riscos do tratamento, assim como a possibilidade de ocorrência de eventos adversos importantes, como neuropatia periférica (dormência, formigamento, fraqueza e/ou dor causada por danos nos nervos, normalmente nas mãos e nos pés) e trombose. O paciente também deve estar ciente de que o medicamento é de uso pessoal e que existe a necessidade de devolução dos comprimidos, caso o tratamento seja suspenso.

Contribuição da Funed

Atualmente, a Funed é a única produtora da Talidomida no país, sendo este um medicamento estratégico importante no contexto da saúde pública, usado para atender aos programas de hanseníase, lúpus e HIV/Aids, do Ministério da Saúde. O medicamento é produzido na Fundação desde 1970 e é distribuído exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para as Unidades Públicas Dispensadoras devidamente credenciadas.

8 de Maio: Dia Mundial do Câncer de Ovário

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

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Com uma estimativa de 6.650 novos casos para o ano de 2021 (Instituto Nacional do Câncer – INCA) e com um registro de 4.123 mortes em 2019 (Atlas de Mortalidade por Câncer – SIM), o câncer de ovário é o terceiro câncer ginecológico mais comum na mulher, atrás somente do câncer de mama e do câncer do colo do útero. Apesar de ser o terceiro câncer ginecológico mais comum, é também o mais letal dentre todos eles, por ser um câncer silencioso e que costuma ser diagnosticado tardiamente em mais de 75% dos casos. Por isso, reconhecer seus fatores de risco e sintomas é fundamental para que haja uma investigação em momento adequado. Por isso, leia aqui tudo o que você deve saber para se prevenir.


ENTENDENDO O CÂNCER

Câncer é o nome dado a um grupo com mais de 100 diferentes tipos de doenças que apresentam em comum a desorganização no crescimento e na multiplicação das células do organismo. Suas variantes, portanto, variam de acordo com o local em que ocorrem e do comportamento de cada uma dessas desordens. A complexidade nos seus diversos fatores aos quais estão relacionados (predisposição genética, exposição ambiental, controle e tratamento) é que faz com que o câncer seja um dos principais desafios da ciência até a atualidade.

Mesmo frente à impossibilidade em controlar e prevenir as chamadas desordens celulares responsáveis pelo desenvolvimento do câncer, ainda assim é possível intervir nos chamados fatores ambientais da oncogênese (formação do câncer). De maneira geral, processos que interfiram no “estresse” celular ou que alterem o ambiente em que o crescimento celular ocorre são fatores que contribuem para o câncer.

A oncogênese é o resultado de fatores genéticos e ambientais, mas variam significativamente de pessoa a pessoa. Contudo, o diagnóstico precoce e o rastreamento são essenciais a todos.


COMO SABER SE TENHO CÂNCER DE OVÁRIO?

Primeiramente, deve-se ter em mente que o câncer é uma doença progressiva e que, portanto, apresenta “fases” distintas no decorrer da doença. Na fase inicial, o câncer de ovário é silencioso e é completamente assintomático quase que em sua totalidade e, com a evolução do quadro podem apresentar sintomas muito inespecíficos. Ou seja, é muito pouco provável que algum desses sintomas leve você a pensar sobre um provável câncer de ovário.

Alguns dos sintomas inespecíficos possíveis são:

 mal-estar, desconforto abdominal (exemplos.: indigestão, cólicas, gases, inchaço), incontinência urinária, náuseas, fadiga, perda de apetite, perda ou ganho de peso, sangramento vaginal anormal, alterações na menstruação, dor durante o ato sexual.

Visto que os sinais e sintomas são muito inespecíficos ou até mesmo ausentes em boa parte dos casos, é importante que você dê atenção especial aos fatores de risco abaixo:

  • Idade: acima de 50 anos;
  • Fatores reprodutivos: infertilidade, primeira menstruação antes dos 12 anos, menopausa após os 52 anos;
  • Fatores ginecológicos: endometriose, síndrome dos ovários policísticos, utilização de DIU (dispositivo intrauterino) terapia de reposição hormonal
  • História familiar: presença de cânceres específicos na família, como o câncer de ovário, uterino, colorretal e o de mama;
  • Fatores genéticos: mutações específicas (BRCA 1, BRCA 2, Síndrome de Lynch);
  • Excesso de peso corporal;
  • Tabagismo.

Atenção: os fatores de risco indicam apenas que você tem uma maior probabilidade de ter a doença em relação àqueles que não apresenta os fatores de risco. Ter fator de risco não significa, necessariamente, que você possui a doença.

Existem também alguns fatores de proteção em desenvolver o câncer de ovário:

  • Gravidez anterior;
  • História de amamentação;
  • Uso de contraceptivos orais;
  • Ligadura tubária.
  • Remoção de um ou ambos os ovários

Os fatores de proteção indicam uma menor probabilidade de ter câncer de ovário, mas não exclui essa possibilidade.

Atualmente, não existe um método eficaz no diagnóstico precoce do câncer de ovário. A união desses fatores (sintomas, fatores de risco e fatores de proteção) é que levantará a hipótese oncológica sobre o ovário. Para melhor investigação, o médico poderá solicitar alguns exames laboratoriais e de imagem, mas apenas a biópsia é que confirma o diagnóstico.


