Author Archives: Vitor Yukio Ninomiya

Junho Laranja: mês da conscientização sobre anemia e leucemia

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

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A campanha do mês de junho dirige-se à informação e prevenção sobre a saúde do sangue. Além de reservar um dia especialmente à importância da transfusão de sangue, o mês também traz em destaque duas das condições mais frequentes relacionadas ao sistema sanguíneo: a anemia e a leucemia. A anemia, apesar de muito frequente, ainda continua sendo um tema que traz muitas dúvidas à população. Já no caso da leucemia, ainda que menos frequente, também merece destaque por se tratar do principal câncer maligno da infância. 

Clique aqui e saiba como fazer sua doação de sangue. Ajude a salvar vidas!

Veja abaixo um breve texto sobre as informações básicas acerca de cada uma das condições citadas acima.

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Acidentes com queimaduras: o que fazer?

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

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Quando falamos sobre queimaduras, rapidamente nos vem à mente um acidente relacionado ao fogo, superfícies ou líquidos quentes, não é mesmo? É comum haver o relato de tal experiência dolorosa e, muitas vezes, por mais de uma vez na vida nos mais variados acidentes. Sendo assim, pela elevada frequência e importância no cenário nacional, o Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras tem como proposta informar sobre esse assunto tão recorrente e prevenível. Por isso, separamos aqui um breve texto para que você fique atualizado sobre esse tema tão importante!

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28 de Maio: Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

28 de Maio: Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher

No Dia Internacional da Luta Pela Saúde da Mulher, chama-se a atenção para a conscientização da sociedade sobre os principais problemas de saúde que devem ser lembrados rotineiramente como forma de prevenção à saúde da mulher. Além de reforçar a prevenção das amplas campanhas já conhecidas, como no caso do câncer de mama e câncer de colo de útero, também devemos lembrar da endometriose, infecção urinária, depressão, fibromialgia, obesidade, também muito frequentes nessa população. Sabendo disso, confira no texto abaixo algumas informações sobre cada uma delas.


CÂNCER DE MAMA E CÂNCER DE COLO DE ÚTERO

As estratégias de detecção precoce, incluindo tanto o diagnóstico precoce quanto o rastreamento da doença são classicamente eficazes na prevenção dos principais cânceres na mulher. A mamografia, no caso do câncer de mama, e o exame “papanicolau”, no câncer de colo de útero, têm sido muito bem aplicadas e, portanto, contam com o fator essencial ao sucesso dessas campanhas: a informação e o acesso aos sistemas de saúde.

O método de rastreio do câncer de colo de útero no Brasil é o exame citopatológico (exame de “Papanicolau”), que deve ser oferecido às mulheres ou qualquer pessoa com colo do útero, com idade entre 25 e 64 anos e que já tiveram alguma relação sexual, mesmo que com parceiro único. Isso pode incluir homens trans e pessoas não binárias designadas mulher ao nascer.

Já o método de rastreio do câncer de mama é a mamografia, que é recomendada na faixa etária de 50 a 69 anos, a cada dois anos, a depender do histórico familiar e condição individualizada.


ENDOMETRIOSE

A endometriose é uma doença que não é uma condição diagnosticada em primeira consulta. Geralmente, esta doença é diagnosticada após meses ou anos em que se investiga a causa de infertilidade ou que tenha relação com a alteração nos ciclos menstruais, muitas vezes associadas a dores

Costuma ser diagnosticada entre 25 e 40 anos, com a queixa de ciclos menstruais irregulares e alteração no fluxo e frequência de tais episódios, mas outros sinais e sintomas que levantam a suspeita para esta condição também podem ser observadas, como: cólicas menstruais intensas e dor durante a menstruação, dor durante a relação sexual, constipação ou outra alteração do trânsito intestinal, presença de sangue nas fezes, alteração da função urinária (presença de sangue e dor).

Em muitos casos, o tratamento ocorre com o bloqueio da menstruação, evitando-se assim os episódios de dor ou disfunção, pois tendem a ocorrer somente nos períodos menstruais. Em alguns casos, principalmente quando há desejo de engravidar, pode haver necessidade de uma abordagem cirúrgica, mas toda a conduta deve ser individualizada.


INFECÇÃO URINÁRIA

A infecção urinária é um problema que, apesar de muito comum, pode ser evitado em grande parte dos casos e com medidas simples. Você provavelmente já conheceu alguém ou até mesmo já teve infecção urinária uma ou mais vezes na vida. Alguns dos sinais de infecção urinária são: 

  • Dor ou queimação ao urinar;
  • Vontade frequente para urinar;
  • Sensação de urgência para urinar;
  • Acordar durante a noite para urinar;
  • Urina com coloração escura (concentrada ou com sangue) e com cheiro forte;
  • Pouca quantidade de urina;
  • Desconforto na região logo abaixo da barriga (bexiga);
  • Febre.

A prevenção é simples e consiste em medidas como a ingestão de líquidos em grande quantidade, não segurar a vontade de urinar por muito tempo, urinar antes e após as relações sexuais, terapia hormonal para mulheres na menopausa e controlar o diabetes.


DEPRESSÃO

A depressão é um transtorno do humor que deve ser encarado como uma doença que muitas trazem consequências graves e que frequentemente é incapacitante. Um sentimento de tristeza, apatia, dificuldades para dormir, falta de apetite, fadiga, redução da produtividade diária, quando se estende por semanas a meses deve sempre levantar uma suspeita ao diagnóstico.

O risco de depressão em mulheres chega a ser duas vezes maior, havendo uma relação com as mudanças hormonais, fato observado na maior incidência deste transtorno em pontos de alterações hormonais consideráveis, como na puberdade, gravidez (durante e pós-parto), aborto, menopausa e após cirurgias de retirada do útero (histerectomia).

Além da busca por psicoterapias, psiquiatras e outros serviços ofertados são fundamentais na recuperação da qualidade de vida daqueles que vivem com transtorno depressivo. Vale destacar que, apesar de a medicação ser fortemente indicada na maioria desses casos, outras atividades são essenciais para se obter a cura desta condição, como atividade física e a busca por outras atividades que tragam prazer à vida.


FIBROMIALGIA

No Brasil, a fibromialgia é a segunda doença reumatológica mais comum depois da osteoartrite. Ela pode ser definida como o conjunto de sinais e sintomas característicos, no qual frequentemente estão presentes a dor crônica, fadiga, transtorno de humor e distúrbio do sono. Contudo, a sintomatologia é bastante variada e outros sintomas subjetivos podem ser referidos, como: sensação de formigamento, inchaços, palpitações, distúrbios funcionais gastrointestinais, dor de cabeça e distúrbios psicossomáticos diversos. Além disso, a fibromialgia ocorre mais frequentemente em mulheres (chega a ser dez vezes mais comum em mulheres), costuma ser diagnosticado entre 25 e 65 anos e possui agregação familiar frequente.

Não existe uma cura para a fibromialgia, mas muito pode ser feito  em relação ao tratamento dos seus diversos sintomas possíveis. Em especial, o caráter multidisciplinar da condução desta doença tem como um de seus pilares a importância das medidas não farmacológicas, que consistem em atividades físicas, higiene do sono e psicoterapia. E, quanto às medicações há um vasto campo de ação, devendo esta ser individualizada cuidadosamente e evitando o uso de anti-inflamatórios.


OBESIDADE

Diferentemente das condições acima, muitas vezes a obesidade é vista apenas como um fator estético pela maioria das pessoas, o que acaba por trazer uma falsa impressão sobre o verdadeiro problema em relação a esta condição. Pessoas com sobrepeso ou obesidade, em comparação àquelas com peso normal, apresentam risco aumentado de diversas doenças e problemas de saúde, como por exemplo:

  • Todas as causas de morte (aumento da mortalidade);
  • Hipertensão (pressão alta);
  • Colesterol LDL alto, colesterol HDL baixo ou níveis elevados de triglicérides (dislipidemia);
  • Diabetes tipo 2;
  • Doença coronariana;
  • “Derrame” (acidente vascular cerebral);
  • Osteoartrite (cartilagens e ossos mais frágeis e com maior risco de ocorrer fraturas);
  • Problemas de sono (ex.: apneia)
  • Problemas respiratórios;
  • Desenvolver diversos tipos de câncer
  • Pior qualidade de vida;
  • Transtornos neuropsiquiátricos: depressão, ansiedade, entre outros;
  • Dores no corpo;

Por isso, a insistente orientação sobre a mudança no estilo de vida, incluindo a mudança nos hábitos alimentares e a atividade física, continua sendo a melhor recomendação para a prevenção das condições acima e de muitas outras. 

Um plano de alimentação saudável inclui frutas, vegetais, grãos inteiros, leite desnatado e outros laticínios, carnes magras e alimentos no geral que tenham baixo teor de sal, gorduras saturadas, gorduras trans e açúcares refinados.

Em especial às mulheres, a reposição de ácido fólico todos os dias ajuda na renovação das células saudáveis que o corpo produz diariamente, bem como ajuda a prevenir os principais defeitos de malformação do bebê durante a gestação.

A recomendação para uma boa saúde e bem-estar, a Organização Mundial da Saúde recomenda um tempo mínimo de 150 a 300 minutos de atividade física de moderada intensidade por semana a todos os adultos. 

 

23 de Maio: Dia Internacional da Tireoide

Autor: Vitor Yukio Ninomiya
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Muito provavelmente você já deve ter se preocupado, em algum momento da vida, com a saúde do seu coração, fígado, rins, cérebro, não é mesmo? Mas alguma vez você já se perguntou sobre o funcionamento da sua tireoide? Ou até mesmo, já ouviu falar dela? Sabe onde ela se localiza no nosso corpo e qual a sua função no organismo? Pois bem, a tireoide não é assunto tão comum do cotidiano e em boa parte dos casos ela só é lembrada no consultório médico, quando em investigação de seu funcionamento adequado.

Tendo em vista a importância e o pouco conhecimento, por parte da população em geral sobre o tema, a Federação Internacional de Tireoide, em 2008, reservou o dia 25 de maio como o Dia Internacional da Tireoide, com o objetivo de chamar a atenção sobre a importância da tão pouco conhecida glândula tireóide. Por isso, leia o texto abaixo e mantenha-se informado sobre esse órgão tão importante do nosso corpo.

Glândula: órgão que tem como função produzir e liberar substâncias (ex.: hormônio) em um local-alvo (ex.: corrente sanguínea)

A TIREOIDE

A tireoide é uma glândula localizada na parte inferior do pescoço, logo abaixo do conhecido “pomo de adão” (região mais elevada da parte da frente do pescoço). Ela envolve a traqueia (“tubo” que conduz o ar que respiramos até os pulmões) e possui um formato semelhante a uma borboleta. Apesar de seu tamanho reduzido (de 3 a 5 cm cada lado e cerca de 20 a 25 gramas), a tireoide é uma das maiores glândulas do corpo humano e possui papel fundamental na regulação do metabolismo.

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A tireoide, por atuar diretamente no metabolismo, é responsável por todas as funções vitais no organismo, como: batimentos cardíacos, temperatura corporal, funcionamento intestinal, peso, memória, cognição, humor, fertilidade, entre muitos outros. 

A tireoide tem influência em todos os sistemas do corpo humano.

Na ocorrência de um mal funcionamento da tireóide, há alteração na quantidade de hormônios produzidos por ela e, consequentemente, ocorre o comprometimento da atividade das células do nosso corpo. Ou seja, dependendo do tipo e da intensidade da doença que acomete a glândula, pode haver desde quadros assintomáticos da doença até comprometimento geral do indivíduo, podendo até mesmo levar a óbito pelo número de complicações relacionadas.


SINAIS E SINTOMAS

Antes de citar alguns dos sinais e sintomas que podem indicar um funcionamento inadequado da tireoide, vale lembrar que os hormônios produzidos por essa glândula possuem ação direta e indireta sobre todo o organismo. Sendo assim, os achados abaixo não são, necessariamente, exclusivos de um problema relacionado à tireoide e, por isso, sempre procure auxílio médico para que haja melhor esclarecimento do caso e para que a investigação seja feita de maneira adequada.

No hipotireoidismo, a glândula tireóide está produzindo menos hormônios que o normal e, consequentemente, o metabolismo fica mais lento. Já no hipertireoidismo, ocorre o contrário: há uma produção excessiva dos hormônios da tireóide, resultando em um metabolismo acelerado.

No hipotireoidismo, a glândula tireóide está produzindo menos hormônios que o normal e, consequentemente, levando a uma lentificação do metabolismo. Nessa situação, alguns dos principais sinais e sintomas são: fadiga, ganho de peso, lentificação da fala e de movimentos corporais, intolerância ao frio, constipação (devido à lentificação do trato gastrointestinal), pele fria e ressecada, anemia, falta de ar, depressão, cãibras, fraqueza, dor nas articulações, entre outros.

No hipertireoidismo, a excessiva liberação de hormônios leva a um metabolismo acelerado. Sendo assim, os principais sintomas são: emagrecimento, aumento de apetite, intolerância ao calor, pele quente e úmida, queda de cabelos, palpitações, falta de ar, náuseas, anemia, aumento da frequência em urinar e defecar, fadiga, tremor, nervosismo, inquietação, insônia, entre outros.


COMO É FEITO O EXAME DA TIREÓIDE?

Dada a ampla função da tireoide, bem como a sua relação com as demais partes do organismo, muito frequentemente a investigação de um problema relacionado à tireoide exigirá mais de um exame para se chegar a um diagnóstico. Não existe um padrão que indique qual o primeiro exame que deve ser feito, pois cada paciente pode relatar um comprometimento diferente na saúde, bem como a localização, intensidade, frequência, entre outros fatores. 

Muito embora o autoexame não seja um método confiável para se indicar ou não uma investigação de problemas relacionados à tireoide, a palpação desta glândula é frequentemente realizada em primeira análise, mas que na maioria das vezes não apresenta alteração. No entanto, vale a pena chamar a atenção à importância do autoexame como incentivo ao conhecimento sobre  o próprio corpo, que muitas vezes acaba por incentivar a busca pelo atendimento.

O autoexame é uma ferramenta que se aperfeiçoa com o tempo e que pode ajudar no diagnóstico de muitas doenças. Quanto maior o seu conhecimento sobre cada detalhe do seu próprio corpo, maiores são as chances de perceber uma possível alteração e procurar ajuda.

Frequentemente, os exames de sangue podem indicar alterações diretas (exemplo: hormônios tireoidianos), indiretas (exemplo: função renal) e até mesmo indicar uma outra doença (exemplo: anemia).

Exames de imagem também são comuns nos casos em que há uma forte suspeita após verificar alterações nos exames de sangue. Inicialmente, com uma ultrassonografia e, se necessário, uma cintilografia da tireoide.

As biópsias (retirada de um fragmento da tireoide para análise laboratorial) são mais raras e estão indicadas somente se houver suspeita de câncer da glândula.