O CÂNCER DE OVÁRIO TEM CURA?

Apesar do difícil diagnóstico em estágios mais precoces, o câncer de ovário é uma doença que pode ter um tratamento satisfatório à paciente. No entanto, a chance de cura é altamente dependente do estágio da doença em que se iniciou o tratamento. O resultado da biópsia, associada à investigação por imagem ou até mesmo por cirurgia sobre os possíveis acometimentos de outras regiões do corpo (metástase) é quem vai dizer o tipo e a complexidade do tratamento.

De maneira geral, o câncer de ovário é tratado com quimioterapia associado ou não à cirurgia, com remoção dos ovários e de locais comprometidos pelo câncer para evitar sua recorrência.


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Dada a complexidade relativa ao manejo da paciente com câncer de ovário, bem como seu longo percurso até o diagnóstico definitivo, apesar de a suspeita clínica poder ser iniciada na atenção primária ou secundária, ela tende a ser referenciada a um centro de tratamento especializado para o tratamento definitivo (quimioterápico e/ou cirúrgico). Contudo, vale destacar que todo o seu acompanhamento, das medidas preventivas até o tratamento definitivo, é oferecido gratuitamente pelo SUS. O percurso, porém, pela demanda por procedimentos mais complexos, consequentemente resultará em referenciamentos aos grandes centros.


Referências

5 de Maio: Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

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O grande número de farmácias e drogarias, apesar de facilitar a procura e o consumo de seus produtos tão importantes à saúde, também deve sinalizar para um uso racional de medicamentos. Aquele antigo hábito de tomar determinado medicamento que um certo vizinho, amigo ou conhecido indicou para tratar algum sintoma, apesar de parecer prático em primeiro momento, pode ser potencialmente perigoso à saúde. A automedicação ainda continua sendo uma importante causa de intoxicação e acidentes domésticos.

O Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos traz a ideia, portanto, de destacar a importância em saber os riscos do manejo inadequado das medicações, bem como destacar os cuidados necessários para se evitar que um medicamento seja transformado em doença.


AUTOMEDICAÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define que o uso racional de medicamentos é observado quando pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade. No entanto, a realidade brasileira nos mostra que estamos bem distantes desse objetivo quanto ao uso dos medicamentos. Muito provavelmente você deve conhecer alguém próximo (ou então você mesmo) carregue consigo aquela bolsa de remédios, ou tem aquela “farmacinha” em uma gaveta ou armário de casa, aguardando aquele uso imediato do medicamento para alívio dos sintomas, não é mesmo?

Automedicação: uso de medicamento sem a prescrição, orientação e ou o acompanhamento do médico ou dentista (Port. nº 3916/98 – Política Nacional de Medicamentos)


AUTOMEDICAÇÃO RESPONSÁVEL

Apesar dos riscos relacionados à automedicação, ela não é proibida em território nacional, fato este que permite, por exemplo, farmácias e drogarias comercializarem legalmente diversos medicamentos sem a necessidade de prescrição médica, principalmente os famosos analgésicos e antiinflamatórios, mas seu uso indiscriminado pode ser altamente prejudicial à saúde. Por isso, adotar medidas de automedicação responsável são fundamentais para evitar que o medicamento não seja mais um fator prejudicial à saúde, além da doença ou sintoma que motivou tal uso.

Leia abaixo quais são os requisitos para automedicação responsável:

  • Os medicamentos a serem utilizados devem apresentar segurança, qualidade e eficácia cientificamente comprovadas;
  • Os medicamentos devem ser aqueles utilizados em algumas doenças crônicas ou recorrentes, desde que seguido de diagnóstico médico inicial;
  • Tais medicamentos, em todos os casos, devem ser especificamente destinados ao uso proposto, requerendo doses apropriadas;
  • Todos os medicamentos devem conter as seguintes informações:
    • Modo de usar;
    • Efeitos e possíveis efeitos colaterais;
    • Como os efeitos do medicamento podem ser monitorados;
    • Possíveis interações medicamentosas;
    • Precauções e advertências;
    • Duração do tratamento e quando o profissional de saúde deverá ser procurado.

OUTROS CUIDADOS ALÉM DA AUTOMEDICAÇÃO

Muito embora a automedicação seja, em primeiro momento, um dos principais pontos a serem abordados ao se fazer referência ao uso racional de medicamentos, vale a pena destacar que outros pontos também devem ser lembrados.

Fitoterápicos e homeopáticos também são medicamentos!

Os fitoterápicos são obtidos exclusivamente de plantas medicinais.

Os homeopáticos são derivados de plantas, animais, minerais, de substâncias biológicas ou sintéticas.