Frequentemente, os nódulos na tireoide trazem muita preocupação aos pacientes. Contudo, vale destacar que não são, necessariamente, um achado que confirma o câncer. O diagnóstico ocorre apenas após a confirmação do resultado da biópsia da lesão.


PREVENÇÃO E TRATAMENTO

Ao contrário de muitas outras doenças, não existe nenhum tipo de prevenção ou cuidado especial que ajude a evitar o surgimento das doenças da tireoide. Quase que a totalidade dos casos de distúrbios da tireoide possuem relação com tumores benignos e, bem menos frequentemente, malignos. Casos de comprometimento da tireoide relacionados ao uso de medicamentos são muito específicos e não entram como cuidado de prevenção geral, mas na orientação dos pacientes que utilizam os medicamentos possíveis de gerar esse efeito tóxico à tireoide.

Ainda que o baixo consumo de iodo possa ser uma causa de doença da tireoide, ela é muito restrita a regiões muito específicas em que não há iodo na alimentação. Apesar de, talvez, você nunca ter se preocupado com o consumo de iodo, muito raramente você deverá se preocupar com isso, pois este elemento é adicionado ao sal de cozinha e em muitos outros alimentos.

Por outro lado, o tratamento das diversas doenças da tireoide vão desde a reposição medicamentosa de iodo até procedimentos invasivos, como a cirurgia. Contudo, cada caso apresenta a sua indicação precisa e deve ser sempre acompanhada por um especialista (endocrinologista).

18 de Maio: Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil

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Autores: Letícia Massensini Oliveira e Vitor Yukio Ninomiya

O mês de maio é marcado por diversas mobilizações acerca do abuso infantil, momento em que ocorre o chamado “Maio Laranja”, um movimento promovido pela Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. O dia 18 do mesmo mês é considerado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil. Essa é uma data organizada pelo Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes e representa uma luta de extrema importância no Brasil.


A ESCOLHA DA DATA

Essa data foi escolhida como um marco simbólico pois, em 18 de maio de 1973, em Vitória-ES, foi cometido um crime bárbaro contra Araceli Crespo que, na época dos fatos, tinha apenas 8 anos de idade. No ocorrido, que ficou conhecido como “Caso Araceli”, a menina foi brutalmente violentada, abusada e assassinada. Os autores deste crime hediondo permanecem impunes. Por este motivo a data foi escolhida como um momento de conscientização sobre o tema.

O abuso sexual é uma violência que acontece quando alguém pratica ato libidinoso contra a criança. Não é necessário que o ato se concretize carnalmente para que o abuso seja considerado, atos cibernéticos (cometidos via internet) também se enquadram nessa categoria.

A exploração sexual ocorre quando a criança é oferecida para alguém que pagará pelos atos criminosos. Há, também, relação com o tráfico humano. 


ALGUNS DADOS SOBRE O TEMA

Dados obtidos através de registros do Disque 100 (número para denúncias de violações aos direitos humanos), foram divulgados pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e foi demonstrado que, em 2019, das 159 mil denúncias realizadas, 86,8 mil foram sobre violação de direitos da criança e do adolescente. Cerca de 11% das denúncias tinham relação com violência sexual. 

De acordo com dados divulgados pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, 73% dos casos de violência sexual ocorrem na casa da vítima ou do suspeito e em 40% dessas denúncias houve envolvimento do pai ou padrasto da vítima. Esse número pode aumentar considerando-se o número de casos não solucionados ou que não são de conhecimento de ninguém, pois a vítima pode ser ameaçada caso faça a denúncia. E, em alguns casos, a vítima é tão que nem mesmo sabe relatar sobre o ocorrido.

Em uma análise de 40 países com relação ao índice de abuso sexual infantil, o Brasil ficou na 11ª posição (quanto mais alta a posição, melhor é o combate a esse tipo de crime). No entanto, estima-se que apenas 10% dos casos de abuso no país são realmente notificados.


ALGUMAS DAS CONSEQUÊNCIAS

É importante lembrar que as violências citadas trazem inúmeras consequências na vida da criança. Os abusos sexuais com prática física podem causar lesões e doenças que causarão impactos não apenas no momento, mas também na qualidade de vida futura dessa criança. Dependendo do caso, a situação pode levar a quadros ainda mais graves.

Transtornos psicológicos também podem ser consequências do abuso e da exploração infantil. Podendo acarretar, também, em dificuldade de estabelecer vínculos afetivos, aparecimento de quadros ansiosos e/ou depressivos, dificuldade em possuir uma vida sexual saudável e dependência de substâncias. É importante lembrar que a violência pode causar traumas e levar a este adoecimento mental, porém vale ressaltar que cada pessoa poderá apresentar comportamentos diferentes após sofrer uma violência e é fundamental que um profissional seja procurado para oferecer ajuda especializada à vítima. 


CENÁRIO DE PANDEMIA

Sabe-se que durante a pandemia muitas famílias estão realizando o distanciamento social e, com o fechamento de escolas, muitas crianças estão passando mais tempo em casa. Esse é um momento crucial para que a informação circule pois, como citado anteriormente, grande parte dos registros de abuso possuem envolvimento de algum familiar ou conhecido.

No começo de 2020, quando as medidas de quarentena foram adotadas, houve uma diminuição no número de denúncias. Porém, especialistas alertam que isso pode ser consequência de uma subnotificação. Afinal, antes da pandemia, o maior número de denúncias era realizado por professores de escolas que as crianças frequentavam. Com o fechamento desses locais, o número de adultos que podem perceber algum comportamento diferente nas crianças diminuiu. Logo, o número de denúncias também caiu.


PREVENÇÃO

Com as informações passadas até aqui, fica evidente a necessidade de circulação desse tema para que crianças e adolescentes recebam a devida proteção contra os abusos. Mas como fazer isso?

É crucial conversar com crianças e jovens sobre o corpo, sobre o que é e não é permitido. É necessário ouvir, tirar dúvidas e ficar atento caso a criança mude de comportamento e passe a demonstrar atitudes diferentes das habituais. Existem materiais educativos que podem auxiliar nesse processo e, caso seja necessário, profissionais como psicólogos também podem auxiliar.

Também é importante estar atento a eventuais marcas pelo corpo, machucados e prestar atenção não apenas no que a criança diz mas também no que ela demonstra. Vale ressaltar que cerca de 7% das vítimas possuem algum tipo de deficiência e em alguns casos a comunicação pode ser prejudicada, por isso esteja sempre atento!


DENUNCIE !

Caso você perceba alguma situação de abuso ou necessidade de maior investigação sobre algum comportamento suspeito, denuncie! Você poderá utilizar canais como: Disque 100, aplicativo Direitos Humanos e o site da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Todos esses serviços são gratuitos e possuem funcionamento de 24 horas por dia, todos os dias. Também é possível acionar o Conselho Tutelar para que algumas situações sejam averiguadas. Para entrar em contato com a Polícia Militar disque 190.

Lembre-se: as denúncias podem ser realizadas de forma anônima e sua ação pode salvar vidas.

Referências:

 

Dia Mundial da Hipertensão Arterial: complicações, diagnóstico e tratamento da pressão alta

Autor: Ricardo Tadeu de Carvalho

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A pressão alta é uma das doenças crônicas que mais causam adoecimento e óbitos precoces no Brasil e no mundo. Felizmente, é uma doença evitável com a prevenção adequada. 

Suas complicações também podem ser reduzidas caso o paciente faça o tratamento adequado. Os resultados são ainda melhores se a hipertensão arterial for identificada precocemente!

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe este post!