CUIDADOS NO ARMAZENAMENTO

  • Ao adquirir o medicamento, solicite ao farmacêutico orientações sobre como guardá-lo;
  • Leia as instruções na bula e na embalagem com atenção;
  • Mantenha os medicamentos protegidos da luz, da umidade e do calor;
  • Alguns medicamentos devem ser guardados em sistema refrigerado (ex.: geladeira). Nesse caso, coloque o medicamento dentro de uma caixa plástica fechada na parte interna da geladeira. Nunca deixe nenhum medicamento na porta da geladeira, pois evita variações de temperatura que podem danificar o medicamento;
  • Mantenha os medicamentos fora do alcance de crianças e de animais;
  • Mantenha os medicamentos protegidos de insetos e roedores, longe de alimentos, de produtos químicos e de produtos de limpeza;
  • Medicamentos homeopáticos devem ser armazenados longe de fontes de radiação (eletromagnética, raios-x, celulares) e de odores fortes;
  • Mantenha os medicamentos em sua própria embalagem e bula.

DESCARTE DE MEDICAMENTOS

  • Não descarte os medicamentos no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário;
  • Para descartar adequadamente um medicamento, você deverá encaminhá-lo a um posto de coleta (farmácias, drogarias, centros de saúde).

O descarte em lixos comuns e na rede de esgoto podem, além de contaminar o solo e a água, causar intoxicações com potencial de ocasionar a morte de pessoas que trabalham em lixões.

 

Abril Verde

28 de abril –  Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho e Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

Atualmente, a cada ano, 313 milhões de trabalhadores e trabalhadoras sofrem lesões profissionais não fatais todos os anos, ou seja, 860.000 pessoas feridas no trabalho todos os dias. De acordo com as estatísticas da Organização Internacional do Trabalho – OIT, a cada 15 segundos, morre um (a) trabalhador (a) em virtude de um acidente de trabalho ou de doença relacionada com a sua atividade profissional. Ou seja, 6300 mortes por dia num total de 2.3 milhões de mortes por ano.

No Brasil, as estatísticas oficiais, conforme as informações disponibilizadas pela Previdência Social, entre os trabalhadores com vínculo formal celetista foram notificados 4.503.631 acidentes entre 2012 e 2018 (CATWEB). O número permite estimar a quantidade de acidentes por unidade de tempo e projeção para 2019 até hoje. No mesmo período, 16.455 desses acidentes resultaram em morte. Com projeção temporal, calcula-se que 1 morte ocorra a cada 3 horas 43 minutos e 42 segundos. Já no estado de Minas Gerais, no mesmo período, foram registrados 473.166 acidentes de 2152 mortes, entre os trabalhadores assegurados pela previdência social.

Frente a gravidade do problema, e da  necessidade de garantir a preservação da integridade da pessoa humana, um dos grandes desafios da política pública de saúde é a prevenção dos acidentes e das mortes no trabalho, uma vez que se trata de uma situação dramática, de desmonte traumático do projeto de vida que traz consequências para todo o núcleo familiar. Neste sentido, busca-se promover a cultura em que o direito a trabalhar num ambiente seguro e saudável é respeitado em todos os níveis e em que governos, empregadores e trabalhadores comprometam-se ativamente em assegurá-lo, por meio da definição de um sistema de direitos, responsabilidades e deveres, assim como da atribuição da máxima importância ao princípio da prevenção.

No âmbito do Sistema Único de Saúde e da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora é tema prioritário a Vigilância das doenças e agravos relacionados ao trabalho – ART/DRT. São de notificação compulsória em todo o território nacional: Acidente de Trabalho Grave; Acidente de Trabalho com exposição a material biológico; Intoxicação Exógena Relacionada ao Trabalho; Câncer Ocupacional; Dermatose Ocupacional; Pneumoconioses; Lesões por Esforços Repetitivos/ Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT); Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR); E Transtornos Mentais relacionados ao Trabalho; É importante observa-se que no estado de Minas Gerais no período de 2015 a 2020 foram notificados 118.217 casos de ART/DRT no Sistema de informação de agravos de notificação – SINAN, considerando-se que nesse sistema são abrangidos os casos entre trabalhadores formais e informais.

Algumas ações são fundamentais para a adequada vigilância dos acidentes e mortes em decorrência do trabalho, apontamos algumas: atuação ativa das referências técnicas municipais de saúde do Trabalhador no âmbito dos 853 municípios mineiros, execução das ações de vigilância de ambientes e processos de trabalho e notificação oportuna dos agravos e doenças relacionadas o trabalho em todos os serviços assistenciais de saúde; expansão da Rede Nacional de Atenção à Saúde do Trabalhador (Renast) dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), com a ampliação da cobertura dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador, em todo o estado de Minas Gerais, bem como a articulação ativa e construção conjunta com as instâncias de Controle Social

Referências Bibliográficas

OIT, Organização Internacional do Trabalho. SAFETY AND HEALTHAT THE HEART OFTHE FUTURE OF WORK. BUILDING ON 100 YEAR, 2019. Disponível em: https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/—dgreports/—dcomm/documents/publication/wcms_686646.pdf . Acesso em: 15/04/2021

MPT, Ministério Público do Trabalho. OBSERVATÓRIO DE SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO. Disponível em: https://smartlabbr.org/sst Acesso em: 15/04/2021

BRASIL, Ministério da Saúde. NOTA INFORMATIVA Nº 94/2019-DSASTE/SVS/MS. Orientação sobre as novas definições dos agravos e doenças relacionados ao trabalho do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Disponível em: http://vigilancia.saude.mg.gov.br/index.php/saude-do-trabalhador/ Acesso em: 15/04/2021