O DIAGNÓSTICO E O TRATAMENTO DA PRESSÃO ALTA

Os limites da pressão arterial normal variam conforme a idade. O nível ideal da pressão arterial é abaixo de 120/80 mmHg, o famoso “abaixo 12 por 8” que todo paciente quer ouvir. Mas nem todos os resultados acima desse valor significam hipertensão. 

A última Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia definiu a hipertensão, como:

  • PA sistólica (PAS) maior ou igual a 140 mmHg; e/ou
  • PA diastólica (PAD) maior ou igual a 90 mmHg.

Esses são os valores que estão diretamente relacionados a um aumento significativo do risco das complicações que explicaremos a seguir. Eles devem estar alterados em duas medidas realizadas em dias diferentes.

A PRÉ-HIPERTENSÃO

No entanto, se sua pressão estiver entre 120/80 e 140/90, você pode ser considerado pré-hipertenso. Mesmo nesse intervalo, já existe um risco moderadamente aumentado de complicações.

Então, apesar de geralmente não indicar uma medicação na pré-hipertensão, seu médico vai levantar o alerta para a mudança dos seus hábitos de vida para controlar a pressão. Se você tiver outros fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, o tratamento medicamentoso pode começar ainda na fase de pré-hipertensão. 


O TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO

Se a hipertensão arterial tiver sido diagnosticada, o uso de medicamentos é fundamental e o paciente deve utilizá-los diariamente conforme a indicação do médico. Em todos os casos, a medicação não substitui bons hábitos de vida. Portanto, você deve manter uma rotina saudável para controlar o avanço da doença.


AS COMPLICAÇÕES DA HIPERTENSÃO ARTERIAL

Sem o tratamento, a doença persiste e essa adaptação do corpo começa a falhar. Por não darem conta de uma pressão tão alta por muito tempo, algumas complicações aparecem: 

INFARTOS

O excesso de pressão que o sangue faz nas artérias causa uma agressão no revestimento e nas paredes desses vasos. Isso faz com que as plaquetas (um tipo de célula do sangue) formem pequenas aglomerações (coágulos), se fixem e se acumulem na parede dos vasos (arterosclerose). Com o tempo, elas podem causar uma obstrução do fluxo de sangue para um órgão, como o próprio coração, causando o infarto. 

ISQUEMIAS E DERRAMES CEREBRAIS

Um coágulo que se desprende das artérias pode se desprender, ser carregado pela corrente sanguínea e obstruir os vasos do cérebro, causando uma isquemia cerebral.

Além disso, a hipertensão arterial sistêmica também faz com que as paredes das artérias do cérebro fiquem mais frágeis, aumentando o risco de que elas se rompam e causem um sangramento dentro do sistema nervoso.

REDUÇÃO E PERDA DA FUNÇÃO RENAL

A cada dia sem tratamento da hipertensão, seus rins perdem um pouco de sua capacidade de filtragem do sangue. Com o tempo, o dano pode fazer com que ele não funcione corretamente e substâncias tóxicas se acumulem no seu organismo, provocando outras complicações. Em casos graves, é necessário que o paciente faça hemodiálise;

Uma vez que você é diagnosticado com hipertensão arterial, a pressão alta, o tratamento deve persistir por toda a vida. Essa doença não tem cura! Mesmo que você recupere níveis normais de pressão por muito tempo, a doença vai se descontrolar se você não seguir a terapia indicada pelo médico. 

Você já conferiu nosso post sobre o que é e como surge a hipertensão arterial, a pressão alta? Então, não deixe de ler clicando aqui neste link!

O Dia Mundial da Hipertensão Arterial

Autor: Ricardo Tadeu de Carvalho

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A hipertensão arterial sistêmica, a famosa pressão alta, é uma das doenças crônicas mais comuns na população. Ela causa um grande impacto negativo na saúde dos indivíduos, aumentando o risco de adoecimento e de morte por doenças:

  • do coração, como o infarto agudo do miocárdio
  • dos vasos sanguíneos, como o acidente vascular cerebral (derrame cerebral);
  • dos rins, como a insuficiência renal, que pode levar à necessidade de hemodiálise.

O que pouca gente sabe é que essa doença é silenciosa na maior parte do tempo. Em outras palavras, você não sente a pressão subir. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não há nenhum sintoma de hipertensão arterial na maioria das vezes. Quer saber mais sobre essa doença e como preveni-la? Não deixe de ler o post até o final!


O QUE É HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA, OU PRESSÃO ALTA?

A pressão arterial é a força que o sangue faz contra as paredes da artéria. Isso depende de dois fatores, principalmente:

  • à força da corrente de sangue bombeado pelo coração a cada batimento;
  • à resistência que esse fluxo de sangue encontra nos vasos sanguíneos.

Imagine uma mangueira ligada a uma torneira. A pressão da água vem da torneira, não é mesmo? Mas quando a pressão da torneira não está suficiente, a gente coloca nosso dedo para que a força da água aumente.

É como se o coração fosse a torneira e as artérias a mangueira. Quando nosso organismo acha que a pressão não está suficiente para que o sangue chegue nos órgãos, ele tem mecanismos para abrir a “torneira” do coração e para “colocar o dedo” nas artérias para corrigir o problema.


COMO SURGE A PRESSÃO ALTA?

Aumentar a pressão arterial é muito importante para a nossa sobrevivência. Por exemplo, quando a gente corre ou faz uma atividade física, a pressão aumenta porque nosso corpo precisa de mais ar para funcionar. 

Contudo, a hipertensão é uma condição em que o corpo “exagera” nesses mecanismos e mantém níveis altos de pressão arterial constantemente. A pessoa não sente nada, pois esse aumento da pressão é gradual e nossos órgãos se adaptam a isso por um bom tempo.

Esse desequilíbrio da pressão acontece devido a uma predisposição do indivíduo, associada a maus hábitos de vida, como:

  • sedentarismo — a pessoa pratica menos de 150 minutos de atividades físicas durante a semana;
  • alimentação ruim — consumo de alimentos gordurosos, cheios de açúcar ou com excesso de sal (sódio);
  • obesidade e sobrepeso — o acúmulo de gordura na região da barriga aumenta o risco de desenvolvimento de hipertensão arterial, além de predispor ainda mais a pessoa ao surgimento das complicações da doença.

Para você ser diagnosticado com pressão alta, não é necessário que você tenha sentido dor de cabeça, pressão no peito, nem qualquer outra manifestação. Por isso, a única forma de diagnosticar a doença é pelo acompanhamento da sua saúde com um médico ou equipe de saúde, medindo a pressão periodicamente. Se eles identificarem que os valores estão alterados em diversas medidas, o diagnóstico pode ser feito. Então, para verificar se você tem hipertensão arterial sistêmica, não deixe de avaliar sua saúde com visitas regulares a um serviço de saúde. Isso pode salvar a sua vida!

Quer saber mais sobre o diagnóstico de pressão alta e seu tratamento? Confira nosso post sobre as complicações da pressão alta!

Disfagia: saiba o que é e o que fazer

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

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Idealizado pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, o Dia Nacional de Atenção à Disfagia (20 de março) foi criado com o objetivo de informar a população sobre como reconhecer os principais sintomas, reforçar as medidas de prevenção e orientar o indivíduo diante de uma suspeita desse sintoma. E, falando nisso, você sabe o que é disfagia? Sabe como fazer para prevenir ou até mesmo o que fazer caso você apresente esse sintoma? Acompanhe aqui e mantenha-se informado sobre o assunto!