BRASIL. Ministério da Saúde. Notificação de acidentes do trabalho fatais, graves e com crianças e adolescentes. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: Disponível em: http://vigilancia.saude.mg.gov.br/index.php/saude-do-trabalhador/ Acesso em: 15/04/2021

 

 

 

 

 

Meningite: prevenção e ação rápida

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

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No dia 24 de abril de 2021, o Dia Mundial do Combate à Meningite chama a sua atenção para o reconhecimento da importância da prevenção da doença e do manejo rápido e eficiente na suspeita da doença. Com uma taxa de mortalidade que pode chegar a cerca de 90%, quando não tratadas corretamente, a campanha mundial (Confederation of Meningitis Organisations (CoMO)) reforça a necessidade de uma abordagem ágil nas primeiras 24 horas. Anualmente, mais de 5 milhões de pessoas são afetadas pela meningite, sendo que cerca de 10% delas acabam morrendo e 20% ficam com sequelas. Por isso, mantenha-se informado e saiba o que você pode fazer para evitar ou conduzir a doença  da melhor maneira possível.


ENTENDENDO A MENINGITE

Como você já deve imaginar, o cérebro é um órgão complexo e muito importante no funcionamento de todo o nosso organismo. Responsável por receber, processar e enviar as informações que permitam a nossa interação com o ambiente e pessoas que vivemos, ele é o principal órgão do chamado sistema nervoso central. E, para proteger esse órgão tão importante e ao mesmo tempo tão frágil do nosso corpo, além de estar imerso em um líquido (líquido cefalorraquidiano) e abrigado no crânio, é também protegido por três membranas (uma espécie de película protetora) chamadas de meninges, que recobrem todo o cérebro e medula espinhal.

Ao envolver o sistema nervoso central, pode-se dizer que as meninges são fundamentais no fornecimento de nutrientes e proteção mecânica essenciais ao seu funcionamento adequado. Contudo, quando uma infecção, invasão ou reação estranha ocorre nessas membranas, ocorre um acúmulo de células de defesa na região, levando a à inflamação das meninges, ou meningite.

A meningite pode afetar qualquer pessoa, a qualquer momento, e pode matar em horas.

A meningite tem como as principais causas as infecções por vírus, bactéria, fungos e parasitas, mas também pode estar relacionado ao câncer, doenças autoimunes (ex.: lúpus), medicamentos, traumatismos e relacionado à complicações de uma neurocirurgia.


COMO A MENINGITE É TRANSMITIDA?

Assim como muitas outras doenças infecciosas, como no caso da covid-19, a meningite pode também pode ser transmitida de pessoa a pessoa por meio do contato com as gotículas respiratórias eliminadas no espirro, tosse, fala, ingestão de alimentos contaminados e também pelo contato com superfícies e objetos contaminados pelo microorganismo.

Apesar de a meningite atingir principalmente as crianças menores de 5 anos, pessoas de qualquer idade podem ser infectadas e desenvolver a doença.

Os sinais e sintomas podem variar de acordo com o microrganismo causador da doença. Quando virais (principalmente em crianças), o quadro se assemelha às síndromes gripais, ou seja, acompanhado de febre, dor de cabeça, perda de apetite, rigidez nucal e irritabilidade. Já nos casos em que há o agente bacteriano, pode ocorrer febre alta, vômitos, manchas avermelhadas na pele, dor de cabeça intensa, rigidez nucal com limitação de movimento (por exemplo, não conseguir encostar o queixo no peito), irritabilidade, tontura, fotofobia, sinais de hemorragia e convulsão.

De maneira geral, uma meningite bacteriana costuma ser mais grave que o quadro viral, mas ambos podem apresentar sinais e sintomas muito semelhantes. Além disso, vale destacar que a meningite pode evoluir para um quadro grave em pouco tempo e o diagnóstico e tratamento devem ser feitos o quanto antes, pois trata-se de uma doença que pode levar à morte do paciente se não tratada a tempo. Por isso, sob qualquer suspeita do quadro, procure ajuda médica o mais rápido possível.

A meningite pode ser fatal e, em boa parte dos casos em que o tratamento não é feito a tempo, pode resultar em dano cerebral, perda auditiva ou alguma outra condição incapacitante.


PREVENÇÃO

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  • Evitar locais com aglomeração de pessoas;
  • Deixar os ambientes ventilados e, se possível, com exposição solar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal;
  • Reforçar hábitos de higiene, como a lavar as mãos e a desinfecção de superfícies e objetos;
  • Manter a vacinação em dia.

Clique aqui para baixar o Calendário Nacional de Vacinação e mantenha a prevenção em dia!


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

A principal medida de controle da meningite é a prevenção e a vacinação tem uma importante participação nessa ação. Manter a vacinação em dia ajuda a prevenir o desenvolvimento da doença frente aos seus principais agentes. Vale lembrar, porém, que a vacinação não garante imunidade total à doença, pois ela confere proteção somente a alguns dos principais causadores da meningite. Por isso, além da vacinação (oferecida gratuitamente pelo SUS), outras medidas de prevenção devem ser tomadas para se evitar a infecção.