ENTENDENDO A DEGLUTIÇÃO

Mulher utilizando máscara, com a mão no pescoço, indicando um incômodo

De maneira geral, podemos dizer que o processo digestivo consiste na fragmentação e preparação do alimento que levamos à boca até que este se torne pequeno o suficiente para que, então, o nosso organismo seja capaz de absorver os nutrientes. Todo esse processo ocorre dentro de um tubo digestivo de cerca de 9 (metros) metros e cada uma de suas partes possui uma função bem específica. E, falando mais precisamente no início desse processo todo, você sabia que existe um órgão em formato de um “tubo” que conecta e conduz o bolo alimentar da nossa boca até o estômago? Esse órgão é o esôfago e ele tem papel fundamental na deglutição.

A deglutição (ato de engolir algo), apesar de ser aparentemente simples, é um processo complexo e muito bem coordenado, que pode ser dividido em três momentos para melhor compreensão de seu mecanismo. O primeiro momento, também chamado de fase oral, inicia-se no momento em que decidimos engolir o alimento e encerra-se quando empurramos o bolo alimentar para trás, com a língua. Em seguida, temos a chamada fase faríngea, em que os músculos do fundo da cavidade oral se contraem involuntariamente para que o alimento seja impulsionado ao esôfago, após o fechamento da passagem da via aérea. Por fim, a terceira fase, conhecida como a fase esofágica, consiste na peristalse* deste órgão, levando o bolo alimentar até o estômago.

Peristalse* (movimento peristáltico ou peristaltismo) é o nome dado ao movimento unidirecional coordenado e involuntário de contração e relaxamento dos músculos do tubo digestivo, em uma espécie de onda que transporta o bolo alimentar por dentro de um tubo.


O QUE É DISFAGIA?

A disfagia é definida como a dificuldade no início da deglutição ou na progressão do alimento deglutido, da boca até o estômago. Portanto, a disfagia não é uma doença, ela é um sintoma associado ao ato de engolir algo. E, por ser um sintoma, caracteristicamente ela é percebida e descrita de maneira subjetiva, ou seja, pode ser assintomática ou a mesma queixa pode significar algo simples ou que exige uma investigação mais detalhada. 

De maneira geral, a disfagia costuma ser percebida como uma dificuldade ao engolir, não necessariamente acompanhada de dor, e muitas vezes acompanhada por tosse, engasgos junto à deglutição ou por sensação de algo entalado ou impactado. Além disso, pode apresentar diferentes graus de comprometimento, geralmente associados à dificuldade ou incômodo na ingestão de alimentos sólidos, podendo progredir para líquidos.

Existem diversas causas possíveis para o surgimento da disfagia, podendo ter como origem as malformações ao nascimento, distúrbios motores, obstruções do esôfago, disfagia funcional, divertículos, quadros neurológicos (demência, acidente vascular cerebral, doenças neurodegenerativas, síndromes neurológicas), infecciosos (candidíase, herpes, citomegalovírus, abscesso) e neoplásicos (tumores benignos e malignos), entre outros

O incômodo associado à deglutição pode apresentar diversas formas de apresentação, quanto a sua cronologia: ela pode surgir de repente (aguda) e geralmente está associada a obstrução do esôfago por um corpo estranho, o que deve ser investigado imediatamente em um serviço médico; ou então em suas formas progressiva (crônica) ou com interrupções (intermitente), e geralmente exigem uma investigação mais detalhada por exame clínico, laboratorial e de imagem.

A investigação da disfagia, a depender de sua causa, pode exigir exames como a endoscopia digestiva alta (EDA), exame radiológico com uso de contraste, manometria esofágica (exame para avaliar a capacidade de força dos músculos do esôfago), entre outros.


A DISFAGIA TEM CURA?

Como visto anteriormente, a disfagia é um sintoma bem abrangente e pode estar associado a diversas causas possíveis, o que dificulta o estabelecimento de uma abordagem terapêutica padronizada e geral. Por isso, é fundamental que o diagnóstico seja individualizado e que seja direcionado a um acompanhamento multiprofissional, de acordo com a sua causa.

O tratamento é conduzido de acordo com a doença de base que tem a disfagia como um de seus sintomas. Portanto, as modalidades terapêuticas podem contar com uma ou a união das terapias disponíveis, de acordo com a recomendação, como: reeducação e reabilitação da deglutição, por meio de exercícios de fortalecimento da musculatura; modificações na alimentação que facilitem a deglutição, como a preferência por alimentos líquidos e pastosos; associação medicamentosa; e até mesmo por meio de procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos.


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

O acompanhamento do paciente com disfagia pode ser feito em atenção primária, mas em sua grande maioria ocorre a nível de atenção secundária, por meio do acompanhamento ambulatorial. É fornecido ao paciente com disfagia um atendimento essencialmente multiprofissional, que conta com diversos profissionais como fonoaudiólogo, médico especialista (geralmente, o gastroenterologista) ou generalista, bem como por nutricionistas, enfermeiros e toda a equipe de saúde. Caso seja necessário, o paciente também pode ser referenciado a outros especialistas, a depender do diagnóstico, como o endoscopista, cirurgião, oncologista, entre

15 de Fevereiro: Dia Internacional do Câncer na Infância

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Diante de um tema tão pouco falado, porém tão importante quanto aos outros temas relacionados à saúde, criou-se o Dia Internacional do Câncer na Infância em 2002 pela Childhood Cancer Internacional (CCI). Com uma estimativa de 8.460 novos casos para o ano de 2020 (INCA), o combate ao câncer infantil tem como principal ferramenta a prevenção e a informação. Diferentemente dos cânceres em adultos, em que se ouve falar sobre diversos fatores de risco evitáveis para o seu desenvolvimento, como por exemplo o tabagismo no decorrer da vida, no câncer infantil a criança não têm essa oportunidade e acaba se tornando uma vítima genética, propensas a ter um certo tipo de câncer.

Hoje, cerca de 80% das crianças e adolescentes acometidas pelo câncer podem ser curadas, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados.

A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado!

A criança com câncer é sempre vítima de sua condição e, por isso, é totalmente dependente de seus responsáveis para que o enfrentamento da doença seja feito da melhor maneira possível. Por isso, manter-se informado sobre o câncer infantil é um ato de respeito e responsabilidade sobre a saúde de quem nada pôde ou pode fazer sobre a sua própria saúde.

Criança analisando radiogragia


O QUE É O CÂNCER E COMO ELE OCORRE NAS CRIANÇAS?

Câncer, ou neoplasia, é o nome dado a um grupo de mais de 200 doenças e que tem em comum o crescimento incomum e desordenado das células do corpo. O problema desse crescimento descontrolado é a possível alteração do funcionamento adequado dos órgãos em que ocorrem, podendo muitas vezes gerar condições agressivas e incontroláveis e que também podem se espalhar para outras áreas do corpo (metástases).

Naturalmente, todos os nossos trilhões de células vivas passam pelo processo natural de crescerem, se dividirem e morrerem de forma ordenada. Assim, o processo de renovação e substituição de nossas células pelo corpo é algo natural. O problema é que no câncer esse processo pode ser modificado das mais diversas formas possíveis, variando tanto no tipo celular, na fase da vida da célula, em quantidade e em malignidade de tal evento.

Diferentemente de como ocorre no adulto, o câncer infantil afeta principalmente as células do sistema sanguíneo e do sistema de sustentação do corpo (ossos, músculos), mas também podem atingir outras partes do corpo como sistema nervoso central, sistema linfático, rins, entre outros. Contudo, a principal característica dos cânceres infantis é o tipo celular afetado: as células embrionárias, ou seja as células indiferenciadas (células jovens que ainda não se diferenciam tanto das demais).

Os cânceres na infância têm como principal alvo as células embrionárias, o que, geralmente, proporciona melhor resposta aos tratamentos atuais!


VOCÊ CONHECE OS PRINCIPAIS CÂNCERES NA INFÂNCIA?

Gráfico câncer na infância

São mais de 200 tipos de cânceres possíveis, portanto fique atento às queixas da criança e nunca descarte a visita ao médico para esclarecer suas dúvidas.


QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS DO CÂNCER NA INFÂNCIA?

Antes mesmo de citar os principais sinais e sintomas, vale lembrar de que existem mais de 200 tipos de cânceres possíveis na infância e, portanto, seria impossível listar um sinal ou sintoma comum a todos eles, por isso fica aqui um alerta: raramente uma mãe, pai ou responsável irá suspeitar de câncer como a principal suspeita da condição de saúde da criança, e com o médico isso também é verdade. Não só pela sua baixa incidência, comparada às inúmeras outras comorbidades possíveis, mas pelo sinal ou sintoma muitas vezes ser comuns a mais de uma doença. Sendo assim, as consultas de rotina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) são essenciais para que seja levantada a suspeita do diagnóstico oncológico.

Tão importante quanto se informar sobre o câncer na infância, é essencial também que os pais ou responsáveis pela criança fiquem atentos às suas queixas. Nunca descarte a possibilidade de fazer uma visita ao médico, pois muitos dos sintomas são comuns a outras doenças e muitas vezes o diagnóstico de câncer se dá por pequenos detalhes que podem passar despercebidos.

Puericultura

Não existe uma tabela oficial sobre o número de consultas de Puericultura para todas as crianças, pois cada criança apresenta uma necessidade específica. Contudo, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda um número mínimo de consultas de acordo com a faixa etária:

IDADE

5 a 30 dias 2 a 6 meses 7 meses a 2 anos 2 a 6 anos 7 a 19 anos
FREQUÊNCIA Semanal Mensal Bimestral Trimestral

Anual

Como recomendação geral, os responsáveis pela criança devem estar atentos aos seguintes sinais: dor progressiva, febre sem causa aparente ou doença que não melhora, dor de cabeça frequente e acompanhada de vômitos, alterações oculares (pupila branca, estrabismo de início recente, perda visual, hematomas ou inchaço ao redor dos olhos), nódulo ou inchaço incomum, palidez repentina e perda de energia, sudorese noturna, dor óssea, hematomas ou sangramento, inchaço abdominal, quedas e contusões frequentes, mancar ao encaminhar e perda de peso repentina sem explicação.


COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DOS CÂNCERES

Diagnosticar câncer não é uma tarefa simples e, para isso, pode ser necessário a realização de alguns testes laboratoriais e de imagem. Da mesma forma, o tratamento pode variar de acordo com o tipo de câncer detectado em cada paciente, desde um procedimento cirúrgico até a realização de radioterapia ou quimioterapia. 

Dessa forma, o seguimento multidisciplinar é fundamental no acompanhamento de todos os pacientes oncológicos, relativo ao grau de complexidade e à necessidade de suporte psicossocial que cada paciente demanda durante o tratamento. Por isso, o preparo, o procedimento e a recuperação física e mental de cada paciente deve sempre ser individualizado para que sejam reduzidos, ao máximo, os possíveis e frequentes danos psicossociais resultantes do tratamento oncológico.

Os Cuidados Paliativos em Oncologia Pediátrica são essenciais no acompanhamento desses pacientes e deve ser inserido desde o momento em que for dado o diagnóstico. A melhora da qualidade de vida das crianças e adolescentes que enfrentam esse desafio terapêutico é fundamental para a otimização do conforto físico e mental de cada paciente.


PREVENÇÃO E ACOMPANHAMENTO

Infelizmente, ainda não existem evidências científicas que comprovem uma associação entre o câncer na infância e uma possível exposição de risco. Sendo assim, não há uma recomendação quanto à prevenção das doenças oncológicas na infância.

No entanto, o diagnóstico oncológico precoce possibilita grandes chances de sucesso no tratamento (cerca de 80%). Porém, vale lembrar que a continuidade no acompanhamento do paciente, mesmo após a cura, é essencial, visto que em todos os casos oncológicos há uma probabilidade variável de complicações futuras e de recidivas.


ACESSO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços, como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Quando o assunto é o câncer infantil, devemos ter em mente de que se trata de uma condição que exige um cuidado especializado, tanto no início quanto na condução do caso como um todo. Porém, por se tratar de um diagnóstico secundário ou até mesmo de exclusão, em muitos casos, a suspeita têm início na Unidade Básica de Saúde (UBS) e somente após um tempo é que o caso é encaminhado aos centros oncológicos especializados. Dessa maneira, ao procurar uma UBS, normalmente o caso é conduzido como um caso de baixa ou média complexidade que não responde ao tratamento inicial, o que levanta a hipótese para uma investigação mais detalhada do caso. Assim, somente após o paciente ser encaminhado aos centros especializados é que o tratamento ou acompanhamento torna-se eficaz, ou seja, por se tratar de um diagnóstico mais complexo o quanto antes o paciente for encaminhado, melhores serão as chances de se obter sucesso no tratamento.

O acompanhamento dos pacientes oncológicos é altamente individualizado. É formado por equipes de profissionais que conhecem as necessidades específicas das crianças e adolescentes com câncer.

 

Referências:

  • Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (INCA).
  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
  • American Cancer Society.

 

Fevereiro Roxo: Alzheimer, Fibromialgia E Lúpus

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Apesar de serem condições bem diferentes entre si, a doença de Alzheimer, a Fibromialgia e o Lúpus Eritematoso Sistêmico, possuem algo em comum: não existe cura. Mas calma, isso não significa necessariamente que nada pode ser feito em relação ao controle dessas doenças. Muito pelo contrário, elas são estudadas há um bom tempo e, apesar de não existir um tratamento para a resolução dessas condições, apresentam diversos tratamentos efetivos para atrasar ou evitar as crises características de cada uma. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para fornecer ao portador da doença uma vida com mais conforto. Acompanhe aqui algumas das principais características de cada uma delas.

Fevereiro roxo: alzheimer, lúpus e fibromialgia


DOENÇA DE ALZHEIMER

Provavelmente você já deve ter ouvido falar sobre a doença de Alzheimer, popularmente conhecida como a doença que leva à “perda da memória”, e não é por acaso, pois é a doença neurodegenerativa mais frequente no mundo. O crescente número de casos da doença é resultado do aumento da longevidade na população, uma vez que tal doença possui destaque em idades mais avançadas, geralmente após os 60 anos. Mas não se engane, a manifestação da doença não é exclusiva dos idosos e também pode estar presente, apesar de ser mais rara, em pessoas jovens, além de apresentar forte componente genético para o desenvolvimento da doença de Alzheimer.

Apesar de ter sido descrita em 1906 e dos avanços no diagnóstico e tratamento desta doença, ainda não existe uma cura para ela. Contudo, com os conhecimentos adquiridos até a atualidade sobre a evolução do Alzheimer, já é possível reduzir a velocidade de sua progressão e consequentemente proporcionar uma melhora da qualidade de vida. Além disso, diversos estudos mostram ser possível, em alguns casos, atrasar o surgimento da doença por meio do hábito em manter a mente constantemente ativa, seja pela execução de tarefas intelectuais mais complexas, seja por meio de atividades físicas com regularidade.