Todos os tipos de meningite devem ser obrigatoriamente notificados às autoridades sanitárias, devido à sua importância clínica-epidemiológica. Dessa maneira, sob qualquer suspeita de meningite, procure ajuda médica o mais rápido possível. Todo o momento, desde a prevenção, diagnóstico, tratamento e, se necessário, internação hospitalar, é garantido pelo Sistema Único de Saúde.

Referências:

Doença de Chagas: uma epidemia silenciosa

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

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Após 112 anos desde o primeiro diagnóstico da doença de Chagas em humanos, no dia 14 de Abril de 2021 celebramos o segundo ano do Dia Mundial da Doença de Chagas. Considerada uma doença tropical negligenciada no mundo, essa data traz muito mais que apenas o alerta à sociedade sobre a doença de Chagas, mas também coloca em evidência mundial a importância do reforço às medidas de prevenção e volta os olhares da saúde e dos governos para as populações rurais e vulneráveis caracterizadas pela pobreza e exclusão social.

Endêmica em 21 países das Américas, com destaque ao Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia e México, a doença de Chagas já atinge mais de 7 milhões de pessoas no mundo, com cerca de 30 mil novos casos por ano. No Brasil, a doença é a quarta causa de morte entre as doenças infecto-parasitárias, o que reforça a necessidade de se manter informado sobre o assunto.

Uma doença endêmica é aquela com grande frequência de casos em determinada região.


A DOENÇA DE CHAGAS

Descoberta em 1909 na pequena cidade Lassance (Minas Gerais) pelo médico sanitarista mineiro Carlos Ribeiro Justiniano Chagas (1879-1934), até hoje a Doença de Chagas continua fazendo parte do grupo das doenças negligenciadas e mantém sua forte relação com a desigualdade socioeconômica, sobretudo em relação às populações rurais.

Assim como descrito na época, a transmissão foi associada a um inseto presente em algumas regiões rurais, como o norte de Minas e Sul da Bahia, conhecido como “barbeiro”. Esse inseto, quando em seu hábitat natural, costuma se abrigar em locais como troncos de árvores, tocas de animais, ninhos abandonados, entre outros locais. Quando presentes em ambientes habitados pelo homem, costumam se esconder em telhas e fendas de paredes nas chamadas “casas de pau-a-pique”. Além disso, dado o seu hábito noturno e por se alimentar de sangue, frequentemente picam o homem em áreas expostas, como rosto, pescoço e braços.

O inseto transmissor da doença pode ser conhecido popularmente como: “barbeiro” (mais comum), “chupão”, “procotó” ou “bicudo”. 

Os sinais e sintomas da doença podem variar de acordo com a forma de infecção e  fase da doença em que a pessoa se encontra (aguda ou crônica). Contudo, muitos  pacientes não apresentam quaisquer sintomas (assintomáticos) e muitas vezes só descobrem após 20 a 30 anos do momento da infecção da doença, em um exame de rotina ou suspeita clínica e epidemiológica. A doença apresenta período de incubação variável relacionada a forma de infecção, quando a transmissão ocorre através da picada do barbeiro, o período médio de incubação é de 4 a 15 dias. A duração média da  fase aguda é de 8 a 12 semanas. O indivíduo na fase crônica, se não tratado apropriadamente, pode permanecer infectado durante toda a vida.

O local em que houve a picada do “barbeiro”, seguido pelo contato com as fezes contaminadas com parasitos, costuma apresentar uma reação inflamatória com um inchaço nodular.

Durante a fase aguda sintomática, pode haver sintomas muito semelhantes a um quadro de síndrome gripal: febre alta, dor de cabeça, calafrios, fadiga, irritabilidade, mal-estar, dor muscular, alterações de apetite, entre outros.

Em sua fase crônica sintomática pode haver comprometimento gastrointestinal (soluços, dificuldade para engolir, dor abdominal , regurgitação, constipação, desnutrição), neurológico (convulsões, meningite, encefalite) e, mais frequentemente, cardíacos (aumento cardíaco, insuficiência cardíaca, formação de trombos, morte súbita).


COMO OCORRE A TRANSMISSÃO DA DOENÇA?

A doença tem como causa a infecção causada pelo protozoário Trypanossoma cruzi (tripanossomíase), que pode ocorrer das seguintes formas:

  • Vetorial: contato com as fezes do inseto barbeiro, contaminadas com o protozoário;
  • Vertical: passagem de parasitos de mulheres infectadas para seus bebês, durante a gravidez ou o parto;
  • Amamentação: mulheres na fase aguda da doença de Chagas podem transmitir o protozoário aos seus filhos através do leite materno.
  • Transfusão de sangue ou transplante de órgãos de doadores infectados a receptores sadios;
  • Acidental: contato da pele ferida ou de mucosas com material contaminado durante manipulação em laboratório ou na manipulação de caça.
  • Oral: ingestão de alimentos contaminados com os parasitos;

Diferentemente das outras doenças que envolvem os insetos para a ocorrência da transmissão, a doença de Chagas não é transmitida pela picada do barbeiro, mas pelo contato das fezes contaminadas com o protozoário com o sangue ou mucosas (olhos e cavidade oral).