A perda da memória de curto prazo não é o único sintoma do Alzheimer. Ela é classificada precocemente como uma síndrome demencial, ou seja, além dos prejuízos cognitivos também apresenta déficits funcionais.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, ou seja, compromete os neurônios do cérebro de maneira progressiva. Portanto, o diagnóstico precoce tem como objetivo atrasar a progressão natural da doença, melhorando não somente a qualidade de vida dos indivíduos com a doença, mas de todos aqueles que se relacionam com o portador da doença.

Os sintomas da doença estão relacionados à perda da capacidade cognitiva do indivíduo, ou seja, ocorre prejuízo nos processos relativos ao aprendizado e à construção e resgate do conhecimento. Com a progressão da doença, além do comprometimento da memória, há também interferências no pensamento, na linguagem, na compreensão, na percepção da realidade e nas capacidades intelectuais e emocionais. Por isso, os sintomas iniciais podem facilmente ser percebidos por familiares e amigos como uma simples apatia, tristeza passageira ou perdas de memória, erroneamente relacionados à idade.

A negação do diagnóstico, muito comum aos pacientes que o recebem, está fortemente relacionada ao desenvolvimento de alterações comportamentais e outros distúrbios neuropsiquiátricos como os transtornos do humor, principalmente a depressão e a ansiedade.

O diagnóstico pode levar meses até a sua confirmação clínica, mas deve ser investigado o quanto antes para atrasar a evolução da doença. Por isso, ao perceber sinais de perda de memória, perda de capacidades físicas e mentais para executar tarefas mais complexas, apatia, tristeza ou depressão, bem como a perda de outras capacidades funcionais, procure auxílio médico (generalista, psiquiatra ou neurologista) para melhor esclarecimento. Algumas mudanças no estilo de vida e o tratamento farmacológico, quando bem prescritos, reduzem o avanço da doença de maneira significativa.


LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), ou apenas Lúpus, é a doença mais caracteristicamente associada às chamadas “doenças autoimunes”, isto é, condição em que o sistema imune produz anticorpos contra partes do próprio corpo, levando a um comprometimento funcional do organismo. Devido à sua forte associação com o estrogênio, hormônio produzido nos ovários, o lúpus está muito mais presente em mulheres (cerca de 10 mulheres para cada 1 homem) em idade reprodutiva e tende a mostrar seus primeiros sintomas entre a segunda e a terceira década de vida.

Também de causa multifatorial, o Lúpus possui forte correlação genética e possui risco aumentado de cerca de 17 vezes quando presente em parentes de primeiro grau. A doença caracteriza-se pela alternância entre as crises e os silenciamentos, sendo que muitas vezes o fator desencadeante, além dos hormonais,  comumente relaciona-se à exposição solar (raios ultravioleta), às infecções (principalmente virais) e ao tabagismo. A exposição a esses “gatilhos” resultam na resposta autoimune responsável pelos períodos de atividade da doença (crises) e consequentemente na desregulação funcional do organismo, o que se manifesta nos diversos sintomas possíveis da doença.

Evitar os gatilhos da doença (evitar a exposição solar desprotegida, infecções e tabagismo) e o acompanhamento médico com regularidade, permitem a melhora da qualidade de vida, pois aumentam os períodos de silenciamento da doença e evitam ou reduzem a ocorrência das crises.

Os sintomas da doença são bem variados e, apesar das lesões de pele serem as mais conhecidas (vermelhidão, fotossensibilidade, queda de cabelo, cicatriz, atrofia, bolhas), há também o acometimento musculoesquelético (dor articular, muscular, inchaço), renal (inflamações até doença renal crônica), pulmonares (infecções, hemorragias), vasculares (inflamação, trombose), hematológicas (principalmente anemia), cardíacas (inflamação do tecido cardíaco, assim como do tecido que reveste o coração, infarto agudo do miocárdio), gastrointestinais e neuropsiquiátricas (doenças dos nervos periféricos, AVC, transtornos do humor, psicose, convulsões). Ou seja, pode comprometer todo o organismo, variando tanto em local quanto intensidade. Por isso, o acompanhamento médico, além de direcionar a conduta de maneira individual, é essencial para que os períodos de silenciamento da doença sejam prolongados, melhorando assim a qualidade de vida.


FIBROMIALGIA

No Brasil, a fibromialgia é a segunda doença reumatológica mais comum depois da osteoartrite. E, por falar em reumatologia, vale destacar que a fibromialgia não é uma doença autoimune. Podemos defini-la como a síndrome da fibromialgia o conjunto de sinais e sintomas característicos, no qual frequentemente estão presentes a dor crônica difusa, fadiga, transtorno de humor e distúrbio do sono. Contudo, a sintomatologia é bastante variada e outros sintomas mais subjetivos podem ser referidos, como: sensação de formigamento, inchaços, palpitações, distúrbios funcionais gastrointestinais, dor de cabeça e distúrbios psicossomáticos diversos. Além disso, a fibromialgia ocorre mais frequentemente em mulheres (cerca de seis a dez mulheres para cada homem com a doença), costuma ser diagnosticado entre 25 e 65 anos e possui agregação familiar frequente.

A fibromialgia não possui uma única causa no seu desenvolvimento, ela é multifatorial e conta com a interação entre fatores genéticos e ambientais. De maneira simplificada, pode-se dizer que a fibromialgia é percebida subjetivamente por cada indivíduo que desenvolve esta doença, mas que compartilha em comum a alteração da percepção da dor e que, consequentemente, quando não tratada precocemente e de maneira individualizada tende a gerar as demais sintomatologias citadas, principalmente quando relacionadas aos transtornos de humor e psicossomáticos.

A fibromialgia ou síndrome da fibromialgia é frequentemente percebida pelos seguintes sintomas: dor crônica, fadiga, transtorno de humor e distúrbio do sono.

Sendo assim, apesar da ausência de uma cura para a fibromialgia, muito pode ser feito em relação ao tratamento dos seus diversos sintomas possíveis. Em especial, o caráter multidisciplinar da condução desta doença tem como um de seus pilares a importância das medidas não farmacológicas, que consistem em atividades físicas, higiene do sono e psicoterapia. E, quanto às medicações há um vasto campo de ação, devendo esta ser individualizada cuidadosamente e evitando o uso de anti-inflamatórios.


ACESSO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 80% das demandas de saúde da população sejam resolvidos no atendimento primário, sem que haja necessidade de encaminhamento a outros serviços,  como especialistas, emergências e hospitais. Na atenção primária são oferecidos ao público os seguintes serviços de saúde: fazer curativos, fazer inalações, tomar vacinas, coletar exames laboratoriais, tratamento odontológico, receber medicação básica e encaminhamentos aos atendimentos especializados.

Nos casos de pacientes com a doença de Alzheimer, Lúpus Eritematoso Sistêmico ou Fibromialgia há uma grande variedade na condução dos casos, principalmente no início, quando há necessidade em excluir outros diagnósticos ou até mesmo quando há doenças sobrepostas. Sendo assim, todos eles costumam ter início da condução no serviço de atendimento primário para que então seja feita a avaliação sobre a necessidade de encaminhar aos serviços especializados.