QUAIS SÃO AS MEDIDAS DE PREVENÇÃO DA DOENÇA?

Agora que você já conhece as formas de transmissão, fica mais fácil de entender as formas de prevenção, pois elas estão fortemente relacionadas, sendo elas:

  • Evitar a presença do barbeiro dentro das residências: telas e mosquiteiros nas portas e janelas; manter os quintais limpos retirando entulhos que podem servir de esconderijos para o vetor, manter galinheiros e abrigos de animais distantes da casa, uso de inseticidas residuais (exige equipe técnica especializada);
  • Medidas de proteção individual (repelentes, roupas de mangas longas, etc) durante a realização de atividades noturnas;
  • Prevenção da transmissão oral: ações de vigilância sanitária e inspeção em todas as etapas da cadeia de produção de alimentos suscetíveis à contaminação;
  • Cuidados técnicos: regulação da doação de sangue, transplante de órgãos e cuidados durante a manipulação de material contaminado.

SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

A doença de Chagas é descrita como uma epidemiologia silenciosa e, portanto, depende da participação ativa dos sistemas de saúde. Apesar de o SUS fornecer gratuitamente todo o diagnóstico e tratamento da doença ao paciente, vale lembrar que trata-se de uma doença que exige a atenção de muitos fatores envolvidos e que, portanto, pode ser falho em alguns de seus pontos. Por isso, sempre que for viajar um local verifique se a região é endêmica para a doença e siga as recomendações preventivas. Além disso, caso perceba algum sinal ou sintoma suspeito, procure um centro de saúde mais próximo para que o diagnóstico seja feito precocemente e, assim, você possa se beneficiar do tratamento. Apesar de haver tratamento para a doença, ela deve ser feita precocemente, pois seus danos aos diversos órgãos do corpo são irreversíveis.

 

Referências:

Dia Mundial da Tuberculose: saiba mais sobre a doença e a relação com diagnóstico de covid-19

Em 24 de março, ocorre o Dia Mundial da Tuberculose. Doença grave, que no mundo está entre as 10 maiores causas de morte e a principal causa de morte em pacientes com HIV, infectando 10 milhões de pessoas por ano, com 4 mil mortes ao dia.

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Doença de notificação compulsória do Ministério da Saúde, acomete mais pessoas do sexo masculino, adultos jovens e países de baixa renda. Em 2019, no Brasil, foram notificados mais de 70 mil casos e 4.500 mortes, ou seja, a cada 100 mil pessoas, 35 adoeceram com tuberculose.

Dr. João Ildeu Braga JuniorNeste contexto, veja a entrevista com João Ildeu Braga Junior. Médico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1980, concursado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) como médico de assistência ao paciente com Tuberculose desde 1985, atualmente lotado na vigilância epidemiológica de Tuberculose da Superintendência Regional de Saúde de Belo Horizonte, João Ildeu atuou 29 anos como médico exclusivo assistencial ao paciente com tuberculose.

Informações sobre a doença em Minas Gerais, vacina, tratamento e a relação entre tuberculose e a dificuldade no diagnóstico de covid-19 são alguns dos temas abordados.

Qual a situação da tuberculose atualmente em Minas Gerais?
Em 2020 foram notificados mais de 4 mil casos de Tuberculose em Minas Gerais, mais precisamente 3.940, e 48,5% dos casos foram notificados por unidades de atenção secundária (Centro de Especialidades) e terciárias (UPAs e Hospitais), sendo que os casos da doença deveriam ser identificados pelas unidades básicas municipais (Atenção Primária) por meio dos sintomáticos respiratórios. A cada 100 mil mineiros, 18 adoecem com tuberculose, e 10% dos pacientes com TB são coinfectados pelo HIV.

Há vacina para tuberculose?

A vacina contra tuberculose chama-se BCG e é aplicada no recém-nascido. Sua função é evitar as formas graves da doença na infância. Não há indicação de dose de reforço nem o uso na população adulta.

Existe um público mais vulnerável?
Sim. A população mais vulnerável à infecção são aqueles em situação de rua com 56 vezes mais risco de adoecer, privados de liberdade com 35 vezes; HIV (25 vezes mais risco); indígenas (3 vezes mais risco); portadores de doença crônica, especialmente diabetes, etilistas e imunodeprimidos.

Quais os principais sintomas?

Os principais sintomas são febre, tosse, emagrecimento e sudorese noturna. A doença só é transmitida por tosse e espirro de pacientes com tuberculose pulmonar, não havendo necessidade de separação de objetos de uso pessoal, como talheres, copos, roupas de cama, entre outros objetos. A alimentação deve ser normal, não havendo restrição alimentar. É importante manter ambientes arejados e ventilados.

Como é feito o tratamento?
O tratamento é com comprimidos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todas as unidades assistenciais de saúde, com duração média de 6 meses, não disponibilizado em farmácias/drogarias ou outras unidades da rede privada. Após 15 dias de uso regular da medicação, não há mais risco de transmissão.

A medicação é fornecida pelo Ministério da Saúde para descentralizar aos municípios, pela Secretaria de Estado da Saúde. Deve-se procurar o tratamento em qualquer unidade de saúde pública, que oferecem o tratamento básico disponível.

Qual a efetividade do tratamento?

O tratamento é efetivo quando uso é regular, sem interrupção, e não apresenta resistência a nenhuma das 4 drogas utilizadas. Se apresentar resistência a qualquer uma delas, é prescrito um tratamento especial por médicas das unidades secundária e terciária. O tratamento não é esterilizante, ou seja, o indivíduo pode apresentar uma reinfecção, por depender de resposta imunológica, que é individual.

Quais os riscos de abandonar o tratamento?
As metas preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) são de identificação de 70% dos casos de tuberculose, 85% de cura e menos de 5% de abandono, sendo que pelo menos 70% dos contatos dos casos positivos sejam examinados. Por ser a principal causa de morte em HIV, é definido que se ofereça a testagem para HIV em 100% dos pacientes com tuberculose.Com o abandono do tratamento, esta transmissão se perpetua. Cada paciente com tuberculose pulmonar, infecta outras 10-15 pessoas de seu convívio, sendo que destas, em torno de 10% desenvolvem a doença.

A tuberculose dificulta o diagnóstico de covid-19?
Sim. Os sintomas podem ser os mesmos (febre e tosse) com o período diferente. Para suspeita de tuberculose, os sintomas devem estar presentes há mais de 3 semanas, exceto para população privada de liberdade e população em situação de rua, que pelo risco maior de adoecimento, a presença destes sintomas independe do tempo. Para casos de covid-19, os sintomas estão presentes até 7 dias, em média. Os médicos devem sempre pensar nas duas doenças e fazer o diagnóstico diferencial para ambas.
Com a pandemia de covid-19, muitos pacientes estão abandonado o tratamento por receio de infectar-se com o vírus nas unidades e não buscam o medicamento para seguimento do tratamento.

É fundamental que se faça busca ativa dos pacientes faltosos.

A covid-19 é um dificultador para tratamento da tuberculose?

Não para o tratamento, a dificuldade está em sair para consultar e buscar medicamento em unidades assistenciais que atendem covid.

Qual a importância da comunicação para informar sobre a tuberculose?
É preciso mais campanhas de conscientização da população sobre os sintomas da doença e importância do tratamento. Infelizmente é uma doença negligenciada, em que as pessoas se sentem estigmatizadas. O Brasil ocupa a 20ª posição no mundo em incidência da doença, com melhora dos indicadores nos últimos anos.

Qual mensagem passaria para os profissionais de saúde?
É importante ressaltar a necessidade de busca ativa de pacientes faltosos, avaliar os contatos dos casos positivos e identificar os sintomáticos respiratórios. Não há falta de exames para diagnóstico nem medicação para tratamento. Recentemente foi publicada nova versão do Manual de Normas para Tuberculose, que foi disponibilizado para todos os municípios, assim como as notas técnicas de orientação aos profissionais de saúde.

Qual mensagem passaria para a população?
Ninguém está livre de adoecer com tuberculose. Não depende de nível socioeconômico ou cultura e é preciso persistência no tratamento mesmo após melhora dos sintomas. Você não está curado antes de completar 6 meses de tratamento.

21 de Março: Dia Internacional da Síndrome de Down

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Criado em 2006 pela organização mundial Down Syndrome International, o dia 21 de março foi reservado com a finalidade de conscientização da população mundial sobre a síndrome de Down, buscando alcançar tanto a visibilidade do tema quanto a inclusão dessas pessoas na sociedade.

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De acordo com o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2010, cerca de 300 mil pessoas têm Síndrome de Down, que corresponde a uma boa parcela dos mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência mental ou física. E, por falar nisso, você sabe sabe o que é a Síndrome de Down e quais são os cuidados gerais com as pessoas com essa condição? Acompanhe aqui e saiba mais!


O QUE É UMA SÍNDROME

O termo “síndrome” faz referência a um conjunto de sinais e sintomas atribuídos a uma ou mais doenças. É utilizado, portanto, como um agrupamento de características que comumente estão juntas quando na presença de determinada doença ou até mesmo quando não se sabe a causa exata do conjunto dos sinais e sintomas manifestados pelo paciente. Uma mesma síndrome pode, portanto, compartilhar ou não das mesmas origens e causas.

Um exemplo tão falado é a “Síndrome Gripal”, que consiste no quadro respiratório agudo, caracterizado por pelo menos dois (2) dos seguintes sinais e sintomas: febre (mesmo que referida), calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos (cheiro) ou distúrbios gustativos.

Em crianças, além dos itens anteriores considera-se também: obstrução nasal

Em idosos, também deve ser considerado: síncope (desmaio), confusão mental, sonolência excessiva, irritabilidade e inapetência (perda ou redução do apetite).
Na suspeita de COVID-19, a febre pode estar ausente e sintomas gastrointestinais podem estar presentes.

Existem diversos tipos de síndromes e cada uma delas pode estar relacionada a mais de uma doença. A síndrome de Down faz parte do grupo das síndromes genéticas, mas existem outros grupos possíveis, como as síndromes respiratórias, traumáticas, cardíacas, infecciosas, renais, intestinais, entre outras.