Referências:

Alzheimer’s Disease International

American College of Rheumatology

 

Intoxicação alimentar: saiba o que é e como evitar

Autor: Vitor Yukio Ninomiya

Com a chegada do verão e das festas de final de ano, há também uma alteração no perfil alimentar das pessoas. Seja pela chegada das férias em que as refeições fora de casa se tornam mais comuns, ou pela própria adaptação do cardápio à época, devemos ficar atentos a algumas questões sanitárias importantes à segurança alimentar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mundialmente, cerca de 600 milhões de pessoas adoecem por conta de intoxicação alimentar e 420 mil morrem por essa causa, anualmente. E, por se tratar de uma doença evitável e altamente dependente das medidas preventivas no que diz respeito às condições sanitárias, conhecer e aplicar tais medidas são as principais ferramentas que temos para contornar essa doença. Saiba aqui o que é e como evitar a intoxicação alimentar!

Higienização dos alimentos


INTOXICAÇÃO OU INFECÇÃO ALIMENTAR?

De maneira geral, utilizamos a expressão “intoxicação alimentar” para fazer referência a uma doença gastrointestinal que tem como causa a ingestão de alimentos contaminados, mas ela engloba dois conceitos distintos: a infecção e a intoxicação alimentar.

A infecção alimentar é definida como sendo a presença de microorganismos nos alimentos, no qual a sua ingestão relaciona-se ao desenvolvimento de doenças. Um exemplo é a contaminação de ovos crus pela bactéria Salmonella que, quando ingeridos, podem causar a Salmonelose.

Já a intoxicação alimentar é definida pela presença de toxinas de microrganismos presentes nos alimentos, ou seja, a ingestão da toxina do microorganismo é que leva ao quadro de intoxicação alimentar. Um exemplo é a ingestão da toxina botulínica, produzida pela bactéria Clostridium botulinum, presente em alimentos processados sem o preparo adequado.


CUIDADOS NO PREPARO DOS ALIMENTOS

  • Higienize as mãos com água e sabão por 40 a 60 segundos antes, durante e após o preparo dos alimentos;
  • Lave seus utensílios, tábuas de cortar e bancadas com água quente e sabão antes do uso;
  • Lave frutas e vegetais frescos em água corrente e deixe de molho por pelo menos 30 minutos em solução com cloro;
  • Evite a contaminação cruzada dos alimentos (exemplo: carnes cruas de alimentos prontos): a preparação deve ser feita em tábuas e utensílios distintos daqueles utilizados em alimentos prontos. Da mesma forma, o armazenamento em refrigerador deve ser muito bem separado para evitar a contaminação;
  • Armazenar os alimentos em geladeira em temperatura inferior à 4º C;
  • Cozinhar em temperatura e tempo apropriados para certificar a eliminação de possíveis contaminantes;

ALIMENTO

TEMPERATURA

Cortes inteiros de boi, porco, vitela ou cordeiro

62,78ºC ou 145ºF 

Carnes moídas, como bovina e suína

71,1ºC ou 160ºF

Aves, incluindo frango e peru moídos

62,78ºC ou 145ºF 

Presunto fresco (cru)

62,78ºC ou 145ºF 

Peixes

62,78ºC ou 145ºF ou até a carne ficar opaca


CUIDADOS NAS REFEIÇÕES FORA DE CASA

  • Verifique as condições sanitárias do estabelecimento previamente. Procure certificados que possam garantir a segurança alimentar;
  • Procure por práticas seguras de manipulação de alimentos pelos funcionários do local. Se desejar, verifique como a sua refeição está sendo preparada, verifique se os funcionários estão usando luvas ou utensílios para manusear alimentos que não serão cozidos mais, como frios e saladas verdes;
  • Certifique-se do cozimento adequado de sua refeição, principalmente de alimentos como carne, frango e peixe, que precisam ser cozidos a uma temperatura alta o suficiente para eliminar microorganismos que possam estar presentes. Caso julgue necessário, retorne os alimentos para que sejam cozidos até estarem seguros para consumo;
  • Verifique se a temperatura do alimento está em sua temperatura habitual de ser ingerida;
  • Verifique se o alimento está há muito tempo exposto, principalmente em restaurantes com serviço self-service;

Os microorganismos que causam intoxicação alimentar crescem rapidamente quando os alimentos estão entre 4 °C e 60 °C.


ALIMENTOS COM MAIOR RISCO

Quando o assunto é a higiene alimentar, sabemos que qualquer deslize nos cuidados sanitários pode ser suficiente para o quadro de intoxicação ou infecção alimentar. Sendo assim, com base no maior risco de contaminação, veja abaixo a lista com os alimentos que exigem um cuidado ainda maior no preparo e consumo:

  • Ovos crus e receitas em que são acrescentadas para preparação, como a maionese;
  • Frutas e verduras cruas, pois alguns microrganismos só são eliminados após uma higienização com solução contendo cloro;
  • Carne mal cozida, pois pode estar contaminada com microorganismos que muitas vezes exigem um cozimento lento e sob pressão.
  • Leite não pasteurizado (processo físico que elimina bactérias como a salmonella).
  • As ostras são moluscos que obtêm seus alimentos por meio de um processo que filtra os microorganismos presentes no ambiente aquático. Assim, saber a origem delas é crucial para saber se o alimento é seguro para consumo.

Frutas e verduras devem ser deixadas de molho por pelo menos 30 minutos em uma solução contendo 1 colher de sopa de água sanitária para cada 1 litro de água.


Dor de barriga

SERÁ QUE ESTOU COM INTOXICAÇÃO ALIMENTAR?

É importante ressaltar que, mesmo com todos os cuidados sendo tomados, ainda há risco de intoxicação, devido aos diversos fatores envolvidos no preparo do alimento. Um pequeno deslize no cuidado, muitas vezes imperceptível, acaba sendo o responsável pela intoxicação alimentar. Por isso, é sempre importante ter a prevenção um hábito cada vez mais reforçado: verifique a condição atual do alimento, armazenamento, local responsável pelo preparo e mantenha as medidas básicas de higiene, higienizando as mãos antes e após as refeições.

Ainda que os sintomas relativos à intoxicação alimentar possam apresentar uma grande variedade, as principais queixas tendem a ser as gastrointestinais, principalmente o vômito e a diarreia. Com isso, o fator comum é a grande perda de água e nutrientes no decorrer da evolução da doença. Assim, um dos principais riscos de um paciente com intoxicação alimentar é a desidratação. Por isso, a recomendação de ingestão de líquidos passa a ser ainda mais importante nesse verão.

Durante um episódio de suspeita de intoxicação alimentar, evite a ingestão de leite. Mesmo que você não apresente intolerância à lactose (açúcar presente no leite e em seus derivados) os sintomas gastrointestinais podem piorar após a sua ingestão.

Em caso de suspeita de intoxicação alimentar, procure atendimento médico. Com frequência, o diagnóstico é fornecido após um bom relato ao médico e você pode ajudá-lo respondendo a algumas perguntas simples, mas que fazem toda a diferença na hora da condução do seu tratamento. Portanto, assim que apresentar os sintomas de intoxicação alimentar, tente obter as respostas para perguntas abaixo para relatar com detalhes ao seu médico:

  • Quais alimentos você ingeriu nos últimos dias (detalhamento aqui é importante)?
  • Alguém que estava com você durante as refeições está com sintomas semelhantes?
  • Vomitou ou teve diarréia nos últimos dias? Como era o aspecto delas?

Outras perguntas deverão ser feitas durante a consulta, principalmente a respeito dos seus sintomas no momento da consulta, mas leve consigo a resposta detalhada das três perguntas acima para que ele possa te ajudar da melhor forma.

Referências:

  • Centers for Disease Control and Prevention. How to Prevent Food Poisoning. Acesso em 21 de dezembro de 2020.
  • Organização Mundial da Saúde. Segurança dos alimentos é responsabilidade de todos. Acesso em 21 de dezembro de 2020.