SÍNDROME DE DOWN

Como dito anteriormente, a síndrome de Down é uma síndrome genética, como resultado de uma alteração na divisão celular desde o início da formação do embrião. É  a alteração cromossômica (estrutura que contém o material genético) mais comum nos seres humanos e a principal causa de deficiência intelectual na população.

A característica que se destaca na síndrome de Down é o seu atraso global quanto ao desenvolvimento. Observam-se os atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, além do déficit intelectual e retardo no crescimento (peso e altura).

O desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) é o processo em que, a partir de estímulos, a criança adquire e desenvolve determinadas habilidades.

Fazem parte desse desenvolvimento as habilidades motoras (sentar, engatinhar, andar, correr, pular, manusear objetos), psicossocial (conjunto de interações entre pessoas e com o meio ambiente) e de linguagem (chorar, sorrir, falar, expressões faciais).

Além do desenvolvimento global citado anteriormente, algumas características físicas também são bem características desta síndrome, que muitas vezes é responsável pela suspeita diagnóstica após o nascimento. Dentre as características, as da face acabam sendo as mais valorizadas:

  • Olhos: epicanto (dobra do canto do olho), fenda palpebral (inclinação) oblíqua;
  • Nariz: pequeno com o ponte nasal (porção superior) plana;
  • Boca: palato alto e língua projetada levemente para fora da boca;
  • Cabeça: em formato achatado;
  • Orelha: pequena e com implantação baixa, lobo delicado;

Mitos e verdades sobre a Síndrome de Down:

  • Mito: todas as pessoas com síndrome de Down têm a mesma aparência.
  • Verdade: de fato, existem características que são comuns à síndrome de Down, mas um indivíduo com essa síndrome tende a se parecer muito mais com a sua família do que com outra pessoa com a mesma síndrome.
  • Mito: somente as mães mais velhas têm filhos com síndrome de Down;
  • Verdade: mães mais velhas apresentam maior chance de ter filhos com a síndrome de Down, mas as mães mais jovens também podem ter filhos com essa síndrome.
  • Mito: pessoas com síndrome de Down tem uma vida mais curta;
  • Verdade: ao receber os cuidados médicos adequados, podem ter uma vida longa.
  • Mito: pessoas com síndrome de Down não conseguem atingir seus objetivos de vida normais.
  • Verdade: recebendo o suporte adequado e com a devida inclusão social, a maioria das pessoas com síndrome de Down podem viver uma vida adulta plena e semi-independente.
  • Mito: pessoas com síndrome de Down são sempre felizes e afetuosas.
  • Verdade: pessoas com síndrome de Down não são diferentes de ninguém em seus traços de caráter e humor.

O diagnóstico da síndrome de Down, apesar de ser feito principalmente pela observação das características físicas somadas ao comprometimento neuromotor, além de outros sinais e sintomas, também pode ser feito pela análise do material genético (cariótipo).


CUIDADOS GERAIS

Por se tratar de uma síndrome genética e, portanto, sem cura, o acompanhamento multidisciplinar é essencial na melhora da qualidade de vida do indivíduo e deve sempre contar com a participação da família tanto em relação à inclusão social como no suporte médico e psicológico.

É de extrema importância que uma pessoa com síndrome de Down receba atenção o quanto antes por profissionais da saúde, visto que exige atenção especial para se reduzir ao máximo o comprometimento global referente às habilidades neuropsicomotoras, do desenvolvimento do intelecto e do acompanhamento da curva de crescimento. Ademais, o acompanhamento deve ser feito durante toda a vida, sendo as consultas espaçadas de acordo com a necessidade de cada indivíduo quanto às suas particularidades.

O desenvolvimento da autonomia é algo que se aprende, não somente por pessoas com a síndrome de Down, mas por todos. O que ocorre é que esse processo é lentificado nos portadores da síndrome, mas não devem deixar de ser objetivados durante todo o processo, sempre que possível.


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

A Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, instituiu pela da Deliberação CIB-SUS/MG nº 1.272, de 24 de outubro de 2012 a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, por meio da criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com deficiência temporária ou permanente, nas formas progressiva, regressiva ou estável, sendo intermitente ou contínua, no âmbito do Sistema Único de Saúde de Minas Gerais – SUS/MG.

Os serviços de reabilitação são executados em unidades especializadas de abrangência regional, qualificadas para atender às pessoas com deficiência. As equipes são formadas por profissionais como médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas e enfermeiros. Estas equipes fazem o trabalho de avaliação de cada caso e também o planejamento do processo de reabilitação.

Os serviços componentes da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência serão articulados entre si, de forma a garantir a integralidade do cuidado e o acesso regulado, a cada ponto de atenção e/ou aos serviços de apoio. A regulação aos serviços de reabilitação será executada pelas Juntas Reguladoras da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, conforme atribuições instituídas pela Deliberação CIB-SUS/MG nº 2.003, de 09 de dezembro de 2014.

Referências:

  1. Down Syndrome Internacional
  2. Ministério da Saúde. Definição de Caso e Notificação de COVID-19.